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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cães mimados

Muitos podem pensar que cão mimado é aquele que dorme dentro de casa, come a melhor comida, tem brinquedos, usa roupas, convive próximo ao dono. Não há nada de errado em nenhuma dessas situações! O cão pode ter uma vida confortável sim, sem ser nada mimado.

Então, o que caracteriza um cão mimado?

Cão mimado é aquele que não foi educado desde filhote; aquele que é tratado como um humano verticalmente reduzido e peludo; aquele que não aceita que o dono mexa em seu prato de comida e/ou que retire um brinquedo/osso dele. Cão mimado é aquele que treina o dono, e não o contrário - late para chamar atenção, porque quer comer, porque quer sair (e a lista continua) e o dono atende à sua demanda; aquele que cutuca o dono porque quer qualquer coisa, e o dono acata sua ordem.

Um cão é mimado quando você lhe dá algo sem ele ter feito nada em troca e, também, quando você permite que ele faça determinado comportamento, e até ache graça dele, e depois se arrependa. Familiar? No primeiro caso: ah, que lindo da mamãe, deixa dar um biscoitinho pra você, só porque eu te amo muito! No segundo: que lindo, tão pequenininho e já me defendendo. Meses depois... estou preocupada, ele ataca todos que chegam perto de mim!

Então, o que fazer? Quero dar o melhor para meu cão, mas não quero que ele seja mimado! Não é difícil: basta que ele receba tudo o que quer depois de fazer algo que nós queiramos. Quando usamos o programa “Nothing In life Is Free (NILIF)” ou “Nada na vida é de graça”, ensinamos ao cão que ele precisa fazer algo que queiramos (como sentar, deitar etc) para ganhar algo que ele queira (passear, comer, carinho etc). Não é nenhum bicho de sete cabeças: a grande maioria dos cães aprende a sentar em poucas lições. E, depois de um comando aprendido, aprender outros acaba se tornando mais fácil, pois ele já tem o hábito de aprender algo novo.

Quando o cão entender que para ele ganhar qualquer coisa precisa sentar, é só uma questão de você esperar ele oferecer este comportamento. Não peça para ele sentar, simplesmente espere que ele o faça. E ele o fará, acredite!

Ao fazermos isso, ensinamos nossos cães a controlar seu comportamento: eles acabam fazendo um bom comportamento sem que precisemos falar-lhes toda hora. E não se esqueça: sentar não precisa ser o único comportamento desejado. Seja criativo! Quanto mais seu cão souber, mais a vida dele será rica, mais fácil ele aprenderá novos comandos e mais fortes serão os laços que unem você a ele.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tipos de Aprendizagem

Quando falamos em "aprendizagem", falamos em uma mudança no comportamento que é resultado das experiências que o cão teve. Esta mudança pode ser devido à educação canina ou o produto final da relação do cão com o ambiente onde vive. Há mais de 200 anos o filósofo John Locke concluiu que aprendemos por associação - uma conexão que estabelecemos mentalmente entre os eventos que ocorreram em determinada sequência. Por exemplo: quando vemos e sentimos o cheiro do chocolate, o comemos e achamos uma delícia, a próxima vez que virmos e sentirmos o cheiro de chocolate, teremos a expectativa de que será delicioso se o comermos.

Pode haver dois tipos de associações. A primeira é a associação de dois estímulos ou impressões sensoriais, enquanto a segunda é a associação entre uma ação e o seu resultado. Estas duas formas existem porque há diferentes tipos de aprendizagem. Um exemplo do primeiro tipo de associação é quando, ao vermos um clarão no céu ele sempre vem seguido pelo trovão. Depois de um tempo, sempre que virmos o clarão no céu, ficaremos tensos, esperando o barulho do trovão. Este tipo é chamado "Classical Conditioning" (condicionamento clássico - tradução livre). A palavra "condicionamento" é só um jargão para aprendizagem, e o "clássico" é devido a ser a primeira forma de aprendizado que foi devidamente estudada.

O "Operant Conditioning" (condicionamento operante) é quando se aprende através da associação de um estímulo e uma resposta. Por exemplo: ao apertamos um botão daquelas máquinas de salgadinhos, um deles cai e o pegamos. É chamado condicionamento operante porque aprendemos que o que acontece é devido a uma ação nossa. Embora devamos considerar cada um destes tipos como diferentes, os dois estão envolvidos na mesma tarefa.

Um exemplo prático que tenho aqui em casa, do clássico, é quando vou dormir com a Suzie e o Luis fica trabalhando/estudando no computador. Um pequeno detalhe antes de continuar: Suzie pode dormir comigo ou com o Luis na cama, mas não com os dois juntos. Quando os dois vão dormir, ela vai pra sala, dormir onde bem entender (normalmente no sofá). Voltando. Quando o Luis termina, ele desliga o estabilizador e vai pra cama. No começo, ele chegava o quarto e tirava a Suzie, seja no colo, seja chamando-a. Hoje, ao ouvir o barulho do estabilizador sendo desligado, ela mesma já se levanta, sai da cama e vai pra sala.

Já o exemplo do segundo, é quando está sendo educada: sabe que a ação dela sentar é que fará com que ganhe petisco (ou passeio, brinquedo, carinho - qualquer coisa que ela queira).

E na sua casa? Quais os exemplos de cada um dos tipos de aprendizagem você tem?

domingo, 9 de outubro de 2011

Comportamentos compulsivos - Parte I

Esse é um problema muito comum nos cães (e gatos também) hoje em dia. Por isso, vou fazer dois posts sobre o assunto, porque ele é extenso. Neste post vou falar sobre lamber, coçar e roer. Espero que gostem. No outro, falarei de um modo mais geral de todos os comportamentos compulsivos.


