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segunda-feira, 4 de março de 2019

Cão de serviço

Comentei com algumas pessoas que quero ensinar a Merida algumas tarefas que são ensinadas aos cães de serviço, além do protocolo de socialização feito para eles. Comprei um livro e tenho pesquisado bastante e pretendo fazer em breve um curso sobre o assunto.
Mas, por que quero fazer isso? Não há nenhum motivo em especial para fazer com que ela saiba pegar as coisas que caírem no chão e entregar pra mim, tirar meias, ajudar a pegar as roupas para lavar etc. Então… qual o motivo?
Merida tomando um solzinho depois de
uma sessão de treino
Setters Irlandeses são uma raça bem ativa que precisam de bastante exercício. Mas não apenas de exercício físico! Já escrevi bastante sobre a importância dos exercícios mentais como atividades. E aqui elas são realmente muito necessárias. Por ser uma raça ativa e de trabalho, por quê não dar trabalho para ela? Ela se sentirá útil e, ao mesmo tempo, trabalhará a mente, nossa comunicação será melhorada, nossos laços estreitados e todos ficaremos mais felizes.
Este tipo de treino também é ótimo para quem pretende levar o cão para ambientes pet friendly, viajar com o cão, fazer trilhas, ir em casas de amigos ou simplesmente quer um cão educado pra andar por aí.
Quem conhece a Merida sabe o quanto ela é inteligente. Sim, muito inteligente. Ela aprende tudo muito rápido. Ao mesmo tempo, ela é uma completa maluca. Estes treinos com certeza a beneficiarão no futuro, tornando a convivência mais tranquila (ela melhorou muito).
No caso, os treinos são realmente para mantê-la mentalmente estimulada. Sabia que isso ajuda a prevenir a demência canina? Pois é… igualzinho em nós, humanos. E é uma forma de cansar o cão sem deixá-lo excitado.
Lendo sobre a raça, descobri que está crescendo o número de setters irlandeses como cães de serviço. Isso porque são cães de caça, ou seja, são cães inteligentes, que aprendem rápido, leais e adoram agradar seus tutores (tudo isso é fato!). Além disso, são cães cheios de energia, agilidade e resistência. Por isso digo que, mentalmente, ser educada para isso lhe trará enorme benefício, porque nada melhor para ela que ser incluída na nossa vida (ela está sempre perto quando estou fazendo alguma coisa, como se realmente esperasse que eu lhe pedisse algo – mas ainda está no processo de aprender certas coisas).
Seu porte grande permite também que seja mais fácil para ele pegar coisas e entregar para o tutor e ter mais força para abrir e fechar gavetas, portas e altura para acender e apagar luzes.
Além de tudo isso, são cães que se apegam bastante ao tutor, se dão bem com todos da casa e são sociáveis com estranhos e outros cães. São cães que se dão bem em ambiente público por não ficarem desconfiados de tudo. Mas claro, tudo isso demanda treino de socialização!
O treino em si
Demanda bastante tempo. Sabemos que os cães guia, por exemplo, passam um ano com sua família socializadora aprendendo coisas básicas de educação canina, sendo socializados, para depois passarem mais seis meses, mais ou menos, na universidade canina, onde aprenderão as habilidades necessárias para exercerem sua função. Ou seja: não é da noite para o dia que tudo acontece. E não se pode colocar a carroça na frente dos bois: temos que começar do começo mesmo, ensinando o básico do básico, socializando e depois partindo para outras atividades, mas sempre reforçando aquilo que já aprendeu, generalizando e tudo o mais que uma boa educação canina proporciona.
Tudo começa com você ensinando seu cão a: sentar, deitar, vir quando chamado, ficar e andar ao seu lado (este último ainda em fase de aprendizado…).
Habilidades necessárias
Segundo o AKC, um cão de serviço precisa:
→ se aliviar sob comando;
→ focar no tutor (parceiro) e ignorar distrações;
→ saber o básico da educação canina (eles focam no programa deles chamado Canine Good Citizen que é o básico mesmo da educação canina e todo cão deveria saber fazer. Inclui andar na guia; sentar quando pedido; ficar; permanecer calmo quando outra pessoa falar com seu tutor; permitir ser acariciado e examinado por terceiros; andar normalmente numa multidão e frente a outros cães etc);
→ habilidades em locais públicos.

Habilidade em locais públicos
Mais coisas que todos os cães deveriam saber, que incluem:
→ entrar e sair de um veículo calmamente;
→ entrar e sair de um prédio calmamente;
→ andar ao lado do tutor dentro do estabelecimento;
→ vir quando chamado;
→ sentar e deitar quando pedido em várias situações;
→ autocontrole no restaurante e quando a guia cai no chão.
Reparem que são pré-requisitos necessários em ambientes pet friendly também. Este é meu maior objetivo nos treinos com a Merida. Não levá-la comigo no avião se um dia eu for viajar (eu tenho medo de avião), mas mantê-la mentalmente estimulada, focada em mim, lhe dar um trabalho útil e que ela possa passar mais tempo da vida dela ao meu lado, de forma calma, confiante e educada.
As outras habilidades (pegar coisas, abrir coisas etc) podem ser treinadas posteriormente, porque não são as mais importantes no nosso caso. Mas serão úteis para ela, de alguma forma.

Tudo isso demanda tempo, claro. Mas acaba sendo gratificante no final. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Acalmando um cão hiperativo: Parte III

Chegou a parte final sobre como lidar com um cão hiperativo. Neste último post falarei sobre a importância dos exercícios físicos e mentais para os cães.

Pistache e Merida descansando após
treino, passeio de 40 minutos e
comida no pote não.
A IMPORTÂNCIA DO EXERCÍCIO (físico e mental)
Apesar de todos os cães precisarem de exercícios físicos e mentais diariamente, a quantidade varia de indivíduo para indivíduo.

Convivendo com um Whippet de 8 anos e uma Setter Irlandesa de 5 meses, sei muito bem o que é isso.
Merida precisa de mais atividade física que Pistache para ter uma boa qualidade de vida.

O mesmo se aplica para a atividade mental. Aqui Pistache precisa ser desafiado mentalmente, mas não tanto quanto Merida. Novamente, depende tanto da raça quanto da idade de cada indivíduo.

