Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pela Lei dos Direitos Autorais (Lei nº 9610) e toda e qualquer reprodução, parcial ou total, de um texto de minha autoria sem autorização está terminantemente proibida! Portanto, usem suas próprias cabeças para escrever no seu site, ok?! Ou sejam humildes e peçam autorização. Obrigada

domingo, 7 de julho de 2013

Mas meu cachorro sabe o que fez! Será?

A maioria das pessoas tem certeza que os cães sabem, sim, que fizeram algo de errado. Isto porque, quando chegam em casa, seus cães os recebem não com aquela alegria, rabo abanando, pulos e lambidas, mas, sim, com o corpo abaixado, rabo entre as pernas e o famoso “olhar de culpa”. Então, ao dar uma olhada rápida no ambiente, voilá! Tapete mastigado, sofá destruído, livros rasgados. O dono, achando que o cão já sabe que aprontou, dá uma bela bronca. Mas, longe de melhorar a situação, esta só piora e o quadro de destruição aumenta a cada saída. E aí?

Vamos analisar o caso da bronca, que é a resposta comum da maioria das pessoas. O que a punição faz é “ativar” uma sequência do condicionamento clássico:
visão do dono + itens destruídos → dor da punição → medo
O que isso significa? Que, da próxima vez que o dono chegar em casa e todos os componentes estiverem na cena (a visão do dono e bagunça no chão), o cão mostrará o medo condicionado. É o medo que faz o cão recepcionar o dono desta maneira, e não a culpa.

A verdade é que os cães não têm senso de moral, do que é certo e errado. Certo e errado são conceitos que nós, humanos, temos, por termos sido criados em uma cultura que define estas regras. Alexandra Horowitz, autora do livro “Inside of a Dog” (A Cabeça do Cachorro, em português), fez um experimento com cães para determinar se eles realmente se sentem culpados. O dono mostraria um petisco ao cão, não o deixaria pegá-lo mas deixaria ao alcance do cão. Logo depois, o dono sai da sala. Quem permanece na sala: cão, petisco e uma câmera. O cão tem a chance de fazer o que é errado! Nos experimentos acontecia uma das três coisas: o cão pegava o petisco; o pesquisador dava o petisco ao cão; o pesquisador tirava o petisco da sala. Na maioria das vezes, com a volta do dono à sala, o cão aparentava se sentir culpado, tendo ou não comido o petisco! E os cães que eram repreendidos eram os que mais demonstravam os sinais de “culpado”. Ou seja: o cão associa o dono com a punição, não o ato.

Como? O cão antecipa a punição, como explicado anteriormente, pois eles associam rapidamente os eventos. Exemplo: o cão chora e ganha atenção do dono. O que ele faz para ganhar mais atenção? Chora mais ainda. Na mente do cão, destruir os objetos da casa faz com que o dono apareça, mesmo que isso demore, que é seguida da punição. A mera presença do dono é o bastante para convencer o cão de que será punido. A chegada do dono está ligada à punição, muito mais do que a bagunça na casa.

Não puna seu cão: ele não sabe o motivo de você estar tao bravo com ele (afinal, ele destruiu as coisas há muito tempo atrás). Ao invés disso, limpe a sujeira sem demonstrar irritação e, antes de sair de casa da próxima vez, passeie com seu cão, faça enriquecimento ambiental, ofereça a comida em brinquedos dispensadores de comida. Um cão que tem o que fazer física e mentalmente dificilmente apronta.

Para saber mais:
  • How Dog's Think – Stanley Coren
  • Inside of a Dog – Alexandra Horowitz

4 comentários:

Kátia disse...

Adorei o texto direto e claro!
Vou recomendar para a minha cliente.

Maycon Belmiro disse...

Belo texto, ao invés de punir é bem mais vantajoso levar o cão para um longo passeio matinal antes que tenhamos que sair de casa e quando deixarmos ele sózinho temos que ter certeza que ele tenha os objetos que mais gosta de brincar ao seu alcance e sempre que possivel interagir com ele e este objeto para que ele aprenda que brincar com ele é permitido e só dar bronca quando estiver presenciando o acontecimento !

Amor disse...

Boa tarde Fulvia, adoro seus textos e gostaria de saber se posso duplicá-los em minha pagina do face na íntegra (com sua assinatura claro!), possuo uma casa de ração e amo os animais. Whippet Casa de Ração e Acessórios para animais em Itanhaém SP. Se procurar me acha.
Meu face Marcia Brossi
Att
Márcia Brossi

Má Durante disse...

Fúlvia, adorei esse texto. Não imaginava que funcionasse assim. Então eu fico aliviada de saber que mesmo depois do sofá rasgado ele me recebeu com todo amor e saltitando que nem um doido. rs Mas e no caso de ver a coisa errada no momento? Por exemplo, fazendo xixi no tapete, comendo planta, querendo brincar com os pedaços de casca de árvore (aquelas que ficam de enfeite no vaso), querendo tirar o enchimento da caminha, tentativas de subir na mesa e entre outros?

Um beijo
Maíra