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sexta-feira, 2 de março de 2012

O medo nos cães

Nem sempre é fácil identificar um cão medroso. Quando o cão é nosso, parece mais difícil ainda: quem não acha que seu cão é o melhor do mundo, não é?!

Mas os cães estão sempre nos mandando sinais, através da sua (riquíssima) linguagem corporal. Basta que nós saibamos ler estes sinais, que podem ser muito nítidos ou mais sutis, e evitarmos acidentes, principalmente com crianças: afinal, cães que sentem medo fogem e nos dão estes sinais mas, se não os lermos e insistirmos na aproximação, eles podem se sentir acuados e atacar (o que pode ser desastroso, se ele tiver um mal (ou nenhum) treino de mordida).

Um exemplo: seu cão tem medo de crianças e você, um dia, recebe uma criança em casa. O cão corre pra caminha dele, fica agachado, de olhos arregalados, virando a cara e lambendo o focinho (alguns sinais de medo - vejam mais no desenho abaixo). As crianças não entendem a linguagem corporal dos cães: cabe a nós, adultos, entendermos e explicar que, quando um cão está desse jeito, não se deve chegar perto dele. Agora, digamos que ninguém saiba disso e deixam a criança chegar perto do cão, porque ele é bonzinho. A criança vai chegando perto, mais perto e o cachorro, sem saída, ataca a criança. "Que cachorro malvado, traiçoeiro, atacou do nada!". Não. Ele deu todos os sinais que estava desconfortável com aquela situação, ANTES de atacar.

Agora, fatores que podem atenuar esse ataque: o cão ter um ótimo treino de mordida (ele encosta apenas o focinho na pele, só deixando na criança um pouco de saliva); porte pequeno do cão (ele pula na criança, mas não a machuca, pois não tem peso suficiente para tanto). Fatores que podem tornar o ataque desastroso: porte médio para grande do cão (ele pula na criança e, com o peso, a derruba e machuca); péssimo (ou inexistente) treino de mordida (onde o cão morde mesmo, lacerando a pele e tirando sangue). Se você juntar os dois fatores (cão de porte grande/médio e péssimo treino de mordida), terá um acidente grave.

Veja o quadro abaixo para aprender a ler os sinais que seu cão lhe dá de quando está com medo. Se seu cão mostrar alguns destes sinais, identifique as situações e, com a ajuda de um profissional, trabalhe com o cão (contra-condicionamento, dessenssibilização e BAT (treino para mudar o comportamento)) para que ele perca o medo. Lembre-se: nós precisamos ajudá-lo: os cães não superam o medo sozinhos. E contratem um profissional que não use aversivos (trancos, gritos, choques, chutes, tapas etc), e sim um que recompense os bons comportamentos e ignore os maus. Só assim seu cão realmente será ajudado e será infinitamente mais feliz, sem medos!

Imagem do site da Dra. Sophia Yin (pdf gratuito), veterinária especialista em comportamento animal e autora de vários livros sobre o assunto

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cães mimados

Muitos podem pensar que cão mimado é aquele que dorme dentro de casa, come a melhor comida, tem brinquedos, usa roupas, convive próximo ao dono. Não há nada de errado em nenhuma dessas situações! O cão pode ter uma vida confortável sim, sem ser nada mimado.

Então, o que caracteriza um cão mimado?

Cão mimado é aquele que não foi educado desde filhote; aquele que é tratado como um humano verticalmente reduzido e peludo; aquele que não aceita que o dono mexa em seu prato de comida e/ou que retire um brinquedo/osso dele. Cão mimado é aquele que treina o dono, e não o contrário - late para chamar atenção, porque quer comer, porque quer sair (e a lista continua) e o dono atende à sua demanda; aquele que cutuca o dono porque quer qualquer coisa, e o dono acata sua ordem.

Um cão é mimado quando você lhe dá algo sem ele ter feito nada em troca e, também, quando você permite que ele faça determinado comportamento, e até ache graça dele, e depois se arrependa. Familiar? No primeiro caso: ah, que lindo da mamãe, deixa dar um biscoitinho pra você, só porque eu te amo muito! No segundo: que lindo, tão pequenininho e já me defendendo. Meses depois... estou preocupada, ele ataca todos que chegam perto de mim!

Então, o que fazer? Quero dar o melhor para meu cão, mas não quero que ele seja mimado! Não é difícil: basta que ele receba tudo o que quer depois de fazer algo que nós queiramos. Quando usamos o programa “Nothing In life Is Free (NILIF)” ou “Nada na vida é de graça”, ensinamos ao cão que ele precisa fazer algo que queiramos (como sentar, deitar etc) para ganhar algo que ele queira (passear, comer, carinho etc). Não é nenhum bicho de sete cabeças: a grande maioria dos cães aprende a sentar em poucas lições. E, depois de um comando aprendido, aprender outros acaba se tornando mais fácil, pois ele já tem o hábito de aprender algo novo.

Quando o cão entender que para ele ganhar qualquer coisa precisa sentar, é só uma questão de você esperar ele oferecer este comportamento. Não peça para ele sentar, simplesmente espere que ele o faça. E ele o fará, acredite!

Ao fazermos isso, ensinamos nossos cães a controlar seu comportamento: eles acabam fazendo um bom comportamento sem que precisemos falar-lhes toda hora. E não se esqueça: sentar não precisa ser o único comportamento desejado. Seja criativo! Quanto mais seu cão souber, mais a vida dele será rica, mais fácil ele aprenderá novos comandos e mais fortes serão os laços que unem você a ele.

domingo, 9 de outubro de 2011

Comportamentos compulsivos - Parte I

Esse é um problema muito comum nos cães (e gatos também) hoje em dia. Por isso, vou fazer dois posts sobre o assunto, porque ele é extenso. Neste post vou falar sobre lamber, coçar e roer. Espero que gostem. No outro, falarei de um modo mais geral de todos os comportamentos compulsivos.


Cães e comportamentos compulsivos: Coçar, Lamber e Roer

Seu cachorro se coça a noite toda? Lambe as patas sem parar? Morde o próprio rabo? Se isso te deixa nervoso, já imaginou como seu cão se sente?

Estes comportamentos compulsivos são relativamente comuns em cães e as causas são inúmeras. Mas, podem ser prejudiciais. Um dos primeiros sinais de que seu cão tem um problema pode ser o desenvolvimento de um “hot spot” - uma área avermelhada e úmida, devido às lambidas e mordidas persistentes. Embora o hot spot – ou dermatite úmida – possam aparecer em qualquer parte do corpo dão cão, são mais comuns na cabeça, peito ou quadril. Como os cães coçam, lambem ou mordem insistentemente um local quando este fica irritado, os hot spots podem ficar grandes e inflamadas rapidinho.


