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sexta-feira, 2 de março de 2012

O medo nos cães

Nem sempre é fácil identificar um cão medroso. Quando o cão é nosso, parece mais difícil ainda: quem não acha que seu cão é o melhor do mundo, não é?!

Mas os cães estão sempre nos mandando sinais, através da sua (riquíssima) linguagem corporal. Basta que nós saibamos ler estes sinais, que podem ser muito nítidos ou mais sutis, e evitarmos acidentes, principalmente com crianças: afinal, cães que sentem medo fogem e nos dão estes sinais mas, se não os lermos e insistirmos na aproximação, eles podem se sentir acuados e atacar (o que pode ser desastroso, se ele tiver um mal (ou nenhum) treino de mordida).

Um exemplo: seu cão tem medo de crianças e você, um dia, recebe uma criança em casa. O cão corre pra caminha dele, fica agachado, de olhos arregalados, virando a cara e lambendo o focinho (alguns sinais de medo - vejam mais no desenho abaixo). As crianças não entendem a linguagem corporal dos cães: cabe a nós, adultos, entendermos e explicar que, quando um cão está desse jeito, não se deve chegar perto dele. Agora, digamos que ninguém saiba disso e deixam a criança chegar perto do cão, porque ele é bonzinho. A criança vai chegando perto, mais perto e o cachorro, sem saída, ataca a criança. "Que cachorro malvado, traiçoeiro, atacou do nada!". Não. Ele deu todos os sinais que estava desconfortável com aquela situação, ANTES de atacar.

Agora, fatores que podem atenuar esse ataque: o cão ter um ótimo treino de mordida (ele encosta apenas o focinho na pele, só deixando na criança um pouco de saliva); porte pequeno do cão (ele pula na criança, mas não a machuca, pois não tem peso suficiente para tanto). Fatores que podem tornar o ataque desastroso: porte médio para grande do cão (ele pula na criança e, com o peso, a derruba e machuca); péssimo (ou inexistente) treino de mordida (onde o cão morde mesmo, lacerando a pele e tirando sangue). Se você juntar os dois fatores (cão de porte grande/médio e péssimo treino de mordida), terá um acidente grave.

Veja o quadro abaixo para aprender a ler os sinais que seu cão lhe dá de quando está com medo. Se seu cão mostrar alguns destes sinais, identifique as situações e, com a ajuda de um profissional, trabalhe com o cão (contra-condicionamento, dessenssibilização e BAT (treino para mudar o comportamento)) para que ele perca o medo. Lembre-se: nós precisamos ajudá-lo: os cães não superam o medo sozinhos. E contratem um profissional que não use aversivos (trancos, gritos, choques, chutes, tapas etc), e sim um que recompense os bons comportamentos e ignore os maus. Só assim seu cão realmente será ajudado e será infinitamente mais feliz, sem medos!

Imagem do site da Dra. Sophia Yin (pdf gratuito), veterinária especialista em comportamento animal e autora de vários livros sobre o assunto

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Depois de Adquirir um Filhote

Continuando com a série Depois de Adquirir um Filhote, de Ian Dunbar. Lembrando que são traduções e adaptações feitas por mim e também pela Dani, e sua cópia total ou parcial não é permitida.

Boa leitura, bom aprendizado e bom divertimento!


CAPÍTULO SEIS (parte V)
O Sexto Estágio do Desenvolvimento: Prevenindo os Problemas da Adolescência (dos cinco meses em diante)

Sentar e Se Acalmar
Faça pequenos treinos durante a caminhada. Pare a cada 25 metros, por exemplo. A cada vez que você parar, diga “Senta” e, assim que ele sentar, diga “Vamos” e volte a caminhar. Assim, sempre que você parar, volte a andar como recompensa por seu cão ter sentado.

Mantenha a maioria dos intervalos de treino mais curta que cinco segundos, recompensando os comportamentos mais rápidos (senta, deita ou uma sequência de comportamentos: senta-deita-parado-deita-parado). De vez em quando é legal recompensar o cão com um petisco, mas não é necessário, já que o simples fato de continuar a caminhada é a melhor recompensa para ele. De vez em quando faça intervalos maiores de treino, praticando o andar junto por 15 a 30 segundos ou um estado calmo (ficar calmo) por dois a três minutos. Dê um Kong recheado ao seu cão e um livro para você: ambos ficarão entretidos.

As técnicas descritas acima irão modelar o comportamento do seu cão e recuperar os bons modos em uma caminhada. Fazendo cerca de setenta sessões de treino a cada 1,5km, uma simples caminhada solucionará praticamente todo problema de treinamento. Por exemplo: você pode ter dificuldade em acalmar seu cão agitado nas primeiras vezes, mas, depois de algumas repetições, ficará mais fácil. Depois de um passeio de 4km (com uns duzentos intervalos para treino), seu cão será brilhante!

Por que essa técnica é tão boa?
  1. Essas repetições de treino (os intervalos) lhe obrigam a encarar seus medos e superá-los. A natureza solucionada de problemas desses treinos permitem que você resolva problemas de forma rápida. Por exemplo: o problema não é que seu cão não fica calmo; ele fica, mas, de vez em quando, só de vez em quando, e só quando ele tem vontade. Você quer que ele se acalme super rápido quando lhe pede que faça isso. Pratique muitas e muitas vezes, como descrito acima, em vários intervalos curtos durante a caminhada. Seu cão irá obedecer cada vez mais rápido em cada tentativa. No fim, ele aprenderá a obedecer na hora.
  2. A maioria dos donos ensina seus cães só em um ou dois lugares, como a cozinha e a escola de adestramento, terminando com um cão super educado na cozinha e na escolinha. Mas o cão não se comporta nas caminhadas e nem nos parques. Isso porque o cão pensa que “Sentar” significa sentar somente na cozinha e na aula de adestramento, já que só foi ensinado nestes dois lugares. Com este treino, você pratica em vários lugares diferentes, com vários tipos de distrações – em ruas calmas, em ruas movimentadas, trilhas, campos abertos, perto de escolas, em playgrounds etc. Assim seu cão vai prestar atenção no que você diz e obedecerá com alegria, não importando o lugar, o que estiver fazendo e nem o que (ou quem) estiver perto dele. Seu cão generalizará o “Senta”, significando sentar em qualquer lugar e qualquer hora que você pedir.

Se você treina seu cão em todos os passeios, logo terá um filhote que sentará e ficará calmo com um único pedido, não importanto quão distraído ou excitado ele estiver. Mais que isso, ele o fará com prazer, pois sabe que quando pedimos que ele sente ou deite não é o fim do mundo e nem o fim do passeio. Seu filhote aprenderá que “Se acalmar”, por exemplo, é só um tempinho para relaxar antes de voltar à vida animada das caminhadas. Com seu agora bem-comportado cão, você vai ver como é mais prazeroso passear por qualquer lugar, podendo seguir seu itinerário sem ser puxado toda hora.

