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sábado, 10 de janeiro de 2009

A Lamentável Situação dos Galgos na Espanha



"Me comove a dor alheia, e sim, incluo na dor alheia esses humanos peludos que nos acompanham, com lealdade imerecida, pelo tortuoso caminho planetário. A dor alheia, hoje, tem uma figura estilizada, um olhar vivaz, um sentido agudo da fidelidade e um medo profundo. Não é um galgo, mas centenas, e sua última notícia negra é o futuro incerto que lhes espera."

A SINISTRA REALIDADE DOS GALGOS ESPANHÓIS
Os Galgos Espanhóis tem sido utilizados quase que exclusivamente como uma ferramenta de caça na Espanha. Eles geralmente vivem em celeiros, em números superiores a 10 cães e a maioria quase nunca vê a luz do dia.
O foco do problema se divide em duas partes: a criação indiscriminada dos Galgos Espanhóis e o descarte massivo e cruel ao final da temporada de caça, que acontece anualmente entre setembro e janeiro. Investigações feitas pela WSPA (World Society for the Protection of Animals) nos anos de 2001 e 2002 provaram que milhares de Galgos Espanhóis são criados anualmente com a única finalidade de participarem do campeonato nacional de caça, sendo Medina del Campo seu principal centro.
Antes de 2001, a cada final de temporada, os caçadores tradicionalmente enforcavam seus Galgos Espanhóis nos pinheiros nos arredores de Medina del Campo. Os investigadores da WSPA reuniram vasta evidência fotográfica e fizeram um relatório sobre o tratamento cruel que os Galgos Espanhóis estavam recebendo. Os resultados do inquérito da WSPA, realizado nas regiões de Castilla y Leon e Castilla la Mancha com a assistência da organização espanhola Scooby (Sociedade Protetora de Animais Scooby), revelam que a antiga tradição do enforcamento de cães na Espanha continua até hoje. A WSPA estima que milhares de Galgos Espanhóis sejam criados e mortos anualmente nas zonas rurais.
A partir daí, devido às denúncias sobre o enforcamento de Galgos, os galgueiros começaram a levar os cães indesejados para os abrigos, resultando em torno de 500 cães abandonados ao final de cada temporada, a maioria de Galgos Espanhóis. Para os donos dos Galgos, os protetores são somente aqueles que recolhem o seu lixo. Para eles, um Galgo no final da temporada de caça nada mais é do que um entulho do qual eles querem se livrar. O galgueiro se aproveita da oportunidade de passar o problema adiante e desta maneira tenta limpar a própria consciência.
Praticamente qualquer pessoa pode criar Galgos Espanhóis, não existe controle algum por parte das autoridades. As leis que regulam o assunto não são cumpridas e não é aplicada nenhuma punição quando são desrespeitadas. Não há possibilidade de verificar se estas leis estão sendo violadas. A criação de Galgos Espanhóis é excessiva - uma população de cães nunca terá a chance de encontrar um lar, por isso uma nova direção foi tomada para atacar o mal pela raiz, que é a campanha contra a "criação indiscriminada de Galgos Espanhóis".
O horror do enforcamento após temporada de caça
Quando termina a temporada de caça às lebres, começa o terror para estes nobres animais.
A maioria dos Galgos Espanhóis abandonados tem por volta de dois ou três anos, e chegam geralmente em péssimas condições de saúde. Muitos são sacrificados com injeções letais antes de conseguirem chegar a um abrigo, onde teriam a chance de ter um futuro mais digno.
Na Espanha, é tradição pendurar os cães que correm mal em galhos mais baixos, onde sofrem uma morte lenta e agonizante conhecida como 'o pianista' devido à frenética tentativa de tocar suas patas no solo. Aqueles que correm bem são pendurados em galhos mais altos, resultando em uma morte mais rápida. Em algumas vilas próximas, as pessoas chegam a reclamar do barulho dos ganidos dos cães durante a noite. Essa prática tem suas raízes na tradição da nobreza espanhola: quando acabava a temporada de caça, os ricos latifundiários matavam seus Galgos com requintes de crueldade para provar seu status e com isso impor temor e respeito. Não se sabe o motivo desta tradição continuar até os dias de hoje, e não há lei que puna os responsáveis.
