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terça-feira, 4 de novembro de 2008

"So Your Dog's Not Lassie" - Cap. 1: Parte II

Vamos para mais uma parte do resumão do livro? Meus comentários seguem em itálico, ok?


Boa leitura e até a próxima atualização!

Características comportamentais: ame-as ou odeie-as
Ainda bem que nem todos os cães são a Lassie! Se você está lendo este artigo, é porque provavelmente gosta de cães que pensem por si sós. Mas, enquanto nós admiramos nossos cães espertos, também gostaríamos de levá-los junto conosco a diversos lugares, apresentá-los a nossos amigos e, quem sabe, exibi-los, seja em exposições ou competições (obediência, agility etc). Todos estes objetivos podem, sim, ser alcançados!

Independência, dominância, inteligência, determinação, níveis de energia altos/baixos, instinto de caça e sensibilidade ao toque podem interferir no adestramento. Todos os cães apresentam algum nível destas características. O cão “difícil” pode ter uma ou mais delas. A intensidade das características determinam quão difícil o cão será. Conforme lê, preste atenção em quais características você reconhece em seu cão.

Independência
Provavelmente é a característica mais comum nos cães “difíceis”. Eles podem tanto ficar conosco como nos deixar, na maior! Mas isto não quer dizer que eles não nos amem, só mostra que eles têm vida própria.

Um dos fatores que tornam um cão independente é o instinto de matilha. Um cão com alto instinto de matilha interage com ela e cumprem seu papel individual designado pelo líder ou outros membros da mesma. Como os cães dos grupos de trabalho, esportivo e pastores tendem a ter um alto instinto de matilha, eles respondem bem aos nossos comandos. Por outro lado, um cão com baixo instinto de matilha não tem uma necessidade grande de ser parte da mesma ou de agradar seus donos.

Um cão desses reluta em vir prontamente quando chamado ou nos seguir no comando “Junto”.

Mas a independência tem as suas vantagens, com certeza! Esses cães podem ser deixados sozinhos. Se sentem confortáveis nos exercícios de “Fica”. Não entram em pânico em situações estranhas.

Os cães independentes podem:
- ser indiferentes a pessoas ou outros animais;
- não gostar de ser acariciado;
- reclamar enquanto cuidamos de sua pelagem;
- gostar de ficar sozinho;
- virar a cara quando damos uma bronca básica nele.

O cão independente não pode ser tratado brutalmente. Sabendo isso agora, você poupará frustração. Ele deve ver que qualquer esforço que ele faça será recompensado.

Donos que têm sucesso com seus cães independentes dispensam o ditado “o dono é o mestre e o cão o servo”. Ao invés disso, sabem que o respeito deve ser mútuo.

DICA!! O dono deve criar um cenário do tipo “todos ganham” com o cão independente. Ao começar o adestramento, o cão deve acreditar que será muito divertido e que ganhará alguma coisa. Convença-o que o adestramento é um jogo e que ele será muito bobo se não quiser brincar. Aqui eu faço isso com a Suzie, faço os comandos como se estivéssemos brincando mesmo. Apesar de ela não se enquadrar exatamente na categoria dos cães independentes, ela sabe que ganhará recompensas, que o adestramento é um jogo (tanto que não uso guia nem coleira quando estou em locais seguros e estou “brincando” com ela) e ela se diverte pra caramba. Chega a dormir horas seguidas depois. Nossa relação também é baseada no respeito, e não na servidão.

Corrigindo o cão independente
Há séculos usam-se elogios para motivar os cães. Mais recentemente, o reforço positivo tem se tornado cada vez mais popular e usam-se também petiscos, brinquedos e outras recompensas que o cão gostar.