Treinando no carro
Não esqueça do carro! A técnica é a mesma da caminhada. Por dois dias, leia o jornal no carro, pedindo que o cão se acalme e lhe dando um Kong recheado. Faça treinos curtos para praticar mudanças posturais – senta, deita, parado etc – ou de local – banco da frente, banco de trás, cinto de segurança, crate etc. É muito mais fácil fazê-lo quando você não está dirigindo e com o carro parado. Assim que o cão responder prontamente a cada pedido, repita os exercícios com alguém dirigindo. Logo você verá que o cão fica feliz em lhe obedecer quando for você ao volante. Quando seu cão ficar calmo em qualquer lugar, a qualquer hora – no carro, nos passeios – é hora de partir pra ação. Com uma petisqueira na sua cintura, leve o cão para qualquer lugar – caminhar na cidade, ao banco, pet shop, visitar a avó, visitar amigos, andar pelo bairro ou andar de carro. Faça piqueniques no parque, caminhe e caminhe mais. Sempre tenha petiscos à mão e dê ao seu cão sempre que outros cães e pessoas se aproximarem. Dê também petiscos para as pessoas treinarem seu cão para cumprimentá-los corretamente, ou seja, sentar para ganhar o petisco e o carinho.

Treinando no parque
Deixar seu cão brincar sem parar no parque pode ser uma das maneiras mais rápidas de você perder totalmente o controle do seu cão (principalmente do adolescente). Quando deixamos que ele brinque sem parar, ele logo não presta mais atenção na gente e perdemos o controle sobre ele. Por outro lado, se você mescla treino com brincadeira, logo você terá controle sobre o seu cão, mesmo com ele longe e sem a guia.
 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Depois de Adquirir um Filhote

Continuando com a série Depois de Adquirir um Filhote, de Ian Dunbar. Lembrando que são traduções e adaptações feitas por mim e também pela Dani, e sua cópia total ou parcial não é permitida.

Boa leitura, bom aprendizado e bom divertimento!


CAPÍTULO SEIS (parte IV)
O Sexto Estágio do Desenvolvimento: Prevenindo os Problemas da Adolescência (dos cinco meses em diante)

Socializando nas caminhadas
Dê pequenas pausas em cada passeio. Não queira que o filhote interaja sempre com o ambiente. Dê-lhe ampla oportunidade de relaxar e apreciar o mundo. Um Kong recheado o ajudará a ficar calmo sempre que você der essa pausa.

Nunca presuma que o com temperamento do cão é constante. O mundo lá fora pode ser assustador, e haverá surpresas no meio do caminho. O melhor jeito é prevenir os problemas. Dar o jantar do cão durante os passeios ajuda a formar associações positivas com pessoas, outros cães, trânsito. Dê a comida do cão sempre que um carro, caminhão ou moto passar. Dê-lhe comida (dois pedaços de ração ou de AN) quando outro cão ou pesoa passar. Elogie-o e ofereça um petisco quando ele cumprimentar outro cão ou pessoa de forma amigável. Elogie o cão e dê-lhe três petiscos deliciosos quando uma criança aparecer. E quando uma criança passar em skate ou bicicleta, dê-lhe todos os petiscos da petisqueira.

Se alguém aparecer querendo conhecer seu cão, primeiro mostre como usar a ração/comida como guia para fazê-lo vir e sentar. Peça à pessoa para oferecer a comida só depois que o cão se sentar. Ensine seu cão a sempre sentar quando encontrar e cumprimentar pessoas.

Educando nas caminhadas
Quando seu cão tiver cinco meses, a infância acabou e você começa a perceber que ele tem muito mais força ao puxar. Aliás, os cães puxam por muitas razões. Isso é bom para cães guia. Uma guia esticada proporciona uma espécie de “telégrafo”, que comunica as intenções do dono, permitindo que o cão ver o mundo a sua volta, o que se passa. Puxar parece ser divertido para os cães. E nós deixamos que eles puxem. Sempre que a guia está tensionada, cada puxão é reforçado por cada passo que o cão dá, indo à frente investigar as coisas, cheirar o mundo.

Alguns “pode” e “não pode” ao ensinar o cão a andar sem puxar:

PODE: praticar o treino de guia em casa e no quintal desde o começo, e levar o filhote para passeios na rua assim que possível.
NÃO PODE: esperar até que o filhote fique adolescente para ensiná-lo a andar em público, a menos que você queira divertir os transeuntes.
PODE: anternar períodos curtos de 15 a 30 segundos, quando o cão anda a seu lado, com períodos longos de um minutos, mais ou menos, quando você deixa o cão cheirar.
NÃO PODE: esperar que seu cão, adulto ou adolescente, ande junto indefinidamente. Ele aprenderá que andar junto é exclusivo, e não poderá cheirar. Ou seja, ele não vai querer andar ao seu lado e pode até rosnar para você por acabar com toda a diversão.
PODE: educar o cão a não puxar a guia. Assim, puxar deixa de ser um problema e pode ser uma solução, um reforço por andar a seu lado calmamente. Alternar passeio com a guia frouxa e com a guia esticada pode ser extremamente divertido, principalmente para cães que foram feitos para puxar (Huskies, Malamutes, Samoiedas...). Além do mais, quando há um comando para puxar a guia, fica mais fácil subir morros e muito divertido para quem gosta de andar de patins (ou skate) com o cão puxando o dono.
NÃO PODE: deixar o cão decidir quando puxar a guia. Faça uso do treino “luz verde/luz vermelha”. Quando o cão estica a guia, pare imediatamente e espere. Assim que ele afrouxar a guia ou, melhor ainda, se sentar, continue a caminhada.

Luz vermelhaLuz verde
Um bom passeio tem que ser uma das melhores recompensas, perdendo apenas para brincar no parque. Muitos cães ficam alucinados quando os donos o chamam para passear e, claro, o passeio reforça a loucura. Além disso, os cães puxam com mais força a cada passo que você dá e, claro, cada passo que você dá reforça os puxões. Mas, há uma solução. O passeio pode reforçar os bons modos do seu cão. Antes de ir passear, pratique sair de casa de um jeito educado. Diga “Vamos passear!”, balance a guia do cão na frente dele. A maioria deles vai ficar doidinho. Fique parado e espere o cão ficar calmo e sentar. Com o passeio “estacionado”, o cão pensa que você quer que ele faça algo, mas ele não sabe o quê. Então, ele oferece alguns comportamentos, talvez todos os que ele sabe. Ele pode latir, pedir, pular, deitar, rolar, dar a pata, dar a volta em você. Ignore tudo isso, até que ele sente. Não importa o quanto demorar: uma hora ele senta. Quando ele sentar, elogie e coloque a guia. Assim que você colocar a guia, seu cão irá reagir. Então pare e espere que ele sente de novo. Quando ele sentar, elogie-o, dê um passo em direção à porta, pare, espere que ele sente de novo. Em direção à porta, um passo de cada vez e espere que o cão sente a cada passo dado. Espere o cão se sentar antes de abrir a porta e peça para que ele sente logo depois de passar por ela. Então, volte para dentro de casa, tire a guia do cão, deite no sofá e repita tudo de novo.

Você vai ver que o tempo que leva para o cão se sentar vai diminuindo progressivamente. Também vai perceber que ele fica mais calmo a cada vez que vocês saem de casa. Na terceira ou quarta saída, ele irá sentar calma e prontamente.

Não peça para o cão sentar, não dê nenhuma dica. Deixe o cão pensar. Ele aprende mesmo quando apresenta uma série de comportamentos indesejados. Ele aprende o que você não quer que ele faça. Quanto mais você esperar ele se sentar, melhor ele aprenderá quais comportamentos são desejados. Quando o cão senta e é elogiado e recompensado, aprende o que você quer que ele faça.

