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segunda-feira, 5 de março de 2007

Alguns Conselhos Para Promover o Vegetarianismo

Alguns conselhos para promover o vegetarianismo e o veganismo http://www.veganoutreach.org/advocacy/conseils.html
Tradução e adaptação do artigo Tips for promoting Veganism traduzido por Laurent Dervaux.

COLOCAR-SE NO LUGAR DO OUTRO
Para promover de forma eficaz o vegetarianismo, temos que concentrar nossos esforços em :
· Informar o público com documentos credíveis, convincentes e objetivos.
· Responder perguntas objetivas
· Fornecer documentos às escolas
· Fazer campanhas com folhetos para obtermos refeições vegetarianas nos estabelecimentos públicos e demais refeitórios.
· Colaborar com os produtores para que possam existir mais pratos vegetarianos
· Fornecer às pessoas uma lista de restaurantes vegetarianos ou que proponham alternativas vegetarianas.

A experiência nos mostrou que a maneira mais eficaz de aumentarmos o número de vegetarianos é através da informação do público feita de forma construtiva e compreensiva, em vez de criarmos uma atmosfera de confronto . Colocar-se à disposição das pessoas implica paciência e habilidade e pode ser frustrante, mas vale a pena.A necessidade de divulgar informações é evidente quando compreendemos que a maior parte das pessoas não enxerga o vegetarianismo assim como nós o vemos. A maioria o enxerga como uma privação de seus alimentos preferidos, alimentos que acreditam serem necessários para se sentirem satisfeitos e sadios. Desde crianças aprenderam que comer produtos de origem animal era bom e necessário. Então é preciso que lhes forneçamos novas informações de maneira que vejam as coisas de forma diferente sem entretanto lhes colocar em uma atitude defensiva.
Além de terem que renunciar a seus alimentos preferidos, existe um outro obstáculo que dificulta a aceitação e a prática do vegetarianismo. Este obstáculo vem do fato das pessoas não quererem encarar as implicações morais da alimentação carnívora.
Recusar comer os animais, não é apenas reconhecer que estávamos errados no passado, é também mostrar implicitamente à família, aos amigos e aos colegas que isto não é correto. Essa atitude defensiva é bem compreensível e levanta um problema cuja solução não é fácil.

IDÉIAS
É preciso passar uma impressão positiva e forte do vegetarianismo, defendendo-o de maneira hábil para que ele seja bem percebido pelo público. O simples fato de ser um vegetariano auto-confiante e que se exprime bem é suficiente para induzir as pessoas a falarem sobre o tema.
Idéias que podem levar as pessoas a se informarem sobre o vegetarianismo :
· Colocar uma observação que mostra que você é vegetariano em seu endereço e-mail ou na assinatura abaixo dos emails. Algumas pessoas também incluem um link para um site web vegetariano ou uma citação célebre na assinatura de seus emails.
· Usar roupas onde apareça a palavra “Vegetariano” – pode proporcionar a ocasião de promover o vegetarianismo e de fornecer documentos às pessoas que perguntam sobre as roupas.
· Escrever artigos e cartas às revistas, jornais, inclusive aos endereços de outros grupos locais (pacifistas, ecologistas). Em vez de recitar de cor uma lista de argumentos, conte uma história para os leitores, algo que lhes permita fazer uma identificação com você. È pouco provável que, de cara, vários leitores se tornem vegetarianos, mas um texto que leve as pessoas à refletirem contribui para destruir as barreiras da resistência e da negação.
· Propor uma conferência ou um debate sobre o vegetarianismo ou os animais e a ética. As Igrejas, as universidades e os centros municipais que propõem freqüentemente séries de conferências e debates, procuram sempre palestrantes. Associações maiores podem fornecer o material necessário.
· Divulgar documentários
Para um grande número de pessoas, podemos alugar aparelhos de televisão. vídeo e salas.

· Deixar os documentos visíveis
Como por exemplo panfletos pregados em sua porta ou deixados em lojas de produtos naturais, restaurantes, bibliotecas, etc. Na internet podemos encontrar posters que podemos copiar e imprimir e que convém perfeitamente pregados em um grande quadro de aviso das universidades.