Os cães hiperativos precisam de mais exercícios e estímulos mentais que a maioria dos outros cães. Proporcionar esta dupla de atividades é a chave para ensiná-los a “desligar”, como dito no post passado. E lembre-se: seu cão hiperativo não irá se acalmar se você não tiver suprido as necessidades físicas e mentais dele.

Como tutor de seu cão, é sua responsabilidade suprir a demanda de exercícios físicos e mentais dele, diariamente. Seja atráves de um passeador canino, de uma creche ou fazer um esporte com ele, ele depende de você para queimar este excesso de energia.
Mas… e se eu tenho em minha casa além de um atleta um Eistein canino? O que fazer?
Faça um plano: um exemplo é oferecer 3 tipos de atividade física e mental todos os dias. Isso ajuda a mantermos também a nossa rotina diária. Abaixo terá uma lista de várias opções de exercícios físicos e mentais para se colocar em prática.

→ Procure ajuda: Você não tem o mesmo pique do seu cão? Tudo bem. Peça ajuda. Pode ser levá-lo a uma creche 2 a 3x na semana (mais que isso pode irritar o cão, inclusive), contratar um passeador, aquele seu vizinho que gosta de cães pode brincar com ele de bolinha ou ir correr com ele na praça…
Seja criativo: você trabalhar 10h por dia e ter vida social não é desculpa para não exercitar seu cão. Enquanto você assiste algo na TV, pode ensinar um truque para seu cão; enquanto cozinha pode fazer o treino do tapete; enquanto fala ao telefone pode jogar bolinha ou brincar de cabo de guerra…
Dar ao cão exercício físico e mental suficiente para ele suprirá suas necessidades diárias. Até que elas estejam supridas, dificilmente se consegue acalmar um cão hiperativo.
IDEIAS DE EXERCÍCIOS FÍSICOS E MENTAIS

→ Cabo de guerra: pode brincar SIM! Além de gastar energia, estreita seus laços com o cão.
→ Bolinha: se o seu cão adora bolinha, brinque! Em dias chuvosos, nada melhor que jogar bolinha pro seu cão pegar por um tempo.
→ Flirt pole: nada mais é que um brinquedo amarrado em uma corda grande e o cão o caça. Normalmente é um bicho de pelúcia, para simular a caça mesmo. É um jeito muito fácil de exercitar o cão, mesmo em pequenos espaços, além de uma alternativa para um cão que não curte buscar bolinha.
→ Treinos: tente ensinar algo novo para seu cão usando petiscos. Treinar é um excelente exercício mental e estreita demais seus laços com seu cão.
→ Caminhadas: a boa e velha caminhada é uma ótima pedida para se gastar energia. Use as caminhadas como uma oportunidade para aprimorar o “senta” antes de atravessar a rua; deixar o cão farejar (leve petiscos e esconda em locais seguros); deixe ele explorar o ambiente (guia com ao menos 1,5m é o ideal); pratique outros treinos como deita, dá a pata, olha pra mim etc em um ambiente novo, como a rua.
→ Jogos de faro: os cães adoram. Coloque o cão em outro ambiente e esconda petiscos para ele procurar (menos em locais altos, para não estimular que ele procure coisas em cima da mesa, da pia etc). Para o dono isso é facílimo de se fazer, e para o cão é bem gratificante! Para aumentar a dificuldade depois, esconda os petiscos em locais mais amplos ou em mais locais da casa.
→ Correr: muitos cães amam correr, e há tutores que gostam também. Mas lembre-se de se certificar com o veterinário se ele está apto a praticar corrida: cães muito jovens e mais idosos normalmente não podem e, dependendo da raça, também não (exemplo, cães braquicefálicos, como pugs e buldogues). E comece sempre aos poucos, não queira correr 10km no primeiro dia. Converse com o veterinário antes!
→ Trilhas: uma oportunidade incrível para os cães exercerem seus comportamentos naturais (como cavar, farejar, rolar na grama, entrar em poças etc) E gastar energia. Procure trilhas e passeios na natureza que aceitem cães. Locais como Brotas e Souzas, no estado de São Paulo, são bastante conhecidos.
→ Quebra-cabeça: são imprescindíveis! Sério! Não vejo como as coisas aqui seriam sem os quebra-cabeças diários dos cães. Você pode tanto comprar um tabuleiro (há de diversas dificuldades e diversos preços) ou fazer o seu próprio em casa (basta procurar no instagram pelas hastags #comidanopotenao e #enriquecimentoambiental e também fazer parte de grupos sobre estes temas no facebook e seguir contas no instagram que divulguem bastante ideias. Muitas são simples, como dobrar toalhas, ou dar um nó nelas, e ter a comida dele lá dentro (ou petiscos). Podem ser também brinquedos recheáveis, como os da Kong ou as bonequinhas / monstrinhos da petgames.

RESUMINDO
Se nós não suprirmos as necessidades básicas de nossos cães, acabaremos com um cão hiperativo em casa. E, se não os ensinarmos a viver na sociedade humana, teremos um cão muito mal educado. Use uma combinação de treinos de educação canina, protocolos de relaxamento e exercícios para acalmar seu cão. 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Acalmando um cão hiperativo: Parte II

Continuando a série sobre cães hiperativos, neste post vou dar dicas do que podemos fazer para acalmá-lo, para ensiná-lo a relaxar.

No próximo post falarei sobre a importância dos exercícios físicos e mentais para estes cães, que se aplicam para todo tipo de cães, claro!