Cães e comportamentos compulsivos: Coçar, Lamber e Roer

Seu cachorro se coça a noite toda? Lambe as patas sem parar? Morde o próprio rabo? Se isso te deixa nervoso, já imaginou como seu cão se sente?

Estes comportamentos compulsivos são relativamente comuns em cães e as causas são inúmeras. Mas, podem ser prejudiciais. Um dos primeiros sinais de que seu cão tem um problema pode ser o desenvolvimento de um “hot spot” - uma área avermelhada e úmida, devido às lambidas e mordidas persistentes. Embora o hot spot – ou dermatite úmida – possam aparecer em qualquer parte do corpo dão cão, são mais comuns na cabeça, peito ou quadril. Como os cães coçam, lambem ou mordem insistentemente um local quando este fica irritado, os hot spots podem ficar grandes e inflamadas rapidinho.


Quais os motivos?
Os motivos são variados: vão desde alergias a tédio, passando por infestação por parasitas:
  • Alergias. Quando o cão se coça demais, normalmente é resultado de alergia alimentar ou ambiental, que inclui mofo e pólen. Os cães também podem desenvolver uma irritação, chamada de dermatite de contato, quando em contato com substâncias como pesticidas ou produtos de limpeza.
  • Tédio ou ansiedade. Assim como a gente, quando ansioso, roi unhas ou torce o cabelo, os cães também têm respostas psicológicas à ansiedade. Alguns cães desenvolvem algo parecido com o transtorno obsessivo compulsivo dos humanos. Pode se manifestar com o cão se coçando, lambendo ou mordendo, que podem causar machucados graves!
  • Pele seca. Inclui vários fatores, como o tempo seco do inverno ou deficiência de ácidos graxos. O cão fica desconfortável e acaba se coçando ou lambendo para se aliviar.
  • Desequilíbrio hormonal. Se o cão não produz os hormônios da tireoide ou fabrica muito cortisol, infecções da pele, superficiais, podem aparecer. Você pode ver pequenas manchas vermelhas, e o peludo vai coçar e lamber, porque elas incomodam.
  • Dor. Quando tentar descobrir porque seu cão se lambe ou se morde em excesso, veja se não há algo que o deixa fisicamente desconfortável. Por exemplo: o cão morde a patinha várias vezes, pode ser que tenha um espinho ou uma farpa na pata. Lamber e morder compulsivamente também pode ser uma resposta a problemas ortopédicos, incluindo dor nas costas ou displasia coxo-femoral.
  • Parasitas. Entre as causas mais comuns para se lamber compulsivamente, ou se coçar, são pulgas, carrapatos e ácaros. Apesar dos carrapatos serem visíveis a olho nu, as pulgas só são vistas quando a infestação é grande e os ácaros são microscópicos. Então, não pense que seu cão não tem parasita nenhum só porque você não os vê.

Tratamento
Como há muitos motivos para estes comportamentos, vá ao veterinário assim que o problema começar. Ele lhe ajudará a descobrir a causa e fará o melhor tratamento que, dependendo do caso, pode incluir:

* Acabar com os parasitas. Há vários produtos no mercado que o veterinário recomendará. E, se este for o caso das mordidas e coçadas sem fim, higienize muito bem a cama do seu peludo, seus tapetes e móveis, regularmente, para evitar uma reinfestação. E não se esqueça: trate todos os animais da casa!

*
Mudar a dieta. Se o problema é com a comida, elimine os alimentos com maior potencial alergênico (carne ou trigo). O veterinário pode recomendar uma dieta especial, se for este o caso. A suplementação de ácidos graxos à comida normal do pet também ajuda nos casos de pele ressecada e mantém a pelagem do cão saudável.

* Medicamento.
O veterinário pode prescrever remédios para tratar problemas ocultos que contribuem para o comportamento compulsivo. Além disso, ele pode recomendar o uso de antibióticos, esteróides ou anti-histamínicos para tratar as feridas / infecções já existentes.

* Prevenir o comportamento.
Como estes comportamentos compulsivos podem causar machucados graves e afetar a qualidade de vida do seu cão, é importante dar o seu melhor para fazer o cão parar de se morder, lamber e coçar demais. Algumas ideias: use spray amargo para desencorajar as lambidas; use um colar elizabetano para que ele não mexa nas feridas; mantenha o cão perto de você quando em casa.  

* Avalie a ansiedade ou tédio. Em alguns casos, estes comportamentos compulsivos se desenvolvem devido ao medo, estresse ou estímulos inadequados. Para reduzir as chances deles aparecerem, dê exercícios (caminhadas, brincadeiras com o dono, corrida, adestramento, esportes caninos etc), atenção e amor o bastante para o cão. Ensine o cão a brincar com ossos recreacionais, brinquedos inteligentes (Kongs, quebra-cabeças, bolas e outros brinquedos que podem ser recheáveis) para que ele alivie o estresse e roa coisas apropriadas, deixando de lado o comportamento compulsivo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Como melhorar a doação de cães

O texto abaixo é uma tradução e adaptação do original deste site aqui. Lembre-se que é um texto feito nos Estados Unidos, onde há outra cultura em relação aos cães e às profissões ligadas a eles. Mas, não custa nada a gente tomar isso como exemplo, seja como voluntário, seja como profissional.


Como fazer com que cães com pouca chance de adoção tenham um lar

Quando surge o termo “cães com pouca chance de adoção”, nos vêm à mente imagens bem diferentes. Alguns pensam em cães com algum tipo de deficiência ou idosos; outros pensam em cães com problemas comportamentais, que não convivem bem com outros cães e/ou outras pessoas. Quando penso em cães com pouca chance de serem adotados, admito que quase todo cão acima de 6 meses de idade me vem à mente. Afinal, todo mundo ama os filhotes.

