As mudanças afetam não somente nós, humanos, mas também os nossos cães. Não somente as mudanças de endereço, mas as mudanças de rotina também. Por isso é sempre importante que, ao acontecer algo que mude a rotina do cão num futuro próximo (como a chegada de um bebê, dono que se casa, divórcio etc), façamos a mudança gradativamente com o cão, para que, na hora H, ele não sofra tanto.
Hoje vou falar de uma mudança que ocorreu somente este ano aqui em casa: a volta à aulas. Letícia, nossa filha mais velha, começou a frequentar a escola este ano. No começo do ano, fui adaptando a Suzie a ficar mais comigo e menos com a Letícia; quando a Lê começou a ir à escola, eu levava a Suzie junto para ela ver a irmãzinha entrar em outro local. Isso a tranquilizou (nos dias que eu não a levava, logo no começo - normalmente devido à chuva -, ela ficava em casa deitada na cama da Letícia até que ela voltasse da escola).
Quando a Letícia entrou em férias, foi aquela farra. As duas brincavam juntas, ficavam no sofá juntas, enfim, passavam boa parte do tempo juntas. Mas eu sabia que isso um dia iria acabar: afinal, as aulas voltariam e, com elas, a antiga rotina de ficar a manhã sem a maninha. Então, alguns dias pela manhã eu saía só com a Letícia: íamos na biblioteca; brincar na praça; feira... Fui tentando tornar a mudança algo mais fácil pra Suzie (pra Letícia não foi, ela voltou chorando pra escola, mas hoje já está normal, feliz de ir).
Mesmo assim, a Suzie sentiu a mudança da rotina e, com a volta às aulas da Letícia, ficou mais tristonha. E eu não tenho mais levado ela junto na escola, por um motivo muito simples: daqui algumas semanas não terei condições de levar todo mundo caminhando pra escola: Letícia, Suzie, Laura e mochila... risos. Então essa é uma mudança que eu precisava fazer agora, pra não ser um choque depois (e as duas sentiram essa mudança, já que a Letícia até hoje reclama que eu não levo mais a Suzie junto).
Mas então, o que fazer quando o cão sente a volta dos irmãos humanos à escola? Como disse anteriormente, faça as adaptações na rotina ainda nas férias escolares: o cachorro vai passar a manhã sozinho? Então comece a deixá-lo só por algumas horas. Nestas horas, não deixe seu cão entediado, sem ter o que fazer: dê uma atividade a ele! Ofereça brinquedos como quebra-cabeças, Kong recheado, um osso diferente. Enriquecimento ambiental! E não somente quando ele for ficar sozinho: senão ele associará tudo isso a ficar sozinho e pode até desenvolver ansiedade de separação. Faça isso também enquanto estiver em casa, vendo um filme com seus filhos, por exemplo.
E que tal fazer alguma atividade com seu cão, se você tiver tempo, enquanto os filhos estão na escola? Aula de obediência em grupo (ou você mesmo ensinar algo novo, se dedicar uma horinha por dia ao seu cão), agility... Ou mesmo uma caminhada mais longa, só você e seu peludo. As aulas darão um estímulo mental ao cão, o que é ótimo!
O uso de florais, aliado ao trabalho comportamental (somente os florais não irão ajudar!), facilitarão ao cão se adaptar às mudanças sem muito estresse. E, se ele já apresenta sinais de ansiedade (destruir as coisas em casa, latidos excessivos, urinar/defecar em locais incorretos), conte com a ajuda de um profissional capacitado para que ajude-os o quanto antes.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Meu filhote só quer saber de morder, e agora?
Essa semana respondi a uma dúvida de leitor no site da querida amiga Ana Corina, do Mãe de Cachorro.
Para ler na íntegra o motivo das mordidas dos filhotes, clique aqui. E aproveite e leia todo o site, que tem muitas informações úteis!
Para ler na íntegra o motivo das mordidas dos filhotes, clique aqui. E aproveite e leia todo o site, que tem muitas informações úteis!
quinta-feira, 26 de julho de 2012
A Jornada
Entre os vários livros que leio para estudar, me deparei com estes parágrafos que achei maravilhosos e gostaria de compartilhar aqui algumas partes, que achei simplesmente o máximo. Espero que, como eu, vocês também gostem.
A Jornada
Quando você resolve dividir sua vida com um cão, começa uma jornada incrível - uma jornada que lhe trará tanto amor e devoção como você nunca imaginou, além também de testar sua força e coragem.
Se você prestar atenção e aprender direitinho, quando a jornada acabar você não será apenas uma pessoa melhor, mas a pessoa que seu cão sempre soube que você seria: aquele que ele tem orgulho de chamar de melhor amigo.