Os cães amam essa brincadeira. Depois de brincar disso por um tempo, ele aprende quais são os comportamentos verdes (sentar) que fazem algo legal acontecer e quais os comportamentos vermelhos (qualquer outra coisa) que não fazem nada acontecer.

Quando seu cão conseguir sair de casa educadamente, é hora do passeio de verdade. Coloque a comida dele em uma petisqueira, pois ele vai jantar fora! Segure um pedaço de comida na mão, fique parado e espere que ele sente. Quando ele sentar, elogie-o e dê-lhe a comida. Ande vários passos, pare e espere ele sentar. Assim que você começar a andar, o cão irá ficar animado. Fique parado e espere. Uma hora o cão vai sentar de novo. Elogie, dê-lhe a comida e ande mais alguns passos. Ao repetir isso muitas e muitas vezes, você vai perceber que o cão senta cada vez mais rápido sempre que você fica parado. Depois de algumas repetições ele começará a sentar imediatamente a cada vez que você parar. Agora, ande bastante antes de parar. Então, tente dar três passos e parar, cinco passos, oito, dez, vinte e assim por diante. Nessa hora você verá como os passeios ficaram agradáveis, com o cão andando ao seu lado e se sentando quando você para, automaticamente. Você lhe ensinou tudo isso em apenas uma sessão e a única coisa que você falou foi “Muito bem!”.

Evite deixar o cão excitado
Se o cão fica doidinho depois de você dar apenas um passo, pense em como você pode abastecê-lo de energia se continuar a andar quando ele puxa a guia. Comece dando apenas um passo por vez e espere o cão se acalmar e sentar antes de dar outro passo. Claro, você não pode educar seu cão assim se estiver morrendo de pressa, então faça este treino quando você tiver tempo e com a intenção de ensinar seu cão a andar calmamente, sem puxar a guia.
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Depois de Adquirir um Filhote

Continuando com a série Depois de Adquirir um Filhote, de Ian Dunbar. Lembrando que são traduções e adaptações feitas por mim e também pela Dani, e sua cópia total ou parcial não é permitida.

Boa leitura, bom aprendizado e bom divertimento!


CAPÍTULO SEIS (parte III)
O Sexto Estágio do Desenvolvimento: Prevenindo os Problemas da Adolescência (dos cinco meses em diante)

O Segredo para se ter sucesso com os adolescentes
Sempre elogie o cão e dê-lhe alguns petiscos quando ele fizer as necessidades no lugar certo. Mantenha um potinho com petiscos na área do banheiro dele. Você precisará estar lá para inspecionar e recolher a caca (antes que junte insetos). Lembre-se, você quer que o cão queira usar o banheiro e se sentir motivado a fazê-lo, mesmo quando estiver com incontinência urinária.

Ao mesmo tempo, um Kong recheado continua fazendo maravilhas pelo temperamento dele. Ele ainda precisa ocupar a mente quando estiver sozinho. Nada irá prevenir problemas em casa como roer móveis e objetos, latir em excesso e hiperatividade; ou aliviar o tédio, estresse ou ansiedade como um brinquedo recheado com comida, como o Kong (ou alguns deles).

Para que o cão adolescente continue a ser obediente e condescendente, integre algumas sessões de educação, como sentar e deitar durante passeios, brincadeiras e atividades corriqueiras do dia-a-dia. Manter as boas maneiras do cão durante a adolescência é fácil se você souber como fazê-lo, mas muito difícil se não souber (ou se não se importar).

Se a socialização falhar e seu cão avançar ou rosnar, agradeça por ter tido o bom senso de levá-lo a uma escolinha de educação onde ele aprendeu o treino de mordida. A defesa do seu cão não machucará outro, mas ele lhe avisa que você precisa renovar rapidinho o programa de socialização e manter os exercícios do treino de mordida, indefinidamente. De vez em quando, alimente o cão na boca e mexa em seu focinho e dentes (escove-os, por que não?) regularmente.

O segredo para um cão adulto bem socializado é, ao menos, uma caminha por dia e idas ao parque. Tente fazer caminhos diferentes e ir a parques diferentes, assim seu cão conhecerá pessoas e cães diferentes. Socializar significa educar seu cão como conhecer e agir com cães e pessoas desconhecidas. O único jeito de consegui-lo é continuar encontrando cães e pessoas diferentes todos os dias. Elogie-o e premie-o com petiscos sempre que ele encontrar uma pessoa ou cão desconhecido.

E não esqueça de manter a sua própria vida social ao convidar amigos para lhe visitar pelo menos uma vez por semana, mantendo-as envolvidas na educação do seu cão. Peça para que tragam alguém para conhecer seu cão.

Faça uma festa de filhote e convide os cães dos seus amigos da aula de educação canina e do parque. Para compensar alguns dos aspectos assustadores do mundo – cães adultos, cães grandes e, de vez em quando, cães bravos – certifique-se que seu cão adolescente tem oportunidades regulares de socializar e brincar com seus amigos.

A Caminhada
Assim que for seguro, passeie com o filhote – muito! Não há socialização melhor e nem exercício melhor. Como benefício extra, as caminhadas são boas para a sua saúde, coração e alma. Passeie com seu cão! Socializar seu cão é bom para sua vida social.

Usando o banheiro nas caminhadas
Se você não tem quintal ou jardim, espere o filhote fazer suas necessidades antes de caminhar (no banheiro dele). Assim, a caminhada se torna uma recompensa por ter usado o banheiro. Do contrário, a caminhada pode ser uma punição para o cão, quando você a termina assim que ele faz xixi e coco na rua. Se isso acontecer, o cão irá adiar o xixi e o coco pra poder andar mais (eu, Fúlvia, caminho com a Suzie cerca de 2h por dia. Ela faz xixi e coco na rua, mas sempre no começo do passeio, pq sabe que não o termino assim que ela faz xixi/coco. Assim, o comecinho do passeio é para se alivar; o restante (90% dele) é para ela se exercitar e socializar).

Coloque o filhote na guia, saia de casa e deixe-o cheirar. Dê uns cinco minutos. Se não fizer nada, volte para casa e tente de novo depois. Mantenha o filhote no crate neste tempo. Se o filhote se aliviar nestes cinco minutos, elogie-o muito, recompense-o com petiscos e diga “Vamos passear!” e vá com ele. A política “sem banheiro não tem passeio” vai tornar seu filhote um exímio fazedor de xixi e coco.

Há outros benefícios em ensinar o cão a se aliviar antes de passear. Limpar a sujeira e colocá-la no seu lixo é mais conveniente que fazê-lo durante a caminhada. Andar com um cão já aliviado é mais relaxante que andar com um cão e saquinhos para recolher a caca (eu já acho mais fácil recolher na rua que limpar em casa, que é um apartamento pequeno. Quando morávamos em uma casa sim, esperava a Suzie ir no banheiro dela e só depois íamos passear. Mas aqui, eu prefiro sair a ter que limpar a área de serviço – e do lado de fora do prédio tem um lugar para colocar os saquinhos já recheados).

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Meus textos

Aos senhores copiadores de plantão, fica a dica: meus textos são de minha autoria (quando são traduções, são devidamente autorizadas pelos seus autores!) e TODA E QUALQUER CÓPIA DOS MESMOS É PROIBIDA, OK?! Cansei de ver meus textos em sites/blogs de pessoas que se dizem profissionais de adestramento, com os nomes das minhas meninas, como se o texto fosse daquela pessoa.