Galgos indesejados também são apedrejados, amarrados e deixados para morrer de fome, afogados, jogados em poços, queimados com gasolina, enterrados vivos, amarrados em carros e arrastados até a morte, envenenados, levam tiros nas patas para não seguirem os donos, são torturados com paus nas bocas para não latirem. Muitos dos que são abandonados nas ruas acabam sendo atropelados e os que têm mais sorte são largados nos abrigos. Por causa da divulgação de fotos de cães enforcados, muitos Galgos passaram a ser entregues nos abrigos, que ficam superlotados depois da época de caça - por volta de 500 galgos a cada temporada.
Atualmente, não é ilegal matar um cão por enforcamento na Andaluzia e Extremadura, onde não existem leis de proteção animal. Em Castilla y Leon, uma lei ameaçando de multa alguém que enforque um cão ainda espera ser cumprida.
O roubo de Galgos Espanhóis
De acordo com a polícia, o Galgo Espanhol é a raça de cão mais roubada no país. A polícia espanhola menciona o roubo de 1200 Galgos em 1998, mas estima-se que este número é somente o topo do iceberg, em torno de 20%.
Geralmente os caçadores consideram uma inutilidade declarar o roubo de um cão que provavelmente nunca mais vai ser encontrado. Deveria haver uma identificação do animal para que os donos pudessem encontrar seus cães em caso de roubo. Certamente são somente os melhores corredores que são vítimas de roubo, já os que correm menos são descartados. Os protetores presumem que tem um tipo de máfia por trás dos roubos, já que os ladrões sabem muito bem quais os Galgos que devem ser levados.
Todos na Espanha conhecem sobre estes abrigos afastados onde se encontram cães de corrida roubados. Há casos de Galgos Espanhóis roubados durante a caçada, em campo aberto. Os ladrões se escondem e aproveitam para pegar o cão quando ele aparece. Os cães são levados em carros em alta velocidade, em operações perigosas. Alguns dos cães são vendidos para fazendeiros e outros são usados em caçadas. De acordo com alguns galgueiros, os cães são usados repetidas vezes, até a completa exaustão, sendo depois abandonados ou coisa pior. É bem conhecido o destino dos Galgos roubados: eles são enviados de Castile e de lá vão para o sul, para Madri, Toledo e Andalusia. Os cães roubados em Toledo vão para o norte de Castile e os roubados na Andalusia terminam na Extremadura e vice-versa. Como os galgos não podem ser identificados, eles nunca retornam para seus donos.
Transmitimos uma história contada no mundo dos Galgos, porém sem provas de que seja verdadeira. Os caçadores que possuem um galgo roubado tentam ganhar a confiança dele para que ele não fuja: primeiro ele é trancado em escuridão completa sem qualquer alimento por dois ou três dias. Depois é alimentado e tem que tomar leite misturado com a urina do seu novo dono para passar a considerá-lo como seu líder.
“Este relato cruento é a crônica cotidiana do final destes animais. Parece extraordinário contemplar como animais que têm vivido assim toda sua vida, chegam a ser tão incríveis em sua bondade quando lhes dão a oportunidade de ser amados. Dizem os que lutam por eles que são os melhores animais de companhia que existem. Organizações trabalham ativamente para dar-lhes uma segunda oportunidade, e já conseguiram salvar centenas deles desde que começaram sua luta. Só pedem isso, poder salvar suas vidas, buscar famílias que os acolham — geralmente no estrangeiro, onde sabem apreciar a bondade destes animais — e outorgar um pouco de amor a sua profunda tristeza. O fazem por convicção, sem praticamente ajuda, diante da indiferença da maioria de nós, e com a passividade absoluta das autoridades. Os pequenos milagres, em forma de galgos que aprendem a confiar nos humanos, a brincar com crianças, a subir num sofá, a morrer com um pouco de dignidade, esses pequenos milagres representam fragmentos de beleza neste mundo sórdido, e em forma de pessoas que dedicam seu tempo e seu esforço para que a crueldade não triunfe completamente. Apelamos à consciência de seus donos, às administrações, que têm permitido o abuso com total impunidade. A nós, que talvez nem soubéssemos da bárbara vida e morte destes animais. De vez em quando existem esses raros momentos em que alguém pode arranhar algo parecido à bondade. Ou no mínimo, pode restringir a maldade. Este é um deles. Os Galgos estão mal, mas ainda poderão estar pior se ninguém evitar. E, certamente, que beleza quando podem amar e aprendem a ser amados! Queremos ajudá-los! Vamos impedir?”
Pilar Rahola