PORQUE CÃES HIPERATIVOS PRECISAM “DESLIGAR”?
Eles precisam aprender a “desligar”, como chamamos. E o que isso quer dizer? Que não devemos apenas focar em exercitar nossos amados cães hiperativos, mas ensiná-los a relaxar também. E isso é algo extremamente importante para acalmar este tipo de cão.
Normalmente o que fazemos? Excitamos nossos cães: exercitamos, brincamos, deixamos eles ligadões. E depois ficamos chateados porque eles não ficam calmos, parecem nem saber o que é isso. Sem treinar isto, não há como o cão adolescente saber que é OK ser completamente maluco quando está brincando no parque mas que deve ficar deitado na cama dele, roendo seu brinquedo, quando visitas chegam em casa.
E como a gente consegue fazer isso?
Existem quatro maneiras e todas são fáceis de implementar na nossa rotina diária com nossos cães. Nenhuma delas envolve punição e em todas usamos petiscos / recompensas. Faça ao menos uma por dia, todos os dias, se você tiver um cão hiperativo em casa (e mesmo que não tenha, são úteis se você deseja levar seu cão em locais pet friendly).
Jogo nº1: Tapete (caminha)
É excelente pra ensinar o cão a se acalmar.
É um processo com vários passos a serem dados, começando sempre a ensinar o cão a se deitar no tapete e ficar ali não importa o que esteja acontecendo à sua volta.
O protocolo de calma dadoutora Karen Overall é incrível. Basicamente consiste em o cão ficar deitado no tapete e você ir adicionando distrações aos poucos. A cada dia a dificuldade aumenta. E o tapete só é usado nos treinos, para que o cão o associe com os momentos de calma e relaxamento.
Jogo nº2: Dog Zen
Um jogo popularizado pela incrível Susan Garrett, com o famoso “It’sYer Choice”, ajuda o cão a desenvolver o auto controle, a fazer boas escolhas para conseguir o que deseja. Em resumo, seu cão aprende a lhe pedir permissão para ter o que deseja. E quer saber? É muito fácil de começar este jogo! E divertido!
Jogo nº3: Preparar, apontar, VAI!
Este é para cães que sabem um pouco de comandos de obediência (senta, deita etc).
Comece brincando com ele de cabo de guerra, por exemplo. No começo não o excite muito, deixe isso pra quando ele já estiver craque na brincadeira. Diga “preparar, apontar, VAI!” e comece a brincar. Depois de alguns segundos, diga “prearar, apontar, DEITA!” ou “SENTA!”.
No começo ele vai hesitar ou tentar continuar a brincadeira – tudo bem. Nessas horas seja o ser mais chato do mundo até o cão entender o que você quer dele. Assim que ele fizer o que você falou, recomece o jogo. Logo seu cão aprenderá a parar de brincar e responder ao seu pedido o mais rápido possível. Pra que serve isto? Ajuda-o a pensar mesmo quando estiver excitado demais!
Jogo nº4: Nada na vida é de graça
Este é um jogo para fazer o dia todo. Por quê?
Existem várias coisas que fazemos para nossos cães todos os dias, coisas que eles amam. A ideia deste jogo é que o cão aprenda a “sentar” para pedir as coisas.
Por exemplo: sentar antes de colocar a coleira para passear, antes de comer, antes de passar pela porta etc.
Além de ensinar ao cão um comportamento aceitável (para nós, humanos), que faz com que ele (cão) consiga o que quer, ensina a ele que latir, pular ou qualquer outro comportamento rude não lhe fará ganhar nada.

Ou seja: se você tem um cão hiperativo em casa, seu primeiro trabalho com ele é ensiná-lo a se acalmar. Eles não vêm com manual de instruções de como viver no mundo dos humanos, então o trabalho de ensiná-los isso é NOSSO. Isso tornará o convívio muito mais agradável. 

sábado, 26 de janeiro de 2019

Acalmando um cão hiperativo: Parte I

Depois de conviver com Whippets adultos por muito tempo, estamos agora com uma Setter Irlandesa no auge da infância, com cinco mesmo, e claro, muito cheia de energia.
Conheçam Merida, a nova integrante do clã
Quem nos acompanha no Instagram (@fulviaandrade) e no Facebook (Fúlvia Andrade) pode perceber do que estou falando: há vídeos da Merida brincando sozinha, correndo, sempre com aquele olhar muito atento e quase nunca parada. Não há tantos vídeos dela assim porque é difícil de filmar, mas acreditem: ela tem muita energia. Mesmo.
Aprender como lidar com um cão desses e, melhor ainda, como acalmá-lo, é uma arte. E não é fácil: não basta apenas cansar o cão fisicamente e deixá-lo exausto. Com isso estamos apenas criando um super atleta, que será capaz de caminhar por 8h seguidas sem se cansar! Trancar o cão no quintal e esperar que ele cresça e se acalme sozinho também não é a melhor estratégia: só vai piorar. Se você também tem um cão cheio de energia deve estar se perguntando: o que fazer?
Nesta série vou falar um pouco do que tenho feito e do que é recomandado. E de como é importante que TODA A FAMÍLIA ajude no treino. Bastou que alguém estimule o comportamento maluco do seu cão, seja ele adulto ou filhote, e você terá que começar do zero… o que é bem frustrante.
CHEIO DE ENERGIA OU MUITO EXCITADO: qual a diferença e, isso importa?
Antes de aprender o que fazer, que tal entender um pouco sobre o que é um cão cheio de energia e um cão muito excitado? Nem todo cão com energia ilimitada são pentelhos. E nem todo cão pentelho é um super atleta.
Cães muito excitados
São aqueles cães que se excitam com estímulos que, para outros cães, não são nada de mais. Não é um estado permanente do cão, mas sim algo que eles fazem em um determinado momento. São cães que tem aquele olhar “selvagem”, elétrico – parecem bem fora de controle. Cães neste nível não conseguem pensar quando estão excitados.
Adivinhem? Merida se enquadra neste caso. Por quê? As características abaixo mostram como é um cão excitado, e ela tem algumas (três, para ser exata):
* correm a toda velocidade;
* latem incessantemente;
* mordem as mãos e roupas das pessoas, às vezes com força;
* pulam nas pessoas;
* quando pulam nas pessoas, as arranham;
* derrubam crianças e outros cães;
* batem as patas nas pessoas;
* brincam de cabo de guerra com as guias.
Cães assim, quando não têm suas necessidades básicas supridas, tendem a ficar ainda piores, se tornando cães muito difíceis de se conviver.
Mas isso não quer dizer que sejam sempre cães com muita energia – eles podem ficar doidões e, depois de alguns minutos, deitarem exaustos. Mas… cães com alta energia estão no “grupo de risco” para se tornarem muito excitados. Muitas vezes, excitação e alta energia andam de mãos dadas.
O que leva um cão a se tornar muito excitado?
* não são exercitados de acordo com sua raça, idade e personalidade;
* não foram educados (senta, fica, vem, deita, alguns truques etc);
* são privados de interação social;
* são expostos a situações muito estimulantes para eles.
Cães cheios de energia
O nome já diz tudo: eles têm energia pra dar e vender. Eles podem ser bem educados, mas são cães atletas. Um bom exemplo de cão cheio de energia e bem conhecido das pessoas é o border collie. Eles foram feitos para o pastoreio, então aguentam caminhar por HORAS. Não à toa que se destacam em esportes como agility, freestyle, flyball e obediência.
Olha só… a Merida também se enquadra nesta categoria! E quais são as características destes cães?
* geralmente estão em ótima forma física
* em sua maioria são cães de “trabalho”, que foram desenvolvidos para trabalhar no campo durante horas (retrievers, pastores, cães de caça…)
* são cães capazes de correr, brincar de frisbee, de bolinha, daí vão nadar, voltam para casa e ainda brincam de cabo de guerra antes do almoço.
Pense assim: a excitação é um estado temporário do indivíduo, enquanto o nível de energia é inerente à certas raças.
Merida se enquadra em tudo isso: ela está em ótima forma física; é de uma raça desenvolvida para trabalhar no campo, farejando, apontando e algumas vezes buscando as presas; e mesmo após um passeio de 1h com direito a farejar, dar umas corridinhas, pular troncos, ainda chega em casa e brinca de bolinha, de cabo de guerra, treina, brinca com as irmãs humanas e só depois tira um cochilo.
Agora que já sabemos a diferença entre excitação e nível de energia, no próximo post vou falar sobre como acalmar um cão que seja muito excitado, os chamados cães “hiperativos”.