Quais os motivos?
Os motivos são variados: vão desde alergias a tédio, passando por infestação por parasitas:
  • Alergias. Quando o cão se coça demais, normalmente é resultado de alergia alimentar ou ambiental, que inclui mofo e pólen. Os cães também podem desenvolver uma irritação, chamada de dermatite de contato, quando em contato com substâncias como pesticidas ou produtos de limpeza.
  • Tédio ou ansiedade. Assim como a gente, quando ansioso, roi unhas ou torce o cabelo, os cães também têm respostas psicológicas à ansiedade. Alguns cães desenvolvem algo parecido com o transtorno obsessivo compulsivo dos humanos. Pode se manifestar com o cão se coçando, lambendo ou mordendo, que podem causar machucados graves!
  • Pele seca. Inclui vários fatores, como o tempo seco do inverno ou deficiência de ácidos graxos. O cão fica desconfortável e acaba se coçando ou lambendo para se aliviar.
  • Desequilíbrio hormonal. Se o cão não produz os hormônios da tireoide ou fabrica muito cortisol, infecções da pele, superficiais, podem aparecer. Você pode ver pequenas manchas vermelhas, e o peludo vai coçar e lamber, porque elas incomodam.
  • Dor. Quando tentar descobrir porque seu cão se lambe ou se morde em excesso, veja se não há algo que o deixa fisicamente desconfortável. Por exemplo: o cão morde a patinha várias vezes, pode ser que tenha um espinho ou uma farpa na pata. Lamber e morder compulsivamente também pode ser uma resposta a problemas ortopédicos, incluindo dor nas costas ou displasia coxo-femoral.
  • Parasitas. Entre as causas mais comuns para se lamber compulsivamente, ou se coçar, são pulgas, carrapatos e ácaros. Apesar dos carrapatos serem visíveis a olho nu, as pulgas só são vistas quando a infestação é grande e os ácaros são microscópicos. Então, não pense que seu cão não tem parasita nenhum só porque você não os vê.

Tratamento
Como há muitos motivos para estes comportamentos, vá ao veterinário assim que o problema começar. Ele lhe ajudará a descobrir a causa e fará o melhor tratamento que, dependendo do caso, pode incluir:

* Acabar com os parasitas. Há vários produtos no mercado que o veterinário recomendará. E, se este for o caso das mordidas e coçadas sem fim, higienize muito bem a cama do seu peludo, seus tapetes e móveis, regularmente, para evitar uma reinfestação. E não se esqueça: trate todos os animais da casa!

*
Mudar a dieta. Se o problema é com a comida, elimine os alimentos com maior potencial alergênico (carne ou trigo). O veterinário pode recomendar uma dieta especial, se for este o caso. A suplementação de ácidos graxos à comida normal do pet também ajuda nos casos de pele ressecada e mantém a pelagem do cão saudável.

* Medicamento.
O veterinário pode prescrever remédios para tratar problemas ocultos que contribuem para o comportamento compulsivo. Além disso, ele pode recomendar o uso de antibióticos, esteróides ou anti-histamínicos para tratar as feridas / infecções já existentes.

* Prevenir o comportamento.
Como estes comportamentos compulsivos podem causar machucados graves e afetar a qualidade de vida do seu cão, é importante dar o seu melhor para fazer o cão parar de se morder, lamber e coçar demais. Algumas ideias: use spray amargo para desencorajar as lambidas; use um colar elizabetano para que ele não mexa nas feridas; mantenha o cão perto de você quando em casa.  

* Avalie a ansiedade ou tédio. Em alguns casos, estes comportamentos compulsivos se desenvolvem devido ao medo, estresse ou estímulos inadequados. Para reduzir as chances deles aparecerem, dê exercícios (caminhadas, brincadeiras com o dono, corrida, adestramento, esportes caninos etc), atenção e amor o bastante para o cão. Ensine o cão a brincar com ossos recreacionais, brinquedos inteligentes (Kongs, quebra-cabeças, bolas e outros brinquedos que podem ser recheáveis) para que ele alivie o estresse e roa coisas apropriadas, deixando de lado o comportamento compulsivo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Como modificar um comportamento? - Parte II

Agora, a última parte do texto. Lembrando que é um texto traduzido e adaptado por mim do livro Don't Shoot the Doh, da Karen Pryor, então a reprodução total e/ou parcial é proibida.

Divirtam-se!


Método 5 – Ensinar um Comportamento Incompatível
Um método elegante é treinar o animal/pessoa a fazer outro comportamento fisicamente incompatível com aquele que é indesejado. Por exemplo: algumas pessoas não gostam de cães que pedem comida na mesa do jantar.

A solução do Método 1 é colocr o cão para fora ou prendê-lo na hora das refeições. Mas também é possível controlar este comportamento ensinando um incompatível – por exemplo, ensinar o cão a deitar na caminha dele enquanto estamos comendo. Primeiro, você ensina o cão a deitar. Depois, você generaliza o comportamento “deitar” em outros lugares. Recompensa o comportamento com comida depois que todos limparam o prato. Sair de perto da mesa e ir deitar é um comportamento incompatível com pedir comida na mesa; um cão não consegue, fisicamente, estar em dois lugares ao mesmo tempo.

EXEMPLOS DO MÉTODO 5
Pessoas sensíveis normalmente usam este método. Cantar e fazer joguinhos no carro alivia os pais, e as crianças não ficam entediadas. Diversão, distração e ocupações agradáveis são boas alternativas durante muitos momentos tensos.


COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Compre uma cesta de roupa e recompense o colega de quarto por colocar a roupa ali. Lavem a roupa juntos, tornando isto um evento social, quando a cesta estiver cheia. Cuidar da roupa é incompatível com largá-la.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Ensine-o a deitar sob comando; cães, como a maioria de nós, raramente latem deitados. Fale o comando da janela ou coloque um interfone na casinha dele. Recompense com carinho.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Cante, conte histórias, faça brincadeiras. Incompatível com brigas e gritaria.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Institua uma atividade legal na volta para casa, incompatível com o mau humor, como brincar com os filhos ou se dedicar a um hobby. Meia hora de total privacidade também é legal. Talvez sua esposa precise de tempo para relaxar antes de se dedicar à família.
Comete erros quando joga tênis.
Treine uma jogava nova, do começo.
Empregado preguiçoso.
Peça para que ele trabalhe com mais afinco/mais depressa em determinada tarefa; observe e elogie o trabalho feito.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Treine outro comportamento: se alguém lhe manda um cheque, escreva palavras bonitas atrás dele – o banco se encarrega do resto. Para outros presentes, chame quem o enviou na mesma noite e agradeça. Assim, você não precisa escrever uma carta.
O gato sobe na mesa.
Treine o gato a sentar numa cadeira e recompense com comida. O gato vai estar onde você quer, não na mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Responda à rabugice com um olhar, um sorriso e uma observação social apropriada - “Bom dia” - ou, se o motorista for realmente chato, diga, bem simpático: “Seu trabalho deve ser mesmo muito difícil”. Normalmente a pessoa fica mais amigável, atitude esta que você recompensa.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Ajude-o a encontrar outra casa para morar, mesmo que você tenha que pagar por ela no começo.

Método 6 – Colocar o comportamento sob comando
Este é bacana. Funciona em algumas circunstâncias quando nada mais é suficiente.

É um axioma da teoria de aprendizagem que, quando o animal/pessoa aprende a oferecer o comportamento em resposta a algum tipo de dica/comando e só com ele (stimulus control), o comportamento tende a acabar na ausência da dica/comando. Você pode usar esta lei natura para se livrar de todo tipo de coisas que você não quer simplesmente colocando este comportamento sob comando... e nunca dar o comando. :)

EXEMPLOS DO MÉTODO 6
Não parece lógico que este método funciona, mas pode ser eficazes e, algumas vezes, quase uma cura instantânea.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Faça uma “guerra de roupa suja”. Veja a bagunça que vocês dois fazem em dez minutos. (Eficaz; algumas vezes a pessoa desorganizada, vendo a bagunça, será capaz de reconhecer e arrumar bagunças menores – uma camiseta, duas meias – que possam ainda te indomodar mas que não tinha sido vista como bagunça pelo colega de quarto).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Ensine o cão a latir com o comando “Fala!”e recompense com comida. Na ausência do comando, não recompense os latidos.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Coloque a barulheira em controle de estímulo (stimulus control) – veja acima a explicação do que é.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Marque uma hora para o mau humor; sente por dez minutos, digamos, começando às 5 da tarde. Durante este período reforce, com sua atenção e simpatia, toda reclamação. Ignore a reclamação antes e depois deste tempo.
Comete erros quando joga tênis.
Se você bater na bola de um jeito errado e aprender a fazê-lo de propósito, o erro tende a acabar quando você não der o comando “bata errado na bola”? É possível.
Empregado preguiçoso.
Dê-lhe uma folga. É uma técnica muito eficaz usada pelo presidente de uma agência na qual a Karen Pryor trabalhou.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Compre post-its, papéis, selos, canetas, caderninho de telefone/endereço e uma caixa vermelha. Coloque todas as coisas dentro dessa caixa. Quando você ganhar um presente, coloque o nome da pessoa que te deu o presente no post-it, coloque na caixa, coloque a caixa no seu travesseiro (ou no seu prato) e não durma (ou coma) ate que você obedeça a dica da caixa e escreva a cartinha, coloque um selo nela e a leve para o correio.
O gato sobe na mesa.
Ensine-o a subir e descer da mesa sob comando. Então, molde o tempo que ele deve esperar para ouvir o comando (o dia inteiro, quem sabe).
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Não é recomendado colocar este comportamento sob comando.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Assim que ele sair da sua casa, convide-o para te visitar, tornando claro que ele só deve ir na sua casa se for convidade. Então, não o convide para morar com você de novo.


Método 7 – Capturar a ausência do comportamento
Esta técnica é útil nos casos onde você não tem nada em particular que deseja que o animal/pessoa faça, você só quer que ele/ela pare o que está fazendo. Exemplo: telefonema de parentes reclamando ou fazendo com que você se sinta culpado, parentes que você gosta e não quer ferir os sentimento com o a) Método 1: desligar na cara ou b) Métodos 2 e 3; brigando ou ridicularizando. O termo técnico para este Método (7) é: Reforço Diferencial de Outro Comportamento.

EXEMPLOS DO MÉTODO 7
Para usarmos este método, precisamos nos esforçar conscientemente por um certo período, mas normalmente é a melhor maneira de mudar bastante um comportamento.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Compre cerveja ou convide pessoas do sexo oposto enquanto arrumam o quarto ou seu colega lava a roupa.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Vá para o quintal e recompense-o por outro comportamento que não seja latir. À noite ele ficará quieto por dez, vinte, trinte minutos, uma hora e assim por diante.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Espere por um momento de silêncio e então diga “Puxa, como vocês estão comportados hoje. Acho que merecem um sorvete, que tal?”
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Pense em algumas recompensas e surpreenda-a com elas assim que o humor melhorar.
Comete erros quando joga tênis.
Ignore os erros e se elogie pelos acertos. Funciona!
Empregado preguiçoso.
Elogie-o por qualquer trabalho feito de forma satisfatória. Você não precisa fazer isso a vida inteira, só tempo o suficiente para estabelecer essa nova tendência.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Dê a você mesmo, como recompensa, uma ida ao cinema sempre que receber um presente e, rapidamente, escreva uma carta de agradecimento.
O gato sobe na mesa.
Recompense-o nos períodos em que ele estiver fora da mesa é prático só se você deixar a porta da cozinha fechada quando não estiver em casa, assim o gato não tem uma auto-recompensa por subir na mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Se você pega o mesmo motorista todo dia, dar um “bom dia” agradável, ou mesmo uma água fresca, quando ele estiver sendo rude, vai melhorar a rabucide dele em uma ou duas semanas.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Recompense seu filho por morar sozinho quando ele o fizer. Não critique a (falta de) limpeza da casa, a escolha do apartamento, a decoração, os amigos. Se não, ele pode achar que você está certo e que sua casa é mesmo o melhor lugar do mundo para morar (e não a dele).


Método 8 – Mude a motivação
Eliminar a motivação de um comportamento é, normalmente, o método mais gentil e eficaz de todos. Alguém que já comeu o bastante não irá roubar um pedaço de pão.

Exemplo: a mãe vai com uma criança ao mercado. Se a criança estiver com fome, o cheiro e a visão de várias coisas comestíveis, sem que ela possa comê-las, irá deixá-la ainda mais faminta e ela começará uma cena nada agradável: dar um show no mercado. O que fazer então? Dê comida antes de sair de casa ou leve um lanchinho ao mercado. Pronto: acabaram-se os gritos.