· Propor comida vegetariana.
Parece algo lógico, mas não é. Já caímos em várias armadilhas no passado e essas situações afastaram as pessoas da comida vegetariana. Uma armadilha é a de se servir pratos muito leves, o que confirma para as pessoas o preconceito de que a comida vegetariana não satisfaz e tem pouco sabor. Outra armadilha são os alimentos que têm “o mesmo gosto” do que a carne. Na maioria das vezes, isso é falso, pois o gosto é bem diferente. Último problema: servir pratos exóticos que sejam muito temperados ou estranhos demais para quem os prove. Aconselhamos então que vocês sirvam pratos fáceis de serem preparados, à base de alimentos simples (massas, batatas, feijões e leguminosas) acompanhados com diferentes tipos de molhos, por exemplo, uma entrada de houmous (pasta de grão de bico com tahini e limão). Se você servir alimentos parecidos com a carne (proteína de soja texturizada, seitan), sirva-os com temperos normais (mostarda, pepino em conserva, etc).

· Criar ou afiliar-se a um grupo local de vegetarianos
A liberação animal faz progressos graças à distribuição de grande quantidade de panfletos, graças a associações que são bem visíveis, que possuem muitos membros e que operam localmente. Algumas pessoas lerão um panfleto sobre o vegetarianismo, depois se tornarão vegetarianas por conta própria, mas a maioria das pessoas precisará de uma estrutura que as apóie, que lhes aconselhe sobre a compra de certos alimentos, de listas de restaurantes vegetarianos, de informações e referências nutricionais. Com certeza este grupo deverá responder artigos estúpidos que serão publicados, deverá tentar fazer palestras em escolas e clubes, dar cursos de culinária, colaborar localmente com as escolas e restaurantes para aumentar o número de opções vegetarianas, apoiar os estudantes que hesitem em colocar um logotipo “vegetariano” em suas roupas, etc. Há tanta coisa que um grupo local pode fazer... Para obter mais informações sobre a criação de um grupo local, entre em contato com as grandes associações ou leia o guia VUNA na internet.

· Distribuir folhetos
Em vez de fazer uma manifestação, os militantes (ou mesmo uma só pessoa, o que promove ganho de tempo para o grupo) pode ir até uma universidade (uma feira, um mercado ou algum outro evento) e propor folhetos (ou uma mesa informativa com documentos). Mesmo se este tipo de ação não traz uma vitória imediata, provoca impactos que fazem a liberação animal progredir. De que outra maneira podemos empregar eficazmente uma hora de nosso tempo?

COMO COMUNICAR
Saber comunicar de forma a levar as pessoas a refletirem não é algo que se aprende de um dia para outro. Ao longo dos anos, aprendemos a evitar um certo número de inconvenientes e entrevermos outras possibilidades.Normalmente as pessoas não reagem bem à comunicação unidirecional, nossa em direção a elas. Por exemplo, alguns militantes têm a tendência de fazerem de tudo para tentarem convencer os outros, isso lhes faz passar por fanáticos religiosos. Do mesmo modo, quando os militantes dão a impressão que tentam converter, as pessoas resistem.Um militante nos contou o que funcionou para ele: “entrei para a universidade há cerca de um ano. Duas vezes por semana eu usava minha camiseta e meu pullover que continham a palavra “Vegan”. Durante meses a fio apenas algumas pessoas fizeram observações, depois, pouco a pouco, outras pessoas passaram a me perguntar sobre o veganismo. Eu tento não enchê-las de informações mas ofereço-lhes um panfleto ou um folder maior quando isso é possível. Alguns fazem piadinhas sobre a carne, eu respondo com um sorriso e tento não me mostrar chateado. Se desejamos que as pessoas se tornem vegetarianas, devemos criar ocasiões nas quais o vegetarianismo suscite a curiosidade e não pareça algo fora de mão. É necessário que saibamos demonstrar inteligência, doçura, racionalidade, que nos mostremos como pessoas que desejaríamos ter como amigos, que desejaríamos conhecer e com as quais gostaríamos de parecer.