Em ambos os casos há necessidade de educar estes cães, de surprir suas necessidades físicas e mentais. Se não lhes dermos a quantidade certa de exercícios e estímulos mentais, nenhum protocolo utilizado para acalmar um cão deste tipo surtirá efeito. E sem educação / treino, todo o exercício e enriquecimento só ajudará a criar um super atleta maluco em casa.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Relacionamento cães e crianças

Laura pedindo para a Merida sentar
antes de lhe dar um petisco.
Hoje quero falar sobre o relacionamento entre cães e crianças.

Aqui em casa sempre houve respeito nesta relação, tanto do cão com a criança quanto da criança com o cão.

Suzie foi bem socializada com crianças, porque estava no nosso plano ter filhos. Então, ela sempre foi muito amiga das meninas.

Pistache também foi criado com crianças, e chegou pra gente já amando as meninas.

Merida já chegou aqui tendo contato com crianças também e, aqui, com duas crianças, ela logo se ligou a elas, principalmente à mais nova.

Mas... e as meninas? Como ensinar uma criança, que aperta, agarra, puxa, principalmente no começo, a não machucar os cães.

Primeiro de tudo: JAMAIS deixá-las juntas sozinhas com os cães. Um pode machucar o outro, mesmo que não haja intenção. Depois, quando elas percebiam que havia algo além delas no mundo, e  mostravam interesse nos cães (no caso, na Suzie), pegava a mãozinha delas e mostrava como era o "carinho". Ia passando a mãozinha delas bem suavemente pelo corpinho da Suzie, nos lugares onde ela gostava de ser acariciada. E claro, recompensava a peluda por sua paciência em servir de modelo. Conforme elas iam crescendo e entendendo mais como interagir com cães, foi mais fácil de explicar. Claro, o nosso EXEMPLO também ajuda muito. Se tratarmos nossos cães com respeito, carinho, atenção, é assim que as crianças os tratarão também.

E para os cães aceitarem os pequenos? Sempre associações positivas. Tudo que for bacana pro cão acontece na presença da criança. Passeios, brincadeiras, petiscos, carinhos, interações de forma geral, sempre prazerosas. Se precisar acontecer alguma mudança com a chegada de um bebê, por exemplo, que ela seja feita ANTES do nascimento dele e de forma gradual, no tempo do cão, para que não seja algo traumático na vida dele. Se precisar de ajuda, procure um profissional que não faça uso de punições para lhe ajudar.

Tomando estes e outros cuidados, a relação entre cães e crianças tem tudo para dar certo!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Princípios para manter o cão saudável - Parte V

Depois do meu enorme sumiço (2018 não foi um ano fácil pra gente aqui), vamos voltar à série sobre os princípios para se manter um cão saudável?

Lembrando apenas que estes textos são adaptados por mim, o verdadeiro autor (e o texto na íntegra), estão neste link.

Vamos lá então, porque aprender sobre nossos cães nunca é demais!

Uma coisa que faz a maior diferença na saúde dos cães

Aqui ele vai falar um pouco de química e o papel importante dela para os nossos cães. Os cães são “feitos” de compostos: átomos, elétrons, prótons e outras partículas, que se organizam de forma específica para formar uma orelha, por exemplo.
Se a estrutura química do colágeno e da cartilagem da orelha do cão fosse alterada pela adição de alguns elementos, seu cão poderia ser capaz até de voar – brincadeira! Mas uma modificação de um elemento pode fazer uma grande diferença sim.
A vida não é diferente do Lego: plantas e animais são feitos de componentes oferecidos pelo universo. Mas, se uma peça de Lego some, quando você montar a casa de Lego ela ficará fraca e, se várias peças se perdem, a estrutura se colapsa.
Se um elemento ou mineral está com pouca quantidade ou se falta em uma flor, em um esquilo ou em um cão, eles ficarão fracos. Se muitos deles escassearem ou faltarem, eles morrerão rapidinho.


Como a natureza resolve isso?
Ela recicla os nutrientes pela decomposição, que torna o solo rico em minerais.


O problema do mundo moderno
Com a exportação de alimentos, os nutrientes do solo são removidos do local de origem. Uma fruta vinda da Espanha, mesmo que coloquemos sua casca pra decompor aqui, não fará parte do solo da Espanha.
Gradualmente o solo fica esgotado de nutrientes, e esta falta de nutrientes passa para os animais de fazenda, pessoas e nossos cães. Isso afeta o corpo dos cães e sabemos que obtemos os minerais através dos alimentos.
Os minerais são vitais para as reações químicas do corpo. Se estiverem faltando, ou com pouca quantidade, a saúde do cão se deteriorará.
Ele diz que, com a agricultura moderna, se torna mais difícil obter os minerais através dos alimentos, devido ao solo pobre. Ele fala sobre suplementos naturais, que são melhores que os sintéticos, já que o corpo os reconhece e sabe como usá-los.