Quer um texto meu? Ótimo! Entre em contato comigo que eu cedo com o maior prazer: você pode linkar no seu site, copiar até, desde que tenham os devidos créditos. Agora, um profissional roubar texto de outro, que coisa feia, hein?!

Portanto, antes de fazer a besteira de dar um Ctrl+C e Ctrl+V em um texto meu, pode me escrever. Não sou tão chata assim a ponto de não deixar um texto meu ser divulgado. Àqueles que roubaram meus textos, tenham a CARA DE PAU de ao menos apagá-los do seu blog/site ou escrevam um artigo similar com suas palavras.

Grata pela atenção!
 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Depois de Adquirir um Filhote

Continuando com a série Depois de Adquirir um Filhote, de Ian Dunbar. Lembrando que são traduções e adaptações feitas por mim e também pela Dani, e sua cópia total ou parcial não é permitida.

Boa leitura, bom aprendizado e bom divertimento!


CAPÍTULO SEIS (parte II)
O Sexto Estágio do Desenvolvimento: Prevenindo os Problemas da Adolescência (dos cinco meses em diante)

Ele está sempre brigando, quer matar outros cães!”
Os barulhos podem realmente assustar, principalmente os donos dos cães. Na verdade, nada assusta mais os donos que uma briga de cães. Consequentemente, os donos devem ser objetivos ao avaliar a seriedade da briga. Por outro lado, uma única briga pode acabar com a socialização do cão. Na maioria dos casos, a briga é muito estereotipada, controlada e relativamente segura. Com uma reação apropriada do dono, o resultado geralmente é bom. Mas, com uma reação irracional ou muito emotiva do dono, o problema pode piorar.

É normal para os cães, principalmente machos adolescentes, ficar ereto, olhar fixamente, rosnar, e até brigar. Não é um comportamento mau, mas reflete o que o cão normalmente faz. Os cães não escrevem uma carta de reclamação e nem contratam advogados. Rosnar e brigar quase sempre refletem falta de confiança, algo característico de um macho adolescente. Com o tempo e socialização adequada, os cães adolescentes desenvolvem confiança e não precisam mais provar quem são. Para ter confiança em continuar com a socialização do cão que já brigou, o dono deve se convencer que seu cão não é perigoso. Ele pode estar com dor, mas isso não quer dizer que ele pode machucar outro cão. Apesar de rosnar e brigar serem comportamentos normais no desenvolvimento, machucar outro cão não é!

Primeiro, você precisa averiguar a severidade do problema. Segundo, você deve ter certeza de reagir apropriadamente quando o cão brigar e reagir bem quando ele não brigar.

Para saber se você tem ou não um problema, estabeleça a proporção Briga-Mordida do seu cão. Para fazê-lo você precisa responder duas perguntas: quantas vezes seu cão se envolveu em uma briga? Em quantas delas o outro cão teve de ser levado ao veterinário?

Um proporção 10-0 é comum para um macho de dois anos, ou seja, dez brigas com cães mas nenhuma ida ao veterinário. Não é um problema sério aqui. Claro que o cão não quer matar o outro, já que ele não machucou nenhum cão nas dez brigas. E ele machucaria se quisesse. Na maioria das vezes, os cães restringem as mordidas na nuca, pescoço, cabeça e focinho. Claro, não é prova melhor do treino de mordida que esse, quando há uma briga, os cães se mordem no pescoço e não há nenhum machucado!

Este não é um cão perigoso. Ele pode ser pouco sociável, estar com dores e tudo o mais, mas tem um ótimo treino de mordida e nunca machucou outro cão. É muito pouco provável que este cão tire sangue de outro em uma briga.

As brigas são ruins, mas podem nos mostrar algo bom. Se seu cão nunca machucar outro, as brigas provam que ele tem um bom treino de mordida. Seu cão pode não ter auto-confiança e ser pouco sociável, mas pelo menos ele não morde de verdade. Consequentemente, a resolução do problema pode ser simples. Claro, você ainda tem um cão chatinho, já que ele irrita outros cães e pessoas, tanto quanto irrita você. Procure um comportamentalista.

Por outro lado, se seu cão machucou outro em apenas uma briga, aí sim o problema é sério! Ele é considerado um cão perigoso, pois não tem treino de mordida. Por isso, seu cão deve andar com focinheira em público. O prognóstico não é bom, o tratamento será complicado, demandará tempo, pode ser perigoso, precisará da ajuda de um especialista e não haverá garantia nenhuma de uma mudança positiva. Nenhum problema canino tem tanto contraste entre prevenção e tratamento quanto este, infelizmente.

Um adulto brigão sem treino de mordida é o cão mais difícil de reabilitar, mas a prevenção enquanto se é filhote é extremamente fácil e divertida: simplesmente brinque com o filhote e matricule-o em uma aula de socialização. Não espere até ele ficar adolescente e começar a brigar. Ao invés disso, elogie e recompense o filhote sempre que ele encontrar outros cães amigáveis. Pode parecer bobo – elogiar seu filhote de quatro meses, que é inofensivo, e recompensá-lo com comida sempre que não brigar -, mas é a melhor maneira de prevenir que, no futuro, haja um problema sério.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cães mimados

Muitos podem pensar que cão mimado é aquele que dorme dentro de casa, come a melhor comida, tem brinquedos, usa roupas, convive próximo ao dono. Não há nada de errado em nenhuma dessas situações! O cão pode ter uma vida confortável sim, sem ser nada mimado.

Então, o que caracteriza um cão mimado?

Cão mimado é aquele que não foi educado desde filhote; aquele que é tratado como um humano verticalmente reduzido e peludo; aquele que não aceita que o dono mexa em seu prato de comida e/ou que retire um brinquedo/osso dele. Cão mimado é aquele que treina o dono, e não o contrário - late para chamar atenção, porque quer comer, porque quer sair (e a lista continua) e o dono atende à sua demanda; aquele que cutuca o dono porque quer qualquer coisa, e o dono acata sua ordem.

Um cão é mimado quando você lhe dá algo sem ele ter feito nada em troca e, também, quando você permite que ele faça determinado comportamento, e até ache graça dele, e depois se arrependa. Familiar? No primeiro caso: ah, que lindo da mamãe, deixa dar um biscoitinho pra você, só porque eu te amo muito! No segundo: que lindo, tão pequenininho e já me defendendo. Meses depois... estou preocupada, ele ataca todos que chegam perto de mim!

Então, o que fazer? Quero dar o melhor para meu cão, mas não quero que ele seja mimado! Não é difícil: basta que ele receba tudo o que quer depois de fazer algo que nós queiramos. Quando usamos o programa “Nothing In life Is Free (NILIF)” ou “Nada na vida é de graça”, ensinamos ao cão que ele precisa fazer algo que queiramos (como sentar, deitar etc) para ganhar algo que ele queira (passear, comer, carinho etc). Não é nenhum bicho de sete cabeças: a grande maioria dos cães aprende a sentar em poucas lições. E, depois de um comando aprendido, aprender outros acaba se tornando mais fácil, pois ele já tem o hábito de aprender algo novo.