É difícil ficar calmo quando as pessoas caçoam de nós ou dos animais que são comidos. Mas devemos ter em mente que o mais importante é a difusão e o aumento do vegetarianismo, não a proteção de nossos egos; por isso devemos sempre responder de forma cordial propondo informações pertinentes.
Quando conversamos com uma pessoa verdadeiramente franca e sincera, devemos escutar tudo e responder da mesma forma, com honestidade. Mesmo que tenhamos uma convicção forte, devemos, todavia, reconhecer que também temos limites.
Visto que a civilização humana foi construída sobre a exploração dos humanos e dos animais, o mundo no qual vivemos traz em si uma certa ambigüidade moral. Você pode dizer, por exemplo: “Não ambiciono ter todas as respostas à pergunta Como devemos viver? Mas sei que os animais sofrem nas fazendas industriais e nos abatedouros e penso que devemos fazer o máximo para evitarmos contribuir com estes sofrimentos”.Os graus de abstinência
Podemos apresentar o veganismo de duas formas diferentes. A primeira, indicando que um vegan deve sempre pesquisar todos os ingredientes de origem animal nos produtos que compra e se abster daqueles que tiverem a mínima porcentagem deles.
A segunda atitude consiste a apresentar o veganismo dizendo que um vegan não deve se estressar constantemente para evitar todos os sub produtos de origem animal.

ARGUMENTOS ESPECÍFICOS
Antes, precisávamos de discutir sobre tudo com as pessoas, sempre com a tendência de termos um argumento a cada uma de suas objeções contra o veganismo, e assim a conversa ia até os hábitos alimentares de Jesus ou do avô carnívoro que morreu com 102 anos, ou ainda os esquimós que encalharam em uma ilha deserta ou o caso do coração de um porco que salvou um menino.
Face a estas questões, é muito difícil segurar sua língua, não dar uma resposta irônica, malvada ou racional. Mas não se trata de ganharmos um jogo, cada argumento sólido não vale um ponto. Nosso papel é o de levarmos as pessoas a mostrarem compaixão e devemos por isso sermos conscientes e respeitarmos suas motivações, seus medos, seus desejos e suas fraquezas. Devemos sempre direcionar a discussão ao fato que comer os animais causa sofrimentos e que cada um de nós pode evitar contribuir com esses sofrimentos.
Freqüentemente as pessoas usam a religião para justificarem o fato de matar os animais para comê-los. Alguns vegetarianos respondem a este argumento dizendo que Jesus era vegetariano. Mesmo se alguns dados históricos fazem crer que Jesus foi membro de uma seita vegetariana, a maioria das pessoas não acreditará nisso pois é algo que entra em contradição com toda sua vida religiosa e devotada. Utilizar este argumento nos faz passar por pessoas prontas a dizerem tudo para ganhar nossa causa, ou pessoas ainda cheias de ilusões.

Uma resposta poderia ser: “Você acha que Deus te puniria pelo fato de você não comer os animais? E se você fosse alérgico à carne?” depois, refira-se novamente ao fato que os animais também sofrem e querem viver. “Porque temos tantos alimentos na terra, comer carne é algo desnecessário. Podemos colocar em prática nossa compaixão, que Deus, segundo numerosas pessoas dizem, nos deu, e escolhermos um alimento que não faça nenhum ser sofrer”.

Vários militantes nos perguntam o que devem responder quando as pessoas falam sobre a criação de animais ao ar livre. Aconselhamos que você insista que as criações de animais do tipo “tradicional” não são controladas de forma rígida para que o bem estar dos animais possa ser assegurado, e também insista no fato dos abatedouros serem um lugar de violência e sofrimento para os animais. Enquanto os animais forem vistos como meros objetos de consumo, podemos esperar que sejam maltratados.

Até as pessoas que dizem “eu não poderia viver sem comer carne” podem ter vontade de saber um pouco mais sobre o vegetarianismo quando nós tentamos compreender o que essas pessoas sentem. Pode ser algo muito difícil para os que são vegans há muitos anos, para quem comer vegetais é algo tão fácil e se tornou um hábito natural. Pode ser difícil para essas pessoas se lembrarem como o vegetarianismo pode soar para alguém que baseia sua alimentação no consumo de produtos animais. Respondemos que “a maioria dos que hoje em dia são vegetarianos ou vegans, um dia também sentiram que nunca poderiam parar de comer carne (dê um exemplo pessoal)... alguns reduzem pouco a pouco os produtos animais, parando de comer presunto no café da manhã, logo depois parando de comê-lo no almoço e, depois, no jantar. Talvez mais tarde possa parar também todos os outros produtos de origem animal. Quanto menos consumirmos os produtos oriundos dos animais, menos os animais sofrerão.