EXEMPLOS DO MÉTODO 8
Se você conseguir usá-lo, este método sempre funciona e é o melhor de todos.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Contrate uma faxineira para limpar e lavar a roupa, assim nenhum de vocês precisa fazê-lo. Pode ser a melhor solução se você é casado com seu colega de quarto ou ambos trabalham. Ou o mais bagunceiro por moldar o mais organizado a relaxar mais.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Cães que latem estão sozinhos, com medo ou entediados. Dê exercícios e atenção diariamente, assim o cão ficará cansado e sonolento à noite, ou tenha outro cão para fazer companhia. Ou então, leve-o para dentro de casa.
As crianças fazem barulho demais no carro.
O aumento do barulho e as brigas normalmente são devido à fome e cansaço. Dê suco, frutas e biscoitos, além de travesseiros para um bom cochilo no carro. Em viagens mais longas, faça as dicas acima além de paradas de dez minutos a cada hora, para que elas corram um pouco (bom para os pais também).
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Encoraje-a a mudar de emprego. Dê queijo, bolachinhas e uma sopinha reconfortante na porta, se a fome e o cansaço são o motivo do mau humor. Se o problema é o estresse, uma taça de vinho, ar fresco e exercícios são apropriados.
Comete erros quando joga tênis.
Pare de tentar ser o melhor do mundo. Jogue por diversão. Claro, se for um campeonato, isso não se aplica!
Empregado preguiçoso.
Pague pelo trabalho feito, não pelas horas de serviço. Este método é muito eficaz. Todo mundo trabalha pra caramba até acabarem o trabalho; depois de pronto, todos descansam. Atores de hollywood fazem assim.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Não gostamos disso por ser uma cadeia de comportamento (Método 6) e difícil de começar, principalmente quando não há uma recompensa no final (você já ganhou o presente!). Algumas vezes não escrevemos porque não nos achamos bons escritores, espertos ou temos uma letra feia. Não é verdade: os destinatários precisam saber que você está agradecido pelo símbolo de afeição que lhe foi dado. Palavras bonitas não são tão importantes quanto a rapidez da entrega da carta: que conta muito mais.
O gato sobe na mesa.
Por que os gatos sobem na sema? (1) para procurar comida, então, deixe-a fora do alcance; (2) gatos gostam de ficar num lugar mais alto para observar o que acontece ao seu redor. Coloque uma prateleira ou um pedestal (seguro) mais alto que a mesa, mas baixo o bastante para que você possa acariciá-lo, e que ofereça uma boa visão da cozinha. O gato pode preferir a prateleira (pedestal) à mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Evite a rabugice no ônibus fazendo o seu trabalho: esteja pronto, saiba seu destino, não bloqueie a porta, não fique murmurando, tente entender a demora devido ao tráfego, e por aí vai. Os motoristas ficam rabugentos porque os passageiros podem ser umas pedras no sapato.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Adultos que têm amigos, auto-estima, um propósito na vida, trabalho e um teto sobre suas cabeças geralmente não querem morar na casa dos pais. Ajude seus filhos a conseguir os três primeiros itens enquanto crescem, e, naturalmente, eles procurarão um emprego e um teto. E vocês podem ser amigos!

domingo, 25 de setembro de 2011

Como modificar um comportamento? - Parte I


Lendo o livro da Karen Pryor, Don't Shoot The Dog, resolvi compartilhar algo importante. Nossos cães sempre têm algum comportamento indesejado que queremos mudar, seja latir excessivamente, pular nas visitas, roer os móveis ou puxar durante os passeios.

Mas vocês sabem que há oito maneiras de conseguirmos isso? Sim, oito. Algumas usam métodos negativos; outras, os positivos (os quais eu uso).

Os oito métodos são:

  1. Mate o cão: funciona. Você não vai mais lidar com nenhum comportamento ruim, nem com o cão.
  2. Punição: o favorito das pessoas, mesmo não funcionando na imensa maioria das vezes.
  3. Reforço Negativo: retira-se algo desagradável quando um comportamento desejado acontece.
  4. Extinção: o comportamento some por si só.
  5. Ensinar um comportamento incompatível: muito útil.
  6. Colocar o comportamento sob comando: aí você nunca dá esse comando.
  7. Moldar a ausência”: recompensa qualquer coisa que não seja o comportamento indesejado.
  8. Mude a motivação: o mais gentil de todos os métodos.

    Método 1 – Mate o cão 
    Sempre funciona. Nunca mais você terá problema com o este cão em particular. Claro que não é só matar... doar também faz parte deste método. Com pessoas, pode ser prisão, divórcio, sair de casa... Lembrando: este método não ensina nada, o cachorro nem sabe o que está acontecendo. Já deu pra perceber que não é o ideal?

EXEMPLOS DO MÉTODO 1
Este método acaba com o problema, mas pode não ser adequado em todas as ocasiões.
COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Mude de colega de quarto.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Mate-o, doe-o, leve-o ao veterinário para retirar suas cordas vocais (é crime, tá?!)
As crianças fazem barulho demais no carro.
Faça-as voltarem a pé ou de ônibus para casa. Peça pra outra pessoa dirigir.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Se divorcie.
Comete erros quando joga tênis.
Pare de jogar.
Empregado preguiçoso.
Mande-o embora.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Pare. Quem sabe as pessoas também parem de lhe mandar presentes.
O gato sobe na mesa.
Deixe-o do lado de fora ou doe-o.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Saia do ônibus e pegue o próximo.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Diga não e não ceda.

Método 2 - Punição
É o método preferido da humanidade. Quando o comportamento está errado, logo pensamos em uma punição. Bater na criança, no cão, sustar o cheque, processar a empresa etc. Mas a punição é um jeito meio desastrado de mudar um comportamento. Na verdade, na maioria das vezes a punição não funciona nada.

EXEMPLOS DO MÉTODO 2
Raramente são eficazes e perdem o efeito com a repetição, mas são muito usadas.
COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Brigue e grite. Ameace confiscar suas roupas e jogá-las fora (ou de fato fazê-lo).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Vá pro quintal e bata nele, ou jogue um jato de mangueira (O cão ficará tão feliz em vê-lo que “perdoará” a punição).
As crianças fazem barulho demais no carro.
Grite com elas. As ameace. Se vire e dê uns tapas nelas.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Comece uma briga. Queime o jantar. Fique amuado, brigue e chore.
Comete erros quando joga tênis.
Amaldiçoe, fique irritado, se critique toda vez que errar.
Empregado preguiçoso.
Brigue e critique, de preferência na frente de todo mundo. Ameace não pagá-lo (ou o faz mesmo).
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Se puna por ficar adiando a tarefa e se sinta culpado ao mesmo tempo.
O gato sobe na mesa.
O derrube e/ou o espante para fora da cozinha.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Pegue o número do motorista, reclame na companhia e tente fazer com que ele seja transferido, repreendido ou mandado embora.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Deixe-o morar com você, mas torne a vida dele um inferno.