Claro que existem aqueles que preferem não adotar um filhote, tivemos esse tipo de experiência e, por mais legal que tenha sido, graças a Deus já passou. Mas, como um amigo envolvido em um evento de adoção disse: “parecia uma liquidação de filhote”, as pessoas não conseguem se conter e os pegam. Claro que nem sempre isso é uma coisa boa, afinal, os filhotes crescem...

A diferença entre um cão adotável e um não adotável são, normalmente, as habilidades. Dê ao cão uma habilidade e ele passará do “um olho só, idoso e não é o que eu estava procurando” para “Meu Deus, como ele é esperto!”. Ensine um cão surdo a sentar e olhar com ar pidão para alguém que ele já vai para a escala dos adotáveis. Ensine-o a deitar ou dar a pata e adotantes em potencial já começam a pensar que ele é um cão prodígio. Essas pequenas habilidades podem ajudar o cão a ser adotado e de continuar no novo lar.

Sei das limitações de tempo, energia e dinheiro que abrigos e ONGs encaram. Assim, o adestramento dos cães pode ser uma opção limitada, mas ainda me surpreende que, mais que poder, não exigem que os futuros adotantes matriculem seus cães em aulas de adestramento. Alguns abrigos incluem o custo destas aulas no custo da adoção. Uma amiga adestradora oferece 75% de desconto para uma aula particular para os cães adotados. Em dois anos, ela teve apenas dois alunos. Se isso é falta de propaganda, pelo abrigo, para os adotantes ou simplesmente um desinteresse por parte dos próprios donos, eu já não sei. Mas, se o abrigo tornasse o adestramento obrigatório, talvez muitos levariam seus cães.

Frequentemente ouço grupos conversando sobre quantos cães doaram, mas nenhum fala sobre o número destes cães que ainda estão na mesma cada depois de dois ou três anos. A julgar pelo número de vezes que alguns cães passam pelo sistema, acredito que um bom número de cães volta para o abrigo. Cães que não tiveram sucesso no novo lar, continuam a gastar dinheiro do abrigo. Há ainda aqueles cães que não param em nenhum lar, apesar de no contrato ser uma exigência o cão voltar para o abrigo de onde foi veio; os cães que são eutanasiados por causa de problemas comportamentais; os cães que nunca mais foram vistos depois de fugir depois de pouco tempo no novo lar; os cães relegados a uma vida preso em uma corrente por causa de problemas comportamentais não resolvidos.

Meu sonho é: abrigos, centros de resgate e ONGs mudando a cultura da adoção de cães e tornar divertida a exigência de todos eles serem matriculados em uma aula de adestramento como uma condição para a adoção. Os adestradores são profissionais excelentes. São poucos os que não aceitam participar de algo assim: a maioria dá descontos para donos de cães adotados em suas aulas de obediência, agility etc. Fazer com que os cães com menos chance tenham um lar é o primeiro passo. Mantê-los lá é o próximo.

Posições confortáveis para dormir

Depois de tantos posts "sérios", segue um para descontrair. As posições mais "confortáveis" do mundo para dormir, na visão de uma Whippet.

Divirtam-se!


Como uma gatinha, dormindo no encosto do sofá para tomar um gostoso e quentinho sol vespertino

Também super confortável: torta no sofá

Suzie sem cabeça - alguém aí consegue ver onde se encontra a cabeça dela?

Por enquanto são só estas fotos. Tem muitas mais, nas mais variadas posições. E os seus cães? Também dormem em posições engraçadas?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Como modificar um comportamento? - Parte II

Agora, a última parte do texto. Lembrando que é um texto traduzido e adaptado por mim do livro Don't Shoot the Doh, da Karen Pryor, então a reprodução total e/ou parcial é proibida.

Divirtam-se!


Método 5 – Ensinar um Comportamento Incompatível
Um método elegante é treinar o animal/pessoa a fazer outro comportamento fisicamente incompatível com aquele que é indesejado. Por exemplo: algumas pessoas não gostam de cães que pedem comida na mesa do jantar.

A solução do Método 1 é colocr o cão para fora ou prendê-lo na hora das refeições. Mas também é possível controlar este comportamento ensinando um incompatível – por exemplo, ensinar o cão a deitar na caminha dele enquanto estamos comendo. Primeiro, você ensina o cão a deitar. Depois, você generaliza o comportamento “deitar” em outros lugares. Recompensa o comportamento com comida depois que todos limparam o prato. Sair de perto da mesa e ir deitar é um comportamento incompatível com pedir comida na mesa; um cão não consegue, fisicamente, estar em dois lugares ao mesmo tempo.

EXEMPLOS DO MÉTODO 5
Pessoas sensíveis normalmente usam este método. Cantar e fazer joguinhos no carro alivia os pais, e as crianças não ficam entediadas. Diversão, distração e ocupações agradáveis são boas alternativas durante muitos momentos tensos.


COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Compre uma cesta de roupa e recompense o colega de quarto por colocar a roupa ali. Lavem a roupa juntos, tornando isto um evento social, quando a cesta estiver cheia. Cuidar da roupa é incompatível com largá-la.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Ensine-o a deitar sob comando; cães, como a maioria de nós, raramente latem deitados. Fale o comando da janela ou coloque um interfone na casinha dele. Recompense com carinho.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Cante, conte histórias, faça brincadeiras. Incompatível com brigas e gritaria.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Institua uma atividade legal na volta para casa, incompatível com o mau humor, como brincar com os filhos ou se dedicar a um hobby. Meia hora de total privacidade também é legal. Talvez sua esposa precise de tempo para relaxar antes de se dedicar à família.
Comete erros quando joga tênis.
Treine uma jogava nova, do começo.
Empregado preguiçoso.
Peça para que ele trabalhe com mais afinco/mais depressa em determinada tarefa; observe e elogie o trabalho feito.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Treine outro comportamento: se alguém lhe manda um cheque, escreva palavras bonitas atrás dele – o banco se encarrega do resto. Para outros presentes, chame quem o enviou na mesma noite e agradeça. Assim, você não precisa escrever uma carta.
O gato sobe na mesa.
Treine o gato a sentar numa cadeira e recompense com comida. O gato vai estar onde você quer, não na mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Responda à rabugice com um olhar, um sorriso e uma observação social apropriada - “Bom dia” - ou, se o motorista for realmente chato, diga, bem simpático: “Seu trabalho deve ser mesmo muito difícil”. Normalmente a pessoa fica mais amigável, atitude esta que você recompensa.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Ajude-o a encontrar outra casa para morar, mesmo que você tenha que pagar por ela no começo.

Método 6 – Colocar o comportamento sob comando
Este é bacana. Funciona em algumas circunstâncias quando nada mais é suficiente.

É um axioma da teoria de aprendizagem que, quando o animal/pessoa aprende a oferecer o comportamento em resposta a algum tipo de dica/comando e só com ele (stimulus control), o comportamento tende a acabar na ausência da dica/comando. Você pode usar esta lei natura para se livrar de todo tipo de coisas que você não quer simplesmente colocando este comportamento sob comando... e nunca dar o comando. :)

EXEMPLOS DO MÉTODO 6
Não parece lógico que este método funciona, mas pode ser eficazes e, algumas vezes, quase uma cura instantânea.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Faça uma “guerra de roupa suja”. Veja a bagunça que vocês dois fazem em dez minutos. (Eficaz; algumas vezes a pessoa desorganizada, vendo a bagunça, será capaz de reconhecer e arrumar bagunças menores – uma camiseta, duas meias – que possam ainda te indomodar mas que não tinha sido vista como bagunça pelo colega de quarto).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Ensine o cão a latir com o comando “Fala!”e recompense com comida. Na ausência do comando, não recompense os latidos.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Coloque a barulheira em controle de estímulo (stimulus control) – veja acima a explicação do que é.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Marque uma hora para o mau humor; sente por dez minutos, digamos, começando às 5 da tarde. Durante este período reforce, com sua atenção e simpatia, toda reclamação. Ignore a reclamação antes e depois deste tempo.
Comete erros quando joga tênis.
Se você bater na bola de um jeito errado e aprender a fazê-lo de propósito, o erro tende a acabar quando você não der o comando “bata errado na bola”? É possível.
Empregado preguiçoso.
Dê-lhe uma folga. É uma técnica muito eficaz usada pelo presidente de uma agência na qual a Karen Pryor trabalhou.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Compre post-its, papéis, selos, canetas, caderninho de telefone/endereço e uma caixa vermelha. Coloque todas as coisas dentro dessa caixa. Quando você ganhar um presente, coloque o nome da pessoa que te deu o presente no post-it, coloque na caixa, coloque a caixa no seu travesseiro (ou no seu prato) e não durma (ou coma) ate que você obedeça a dica da caixa e escreva a cartinha, coloque um selo nela e a leve para o correio.
O gato sobe na mesa.
Ensine-o a subir e descer da mesa sob comando. Então, molde o tempo que ele deve esperar para ouvir o comando (o dia inteiro, quem sabe).
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Não é recomendado colocar este comportamento sob comando.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Assim que ele sair da sua casa, convide-o para te visitar, tornando claro que ele só deve ir na sua casa se for convidade. Então, não o convide para morar com você de novo.


Método 7 – Capturar a ausência do comportamento
Esta técnica é útil nos casos onde você não tem nada em particular que deseja que o animal/pessoa faça, você só quer que ele/ela pare o que está fazendo. Exemplo: telefonema de parentes reclamando ou fazendo com que você se sinta culpado, parentes que você gosta e não quer ferir os sentimento com o a) Método 1: desligar na cara ou b) Métodos 2 e 3; brigando ou ridicularizando. O termo técnico para este Método (7) é: Reforço Diferencial de Outro Comportamento.

EXEMPLOS DO MÉTODO 7
Para usarmos este método, precisamos nos esforçar conscientemente por um certo período, mas normalmente é a melhor maneira de mudar bastante um comportamento.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Compre cerveja ou convide pessoas do sexo oposto enquanto arrumam o quarto ou seu colega lava a roupa.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Vá para o quintal e recompense-o por outro comportamento que não seja latir. À noite ele ficará quieto por dez, vinte, trinte minutos, uma hora e assim por diante.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Espere por um momento de silêncio e então diga “Puxa, como vocês estão comportados hoje. Acho que merecem um sorvete, que tal?”
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Pense em algumas recompensas e surpreenda-a com elas assim que o humor melhorar.
Comete erros quando joga tênis.
Ignore os erros e se elogie pelos acertos. Funciona!
Empregado preguiçoso.
Elogie-o por qualquer trabalho feito de forma satisfatória. Você não precisa fazer isso a vida inteira, só tempo o suficiente para estabelecer essa nova tendência.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Dê a você mesmo, como recompensa, uma ida ao cinema sempre que receber um presente e, rapidamente, escreva uma carta de agradecimento.
O gato sobe na mesa.
Recompense-o nos períodos em que ele estiver fora da mesa é prático só se você deixar a porta da cozinha fechada quando não estiver em casa, assim o gato não tem uma auto-recompensa por subir na mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Se você pega o mesmo motorista todo dia, dar um “bom dia” agradável, ou mesmo uma água fresca, quando ele estiver sendo rude, vai melhorar a rabucide dele em uma ou duas semanas.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Recompense seu filho por morar sozinho quando ele o fizer. Não critique a (falta de) limpeza da casa, a escolha do apartamento, a decoração, os amigos. Se não, ele pode achar que você está certo e que sua casa é mesmo o melhor lugar do mundo para morar (e não a dele).