Quando o cão entender que para ele ganhar qualquer coisa precisa sentar, é só uma questão de você esperar ele oferecer este comportamento. Não peça para ele sentar, simplesmente espere que ele o faça. E ele o fará, acredite!

Ao fazermos isso, ensinamos nossos cães a controlar seu comportamento: eles acabam fazendo um bom comportamento sem que precisemos falar-lhes toda hora. E não se esqueça: sentar não precisa ser o único comportamento desejado. Seja criativo! Quanto mais seu cão souber, mais a vida dele será rica, mais fácil ele aprenderá novos comandos e mais fortes serão os laços que unem você a ele.

sábado, 29 de outubro de 2011

Depois de Adquirir um Filhote

Continuando com a série Depois de Adquirir um Filhote, de Ian Dunbar. Lembrando que são traduções e adaptações feitas por mim e também pela Dani, e sua cópia total ou parcial não é permitida.

Boa leitura, bom aprendizado e bom divertimento!


CAPÍTULO SEIS (parte I)
O Sexto Estágio do Desenvolvimento: Prevenindo os Problemas da Adolescência (dos cinco meses em diante)

Agora você deve estar bem cansado com seus esforços ao educar o filhote. Mas, espero, você está orgulhoso por ter um cão bem comportado, super socializado e com bom treino de mordida. O desafio agora é mantê-lo com estas qualidades.

O principal, quando criamos um filhote, é torná-lo amigável, confiante e dócil, para que você consiga encarar os desafios de educar e de comportamento do seu cão adolescente, e seu cão consegue lidar com a grande reviravolta social que os cães, principalmente os machos, passam quando chegam na adolescência. É mais fácil chegar na adolescência canina quando seu cão já está socializado e bem comportado. Mas, manter a socialização e o treinamento do seu adolescente pode ser difícil se você não souber o que esperar e como lidar com isso.

As Mudanças da Adolescência
O comportamento sempre muda, para melhor ou pior. Ele melhora se você continuar trabalhando com seu cão, mas piorarão se você deixá-lo de lado. Comportamento e temperamento tendem a estailizar, para o bem ou para o mal, conforme seu cão amadurece – por volta dos dois anos para cães pequenos e três para cães grandes. Mas, até lá, se você não seguir com o trabalho, podem haver mudanças catastróficas no temperamento e educação do cão. Mesmo quando ele alcançar a maturidade, você deve sempre ficar alerta à comportamentos indesejáveis, que devem ser cortados pela raíz antes que se tornem hábitos e, consequentemente, mais difíceis de mudar.

Na adolescência do cão é quando tudo parece desmoronar, a menos que você se esforce para manter a estabilidade até ele se tornar adulto. É um período crítico na vida do cão. Se você ignorar a educação dele agora, logo estará vivendo com um cão mau comportado, anti-social e hiperativo. Algumas coisas a serem observadas:

A etiqueta canina pode se deteriorar, principalmente se você assumir que ele já sabe tudo sobre o banheiro e os móveis da casa. Mas se você ensiná-lo bem quando filhote, a “queda “ na etiqueta canina será mais devagar até que seu cão atinja a velhice, quando o treino de banheiro tende a sofrer bastante.

As boas maneiras podem ter uma nítida queda quando o filhote atinge a adolescência. O adestramento até agora foi fácil: você o ensinou a vir quando chamado, o junto, senta, deixa, parado, rola... e ele olhava para você como se você fosse todo o mundo dele. Mas agora ele desenvolveu outros interesses, como cheirar o bumbum de outros cães, cheirar xixi e coco na grama, rolar em tudo que seja fedido e nojento e perseguir animais. Estes interesses se tornam distrações no adestramento, então seu cão continuará a cheirar o bumbum dos cães ao invés de vir quando chamado (Eca! Meu cachorro prefere o bumbum dos outros que eu?!). De repente, ele não vem, não senta, não se acalma. Ao invés disso ele pula, puxa a guia e se torna hiperativo.

O treino de mordida tende a diminuir quando o filhote fica mais velho e desenvolve uma mandíbula mais forte. Dar ao cão muitas oportunidades de brincar de luta com outros cães, dar-lhe regularmente comida na mão e escovar e examinar seus dentes são todos exercícios ótimos para garantir que seu adolescente mantenha uma mordida suave (que sequer encoste na nossa pele).

A socialização normalmente diminui durante a adolescência, algumas vezes de um jeito brusco. Conforme for ficando mais velho, os cães têm menos oportunidades de encontrar cães e pessoas desconhecidos. As aulas de filhote e as “festas” são coisa do passado e a maioria dos donos já estabeleceu uma rotina quando os filhote tem entre cinco e seis meses. Em casa, o cão interaje com a família e seus amigos e, nos passeios, (se o dono os levar) faz o mesmo trajeto, vai ao mesmo parque, encontra as mesmas pessoas e os mesmos cães. Consequentemente, muitos cães adolescentes vão perdendo sua socialização em relação a pessoas e cães desconhecidos, e podem até se tornar intolerantes com eles, menos com seu círculo de amigos.

Se seu cão adolescentes não sai muito e não vê muita gente desconhecida, ele pode perder a socialização muito rápido! Aos cinco meses ele é super receptivo à pessoas e outros cães mas, aos oito meses, se torna defensivo e perde a confiança: late e recua, ou avança com os pelos arrepiados. Um cão que era amigo pode, sem aviso, se assustar com um visitante.

A socialização do filhote é uma prévia da continuação da socialização do adolescente, que precisa continuar encontrando pessoas estranhas regularmente. Se você tiver sucesso nesta etapa, a socialização do adulto será fácil, afinal, a socialização é algo que não acaba nunca.

Durante a adolescência a socialibilidade com outros cães tende a diminuir, normalmente muito rápido, principalmente em cães de raças muito pequenas e muito grandes. Primeiro, ensinar o cão a se dar bem com qualquer outro é difícil. Canídeos selvagens – lobos, coiotes, chacais etc – raramente encontram estranhos, mas é exatamente isso que esperamos dos nossos cães. Segundo, é irreal esperar que um cão seja o melhor amigo de todos os cães. Assim como nós, os cães tem seus melhores amigos, os conhecidos e aqueles que eles não gostam. Na verdade, é raro um cão macho que nunca tenha se envolvido numa briga, por menor que seja. Tudo ia às mil maravilhas quando era só um filhote, brincando na escolinha ou nos parques mas, com adolescentes, começam os desentendimentos e até as brincadeiras de luta parecem reais demais.

A primeira briga do adolescente marca o começo do fim da sua sociabilidade com outros cães, principalmente para cães de raças muito pequenas e muito grandes. Os donos de cães pequenos se preocupam, com razão, com a segurança de seus cães e podem não se sentir confiantes em deixá-los brincar com os maiores. Os donos de cães maiores (principalmente os cães de trabalho) se preocupam, com razão, que seus cães possam machucar os menores. Os dois casos são um desserviço para a socialização, e os cães se tornam invocados. Assim começa o ciclo vicioso: quanto menos sociável é o cão, mais provável ele se meter em uma briga e, assim, menos sociável se torna.
 

sábado, 22 de outubro de 2011

Depois de Adquirir um Filhote

Continuando com a série Depois de Adquirir um Filhote, de Ian Dunbar. Lembrando que são traduções e adaptações feitas por mim e também pela Dani, e sua cópia total ou parcial não é permitida.