Mas, tudo tem um lado “negro”: elogios e outros motivadores positivos têm sido usados em conjunto com corretivos físicos ou métodos brutos de adestramento. As pessoas dão trancos nos pescoços dos cães, algumas até enforcando-os. Alguns adestradores apertam as orelhas do cão ou gritam muito com ele se ele não responder. Enquanto estas estratégias podem funcionar com alguns, não funcionam com todos os animais. Os animais que não respondem a estes métodos brutos são taxados de “não adestráveis”. Os adestradores não percebem que é o método, não o animal, que interfere no adestramento.
Sou prova viva disso, gente... já conversei com dois adestradores, e ambos falaram que os Whippets não são adestráveis, são burros demais pra aprender e não trabalhariam com a Suzie. Eu perguntei o motivo e nenhum soube me responder. Perguntei se eu poderia ver uma aula deles, nenhum quis deixar. De um eu vi escondida... risos. Ele realmente usa estes métodos brutos de adestramento, e fiquei muito feliz dele não querer pegar a Suzie. Com certeza ela não seria essa cachorrinha confiante em humanos que é hoje se tivesse ido parar nas garras do lobo mau. Por isso decidi fazer tudo sozinha, autodidata mesmo. Hoje, esse adestrador fica bobo de ver como a Suzie é comportada, e eu nunca precisei bater ou gritar com ela pra ensinar ou corrigir alguma coisa.

Não são apenas as raças “difíceis” que não respondem à força. Correção junto com recompensas falham com cães tímidos, sensíveis ou dominantes de qualquer raça, mesmo das mais tradicionais em adestramento. Um pastor tímido congela quando lhe é dado um comando.

O uso de métodos físicos leva muitos cães independentes a virar “resistentes passivos”. Ou seja, o cão se senta e não faz absolutamente nada. Por exemplo, se seu cão anda bem devagar quando vocês estão trabalhando o “Junto” (na guia), a correção usual é dar trancos repetidos na guia, seguidos por elogios. Em muitos casos funciona e o cão faz um bom trabalho. Mas tire a guia e tudo muda de figura! Sem ela, o cão fica cada vez mais atrás de você (isso se ele não ficar sentado lá no começo e nem se mover). O cão não aprendeu a andar junto. Ao invés disso, ele aprendeu que deve ficar com você ENQUANTO usa a guia.

CUIDADO!! Correções físicas (bater e gritar com o cão) podem levar à resistência passiva, uma resposta muito difícil de contornar depois.

Dominância
Enquanto um cão independente ignora seus comandos, um dominante pode rosnar para você. “Ousa me desafiar? Então, vou mostrar pra você...”. A dominância é extremamente comum em raças de luta e guarda, além de nos cães de caça criados para caçar sós. Muitas das características que tornaram estes cães bem sucedidos (sobreviveram) não o tornam fáceis de adestrar. Em uma briga por sobrevivência, não há espaço para um cão que recue. Este tipo de cão é um líder natural. Se o dono não se estabelecer claramente como líder desde o começo, o cão irá pegar este papel para ele. E onde o dono fica nessa história? Abaixo do cão na hierarquia. Estes cães tendem a não ouvir seres “inferiores”, que agora incluem seus donos.

A dominância, porém, se transforma em comportamentos positivos. Líderes naturais geralmente se mantém calmos, ficam tranqüilos quando deixados sozinhos e não têm medo de situações novas. Lidam com as correções sem se estressar, mas requerem pulso firme (sem ser necessária força física).

DICA!! Primeiro se estabeleça como líder da matilha antes de começar o adestramento.

Os cães dominantes geralmente mostram comportamentos defensivos, tais como:
- proteger comida, território, brinquedos etc;
- rosnar e avançar quando não deixamos que façam suas vontades;
- desejo de brigar;
- se mantém firmes em situações novas ou assustadoras.

Apesar da possível ameaça que pode ser, um cão dominante pode ser muito bem adestrado, se o dono se estabelecer como líder.

Tudo depende de você. Você pode mostrar que é o líder fazendo o cão se sentar ou deitar antes de dar-lhe qualquer coisa que ele queira: comida, carinho, brinquedos, passeios.
Eu faço a Suzie fazer um monte de coisas antes de comer, antes de receber carinho quando chego em casa, antes de passear. Mas faço isso numa boa, sem gritar e nem nada, só pra ela se sentir útil, trabalhando pra conseguir o que precisa e/ou deseja. E vocês precisam ver o brilho nos olhinhos de jabuticaba dela ao fazer o que eu peço (e também a alegria da Letícia, ela fica toda eufórica, gargalhando e chamando a Suzie – até ela já fala pra Suzie sentar, deitar, dar a patinha... risos).