Erik Marcus aborda bem o problema em seu livro Vegan : The New Ethics of Eating :
"Quando comecei a me interessar pelo vegetarianismo e pelo veganismo, escolhi descobrir receitas de outros países ou um novo tipo de alimento a cada semana. Na primeira semana descobri a cozinha indiana, na outra, um cereal estranho chamado “quinoa”. A cozinha tailandesa, a do Oriente Médio, o seitan, o levedo de cerveja. Em pouco tempo meu cardápio estava mais variado e rico em diversidade e sabor do que o antigo, quando comia carne”.
· Depois de termos vencido várias etapas, esperamos muito dos outros
Um vegetariano recente geralmente tenta discutir suas idéias novas com os outros, e fica surpreso com sua família e seus amigos que geralmente opõem uma certa resistência a estas novas idéias e também reagem com raiva ou ridicularizando-as. Adicionado a este fato, a maior parte dos vegetarianos vê os comedores de carne como pessoas que apóiam uma certa forma de crueldade e passam a desenvolver contra os onívoros um sentimento próximo ao ódio.
Efetivamente, para o vegetariano parece ser quase um dever evitar os onívoros e boicotar toda reunião onde haja carne.
Muitos de nós passamos por essa fase e muitos vegetarianos antigos lamentam por terem cedido à raiva e à indignação no início.

Entretanto, para mudarmos a forma como a sociedade trata os animais, é preciso que a compaixão que sentimos por eles transpareça através da dor que sentimos face à exploração que sofrem. As pessoas apenas se interessarão ao vegetarianismo se nos fizermos respeitar e admirar, em vez de nos considerarem como frios e moralizadores.Esperamos que os outros reajam exatamente como nós. Daí vem a grande dificuldade que temos em nos manter amáveis e dóceis. Devemos realmente compreender os outros, lhes dar tempo para administrarem suas próprias situações, em vez de envenenarmos os relacionamentos, fazermos inimigos e alimentarmos o esteriótipo do vegetariano extremista e agressivo.

Mesmo que seja difícil, é, com certeza, preferível tanto em nossos relacionamentos com os outros quanto para a nossa boa saúde mental, que não esperemos muito das pessoas. O que não significa que o sofrimento animal deva ser esquecido. É importante dizer honestamente o que você sente. Enquanto mantermos a amabilidade e a tolerância, nosso exemplo durável de vegetariano, combinado com as informações que passamos, torna-se uma força positiva para as pessoas.

Se desejamos que as pessoas compreendam, respeitem e se identifiquem com os animais, devemos ter esse mesmo comportamento com aqueles com quem conversamos.

Mesmo se várias informações disponíveis atualmente não estejam atualizadas ou estejamos mal documentados, podemos encontrar outros documentos para nos ajudar a melhor conhecermos todos os pontos que possam ser abordados, por exemplo os documentos das sociedades vegetarianas acessíveis pela internet.Além disso, ninguém precisa ser uma enciclopédia viva. As razões mais simples para se tornar vegetariano são, geralmente, as mais persuasivas: “Eu não gosto de sofrer e, por essa razão, não quero que os animais sofram”.

Há várias maneiras de abordar a situação dos animais não-humanos. Nos Estados Unidos, alguns acentuam as noções de justiça e de direitos, que convém bem aos ideais americanos. Os que se referem aos direitos dos animais referindo-se à noção moral do que é justo, mostram às pessoas, que acreditam neste mesmo ideal, que a noção de justiça deve também incluir os animais não-humanos. Outros se apóiam na necessidade de ajudar os outros, de cuidar dos outros, e falam de compaixão, de dor, do horror sentido face aos sofrimentos dos animais.

Vendo como as pessoas reagem quando respondem às nossas perguntas, podemos decidir que que tipo de argumento usaremos : ética ou compaixão. Claro que várias pessoas dão importância aos dois (a moral e a compaixão).

As pessoas detestam a injustiça pois causa o sofrimento de vítimas inocentes. Você pode dizer então: “Muitos crêem que a compaixão e o ideal de um mundo mais justo devam governar nossas relações com os animais”. As pessoas procuram ser lógicas, no que concerne suas idéias. Mostre-lhes que a preocupação com o sofrimento dos animais e a preocupação com o que é moralmente justo conduz a recusarmos explorar os animais.

OBSERVAÇÕES FINAIS
A evolução moral e espiritual que buscamos precisa de tempo e paciência para ser realizada.

O combate pela paz e pela justiça é tão velho quanto a humanidade. Para sermos capazes de militarmos até o fim de nossos dias, devemos também cuidar de nós fisicamente, emocionalmente e espiritualmente.