Boa leitura, bom aprendizado e bom divertimento!


CAPÍTULO CINCO (parte VIII)
O Quinto Estágio do Desenvolvimento: Aprendendo a Morder (aos quatro meses e meio de idade)

Porque colocar o filhote na escolinha
Há inúmeras razões, como proporcionar ao filhote a melhor oportunidade de aprender o treino de mordida. Seja o filhote que morde demais e muito forte, ou morda menos que o necessário para desenvolver um treino de mordida confiável, as aulinhas são a solução. Outros filhotes são os melhores professores! Como os filhotes passam todo o tempo brincando de luta e morder, eles acabam ensinando um ao outro o treino de mordida.

As aulinhas de filhote tem um nível de energia e atividade bem alto, igual a uma escola infantil. Os filhotes se estimulam com brincadeiras de perseguição e luta, então, a frequência de mordidas é astronômica. Nestas brincadeiras, a força da mordida nas brincadeiras aumentam ao ponto onde um filhote morde outro tão forte que recebe uma resposta apropriada. A pele do filhote é bem sensível, então os filhotes dá uma resposta imediata e convincente quando são mordidos com força demais. Na verdade, o filhote recebe respostas melhores com relação à força da sua mordida na aulinhas do que em casa, com os donos. O treino de mordida com outros cães acaba se generalizando às pessoas, tornando o filhote mais agradável de conviver em casa.

Como dito anteriormente, até mesmo cães bem socializados podem se desentender. Afinal de contas, quem não se desentende? Mas, assim como aprendemos a resolver nossas picuinhas de uma maneira aceitável, cães socializados fazem o mesmo. Apesar de ser impossível os cães discutirem, é possível que eles resolvam suas diferenças sem mutilar pessoas e outros cães. Tudo depende o nível do treino de mordida que eles desenvolveram nas brincadeiras com outros filhotes. Já matriculou seu filhote? O que está esperando?

Mas o veterinário disse que nosso filhote é novo demais pra isso.”
É normal os veterinários tomarem cuidado com a saúde de seus pacientes. Doenças graves, como parvovirose e cinomose, são uma preocupação real nos filhotes, que precisam de imunização adequada. Aos três meses, os filhotes tem apenas de 70 a 75% de sua imunidade, então a preocupação tem fundamento. Mas as aulinhas são locais seguros (procure uma que não seja em uma praça, POR FAVOR!), já que só filhotes vacinados estarão presentes e o local é regularmente limpo e esterilizado. Além do mais, a saúde física do filhote é só uma parte da equação. A saúde psicológica e comportamental são igualmente importantes.

O risco de infecção depende do nível de imunidade do filhote e do ambiente. Com a imunização adequada, aos cinco meses o filhote tem 99% de imunidade. Ambientes diferentes vão de relativamente seguros a extremamente perigoso. Mas nenhum animal é 100% imune à doenças, e nenhum ambiente é 100% seguro.

Se a saúde física é a única preocupação, não leve o filhote em áreas potencialmente infectada até que ele tenha seis meses de idade. Mas, o comportamento, treino de mordida e bem-estar mental são tão importantes quanto a saúde física. Para se ter uma ideia: o número de mortes de filhotes por doenças como cinomose e parvovirose é menor que o número de animais abandonados e/ou eutanasiados devido a problemas comportamentais que poderiam ser inexistentes caso ele fosse devidamente socializado e educado. Devemos sim nos preocupar em imunizar adequadamente nossos filhotes e resguardá-los de locais que possam ser perigosos, mas eles também precisam passear, ir em locais com outros cães (devidamente imunizados!) e às aulinhas.

Quanto mais velho o filhote, melhor sua imunidade. Mantenha-o o mais seguro possível – em casa – mas, conforme for ficando mais velho, ele pode se aventurar em locais seguros, ou mesmo no seu colo ou sling quando na rua. Quando o cão adolescente tem sua imunidade máxima, ele pode explorar com mais segurança áreas mais perigosas para um filhote, como parques e ruas.

Na verdade, o filhote está sempre em risco. Por exemplo: fezes secas que tenham o parvovírus podem ser varridas pelo vento e acabar no seu jardim ou na sua casa (o mesmo quando pisamos em caquinha de cachorro que gente insiste em não recolher e levamos pra casa/apto). Então, limpe sempre a casa e deixe os sapatos do lado de fora. Mantenha o filhote em casa, que é o local mais seguro, até os três meses. Antes dos três meses, ele precisa aprender melhor as boas maneiras e deve começar a ser socializado (lembra do passeio com o sling?). Leve filhotes e cães imunizados, de amigos, para sua casa, para a socialização. Também pode levar seu filhote na casa de amigos que tenham cães sociáveis e imunizados. Viu como é possível socializá-lo sem expô-lo a riscos? Só se lembre de que ele não pode colocar os pés na calçada! Use o sling ou o seu próprio colo. Faça o mesmo quando estiver levando-o para a aulinha: leve-o no colo do carro até dentro da “sala de aula”.

Algumas raças, como Rotties e Dobermanns, têm problemas de imunidade, mas, como se desenvolvem mais lentamente, pode-se matriculá-los nas aulinhas aos quatro meses sem maiores problemas. O legal de começar mais tarde é que ele vai acabar apresentando os problemas da adolescência na aula, e o “professor” o ajudará. Além disso, quando se começa com três meses, a aula acaba quando o filhote tem quatro meses e meio, e o dono ainda acha que tem um ursinho de pelúcia em casa e pode relaxar demais na educação do filhote.

Idas a parques e passeios na rua devem ser adiados até o quarto mês (são locais que podem estar contaminados por vírus e outros agentes infecciosos e onde cães não imunizados – como os de rua – andam). Pratique o treino da guia em casa.

Carregue o filhote
Talvez mais que parques e ruas, a sala de espera do veterinário também são terrivelmente perigosas para o filhote. As mesas de exame são esterilizadas a cada paciente, mas o chão não... Alguns cães fazem xixi e coco na sala de espera, e a urina carrega também doenças, como leptospirose e o vírus da cinomose e as fezes podem estar contaminadas com parvovírus, coronavírus e uma infinidade de parasitas internos. Quando estiver na sala de espera do veterinário, mantenha o filhote SEMPRE no seu colo.


Mas nosso filhote é ótimo com o outro cão da casa”
Ele pode ser o Senhor Simpatia com ele, mas entrará em choque ao ver outros cães na rua, no parque ou nas aulas. Logo você verá que ele não é nem um pouco sociável. Ele irá fugir, se esconder, rosnar, avançar e morder, como forma de defesa.

Ele pode parecer super sociável e amigável em casa, mas só o será com UM cão. Outro ponto: ele pode ficar super dependente do outro cão e, quando se vir sozinho pela primeira vez, irá surtar, por ter perdido a segurança e companhia do seu melhor amigo e guarda-costas, seu outro cão.

Para ser sociável, ele precisa encontrar muito cães. Para manter a socialização do filhote, ele deve encontrar cães não conhecidos todos os dias. Então, passeie com o filhote, leve-o regularmente a parques. E eu já falei para matriculá-lo numa aula de filhotes?