Ao colocarmos minerais e outros nutrientes na comida de nossos cães, fazemos uma grande diferença na saúde deles. 

sábado, 3 de novembro de 2018

Lidando com o luto (e ajudando seu cão a lidar com ele também)

Há cerca de dois meses nossa magrelinha Suzie nos deixou. E com ela, ficou um imenso vazio em nossa casa e nos nossos corações. Além do vazio, precisamos lidar com mudanças comportamentais do Pistache, afinal de contas, ele perdeu a companheira dele de todas as horas.


Suzie partiu em casa, nos braços meus e do Luis (as meninas estavam dormindo na hora), foi uma morte súbita. Pistache acompanhou o processo e o encorajamos a cheirar a maninha. Pareceu que ele não tinha “se tocado” do que tinha acontecido e dormiu muito bem à noite.


No dia seguinte, o passeio foi solitário mas, ainda assim, dentro da normalidade. Chegamos em casa e ele voltou a cheirar o corpinho dela. Depois de algumas horas, vieram buscar a Suzie. Foi aí que as coisas mudaram. Pistache rosnou e latiu pro rapaz, como quem diz “Ei! Pra onde você tá levando ela???”. A partir daí, Pistache se retraiu de uma forma chocante. Passou a ter medo de absolutamente TUDO: de outros cães, de outras pessoas, de barulhos, de ficar sozinho… Durante os passeios ele se mantinha sempre alerta, assustado com qualquer coisa. Se um cão latisse pra ele, ele corria de medo. Se ouvia um barulho de alguém pisando numa folha, ele corria de medo (sem exageros).


Foram quase dois meses de um trabalho intenso pra ele voltar a ter a confiança que tinha perdido juntamente com a perda da maninha. Além de fazer com que ele visse alegria em outras coisas.


Precisamos dar mais atenção pra ele: ele passou a nos acompanhar em passeios nos shoppings (em horários mais vazios e também do lado de fora deles), demos brinquedos novos, atividades novas. Tudo isso porque nem mesmo roer um osso natural ele queria mais. Até mesmo água ele parou de beber e passou a comer menos também.


Conforme as coisas foram melhorando e ele foi adquirindo mais confiança, chamei uma amiga que tem uma whippet também e elas passaram a manhã aqui com a gente. Ele já não tinha mais medo de outros cães e ficou feliz com a amiguinha. Só não curtiu ela ter ido embora.


Hoje ele já adquiriu uma ótima confiança: interaje numa boa na rua, não tem mais medo (em nenhum momento forcei ou forço nada nele, respeito o tempo e os gostos dele), fareja tudo no passeio, treina, até rola na grama (coisas que ele simplesmente tinha parado de fazer).


O luto não é difícil só pra gente: é também pros nossos pets que se vêem sozinhos.


Tudo que fizemos foi pra ajudá-lo a lidar melhor: se despedir da irmã, dar mais atenção, dar floral (sim, ele tomou bastante floral), trabalhar com as questões que surgiram (medo, insegurança) e, por que não?, se aninhar junto com ele, mas sem se desesperar (nos momentos em que a dor era muita, eu nem ficava próxima do Pistache, pra não afetá-lo ainda mais).



Hoje as coisas já entraram nos eixos. Ainda fica a saudade pros humanos, mas o Pistache está bem mais tranquilo. E tem tido muita qualidade de vida, como sempre teve.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Comida no pote não!

Há um tempo esse modo diferenciado de fornecer o alimento de nossos cães tem se tornado mais e mais comum. Mas, o que vem a ser o famoso “comida no pote não”?
É simplesmente o ato de oferecer o alimento do cão fora de um pote de comida, mas em brinquedos onde ele interaja para conseguir comer. É uma forma de enriquecimento ambiental!
Para os cães é interessante ter uma forma diferente de se alimentar. Se, por exemplo, colocarmos a comida dele dentro de um brinquedo e o estimularmos a comer dele, ele terá oportunidades de expressar comportamentos naturais da espécie. Ao poderem fazer isso, muito do estresse e ansiedade dos cães diminui bastante. E isso, claro, reflete na educação dele. Olha que coisa boa!
Outra vantagem: ao comer a comida no pote, o cão a devora em segundos. Isso pode inclusive trazer malefícios para a saúde dele, como a torção gástrica, que pode inclusive ser fatal se não tratada a tempo.
Existem várias opções no mercado de brinquedos que podem ser usados: comedouros lentos (e você pode aumentar o desafio ao colocar tampinhas ou bolinhas nele também), tabuleiros (como os da pet games e da nina ottossom), bonequinha da petgames ou kongs (há vários tipos no mercado).
Mas você também pode fazer seus brinquedos em casa com garrafas pet, formas de gelo, formas de sicilone, caixas organizadoras, potes de iogurte… as opções são inúmeras.
Quer mais benefícios? O gasto de energia mental é bem grande quando disponibilizamos brinquedos interativos para os cães. Claro que não devemos dar o mesmo brinquedo em todas as refeições. O legal é variar sempre. Mas não precisa todo dia um brinquedo novo! Você pode intercalar os brinquedos, apresentar os que já têm de forma diferente (exemplo, uma bonequinha pode ser oferecida na temperatura ambiente ou congelada, recheada com alimentos diferentes; um comedouro lento pode ser servido com comida em temperatura ambiente, congelado, com bolinhas ou tampinhas em cima da comida, grudado na parede – o pet fit da pet games tem ventosas que possibilitam isso). E você sabe o que significa gastar energia? Menos bagunça dentro de casa! É uma situação onde todos ganham. Fora que a maioria dos cães fica em casa enquanto trabalhamos. Quer coisa melhor para ele do que poder “caçar” seu alimento pela casa, gastar energia, roer, brincar enquanto come?
Como começar? Comece sempre de forma simples. Aqui comecei com forminhas de gelo, petiscos secos no tapete de fuçar (eles comem alimentação natural crua com ossos, algumas coisas não consigo fazer), kongs e bonequinhas na temperatura ambiente. Quando for oferecer algo novo, mostre como funciona. Aos tempos você pode ir dificultando, mas não a ponto de frustrar demais o cão e ele desistir. Lembre-se também de supervisionar sempre no começo: assim você consegue conhecer seu cão, o que é mais fácil e mais difícil, o que ele gosta e o que não gosta e o que é seguro ou não para ele. Exemplo: meus cães não comem papelão e nem tecido, então é seguro oferecer o alimento deles usando este tipo de material. Cães que comem papelão e tecido não devem brincar com este material. 
Vamos começar hoje mesmo a mudar a forma de oferecer comida para nossos cães, pra melhor? Garanto que eles amam e não, não é maldade, ok?! Cães PRECISAM deste tipo de atividade para serem equilibrados e nossa relação com eles ser a melhor possível. Veja as fotos e vídeos abaixo e inspire-se! 
Comendo numa caixa de ovos (simples, não?!)
Nível fácil

Destrinchando a "presa" para comer.
Nível fácil a difícil, dependendo do cão.