CUIDADO!! Evite confrontar o seu cão dominante usando força física. Eles podem reagir e lhe machucar seriamente, ao invés de se submeter.

Inteligência
Por que um cão inteligente é difícil de treinar? Fácil. Muitos dos caçadores e lutadores dependiam da sua capacidade cerebral para sobreviver. O cão precisava analisar e aprender com cada oponente e de cada experiência. A inteligência combinada com a independência e/ou a dominância capacita o cão a “ler” nosso humor, saber até quando podem nos pressionar e a nos agradar. Quando você tem um cão com estas três características, você tem também um cão que cria suas próprias variações do comportamento desejado.

As raças “fáceis” não tomam grandes decisões: os donos o fazem. As raças “difíceis” podem ser muito inteligentes. Inteligentes demais para nós.

DICA!! O cão inteligente precisa de estímulos. Como a rotina pode se tornar entediante, você deve incluir variações no adestramento. Faça jogos que encorajem o cão a pensar: esconda brinquedos, seguir trilhas de odor. Use sua imaginação! Aqui eu uso muito a imaginação. Eu me escondo e ela tem que me procurar; escondo petiscos e brinquedos pela casa; coloco petiscos em locais de difícil acesso pra ela usar a cabecinha e achar um jeito de pegá-los (sempre acha), além das brincadeiras de adestramento, claro. Isso quando tenho tempo, não é sempre, infelizmente. Mas também a estimulo nos passeios diários, deixando-a cheirar, interagir com outros cães.

Existe um Einstein canino em sua casa? Sinais de inteligência:
- habilidade para achar uma saída através de uma barreira (como uma cerca);
- encontra mil e uma maneiras de se meter em confusão;
- responde aos nossos comandos baseado na avaliação do nosso humor (com certeza – eu nem penso em fazer nada com a Suzie quando estou cansada, irritada... sei que ela não fará de jeito nenhum!);
- habilidade de compreender muito rápido as palavras;
- uma curiosidade que o faz explorar, escapar e observar suas ações bem de perto se ele as achar interessantes (aqui a Suzie acha super interessante eu cuidar da Letícia: dar banho, trocar fralda, levar na privadinha, dar de comer; além de achar interessante eu digitar, lavar louça, fazer comida... ta sempre me observando. Brinco que é “A Sombra”).

Determinação
Determinado é o cão que, quando focado em alguma coisa, é difícil de distrair. Este cão pode não ouvir os comandos porque está prestando atenção naquele Poodle do outro lado da rua. Nossa, parece a descrição da Suzie... risos. Nunca vi ela ficar surda do jeito que fica quando foca em alguma coisa. O de vocês é assim também?

DICA!! A repetição paciente de comandos, sem muita variação, geralmente é bem sucedida. Aja como se você estivesse se divertindo e brinque com o cão durante as aulinhas de adestramento.

Quando um cão determinado está roendo o sofá, você pode até conseguir distraí-lo temporariamente com um brinquedo ou petisco, mas, logo depois, ele volta pro sofá para terminar o serviço de tapeceiro!

O cão determinado:
- volta àquela velha idéia, mesmo quando você achava que tinha distraído-o com sucesso;
- ignora correção física – no meu caso, é quando estou andando e puxando (sem dar trancos, nem enforcando, só pra lembrá-la que ela está passeando, e não caçando) ela pra continuar, mas ela anda com a cabeça voltada pro “gatinho, mamãe, quero pegar o gatinho!!!!”. Depois, ela suspira e como que diz “ta bom, o gatinho foi embora mesmo. Onde paramos?”.
- mostra comportamento obsessivo (buscar a bolinha 75 vezes, etc);
- arruma sempre um jeitinho de fazer alguma coisa, mesmo que demore três semanas.

O lado positivo: uma vez que você tenha ensinado algo a ele, geralmente ele executa o comando nas mais diversas condições. Não se abalam com acidentes ou erros no adestramento depois que aprenderam um comportamento.

CUIDADO!! Evite correções duras. O cão pode estar focado em outra coisa e não ter percebido que você deu um comando. A correção parecerá injustificada ou injusta, o que levará o cão a não mais confiar em você, prejudicando tanto o adestramento quanto os laços que lhe unem a ele.