O que procurar numa aula de filhotes?
Visite algumas para você ter uma ideia do que procurar, do que esperar. Mas, seguem algumas dicas:
  • Evite qualquer aula que defenda o uso de coleiras de metal e o uso de punições que assustem e/ou causem dor nos filhotes. Trancos, belicões, cutucões, chacoalhões, rolar o cão (alpha roll) e “técnicas de dominância” são ineficazes e desagradáveis. Procure por aulas onde a base é o reforço positivo: quem as ministra são pessoas mais esclarecidas e que estudaram novas (e melhores) técnicas de educação.
  • Lembre-se: o filhote é SEU. A educação, segurança e sanidade dele está em suas mãos. Há pessoas capacitadas por aí, é só procurar.
  • Procure por aulas onde os filhotes tem bastante oportunidade de brincar entre si sem a guia e onde são educados durante as sessões de brincadeira, usando brinquedos, petiscos e diversão. Brincar sem a guia é importante, mas a sessão de brincadeira deve incluir um pouco de educação nos intervalos, então os donos aprendem a controlar o filhote mesmo quando ele está agitado e distraído. Procure aulas em que os filhotes aprendam rápido e cujos donos estejam satisfeitos com seu progresso. Acima de tudo: procure aulas onde o educador, os filhotes e os donos estejam TODOS se divertindo!

Você decide, então, use a cabeça. Escolher uma aulinha adequada é uma decisão extremamente importante quando temos um filhote para educar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tipos de Aprendizagem

Quando falamos em "aprendizagem", falamos em uma mudança no comportamento que é resultado das experiências que o cão teve. Esta mudança pode ser devido à educação canina ou o produto final da relação do cão com o ambiente onde vive. Há mais de 200 anos o filósofo John Locke concluiu que aprendemos por associação - uma conexão que estabelecemos mentalmente entre os eventos que ocorreram em determinada sequência. Por exemplo: quando vemos e sentimos o cheiro do chocolate, o comemos e achamos uma delícia, a próxima vez que virmos e sentirmos o cheiro de chocolate, teremos a expectativa de que será delicioso se o comermos.

Pode haver dois tipos de associações. A primeira é a associação de dois estímulos ou impressões sensoriais, enquanto a segunda é a associação entre uma ação e o seu resultado. Estas duas formas existem porque há diferentes tipos de aprendizagem. Um exemplo do primeiro tipo de associação é quando, ao vermos um clarão no céu ele sempre vem seguido pelo trovão. Depois de um tempo, sempre que virmos o clarão no céu, ficaremos tensos, esperando o barulho do trovão. Este tipo é chamado "Classical Conditioning" (condicionamento clássico - tradução livre). A palavra "condicionamento" é só um jargão para aprendizagem, e o "clássico" é devido a ser a primeira forma de aprendizado que foi devidamente estudada.

O "Operant Conditioning" (condicionamento operante) é quando se aprende através da associação de um estímulo e uma resposta. Por exemplo: ao apertamos um botão daquelas máquinas de salgadinhos, um deles cai e o pegamos. É chamado condicionamento operante porque aprendemos que o que acontece é devido a uma ação nossa. Embora devamos considerar cada um destes tipos como diferentes, os dois estão envolvidos na mesma tarefa.

Um exemplo prático que tenho aqui em casa, do clássico, é quando vou dormir com a Suzie e o Luis fica trabalhando/estudando no computador. Um pequeno detalhe antes de continuar: Suzie pode dormir comigo ou com o Luis na cama, mas não com os dois juntos. Quando os dois vão dormir, ela vai pra sala, dormir onde bem entender (normalmente no sofá). Voltando. Quando o Luis termina, ele desliga o estabilizador e vai pra cama. No começo, ele chegava o quarto e tirava a Suzie, seja no colo, seja chamando-a. Hoje, ao ouvir o barulho do estabilizador sendo desligado, ela mesma já se levanta, sai da cama e vai pra sala.

Já o exemplo do segundo, é quando está sendo educada: sabe que a ação dela sentar é que fará com que ganhe petisco (ou passeio, brinquedo, carinho - qualquer coisa que ela queira).

E na sua casa? Quais os exemplos de cada um dos tipos de aprendizagem você tem?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Depois de Adquirir um Filhote

Continuando com a série Depois de Adquirir um Filhote, de Ian Dunbar. Lembrando que são traduções e adaptações feitas por mim e também pela Dani, e sua cópia total ou parcial não é permitida.

Boa leitura, bom aprendizado e bom divertimento!


CAPÍTULO CINCO (parte VII)
O Quinto Estágio do Desenvolvimento: Aprendendo a Morder (aos quatro meses e meio de idade)

Velocidade do Desenvolvimento
Os grandes cães de trabalho se desenvolvem lentamente e, desde que não tenham problemas de desenvolvimento, podem ir um pouco mais tarde nas aulas de filhotes, por exemplo, até o quarto mês de idade. Mas, devem ser matriculados! Raças menores, principalmente os Cattle Dogs, se desenvolvem bem mais rápido e, esperar até o quarto mês é tarde demais. Os Cattle Dogs, Pastores, Toys e Terriers precisam ir para as aulas o mais rápido possível, com cerca de três meses de idade.

Mas, independentemente do tamanho e da velocidade do desenvolvimento do seu filhote, para obter o máximo da educação formal dele, matriculem-se em uma aula de filhotes quando ele tiver três meses e em outra quando ele tiver quatro meses e meio.

A Escolinha
Aos três meses, é necessário se atualizar quanto à socialização do filhote e sua confiança perto de outros cães. No mais tardar, matricule o filhote na escolinha quando ele tiver dezoito semanas de idade.

Os quatro meses e meio de idade marcam uma conjuntura crítica no desenvolvimento do cão, o ponto em que ele deixa de ser um filhote e passa a ser um adolescente, algumas vezes da noite para o dia, literalmente. Com certeza é melhor que, com essa idade, ele já esteja na escolinha. Esta fase é complicadinha então, recomendo que você seja guiado por um profissional da área.

A escolinha permite que seu filhote fique mais esperto enquanto brinca com outros cães, de uma maneira amigável e em um ambiente controlado. Filhotes tímidos e medrosos ganham confiança rapidinho, e os pentelhos aprendem a ser mais gentis.

As brincadeiras são importantes. São essenciais para os filhotes adquirirem confiança e aprenderem a etiqueta social canina. Assim, quando adultos, serão sociável e irão brincar ao invés de brigar ou fugir. Se não forem suficientemente socializados quanto filhotes, os cães não ficam tão confiantes em meio a outros cães. E, se eles se tornarem adultos medrosos ou agressivos, podem ser difíceis de reabilitar. O lado bom é que esses problemas são facilmente prevenidos na infância do cão: é só deixar os filhotes brincarem entre si. Dê ao seu filhote esta oportunidade. Não é justo condenar seu cão a uma vida inteira de preocupação e ansiedade perto de outros cães por ter-lhe negado a oportunidade de brincar quando filhote.

Isso não quer dizer que um cão socializado nunca irá se assustar. Ele pode sim ficar perplexo em alguns momentos, mas superará rapidinho. Cães não socializados não superam... Além do mais, cães socializados são mais bem equipados para lidar com encontros ocasionais com cães não socializados e/ou não amigáveis.

Socialização com cães e com pessoas
Ensinar um cão a ser amigável com pessoas e, principalmente, gostar da companhia delas, é a segunda coisa mais importante na educação canina – mais importante que a socialização com outros cães. Mas o item mais importante é o treino de mordida, como já vimos.