Método 3 – Reforço Negativo
O Reforço Negativo é qualquer evento ou estímulo desagradável, não importa a intensidade, que pode acabar ou ser evitado com a mudança de comportamento. Uma vaca, no campo com uma cerca elétrica, toca o nariz na cerca, sente o choque e se afasta, o que para o choque. Ela aprende a evitar o choque ao não tocar a cerca. Quando toca a cerca é punida, então o comportamento de evitar a cerca foi reforçado por meio de um reforço negativo, ao invés de um positivo.

EXEMPLOS DO MÉTODO 3
O Reforço Negativo pode ser eficaz e uma boa escolha em algumas situações.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Desconecte a TV ou atrase o jantar até que ele arrume as roupas (cesse o reforço negativo quando ele fizer o que você queria; recompense todo esforço, por menor que seja).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Acenda uma luz forte na casinha dele toda vez que ele latir. Apague-a quando ele parar de latir.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Quando o nível de decibéis atingir o limite, estacione o carro. Leia um livro. Ignore as perguntas sobre você ter parado – é barulho também. Volte a dirigir quando o silêncio reinar.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Vire de costas ou saia do ambiente por um tempinho quando o tom da voz dela for desagradável. Volte e dê-lhe atenção quando o tom de voz for normal ou ela estiver em silêncio.
Comete erros quando joga tênis.
Contrate um técnico ou um espectador para lhe corrigir verbalmente quando você errar (Ah-Ah ou Não!). Desenvolva outro balanço que pare com a correção.
Empregado preguiçoso.
Aumente a supervisão e repreenda toda vez que o trabalho falhar.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
O Reforço Negativo aparece automaticamente nos amigos e pessoas que amamos. Tia Alice sempre faz você saber o quão preocupada ela está quando você não pega o cachecol e sua família sempre te lembra que você deve escrever para ela. A informação será enviada com insinuações aversivas.
O gato sobe na mesa.
Coloque fita adesiva, o lado que cola virado para cima, na mesa da cozinha.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Fique na porta, ou perto do motorista, assim ele não consegue dirigir até que você saia dali. Saia quando ele parar de falar, mesmo que por um instantinho.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Deixe-o voltar, mas cobre-o, exatamente como faria se fosse cobrar aluguel de um estranho, comida e qualquer serviço adicional, como lavar a roupa e cuidar das crianças. Faça valer a pena, financeiramente, que ele saia da sua casa.

Método 4 - Extinção
Se você treinou um rato para pressionar uma alavanca repetidamente para obter comida e, de repente, você desliga a máquina que lhe dá comida, o rato pressionará a alavanca muitas vezes no começo e, depois, cada vezes menos, até ele finalmente desistir. O comportamento se “extinguiu”.

Extinção é um termo usado em laboratórios de psicologia. Se refere não à extinção de um animal, mas de um comportamento, que acaba por si só, por falta de reforço.

Comportamentos que não dão resultado – nem bons, nem maus, só a falta deles – provavelmente acabarão. Isso não quer dizer que possamos simplesmente ignorar um comportamento e ele acabará.

EXEMPLOS DO MÉTODO 4
Não é útil quando queremos acabar com um padrão de comportamento bem aprendido e auto recompensador. Mas ele é bom para choramingos, mal-humor ou provocação. Mesmo crianças pequenas podem aprender que podem fazer as mais velhas pararem de provocá-las simplesmente não reagindo.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Espere que ele cresça.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Este comportamento é auto-recompensador e dificilmente acaba espontaneamente.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Uma certa quantidade de barulho é natural e inofensiva. Deixe: uma hora eles cansarão.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Não reaja: logo esse mau humor todo acaba.
Comete erros quando joga tênis.
Tente outros golpes, passadas e por aí vai e tente deixar aquele erro específico morrer ao não se concentrar mais nele.
Empregado preguiçoso.
Se o mau comportamento for uma maneira de chamar atenção, não dê atenção; mas também pode ser auto-recompensador.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Este comportamento normalmente acaba com a idade. A vida se torna tão cheia de tarefas mais trabalhosas, como pagar as contas, que os bilhetes de agradecimento se tornam uma atividade relaxante.
O gato sobe na mesa.
Ignore o comportamento. Ele não vai acabar, mas você terá sucesso em acabar com suas própria objeções ao fato de ter pelo de gato na comida.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Ignore o motorista, pague a passagem e esqueça isso.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Aceite o fato como temporário e que seu filho sairá da sua casa assim que sua situação financeira melhorar ou que a crise passe.

Logo postarei a segunda parte, com os últimos quatro métodos. Lembrando que este é um trecho do livro Don't Shoot the Dog, da Karen Pryor, que foi traduzido e adaptado por mim. Ou seja: reproduzi-lo é proibido; divulgá-lo é legal!
Leia também "Como modificar um comportamento? - Parte II"

terça-feira, 12 de julho de 2011

Kong: é tudo de bom!

Já falei sobre o Kong aqui e aqui. Acho estes brinquedos recheáveis simplesmente o máximo e pretendo comprar mais alguns para dona Suzie. São ótimos para os cães se entreterem quando não temos tempo para lhes dar atenção (seja porque queremos descansar um pouco, seja porque estamos no computador ou com visitas em casa), para quando saíamos ou mesmo para vermos o cão brincando, se divertindo "caçando" sua comida.

Muitos, ao me verem dando petiscos pra Suzie dentro do Kong, acham que estou judiando dela (o mesmo quando me vêem trabalhando com ela e dando petiscos minúsculos). Acham que eu deveria dar logo, sem dar trabalho para ela. Mas, quem disse que isso é o saudável? Assim como nós, os cães precisam de desafios mentais, e gostam disso. E para eles, associá-los com comida, é algo incrível! Eles se divertem sim!

Quando recebemos tudo de mão beijada, com o tempo, não ficamos entediados? Sempre procuramos estímulos, não é mesmo? O mesmo se dá com os cães: quando entediados, procuram estímulos que, muitas vezes, são destruir móveis, latir, cavar (se deixados no quintal). Tudo o que a maioria dos donos não quer! Então, vamos dar um pouco de trabalho e de diversão para os nossos cães? Eles irão adorar!!! E nós teremos um cão mais comportado e feliz dentro de casa.