Método 8 – Mude a motivação
Eliminar a motivação de um comportamento é, normalmente, o método mais gentil e eficaz de todos. Alguém que já comeu o bastante não irá roubar um pedaço de pão.

Exemplo: a mãe vai com uma criança ao mercado. Se a criança estiver com fome, o cheiro e a visão de várias coisas comestíveis, sem que ela possa comê-las, irá deixá-la ainda mais faminta e ela começará uma cena nada agradável: dar um show no mercado. O que fazer então? Dê comida antes de sair de casa ou leve um lanchinho ao mercado. Pronto: acabaram-se os gritos.

EXEMPLOS DO MÉTODO 8
Se você conseguir usá-lo, este método sempre funciona e é o melhor de todos.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Contrate uma faxineira para limpar e lavar a roupa, assim nenhum de vocês precisa fazê-lo. Pode ser a melhor solução se você é casado com seu colega de quarto ou ambos trabalham. Ou o mais bagunceiro por moldar o mais organizado a relaxar mais.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Cães que latem estão sozinhos, com medo ou entediados. Dê exercícios e atenção diariamente, assim o cão ficará cansado e sonolento à noite, ou tenha outro cão para fazer companhia. Ou então, leve-o para dentro de casa.
As crianças fazem barulho demais no carro.
O aumento do barulho e as brigas normalmente são devido à fome e cansaço. Dê suco, frutas e biscoitos, além de travesseiros para um bom cochilo no carro. Em viagens mais longas, faça as dicas acima além de paradas de dez minutos a cada hora, para que elas corram um pouco (bom para os pais também).
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Encoraje-a a mudar de emprego. Dê queijo, bolachinhas e uma sopinha reconfortante na porta, se a fome e o cansaço são o motivo do mau humor. Se o problema é o estresse, uma taça de vinho, ar fresco e exercícios são apropriados.
Comete erros quando joga tênis.
Pare de tentar ser o melhor do mundo. Jogue por diversão. Claro, se for um campeonato, isso não se aplica!
Empregado preguiçoso.
Pague pelo trabalho feito, não pelas horas de serviço. Este método é muito eficaz. Todo mundo trabalha pra caramba até acabarem o trabalho; depois de pronto, todos descansam. Atores de hollywood fazem assim.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Não gostamos disso por ser uma cadeia de comportamento (Método 6) e difícil de começar, principalmente quando não há uma recompensa no final (você já ganhou o presente!). Algumas vezes não escrevemos porque não nos achamos bons escritores, espertos ou temos uma letra feia. Não é verdade: os destinatários precisam saber que você está agradecido pelo símbolo de afeição que lhe foi dado. Palavras bonitas não são tão importantes quanto a rapidez da entrega da carta: que conta muito mais.
O gato sobe na mesa.
Por que os gatos sobem na sema? (1) para procurar comida, então, deixe-a fora do alcance; (2) gatos gostam de ficar num lugar mais alto para observar o que acontece ao seu redor. Coloque uma prateleira ou um pedestal (seguro) mais alto que a mesa, mas baixo o bastante para que você possa acariciá-lo, e que ofereça uma boa visão da cozinha. O gato pode preferir a prateleira (pedestal) à mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Evite a rabugice no ônibus fazendo o seu trabalho: esteja pronto, saiba seu destino, não bloqueie a porta, não fique murmurando, tente entender a demora devido ao tráfego, e por aí vai. Os motoristas ficam rabugentos porque os passageiros podem ser umas pedras no sapato.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Adultos que têm amigos, auto-estima, um propósito na vida, trabalho e um teto sobre suas cabeças geralmente não querem morar na casa dos pais. Ajude seus filhos a conseguir os três primeiros itens enquanto crescem, e, naturalmente, eles procurarão um emprego e um teto. E vocês podem ser amigos!

domingo, 25 de setembro de 2011

Curso do Dante em Brasília - Vamos?

Interessados em um curso sobre comportamento animal ou agility? Vá para Brasília! Dante Camacho estará nos dias 26 e 27 de novembro e 3 e 4 de dezembro ministrando os cursos. No primeiro final de semana será sobre comportamento; no outro, sobre agility.

Quem puder ir, não perca! Quer saber mais sobre o curso? Acesse aqui. E boa viagem!

Como modificar um comportamento? - Parte I


Lendo o livro da Karen Pryor, Don't Shoot The Dog, resolvi compartilhar algo importante. Nossos cães sempre têm algum comportamento indesejado que queremos mudar, seja latir excessivamente, pular nas visitas, roer os móveis ou puxar durante os passeios.

Mas vocês sabem que há oito maneiras de conseguirmos isso? Sim, oito. Algumas usam métodos negativos; outras, os positivos (os quais eu uso).

Os oito métodos são:

  1. Mate o cão: funciona. Você não vai mais lidar com nenhum comportamento ruim, nem com o cão.
  2. Punição: o favorito das pessoas, mesmo não funcionando na imensa maioria das vezes.
  3. Reforço Negativo: retira-se algo desagradável quando um comportamento desejado acontece.
  4. Extinção: o comportamento some por si só.
  5. Ensinar um comportamento incompatível: muito útil.
  6. Colocar o comportamento sob comando: aí você nunca dá esse comando.
  7. Moldar a ausência”: recompensa qualquer coisa que não seja o comportamento indesejado.
  8. Mude a motivação: o mais gentil de todos os métodos.