Embora algumas precauções possam tornar possível o convívio com um cão que não se dá bem com outros cães, é extremamente difícil, e até mesmo perigoso, viver com um cão que não gosta de pessoas – principalmente se ele não gostar de algum membro da família! Então, ser amigável com pessoas é mais importante que ser amigável com outros cães.

Mas é lindo quando um cão é amigável com outros cães, pois terá muitas oportunidades de se encontrar e brincar com eles nos passeios e nos parques. Infelizmente, poucos cães são levados a passear regularmente, ou têm oportunidade de interagir com outros cães. Para muitos donos, ser amigável com outros cães não é uma prioridade. Por outro lado, aqueles donos que acham isso importante, na verdade, é por isso que querem um cão, seus cães sempre saem a passear, frequentam parques e, portanto, são sociáveis com outros cães. Mas, mesmo para estes cães, ser amigáveis com pessoas é mais importante que o serem com cães, porque todos os dias, quando passeiam ou vão a um parque, eles irão encontrar estranhos, geralmente crianças.

A maioria das aulas para filhotes são voltadas para a família, então o filhote terá oportunidade de se socializar com todo tipo de pessoas – homens, mulheres e, especialmente, crianças. E tem o adestramento em si: uma brincadeira! Você ficará surpreso ao ver o quanto seu filhote aprende na primeira aula. Eles aprendem a vir quando chamado, sentar e deitar, a ficar parado, deitar de lado para ser examinado, a ouvir seus donos e a ignorar distrações. E, claro, são inesquecíveis: você nunca se esquecerá da primeira aula dele. Essas aulas são uma aventura, tanto para você quanto para seu filhote.

Lembre: você está na aula para aprender! E sempre tem muito mais a aprender. Lhe serão dadas muitas dicas úteis para resolver problemas de comportamento; aprenderá a controlar o comportamento impetuoso do seu adolescente (faz parte do desenvolvimento); e, o mais importante, aprenderá a controlar as mordidas do seu filhote.
 

domingo, 9 de outubro de 2011

Comportamentos compulsivos - Parte I

Esse é um problema muito comum nos cães (e gatos também) hoje em dia. Por isso, vou fazer dois posts sobre o assunto, porque ele é extenso. Neste post vou falar sobre lamber, coçar e roer. Espero que gostem. No outro, falarei de um modo mais geral de todos os comportamentos compulsivos.


Cães e comportamentos compulsivos: Coçar, Lamber e Roer

Seu cachorro se coça a noite toda? Lambe as patas sem parar? Morde o próprio rabo? Se isso te deixa nervoso, já imaginou como seu cão se sente?

Estes comportamentos compulsivos são relativamente comuns em cães e as causas são inúmeras. Mas, podem ser prejudiciais. Um dos primeiros sinais de que seu cão tem um problema pode ser o desenvolvimento de um “hot spot” - uma área avermelhada e úmida, devido às lambidas e mordidas persistentes. Embora o hot spot – ou dermatite úmida – possam aparecer em qualquer parte do corpo dão cão, são mais comuns na cabeça, peito ou quadril. Como os cães coçam, lambem ou mordem insistentemente um local quando este fica irritado, os hot spots podem ficar grandes e inflamadas rapidinho.


Quais os motivos?
Os motivos são variados: vão desde alergias a tédio, passando por infestação por parasitas:
  • Alergias. Quando o cão se coça demais, normalmente é resultado de alergia alimentar ou ambiental, que inclui mofo e pólen. Os cães também podem desenvolver uma irritação, chamada de dermatite de contato, quando em contato com substâncias como pesticidas ou produtos de limpeza.
  • Tédio ou ansiedade. Assim como a gente, quando ansioso, roi unhas ou torce o cabelo, os cães também têm respostas psicológicas à ansiedade. Alguns cães desenvolvem algo parecido com o transtorno obsessivo compulsivo dos humanos. Pode se manifestar com o cão se coçando, lambendo ou mordendo, que podem causar machucados graves!
  • Pele seca. Inclui vários fatores, como o tempo seco do inverno ou deficiência de ácidos graxos. O cão fica desconfortável e acaba se coçando ou lambendo para se aliviar.
  • Desequilíbrio hormonal. Se o cão não produz os hormônios da tireoide ou fabrica muito cortisol, infecções da pele, superficiais, podem aparecer. Você pode ver pequenas manchas vermelhas, e o peludo vai coçar e lamber, porque elas incomodam.
  • Dor. Quando tentar descobrir porque seu cão se lambe ou se morde em excesso, veja se não há algo que o deixa fisicamente desconfortável. Por exemplo: o cão morde a patinha várias vezes, pode ser que tenha um espinho ou uma farpa na pata. Lamber e morder compulsivamente também pode ser uma resposta a problemas ortopédicos, incluindo dor nas costas ou displasia coxo-femoral.
  • Parasitas. Entre as causas mais comuns para se lamber compulsivamente, ou se coçar, são pulgas, carrapatos e ácaros. Apesar dos carrapatos serem visíveis a olho nu, as pulgas só são vistas quando a infestação é grande e os ácaros são microscópicos. Então, não pense que seu cão não tem parasita nenhum só porque você não os vê.

Tratamento
Como há muitos motivos para estes comportamentos, vá ao veterinário assim que o problema começar. Ele lhe ajudará a descobrir a causa e fará o melhor tratamento que, dependendo do caso, pode incluir:

* Acabar com os parasitas. Há vários produtos no mercado que o veterinário recomendará. E, se este for o caso das mordidas e coçadas sem fim, higienize muito bem a cama do seu peludo, seus tapetes e móveis, regularmente, para evitar uma reinfestação. E não se esqueça: trate todos os animais da casa!

*
Mudar a dieta. Se o problema é com a comida, elimine os alimentos com maior potencial alergênico (carne ou trigo). O veterinário pode recomendar uma dieta especial, se for este o caso. A suplementação de ácidos graxos à comida normal do pet também ajuda nos casos de pele ressecada e mantém a pelagem do cão saudável.

* Medicamento.
O veterinário pode prescrever remédios para tratar problemas ocultos que contribuem para o comportamento compulsivo. Além disso, ele pode recomendar o uso de antibióticos, esteróides ou anti-histamínicos para tratar as feridas / infecções já existentes.

* Prevenir o comportamento.
Como estes comportamentos compulsivos podem causar machucados graves e afetar a qualidade de vida do seu cão, é importante dar o seu melhor para fazer o cão parar de se morder, lamber e coçar demais. Algumas ideias: use spray amargo para desencorajar as lambidas; use um colar elizabetano para que ele não mexa nas feridas; mantenha o cão perto de você quando em casa.  

* Avalie a ansiedade ou tédio. Em alguns casos, estes comportamentos compulsivos se desenvolvem devido ao medo, estresse ou estímulos inadequados. Para reduzir as chances deles aparecerem, dê exercícios (caminhadas, brincadeiras com o dono, corrida, adestramento, esportes caninos etc), atenção e amor o bastante para o cão. Ensine o cão a brincar com ossos recreacionais, brinquedos inteligentes (Kongs, quebra-cabeças, bolas e outros brinquedos que podem ser recheáveis) para que ele alivie o estresse e roa coisas apropriadas, deixando de lado o comportamento compulsivo.