Vejam mais um vídeo da Suzie com seu amado Kong (dessa vez recheado com pão de queijo - evitando, assim, que ela tentasse surrupiar o pão de queijo da maninha humana dela).



Se quiser mais receitas, teste estas também: Recheios naturebas para kong.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cães e manias compulsivas: lamber, coçar, mastigar.

Você está ficando louco ouvindo seu cão coçar a orelha a noite toda? Lambendo sua pata sem parar? Mordendo o seu próprio rabo?
Se você se sente desconfortável, imagina o seu cão.

Comportamentos compulsivos são bastante comuns em cães e possuem uma variedade de causas, que também podem ser nocivas. Um dos primeiros sinais de que seu cão tem um problema é o desenvolvimento do que chamamos de hot spot (foto abaixo) – uma área vermelha, úmida, e irritada que aparece após lambedura ou mordedura constante. Embora os hot spots, também chamados de “dermatite úmida aguda” possam ocorrer em qualquer parte do corpo do seu cachorro, eles são mais comumente encontrados na cabeça, tórax ou quadril. Como os cães geralmente coçam, lambem ou mordem incessantemente uma área que está irritada, os hot spots podem se tornar grandes e incrivelmente doloridos muito rapidamente.
Os cães tem esse comportamento por várias razões, que vão desde alergias e tédio, até infestação por parasitas.

Alergias. Quando a coceira nos cães fica fora de controle, ela é geralmente o resultado de alergias a alimentos ou a causas ambientais, incluindo mofo e pólen. Os cães também podem desenvolver uma irritação de pele denominada “dermatite alérgica por contato”, quando eles entram em contato com substâncias como pesticidas ou sabão.
Tédio ou ansiedade. Assim como as pessoas ansiosas podem roer suas unhas ou ficar enrolando o cabelo nos dedos, os cães também respondem fisicamente a algo que os chateia. Alguns cães desenvolvem uma condição parecida com a desordem obsessiva-compulsiva dos humanos. Ela pode se manifestar com comportamentos como lamber, coçar ou morder alguma parte do corpo, podendo causar danos severos.
Pele seca. Uma variedade de fatores, incluindo o clima frio e uma deficiência de ácidos graxos, pode causar o ressecamento da pele dos cães. Seu bichinho pode responder ao desconforto lambendo ou coçando a pele e o pelo.
Desbalanços hormonais. Se o organismo do seu cão não está produzindo hormônio tireoidiano suficiente, ou ainda produzindo muito cortisol, infecções cutâneas superficiais podem ocorrer. Você vai notar pequenos pontos vermelhos na pele, e seu cão vai lambê-los ou coçá-los como se estivesse incomodado com alguma alergia. Porém, há também outras causas para o aparecimento dessas lesões.
Dor. Ao tentar determinar se seu cão está lambendo ou coçando excessivamente, considere a possibilidade de que alguma coisa o está deixando desconfortável. Por exemplo, se você notar que seu cão está mordendo a pata repetidamente, ele pode ter um espinho preso nela. Também pode indicar um problema ortopédico, incluindo problemas de coluna e displasia coxofemural.
Parasitas. Entre as causas mais comuns de coceira em cães, estão as pulgas, carrapatos e sarnas. Embora os carrapatos sejam geralmente visíveis a olho nu, as pulgas geralmente passam despercebidas até que haja uma grande infestação, e as sarnas são microscópicas. Portanto, não assuma que seu cão não está com parasitas só porque você não pode vê-los.

Como existem várias causas para os cães se coçarem, leve seu cão ao veterinário assim que notar algum problema. Ele vai te ajudar a descobrir a causa do comportamento, e determinar a melhor forma de tratamento. Dependendo da causa do comportamento compulsivo do seu cão, o tratamento pode incluir:

• Eliminar os parasitas.
• Mudar a alimentação.
• Medicação própria.
• Prevenir o comportamento.
• Abordar a ansiedade ou o tédio.

Algumas vezes, comportamentos compulsivos de lamber, coçar ou morder, se desenvolvem em resposta ao medo, stress ou estímulos inadequados. Para reduzir as chances de isso acontecer, tenha certeza de que seu cão recebe quantidades adequadas de exercício, atenção, e amor. Também é de grande ajuda treinar seu cão a roer brinquedos ou ossos para aliviar o stress substituindo assim o comportamento compulsivo.

Fonte: http://pets.webmd.com/

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os cães entendem quando apontamos?

Mais um artigo que li e resolvi resumi-lo aqui para vocês. Retirado do blog da Patricia McConnell, traduzido e adaptado por mim e, portanto, de reprodução proibida! A divulgação, no entanto, é permitida.

Os cães entendem quando apontamos?
Como já foi mostrado em certos programas televisivos sobre cães, vimos que os cães entendem muito melhor quando apontamos que os chimpanzés e os lobos. Os cães vão na direção em que apontamos, por exemplo, na comida escondida sob um pote dentre dois (e os dois com cheiro de comida). Lobos e chimpanzés não fazem isso. Alguns acreditam que depois de dez mil anos de domesticação, os cães se adaptaram para entender a linguagem humana de sinais.

Na experiência de Patricia McConnell, os cães precisam ser ensinados a compreender quando apontamos. Para ela, quando filhotes, os cães não prestam atenção alguma na direção que apontamos, apenas chegam perto de nossas mãos e as cheiram. Claro que é fácil obter tal comportamento, mas este deve ser ensinado. Não é isso que os pesquisadores acreditam, e os resultados destes estudos foram citados milhões de vezes como uma evidência que nosso relacionamento com os cães criou uma seleção natural que tornou os cães aptos a se comunicar com os humanos com maior eficácia que outras espécies.

Alguns pesquisadores compararam as respostas de cães adultos e filhotes com as de chimpanzés e lobos. As conclusões foram que os filhotes são capazes de seguir a direção de um braço apontando, enquanto lobos e chimpanzés de qualquer idade não (comprovando que deve haver um componente genético para este comportamento, devido à domesticação - espécie de mutação).