Comendo petiscos secos em um tapete de fuçar feito em casa.
Nível fácil.

Este já é mais elaborado: eles ganharam de uma amiga.
O alimento vai nas garrafas pet que estão fixadas no
suporte. Eles precisam bater para o petisco
cair pela boca delas.
Nível difícil.

"Caixa estrelada". Nada mais é que uma caixa
organizadora com um fio de varal passando
pelos buracos.
Nível fácil a difícil, dependendo da quantidade
de fios que você coloca. 

Comedouro lento.
Nível fácil a difícil (aqui está num nível médio
de dificuldade por estar suspenso).

Alguns brinquedos usados no comida
no pote não: corujinha e pet ball da pet games.
Nível fácil a difícil, dependendo do brinquedo.

Tabuleiro com tampas para abrir e tirar.
Nível difícil.

Kong e bonequinha bem reacheados.

Se divertindo comendo de uma bonequinha!

A sacola da alegria (a comida está lá dentro)

Vários potes plásticos que viraram um
ótimo brinquedo dispensador de comida.

Uma garrafa pet com brinquedos recheados
com comida.

Comedouro lento pet fit (com ventosas) fixado
na máquina. 

Outra forma de servir em um comedouro lento:
com bolinhas!

Aqui também numa tampa de caixa
de ovos, mas de plástico.

Toalha recheada: os petiscos / comida
ficam na toalha enrolada. O cão só precisa
desenrrolá-la para comer. E se diverte!

sábado, 24 de março de 2018

Hierarquia das necessidades caninas

A Hierarquia das Necessidades dos Cães foi criada por Linda Michaels e é um modelo de bem-estar e modificação comportamental. Na figura as necessidades dos cães estão listadas de forma hierárquica. Repare que não se usa punição positiva, reforço negativo, punição negativa e nem a extinção. Estão ausentes de propósito. Tutores, educadores caninos, veterinários, banhistas e outros profissionais relacionados a animais podem e DEVEM fazer uso deste guia que a Linda disponibilizou de forma gratuita. Use-o e fale sobre ele com conhecidos, com outros tutores. Peça para o seu veterinário usá-lo com todos seus clientes. Imprima este desenho, compartilhe, divulgue! (Clique na foto para ampliá-la e poder lê-la)

Este guia foi feito para suprir as necessidades de nossos cães: biológicas, emocionais e sociais. Quando já tivermos suprido tudo isso, o guia descreve métodos gentis de educação para modificar um comportamento: gestão (manejo), modificar o antecedente, reforço positivo e diferencial, contra-condicionamento e dessensibilização. Não há uso de aversivos (coleira de choque, enforcador), nem se uso o medo ou mesmo o mito da teoria da dominância (que já foi refutada pelo próprio criador dela!).


Este guia não é um tratado sobre a teoria do aprendizado mas sim um modelo prático de modificação comportamental para cães. Se tiver dúvidas sobre como educar ou modificar um comportamento do seu cão, contrate um profissional bom, que não faça uso de aversivos. 

segunda-feira, 5 de março de 2018

Torne as caminhadas com seu cão mais divertidas!

Todos sabemos o quanto as caminhadas são importantes para os cães mas, ainda assim, algumas pessoas não levam seu cão para dar uma volta. Por quê? Provavelmente por achar uma "tarefa" meio maçante, monótona, passando sempre pelos mesmos caminhos, sem nada de novo acontecendo... Mas podemos mudar isso: basta encontrar maneiras de transformar aquele passeio monótono em um cheio de novidades.

Abaixo darei algumas dicas de como dá pra deixar o passeio dos nossos cães mais agradável tanto para eles quanto pra nós (e, com isso, fazer com que não deixemos mais de lado as caminhadas deles).

1. Deixe o cão guiar o passeio
Calma. Isso não quer dizer deixar que ele te arraste pelas ruas puxando a guia loucamente, latindo para outros cães e fazendo o que der na telha. Longe disso (se quer saber mais sobre como ensinar seu cão a andar sem puxar, leia aqui). O que é proposto aqui é deixar o cão escolher o caminho. Tipo aquela brincadeira que fazíamos quando criança de "siga o mestre". Ao invés de fazer a rota básica, deixe o cão mostrar pra onde quer ir. Pode ser que seu cão o leve para cheirar cada árvore, cada matinho... mas dê-lhe a chance de te mostrar o que é interessante do ponto de vista dele.

2. Deixe-o cheirar
Caminhar é um ótimo exercício físico, mas também precisamos nos preocupar com a estimulação mental deles. A maioria dos cães hoje passa horas em casa enquanto saímos para trabalhar. Então, ao deixarmos que eles farejem durante a caminhada, proporciona um estímulo a mais na vida deles, de explorar o ambiente. Deixe-os cheirar postes, árvores, matinhos... é a rede social dos cães, né?! Se você não quiser (ou estiver sem tempo mesmo) deixar ele dar dois passos e cheirar de novo, dê uma pausa na cheiração durante o passeio, mas deixe q ele cheire outros lugares.

3. Vá para um parque ou praça
Não quer mais andar no bairro? Que tal levar seu cão para um parque (que aceite cães), uma praça ou um passeio na natureza? Sei que no estado de São Paulo há o Turismo 4 Patas e o Matilha na Trilha. Isso vai mudar tanto o cenário do passeio, quando os odores, além de ser possível a socialização do seu cão (certifique-se de que ele é um cão sociável e não reativo, ok?!). Normalmente nestes passeios há a presença de adestradores e veterinários que cuidam da saúde física e mental dos nossos amigos. Divirtam-se!

4. Mude a rota
Não tem tempo de fazer um passeio na natureza ou pegar o carro e ir pra uma praça ou parque? Mude a rota do seu passeio. Isso faz o passeio ficar bem mais legal: novos cheiros, novas vistas, novos amigos. Eu faço isso quase diariamente aqui. Às vezes só mudar a direção já basta.