    Método 1 – Mate o cão 
    Sempre funciona. Nunca mais você terá problema com o este cão em particular. Claro que não é só matar... doar também faz parte deste método. Com pessoas, pode ser prisão, divórcio, sair de casa... Lembrando: este método não ensina nada, o cachorro nem sabe o que está acontecendo. Já deu pra perceber que não é o ideal?

EXEMPLOS DO MÉTODO 1
Este método acaba com o problema, mas pode não ser adequado em todas as ocasiões.
COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Mude de colega de quarto.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Mate-o, doe-o, leve-o ao veterinário para retirar suas cordas vocais (é crime, tá?!)
As crianças fazem barulho demais no carro.
Faça-as voltarem a pé ou de ônibus para casa. Peça pra outra pessoa dirigir.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Se divorcie.
Comete erros quando joga tênis.
Pare de jogar.
Empregado preguiçoso.
Mande-o embora.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Pare. Quem sabe as pessoas também parem de lhe mandar presentes.
O gato sobe na mesa.
Deixe-o do lado de fora ou doe-o.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Saia do ônibus e pegue o próximo.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Diga não e não ceda.

Método 2 - Punição
É o método preferido da humanidade. Quando o comportamento está errado, logo pensamos em uma punição. Bater na criança, no cão, sustar o cheque, processar a empresa etc. Mas a punição é um jeito meio desastrado de mudar um comportamento. Na verdade, na maioria das vezes a punição não funciona nada.

EXEMPLOS DO MÉTODO 2
Raramente são eficazes e perdem o efeito com a repetição, mas são muito usadas.
COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Brigue e grite. Ameace confiscar suas roupas e jogá-las fora (ou de fato fazê-lo).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Vá pro quintal e bata nele, ou jogue um jato de mangueira (O cão ficará tão feliz em vê-lo que “perdoará” a punição).
As crianças fazem barulho demais no carro.
Grite com elas. As ameace. Se vire e dê uns tapas nelas.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Comece uma briga. Queime o jantar. Fique amuado, brigue e chore.
Comete erros quando joga tênis.
Amaldiçoe, fique irritado, se critique toda vez que errar.
Empregado preguiçoso.
Brigue e critique, de preferência na frente de todo mundo. Ameace não pagá-lo (ou o faz mesmo).
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Se puna por ficar adiando a tarefa e se sinta culpado ao mesmo tempo.
O gato sobe na mesa.
O derrube e/ou o espante para fora da cozinha.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Pegue o número do motorista, reclame na companhia e tente fazer com que ele seja transferido, repreendido ou mandado embora.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Deixe-o morar com você, mas torne a vida dele um inferno.

Método 3 – Reforço Negativo
O Reforço Negativo é qualquer evento ou estímulo desagradável, não importa a intensidade, que pode acabar ou ser evitado com a mudança de comportamento. Uma vaca, no campo com uma cerca elétrica, toca o nariz na cerca, sente o choque e se afasta, o que para o choque. Ela aprende a evitar o choque ao não tocar a cerca. Quando toca a cerca é punida, então o comportamento de evitar a cerca foi reforçado por meio de um reforço negativo, ao invés de um positivo.

EXEMPLOS DO MÉTODO 3
O Reforço Negativo pode ser eficaz e uma boa escolha em algumas situações.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Desconecte a TV ou atrase o jantar até que ele arrume as roupas (cesse o reforço negativo quando ele fizer o que você queria; recompense todo esforço, por menor que seja).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Acenda uma luz forte na casinha dele toda vez que ele latir. Apague-a quando ele parar de latir.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Quando o nível de decibéis atingir o limite, estacione o carro. Leia um livro. Ignore as perguntas sobre você ter parado – é barulho também. Volte a dirigir quando o silêncio reinar.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Vire de costas ou saia do ambiente por um tempinho quando o tom da voz dela for desagradável. Volte e dê-lhe atenção quando o tom de voz for normal ou ela estiver em silêncio.
Comete erros quando joga tênis.
Contrate um técnico ou um espectador para lhe corrigir verbalmente quando você errar (Ah-Ah ou Não!). Desenvolva outro balanço que pare com a correção.
Empregado preguiçoso.
Aumente a supervisão e repreenda toda vez que o trabalho falhar.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
O Reforço Negativo aparece automaticamente nos amigos e pessoas que amamos. Tia Alice sempre faz você saber o quão preocupada ela está quando você não pega o cachecol e sua família sempre te lembra que você deve escrever para ela. A informação será enviada com insinuações aversivas.
O gato sobe na mesa.
Coloque fita adesiva, o lado que cola virado para cima, na mesa da cozinha.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Fique na porta, ou perto do motorista, assim ele não consegue dirigir até que você saia dali. Saia quando ele parar de falar, mesmo que por um instantinho.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Deixe-o voltar, mas cobre-o, exatamente como faria se fosse cobrar aluguel de um estranho, comida e qualquer serviço adicional, como lavar a roupa e cuidar das crianças. Faça valer a pena, financeiramente, que ele saia da sua casa.

Método 4 - Extinção
Se você treinou um rato para pressionar uma alavanca repetidamente para obter comida e, de repente, você desliga a máquina que lhe dá comida, o rato pressionará a alavanca muitas vezes no começo e, depois, cada vezes menos, até ele finalmente desistir. O comportamento se “extinguiu”.

Extinção é um termo usado em laboratórios de psicologia. Se refere não à extinção de um animal, mas de um comportamento, que acaba por si só, por falta de reforço.