McConnell viu alguns destes vídeos e diz que os lobos jovens, mesmo tendo sido criados com humanos aparentavem ser dispersos inquietos e incapazes de se focar em qualquer coisa. Segurá-los em determinada posição parecia ser praticamente impossível. Ela própria trabalhou com alguns cães-lobo e os filhotes são parecidos com qualquer outra raça de cão: não param quietos por um segundo! Aqueles do vídeo pareciam assustados e completamente incapacitados de se focar em algo. Lobos adultos são mais atentos aos humanos e seus gestos que os filhotes, então pode sim haver um componente de desenvolvimento ligado ao comportamento. Outro vídeo mostra chimpanzés, cães adultos e filhotes sendo testados. A pesquisa mostra claramente que, apesar de muito espertos, os chimpanzés não entendem nada quando apontamos. Depois, mostra que os cães adultos entendem perfeitamente e, quando comenta-se sobre os filhotes, diz-se "mesmo filhotes com seis semanas entendem rapidamente". Para McConnell isso sugere que há treino envolvido, que o comportamento não é 100% inato.

Uma boa explicação para o fato é que os cães tem uma tendência inata a ser predispostos a aprender e, assim, vão para onde apontamos. Os cães são espécies diferentes devido a terem co-evoluído conosco, mas é algo mais complicado do que simplesmente afirmar que eles naturalmente entendem quando apontamos. Cães também nos veem como seres cooperativos, daí responderem aos nossos gestos. Os chimpanzés, por outro lado, competem por comida e não nos veem como colaboradores, por isso a tendência de não prestar atenção em nós, mesmo quando apontamos onde está a comida.

domingo, 7 de novembro de 2010

Deixe seu cão pensar!

Li este artigo e achei muito interessante compartilhar com vocês. Não está traduzido, apenas o li e escrevi o que me passou pela cabeça. Copiar este texto não é permitido. Divulgá-lo sim.

Deixe seu cão pensar!
É incrível como privamos nossos cães de pensar. Se é verdade que aquilo que permitimos que o cão faça ele será recompensado, por que não o deixamos praticar o pensamento?
 
Um exemplo de como podemos arruinar um cão "pensante". Existe um jogo chamado "101 things to do with a box", onde você simplesmente coloca uma caixa de papelão perto do cão e vai clicando e dando petiscos com cada interação dele com a caixa. Depois, clica só para determinados comportamentos, como por exemplo, colocar uma pata dentro dela; depois duas; até entrar na caixa. Imagine-se fazendo essa brincadeira no parque. De repente, um gato passa correndo na frente do seu cão e ele pensa "nossa, que legal, acho que posso brincar de correr com este gatinho". Aí o cãozinho te puxa e você, na melhor das intenções, ao invés de simplesmente impedir que ele saia correndo e espera ele pensar que é melhor ficar com você, você dá um tranco na guia e grita com o cachorro.

Quando privamos um cão de pensar, perdemos um pouco aquela ligação com ele. Quer dizer, podemos ensinar todos os comandos de obediência a ele, mas os laços entre dono e cão não serão tão fortes e o filhote não precisa pensar tanto, afinal, ele só precisa fazer aquilo que seu dono pede, sem ao menos ter uma chance de escolha (principalmente quando se usa métodos punitivos, onde dá-se trancos na guia para o cão fazer praticamente tudo - ele precisa fazer senão, leva um tranco no pescoço). Eu, pessoalmente, acredito que quando o cão pensa, ele tem sim chance de errar e de acertar mas, quando ele acerta, ele fica muito mais "realizado" e confiante que ele pode sim pensar, já que o máximo que ele vai receber se errar é nada. Assim, ele terá confiança de tentar novos comportamentos, inclusive alguns que você nem sonharia em ensinar.

Existe também um jogo de odores. Os cães precisam procurar comidas escondidas em caixas usando seu nariz e, algumas vezes, eles podem ficar frustrados e olhar para você como quem diz "Poxa, pode me ajudar aqui?". A gente fica tentado a ajudar, mas não é este o objetivo: os cães tem de pensar em uma maneira de encontrar a comida, eles precisam ser encorajados a pensar. Neste jogo, tudo que o cão precisa é pensar em usar o nariz.

Quantas vezes privamos nosso cão de pensar? Por que não acreditamos nas evidências científicas que citam a inteligência dos cães e suas funções cognitivas? A Dra. Patricia McConnell trabalha (e escreve) muito com isso. Visitem seu blog e leiam seus livros, recomendo muitíssimo!

Resumindo: deixem seus cães pensarem! E, para ajudá-los, tenham paciência e se livrem da necessidade incessante de tomar todas as decisões por ele ou de ajudá-los em tudo. Deixem que eles façam bom uso de um órgão super importante: o cérebro!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Redução do Medo

Um texto que achei excelente, da Patricia McConnell, sobre a redução do medo canino utilizando métodos positivos.

Redução do Medo

Gentileza e petiscos não reforçam o medo, reduzem-no

Por Patricia B. McConnell, PhD


É inevitável: quando acariciamos nosso cão enquanto ele tem um ataque de medo, vem aquela vozinha e nos diz: “Desse jeito você o está ensinando a ter ainda mais medo”. Mas, isto não é verdade.


Nos ensinaram que confortar um cão quando ele tem medo piora o problema. Parece lógico: seu cão ouve um trovão, corre para você e ganha um carinho. Pronto! Acabamos de reforçar seu comportamento de correr quando ouve um trovão e, pior ainda, de temer tempestades. Mas não é isso que acontece, e veja por que. Primeiro, nenhuma quantidade de carinho fará valer a pena para o cão ter um ataque de pânico. O medo não é bom para humanos nem para cães. A função do medo é mostrar ao corpo que já perigo e que o indivíduo que sente medo tem que fazer alguma coisa para que o perigo e, consequentemente o medo, ir embora.


Imagine que você está tomando sorvete e alguém tenta invadir sua casa no meio da noite. Será que o prazer de tomar sorvete “reforça” seu medo, deixando você com mais medo ainda na próxima vez? Na verdade, as coisas acontecem de outro jeito – você pode desenvolver um certo desconforto com o sorvete. Uma coisa é certa: você não terá mais medo se um ladrão aparecer no meio da noite porque você estava tomando sorvete na primeira vez que aconteceu.


Uma pesquisa mostra que acariciar um cão que tem medo de trovão não diminui o nível de estresse quando ele é acariciado. Se o estresse não diminui, como este fato pode ser recompensador? Antes de pensar que seu carinho acalma seu cão, note que: 1) eu não sou a autora da pesquisa; 2) meus próprios cães se acalmam quando os acaricio durante tempestades; e 3) eu não ligo para o que diz a pesquisa, me faz me sentir melhor, não faz mal algum e eu farei do mesmo jeito.