5. Convide alguém
Às vezes convidar um amigo ou parente para caminhar junto com vocês pode ser agradável não só pra você, que terá com quem conversar, como para seu cão, que receberá carinho e petiscos extras.

6. Mude o passo
Você pode andar mais rápido e mais devagar, vá alternando entre um e outro. O legal é você falar para o cão e isso acaba virando um comandinho. Por exemplo, para atravessar a rua, que precisa andar um tico mais rápido, eu chamo pelo nome e falo "Vamos!" num tom animado. Você também pode pedir para correr, andar devagar... e assim o passeio vai ficar bem divertido.

7. Que tal aproveitar pra educá-lo?
Sim, isto também transforma o passeio em algo legal! Peça para ele sentar antes de atravessar a rua, deitar na praça pra relaxar, esperar para voltar a caminhar etc. Mas sempre, sempre de forma positiva, sem o uso de punição ou aversivos (isso inclui não usar coleiras que machuquem seu cão!). Educar seu cão em vários lugares é benéfico pra ele, porque é um passo importante para que ele se comporte em vários lugares diferentes, não apenas na sua casa, e possa frequentar ambientes pet friendly sem importunar ninguém.

Suzie e Pistache se preparando para uma brincadeira
de "cadê?" na praça perto de casa.
8. Leve petiscos
Importante não só para dar os comandinhos, mas também para uma brincadeira maravilhosa de "cadê?". O que é isso? É simplesmente jogar alguns petiscos na grama e incentivar seu cão a procurá-los usando o olfato. E diga "cadê?" num tom alegre. Esta brincadeira de farejar, além de dar diversão para o cão, ao procurar os petiscos, também dá a ele a chance de melhorar suas habilidades naturais de faro, além de dar um estímulo mental extra.

E você? Como são seus passeios com seu cão? Já fez algo neste esquema? Tem mais alguma sugestão? Deixe aí nos comentários.

Bom passeio para vocês!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Juramento do tutor responsável

Estou sempre lendo sobre comportamento e educação canina e há pouco tempo me deparei com um juramento que achei super bacana replicar pra vcs: o juramento do tutor responsável.

Aqui está:

"Juramento do Tutor Responsável

' Serei responsável pela saúde de meu cão. Isso inclui:
- cuidados veterinários rotineiros, incluindo check-up e vacinas necessárias
- nutrição adequada através de uma dieta apropriada à espécie e água limpa e fresca à vontade
- exercícios diários e cuidados regulares com a pelagem

Serei responsável pela segurança de meu cão.

O manterei seguro de maneira correta: casa com muro / cerca que o impeça de fugir, não deixando-o solto na rua e fazer as caminhadas usando uma guia.
Meu cão terá alguma forma de identificação (coleira com plaquinha e/ou microchip).

Supervisionarei meu cão nas interações dele com crianças.

Não permitirei que meu cão viole os direitos dos outros.

Não permitirei que meu cão ande solto pelo bairro.
Não permitirei que meu cão incomode os outros deixando-o latir loucamente na frente de casa, num quarto de hotel etc.
Recolherei as fezes de meu cão nas áreas públicas, em TODAS elas, bem como em trilhas feitas na natureza.

Serei responsável pela qualidade de vida de meu cão.

Entendo que a educação básica é benéfica para todos os cães.
Darei ao meu cão atenção e brincarei com ele.
Entendo que ser tutor de um cão é um compromisso que requer meu tempo e meu cuidado.' "

Fonte: American Kennel Club

Gostaram? O que vocês fazem para ser um tutor responsável de seus cães? Vamos melhorar nossa relação com eles começando hoje?

Abaixo, fotos de algumas coisas que faço (não coloquei fotos de todas, ok?!)

Nutrição adequada à espécie oferecida em brinquedos
que estimulam o cão.


Tempo na frente de casa supervisionado, para evitar que
latam para outros cães e pessoas (que pode levar
à reatividade!)

Exercício físico adequado + qualidade de vida (passeio
é para eles: eles cheiram, brincam, param pra tomar sol,
andam, vão, voltam etc. Mas sem puxar!) Sempre
na guia, nunca soltos.

Interação com crianças supervisionada, para que o
relacionamento seja agradável para ambos.

Estímulo mental (exercício mental), o famoso comida
no pote não. Isso também é qualidade de vida!
Reparem que estão sempre com a coleira e sua
inseparável plaquinha de identificação!

domingo, 28 de janeiro de 2018

Cães surdos: a vida com eles

Este ano quero escrever mais sobre este assunto. Por quê? Porque Suzie, nossa magrelinha de 13 anos, já está há quase 1 ano sem escutar mais. Hoje vou contar um pouco de como estamos lidando com isso.

Descobrimos porque ela simplesmente parou de vir nos receber quando chegávamos. Achávamos que fosse apenas preguiça... mas depois, quando nos via, fazia uma festinha boa. Na hora das refeições, não vinha quando a chamava, o que achei muito estranho, pois o "vem" dela é impecável, em qualquer situação.

O teste final foi com a frase "vamos passear". Não respondia. Nem quando sussurrávamos nos seus ouvidos (sim, testamos nos dois). Surda como uma portinha... Claro que isso foi meio que um choque e pensei "como ela vai lidar com isso?". Lidou suuuuper bem.

Ela tem uma rotina estabelecida, mesmo que algumas vezes a gente saia da rotina (o que também pe benéfico), e isso a ajuda a saber mais ou menos os horários em que nos levantamos, dos passeios, quando saímos de casa, quando é pra ela ficar ou quando é pra ir junto etc.

Outro fator que ajudou muuuito foi o fato de conviver com um cão que ouve: Pistache. Ele é como o sentinela dela: se ele se agita, ela sabe que tem algo acontecendo. Então ela nos "ouve" quando acordamos e entramos na cozinha porque ele a avisa, com as atitudes dele. Ela ficou mais atenta ao irmão e consegue perceber nossa movimentação na casa e o que queremos deles.