Comportamentos que não dão resultado – nem bons, nem maus, só a falta deles – provavelmente acabarão. Isso não quer dizer que possamos simplesmente ignorar um comportamento e ele acabará.

EXEMPLOS DO MÉTODO 4
Não é útil quando queremos acabar com um padrão de comportamento bem aprendido e auto recompensador. Mas ele é bom para choramingos, mal-humor ou provocação. Mesmo crianças pequenas podem aprender que podem fazer as mais velhas pararem de provocá-las simplesmente não reagindo.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Espere que ele cresça.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Este comportamento é auto-recompensador e dificilmente acaba espontaneamente.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Uma certa quantidade de barulho é natural e inofensiva. Deixe: uma hora eles cansarão.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Não reaja: logo esse mau humor todo acaba.
Comete erros quando joga tênis.
Tente outros golpes, passadas e por aí vai e tente deixar aquele erro específico morrer ao não se concentrar mais nele.
Empregado preguiçoso.
Se o mau comportamento for uma maneira de chamar atenção, não dê atenção; mas também pode ser auto-recompensador.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Este comportamento normalmente acaba com a idade. A vida se torna tão cheia de tarefas mais trabalhosas, como pagar as contas, que os bilhetes de agradecimento se tornam uma atividade relaxante.
O gato sobe na mesa.
Ignore o comportamento. Ele não vai acabar, mas você terá sucesso em acabar com suas própria objeções ao fato de ter pelo de gato na comida.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Ignore o motorista, pague a passagem e esqueça isso.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Aceite o fato como temporário e que seu filho sairá da sua casa assim que sua situação financeira melhorar ou que a crise passe.

Logo postarei a segunda parte, com os últimos quatro métodos. Lembrando que este é um trecho do livro Don't Shoot the Dog, da Karen Pryor, que foi traduzido e adaptado por mim. Ou seja: reproduzi-lo é proibido; divulgá-lo é legal!
Leia também "Como modificar um comportamento? - Parte II"

sábado, 24 de setembro de 2011

Suzie tocando um sininho

Estou ensinando a Suzie a tocar um sino toda vez que ela quiser sair para fazer xixi. Por ser um comportamento totalmente novo para ela, ainda não entendeu totalmente o conceito, mas já obtive muitos progressos. Faço o treino quatro vezes ao dia, sempre momentos antes dela passear.

Faço algumas repetições recompensando com petiscos (click and treat) e, no final, clique e passeio. Agora, é esperar, pois faz cerca de uma semana que comecei o treino (e parei uns dias, por pura falta de tempo). Mas temos feito progressos. Pouco antes da hora do passeio, ela vai pra perto do sininho. Só falta começar a tocar sem o comando - o que ela faz algumas vezes.

Mas, por quê quero ensinar isso? Simplesmente porque 1) eu acho muito fofo o comportamento (risos); 2) adoro ensinar coisas para ela (nós duas aprendemos); e 3) quando ela quer sair, ela fica olhando pra minha cara, ou pra cara de qualquer pessoa, mas nem sempre a gente olha ou a pessoa que ela pede não entende. E ela não faz um barulhinho sequer... risos.

Fiquem com o vídeo agora. Espero que gostem!

video

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Curso da Tudo de Cão

Dia 18/09 houve um curso promovido pela Equipe Tudo de Cão em Osasco. Eu participei e posso dizer que foi excelente, aprendi muito, muito mesmo! Recomendo!

Aqui, vou falar um pouco sobre os assuntos abordados, que foram de grande valia, mesmo para adestradores mais experientes. Aclarou muito minhas ideias, revi conceitos que já tinha aprendido, mas agora vistos de uma maneira diferente.

O fim de semana já começou legal, com a presença da Thaissa e da Luiza, da Universicão e da 2 Patas, 4 Patas, respectivamente, que ficaram aqui em casa para irmos juntas. No Domingo, revimos a Sara e o Leo, queridos como sempre! Muita gente, local lotado! Alguns levaram seus cães, eu não levei a Suzie (que foi muito bom, ela ficaria muito estressada, pois o curso durou o dia inteiro - demais p/ uma Whippet... risos).

O primeiro tópico foi sobre a aprendizagem animal (não só dos cães!). Foi falado muito sobre Reforço (positivo (R+) e negativo (R-)), Punição (positiva (P+) e negativa (P-)) e sobre a Extinção de um comportamento, sendo que:

* R+ = algo bom começa
* R- = algo ruim termina
* P+ = algo ruim começa
* P- = algo bom termina

(O que eu mais uso, minha prioridade, é o R+. Se for preciso, uso a P-, mas é muito raro).

Já a extinção é quando queremos acabar com um determinado comportamento. Quando começa um treino deste, o cão (outro animal ou até mesmo pessoa!) começa a oferecer mais e mais o comportamento, entrando no pico de extinção. Se a gente cede neste ponto, o pico de extinção aumenta, tornando cada vez mais e mais difícil extingui-lo.

Depois foi a vez da Liderança e da Hierarquia. O líder não é aquele cara mandão, que bate no cão, força-o a fazer determinadas coisas, como algumas vezes é mostrado/falado por aí. Nosso papel, como líder, é:

- Guiar: mostrar ao cão o que queremos dele, de maneira positiva.
- Dar Suporte: estar presente sempre que o cão precisar da gente.
- Ser Consistente: adotar uma regra SEMPRE, não importa a situação.
- Ser Consequente: a regra tem que ser muito clara para o cão, para ele ter opção de escolha.

A Hierarquia não significa que deva ter violência. Já reparou que, entre os cães, dependendo da atividade a hierarquia muda? Por exemplo: Suzie é louca pela caminha dela e não deixa que outros deitem lá (na verdade, ela nem liga, mas é só um exemplo), e o Scooby (seu melhor amigo) a respeita. Já Scooby é louco por bolinha e não deixa a Suzie chegar perto (ele também não se importa, novamente, é só um exemplo) e ela o respeita. Viram como a hierarquia muda com a situação?