Estudando o Estresse

Brincadeiras à parte, é importante saber sobre o que trata o estudo. Os autores mediram a produção de cortisol, um hormônio relacionado ao estresse. Notaram que os níveis de cortisol não diminuíram quando os cães eram acariciados por seus tutores durante tempestades. (O fator mais importante na redução do cortisol era a presença de outros cães). Curiosamente, outra parte da pesquisa nos laços afetivos mostrou que embora os níveis de cortisol diminuam em pessoas quando estas interagem com cães, o cortisol não diminui nos cães no mesmo contexto. Mas, em ambas espécies, outros hormônios e neurotransmissores aumentam, como a ocitocina, prolactina e beta-endorfina – substâncias associadas a bons sentimentos e laços afetivos. Então, mesmo que acariciar seu cão não diminua o nível de cortisol associado ao estresse, é possível que algo de bom aconteça.


Por outro lado, não é possível que acariciar seu cão o fará ter ainda mais medo quando tiver outra tempestade. A afirmação que esta atitude deixará seu cão ainda mais medroso datam das décadas de 1930 e 1940, quando não se era de bom tom pegar crianças no colo para confortá-las. Este pensamento foi abolido há muito tempo por psicólogos, quando pesquisas deixaram claro que crianças que podem contar com os pais são crianças mais felizes, não dependentes e nem medrosas.


Uma Aproximação Clássica

O maior dano causado pela máxima “não acaricie o cão” não está relacionado às tempestades, mas às armadilhas de tentar explicar o contra-condicionamento clássico (CCC). CCC pode ser uma maneira muito eficiente de mudar um comportamento, já que muda as emoções que ocasionam este comportamento. Um exemplo típico aplicado em comportamento animal é ter visitas dando petiscos a um cão que tem medo de estranhos.


Alguém pode perguntar “Mas dar petiscos ao cão quando este late e rosna não tornará o caso pior? Ele não será recompensado por latir e rosnar?”. A resposta é: Não, não se este comportamento é ocasionado pelo medo. Lembre: medo não é legal e um pouco de comida, não importa quão gostosa é, não diminuirá o desejo do cérebro de evitá-lo.


Jogar petiscos (ou brinquedos) para um cão com medo pode ensiná-lo a associar a aproximação de estranhos a algo bom, desde que os petiscos sejam realmente bons e o estranho esteja longe o bastante para evitar inibir o cão. CCC é uma das ferramentas mais importantes de um comportamentalista, mesmo sendo difícil convencar as pessoas de usá-lo. Parece que estamos recompensando um cão por se comportar mal, e na nossa natureza punitiva, em nossa sociedade “você tem que ser dominante sobre o cão”, é difícil para algumas pessoas fazê-lo. Mas é exatamente o que fiz quando ajudei minha Border Collir Pippy Tay, quando ela desenvolveu medo de tempestades.


CCC é uma das muitas maneiras que podemos usar para ajudar um cão com medo de trovão. Eu uso algumas das técnicas descritas abaixo com sucesso, sejam sozinhas, como no caso da Pippy Tay, ou combinada com outros métidos: terapia de ferormônio, slings, acupuntura, acupressura, mudança na dieta e, em casos mais sérios, com medicação. Se seu cão tem medo de trovões, você faz bem em consultar um comportamentalista ou veterinário comportamentalista para lhe dar assistência e ajudar a escolher o melhor método para você e seu cão.


Petiscos Trovão

Eu e Pippy corríamos e jogávamos bola toda vez que uma tempestade se aproximava. Pip adorava jogar bola e eu queria que ela associasse os sentimentos que ela tinha quando brincava com a baixa da pressão no barômetro. Quando a tempestade caía, entrávamos e eu lhe dava um pouco de carne sempre que ouvíamos um trovão, não importando como Pip se comportava. Não estava preocupada com seu comportamento; eu me focava nas emoções que causavam o comportamento.


Até coloquei o trovão como comando. “Oh, Pippy, você vai ganhar petiscos trovão!”, dizia toda vez que ouvíamos o trovão. Estas palavras foram inventadas às três da manhã mas, por dois verões, eu mencionava “petiscos trovão”, abria a gaveta ao lado da cama e lhe dava petiscos depois de cada trovão. No fim do verão, Pip parou de arranhar meu rosco na tentativa de cavoucar minha boca para se esconder da tempestade. Ela passou a dormir durante tempestades moderadas, sem nem mesmo acordar para pedir petiscos. Ela vinha a mim quando o barulho era muito alto, mas demonstrando pouco medo.


Com a melhora da Pip, me condicionei em outra direção. Comecei a não gostar de tempestades, porque até mesmo a mais silenciosa delas significava que eu tinha que ficar acordada tempo o bastante para lhe dar petiscos depois de cada trovão. Agora que Pip se foi, parece que terei que fazer tudo de novo com Lassie, minha outra Border Collie, de 14 anos, que também tem medo de trovão. Hunf. Talvez eu deva me dar um pedaço de chocolate toda vez que eu der um petisco para Lassie!


O Medo é Contagioso

Eu seria negligente se não mencionasse o modo como você pode piorar o medo do cão, que é você mesmo ficar com medo. O medo é tçao persuasivo que é fácil de espalhá-lo. “Contágio emocional” é o termo etológico usado para descrever a difusão do medo dentro de um grupo, e é uma ocorrência comum em espécies sociais. Se você quer que seu cão tenha medo de trovão, estranhos ou outros cães, é só você ficar com medo destas coisas. Se você tem medo de trovão, é totalmente possível que seu cão pegue isso e fique mais nervoso.


Mas, se você tem medo, nem tudo está perdido. Vcê pode acalmar as coisas se concentrando em seu corpo – diminuir sua respiração e seus movimentos, mudar sua postura para uma mais confiante e relaxada e falar devagar e calmamente. Estas ações tem o efeito benéfico de alterar tanto suas próprias emoções como as de seu cão. Quanto mais calmo você estiver, mais calmo seu cão se sentirá.


Eu tinha isso em mente quando disse “Oh, Petiscos trovão!” e dei a Lassie petiscos do criado mudo. Eu tinha muito mais razões para ter medo que ela – ela não sabia que o porão estava inundando, a água estava ameaçando o estábulo e as rodovias estavam cheias de água. Tudo que ela sabia era que a cada trovão ela ganhava um pedaço de frango e achava que era um jogo bacana. Ela acalmou logo, enquanto eu fiquei acordada por horas. Acho que é mesmo hora de eu colocar um pouco de chocolate no meu criado mudo. Se, na próxima vez que meus amigos me virem, notarem que eu ganhei um pouco de peso, eles saberão que foi por causa da tempestade de verão.