Nossa senhorinha linda e super adaptada
ao mundo silencioso onde agora vive.
Mas... e os treinos? Adaptei os comandos que ela já conhecia a gestos (alguns ela já conhecia os gestos, outros não). Palmas ela ouve, então bato algumas palmas quando quero q ela olhe para mim (não me perguntem porque ela ouve as palmas... e não, não é porque ela as VÊ... ela pode estar de costas, mas precisa estar no mesmo ambiente ou, no caso do quintal, não muito distante). O resto ela já entende, seja com posições corporais minhas, seja com gestos que eu faça com as mãos. Exemplo: o fica é com a palma da mão aberta, virada pra ela. Para ela não passar pela porta antes do passeio, eu estico a minha perna na frente dela. O "OK" é eu fazendo um carinho diferente nela; o "olha pra mim" tem dois jeitos: eu aponto pro meu nariz, quando ela está mais focada em mim e quero q ela mantenha contato visual OU eu dou dois toquinhos no bumbum dela com meus dedos, de leve, daí ela sabe q é pra olhar pra mim. E por aí vai.

Assim vamos ajudando nossa pequena a lidar com um mundo silencioso agora, para ela não assustar com a gente e nem com o que aconteça à sua volta.

De quebra, temos que ensinar as meninas a não tocar nela bruscamente se ela estiver dormindo: ela não vai morder, mas ela assusta e temos evitado sustos e grandes emoções por conta da condição dela: tem sopro cardíaco.

Por enquanto é isso. Vou publicar mais coisas do tipo aqui, porque assim como ela tem aprendido a lidar com o silêncio do mundo, eu tenho aprendido a lidar com um cão que não escuta mais nada.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Princípios para manter o cão saudável - Parte IV

Decidi começar o ano voltando com a série sobre saúde e longevidade dos cães. Acho que nada melhor que dar aos nossos amados peludos uma qualidade de vida melhor começando agora!

Lembrem-se que são textos traduzidos e adaptados por mim, não estão ao pé da letra, são beeeeem resumidos. Só quis mesmo trazer algo útil para todos. 

Boa leitura e um ótimo 2018!


Como manter o cão livre de remédios e minimizar seus efeitos colaterais
Neste 4º artigo o veterinário vai falar sobre o uso de medicamentos: ele não é contra seu uso em certos casos, mas quer nos fazer entender os efeitos deles no corpo e porque ele os evita sempre que possível.



Voltando a ter saúde
Todos estes elementos de cura devem funcionar direitinho para restaurar a saúde. Depois dessa pequena introdução, ele vai falar sobre os efeitos dos remédios, que podem ser divididos em vários grupos.
1. Remédios que substituem uma substância de ocorrência natural – como o hormônio da tireoide no caso do hipotireoidismo ou a insulina no caso da diabetes. Eles substituem hormônios essenciais que o cão não consegue mais produzir (ou produz em pouca quantidade). São remédios com impacto positivo no paciente e salvam vidas: veterinários os utilizam para regularizar a produção hormonal, o que pode ou não ser possível.
2. Remédios que eliminam parasitas, bactérias ou vírus são diferentes, pois eliminam patógenos e agentes causadores de doenças. Também trazem mais riscos por causa de sua toxicidade e da possibilidade de resistência. Estes remédios (antiparasitários, antifúngicos e antibióticos) podem ser comparados a colocarmos impurezas, ou toxinas, no corpo.
Alguns dos erros mais comuns que fazemos em relação a estes remédios:
uso abusivo de antibióticos para tratar de machucados e problemas de pele;
uso abusivo de medicamento para vermes e não saber que há alternativas mais seguras para tanto;
3. O terceiro grupo de remédios altera ou bloqueia a função corporal. Os remédios mais comuns deste grupo são os corticoides, como a prednisona para problemas de pele, alergias e problemas imunes que suprime o sistema imunológico do cão. Ele dá um exemplo para entenderemos o efeito: sua casa está pegando fogo e seu vizinho aparece e te dá um comprimido para dormir e não se preocupar. Os esteróides são os comprimidos para dormir do sistema imunológico dos cães e as consequências são sérias.
4. O último grupo dos remédios convencionais é também o mais difícil de se falar sobre, segundo ele, porque é o mais controverso. Os quimioterápicos foram feitos para destruir e eliminar células cancerosas, mas não poupam o resto do corpo, ou seja, células sadias também são afetadas.
E ele também deixa claro que não é contra o uso de medicamentos, mas sim de usá-los com sabedoria e que há alternativas mais saudáveis, que serão melhores para seu cão e para o meio ambiente.
Doença é quando a saúde é alterada ou perdida. A Natureza “instalou o programa de cura” no nosso corpo: quando nosso cão se corta, a pele tem a habilidade de se curar, a menos que o corte seja muito grande para isso. O mesmo acontece na maior parte do corpo, células e órgãos, menos quando a doença é demais para o corpo se curar.
O jeito da natureza curar é dizer que algo está errado, usando a dor, desconforto e inflamação. Dor e desconforto forçam o descanso. O propósito da inflamação é aumentar a circulação sanguínea para lavar os tecidos, eliminar toxinas e levar os anticorpos à área para remover o tecido doente e invasores, como parasitas, bactérias e vírus.


A tendência natural do corpo é de eliminar as toxinas, que estressa o organismo e os órgãos mais afetados são o fígado, rins e sistema digestivo. Ao mesmo tempo que estes remédios podem salvar, também podem ter efeitos colaterais negativos. Um bom exemplo é a toxicidade do antibiótico, a perda da flora intestinal, o risco de resistência bacteriana e o aumento dos super-tudo (fungos, vírus e bactérias). Estes remédios devem ser usados com cautela e apenas quando absolutamente necessários.
uso de antipulgas e anticarrapatos, que causam efeitos colaterais sérios, como convulsões e até mesmo morte.


O veterinário acredita que estes remédios danificam o sistema imunológico dos cães de forma permanente, tornando a doença incurável.
Outros remédios deste grupo são os anti-inflamatórios não esteroides. Eles suprimem a inflamação, que pode parecer bom, mas são remédios que apenas mascaram o problema, além de causar efeitos colaterais.


Diz que devem ser usados com inteligência (no caso, se há chance real de remissão e cura do câncer).


Ele quis escrever este artigo para que pudéssemos entender o uso dos remédios, como eles agem e seus efeitos no corpo. Com exceção dos remédios do primeiro grupo, ele diz que não devemos pensar neles como a primeira opção para curar ou mesmo para prevenir algo. Usar remédios sem necessidade só faz com que o corpo trabalhe ainda mais para se livrar dele também, afinal, são toxinas.