Depois foi a vez da socialização, o quanto ela é importante e como podemos usar um programa de socialização pela vida inteira do cão, não apenas quando ele é filhote - até mesmo um adulto pode ser socializado, só os resultados que demoram mais para aparecer: mas aparecem!
Socialização é com pessoas e animais; Dessensibilização é com objetos.

Vimos a diferença entre a socialização passiva e ativa e os motivos de priorizar a ativa.

Em seguida, a linguagem corporal canina. Nos foram mostrados vários slides, além de podermos observar os cães ao vivo. Vimos quais são os Calming Signals (usados em situações de tensão), Sinais de Estresse, de Agressividade, de Submissão e de Brincadeira.

Agora, a vez dos comandos básicos: Senta, Deita, Fica e Vem. Como ensiná-los, como recompensá-los e como sair do adestrador amador e chegar no profissional.

Aprendemos as diversas situações para usar determinado comando, como ensiná-los de forma a ficar super confiável, usando:
- Posição Relativa do Corpo: desvincular o comando de qualquer dica corporal (o cão só senta se estiver na nossa frente).
- Generalização: cães são detalhistas, não generalizam muito bem. Ensinar cada comando em diversos ambientes, para ele entender que Senta é Senta em qualquer lugar, não somente na sala.
- Substituição de Recompensa: Não dar só petiscos, mas outras coisas que o cão queira.
- Escalas de Reforço: conseguimos controlar o comportamento.

Dentro das escalas de reforço, aprendemos 3 dos inúmeros tipos:
- Contínuo: o cão sempre é recompensado (Suzie está no processo de tocar um sino para indicar quando quer fazer xixi, e sempre é recompensada quando o faz).
- Variável: recompensamos o cão de forma aleatória.
- Seletivo: recompensamos o cão quando o comportamento está acima do que esperávamos.

Chegou a vez do Chair Stay, que é muito útil! Podemos usá-lo em qualquer lugar: parque, restaurante (que aceitem cães), em casa, casa de amigos etc. Aprendemos na teoria e na  prática como fazê-lo. Aliás, Suzie está tão bem no chair stay (onde uso seu cobertor grosso) que, quando toca a campainha, chega alguém em casa ou nos sentamos para comer ela já corre pra sua caminha.

Por fim, nos foi falado sobre a captação de clientes e o relacionamento com eles.

Além disso, foram recomendados muitos materiais BONS para estudo.

Tentei resumir aqui pouco mais de 8 horas de curso. Eu fiquei muito feliz de poder ir e, quando tiver outros e eu puder, com certeza irei! Adorei! E, tenho certeza, todos gostaram também!

sábado, 3 de setembro de 2011

Mudança de novo

Pois é, mudamos novamente. Voltamos pro nosso apartamento em São Paulo nesta semana. Mas, o que isso tem a ver com cães? Tudo!

As adaptações devem ser feitas de novo. Assim que chegamos, precisamos sair e... Suzie começou a chorar e raspar a porta. Eu já esperava por isso, porque fazia muito tempo que não vínhamos pra cá. Mas, neste caso, a adaptação foi muuuuito mais rápida: foi só neste dia. Nos outros, já estava super à vontade com a nossa ausência.

Outra coisa que aconteceu foi uma queda brusca no apetite, que a fez perder 500g. Como os cães são muito sensíveis às mudanças na rotina, e uma mudança de casa muda completamente a rotina, uma das reações dela foi parar de comer. Mas, em poucos dias, voltou ao apetite normal.

Mas muita coisa melhorou para ela. Mas, como, se ela saiu de uma casa com quintal e foi pra um apartamento? Exatamente! Por vir para um apartamento, acaba tendo que sair bastante na rua, o que aumenta sua socialização com pessoas e outros cães, além de promover exercícios físicos e estímulos mentais (porque, convenhamos, o quintal não oferece tantos estímulos mentais quanto os passeios). Isso foi visível! Onde morávamos praticamente ninguém passeava com seus cães e, quando o faziam, não permitiam interação (ninguém tinha interação, pra falar a verdade). Então, ela perdeu um pouco da socialização. Mas, voltando, Suzie readquiriu sua antiga socialização. Até voltou a demonstrar calming signals quando chega perto de cães medrosos.

A perda de espaço não foi problema para ela: ela sempre foi mais caseira, só ia para o quintal quando nós estávamos lá. Ficavam mais no sofá ou na cama. E aqui tem uma vantagem: a casa é bem ensolarada e ela AMA sol. Então, está sempre no sofá ou na cama (quando não está passeando, brincando ou "estudando"), tomando seu solzinho.

A vida voltou ao que era antigamente. E estamos (todos) felizes. Isso que importa.

sábado, 20 de agosto de 2011

Ensinando seu filhote a morder

A Dani nos presenteou com uma tradução excelente sobre o treino de mordida, do comportamentalista Dr. Ian Dunbar, um dos nossos prediletos.

O texto é excelente, para quem tem cães filhotes é um "must read", ou seja, deve-se ler este texto.

Clique aqui para ler a tradução.

Só para constar: eu e a Dani não utilizamos esta técnica com nossos cães pelo simples fato deles terem chegado em casa com mais de 3 meses de idade. Mas, mesmo assim, ensinamos a terem uma "boca macia", através das lutas, onde eles não nos mordem com força e, quando algo inesperado acontece, podem até reagir gritando e se virando na direção do que os machucou, mas sequer encostam a boca na pessoa.