Fonte: Livro "Changing People, Changing Dogs - positive solution for difficult dogs" de Dee Ganley
A Jornada
Quando você resolve dividir sua vida com um cão, começa uma jornada incrível - uma jornada que lhe trará tanto amor e devoção como você nunca imaginou, além também de testar sua força e coragem.
Se você permitir, a jornada lhe ensinará muitas coisas sobre a vida, sobre você mesmo e, acima de tudo, sobre relacionamentos. Você mudará, pois uma alma não pode tocar outra sem deixar sua marca.
No caminho, você aprenderá a aproveitar os prazeres simples da vida - deitar ao sol, correr na grama, um carinho. Claro que haverá momentos bons e ruins durante esta jornada.
Se verá fazendo coisas bobas, que seus amigos que não tem um cão não entenderão. Coisas como ficar meia hora procurando a melhor comida para seu cão; comprar petiscos para ele no aniversário ou dar mais uma volta no quarteirão porque ele está adorando o passeio. Você não se importa de brincar com o filhote de roupão pela casa.
Sua casa ficará um pouco mais suja e cheia de pelos. Vai vestir menos roupas pretas e comprar mais rolos para retirar pelos. Encontrará petiscos nos bolsos das suas roupas. Precisa explicar que aquela garrafa pet ou caixa de papelão viraram enfeites na sua sala porque são brinquedos que seu cão simplesmente ama.
Aprenderá o que é o amor verdadeiro, aquele que diz "não importa onde estivermos ou o que faremos, ou como a vida nos trata, desde que estejamos juntos". Respeite isso. É o presente mais precioso que qualquer ser vivo pode dar a outro. E você não o encontrará tão facilmente entre a raça humana.
E você aprenderá humildade. O olhar dos cães podem nos fazer sentir envergonhados. Tanto amor e alegria com nossa simples presença. Estes olhos que não veem defeitos em nós, que podemos ser teimosos e até mesmo rudes: veem apenas um ótimo companheiro. Ou, talvez, eles veem tais defeitos mas os rejeitam, como se fossem apenas nossas meras fraquezas, que não importam para eles, e escolhem nos amar do mesmo jeito.
Fonte: Livro "Changing People, Changing Dogs - positive solution for difficult dogs" de Dee Ganley
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Punição Positiva: porque eu não a uso
A punição positiva nada mais é que aquela onde fazemos algo que incomoda, assusta (ou machuca) o cão. O tranco na guia é um exemplo clássico. Eu não acredito que seja algo útil quando estamos educando um cão, pois ela faz com que o cão tenha medo de nós, coisa que não desejamos (queremos uma relação amigável com eles, não é?!).
Mas, o que acontece com o cão quando usamos de punição na sua educação? Alguns cães podem até parecer que não ligam para o fato de darmos tranco em sua guia, mas pode levá-los a agir de forma mais agressiva (agressividade gera agressividade). Outros cães, mais sensíveis, podem ter o que se chama de "desamparo aprendido", ou seja, ele simplesmente desiste: não oferece mais nenhum comportamento, fica sempre amuado em um canto, pois não sabe se será ou não punido pelo seu dono.
Por exemplo: estamos ensinando o cão a deitar. Ele senta e damos um tranco na guia, gritamos com ele. Ele tenta de novo, não deita e repetimos a punição. O guiamos para deitar, ele deita e o elogiamos. O cão aprende que: deve apenas esperar uma ação do dono para fazer algo, uma ajuda, pois se ele tentar algo por ele mesmo, levará uma bronca. Então, o cão fica apático, está sempre num cantinho, evita fazer qualquer coisa.
Muita gente pode pensar que é um cão super educado, afinal, não faz nada de errado. Mas, na minha opinião, ele não faz nada! Não tem liberdade para ser um cão, para brincar, roer, tentar comportamentos novos. Fica ali, paradinho... é uma sombra de um cão.
Já quando não usamos a punição positiva, o cão tem liberdade de tentar sempre novos comportamentos; tem aquele brilho no olhar quando interagimos com ele. Vê-se que é um cão mais feliz.
O que você prefere?
Mas, o que acontece com o cão quando usamos de punição na sua educação? Alguns cães podem até parecer que não ligam para o fato de darmos tranco em sua guia, mas pode levá-los a agir de forma mais agressiva (agressividade gera agressividade). Outros cães, mais sensíveis, podem ter o que se chama de "desamparo aprendido", ou seja, ele simplesmente desiste: não oferece mais nenhum comportamento, fica sempre amuado em um canto, pois não sabe se será ou não punido pelo seu dono.
Por exemplo: estamos ensinando o cão a deitar. Ele senta e damos um tranco na guia, gritamos com ele. Ele tenta de novo, não deita e repetimos a punição. O guiamos para deitar, ele deita e o elogiamos. O cão aprende que: deve apenas esperar uma ação do dono para fazer algo, uma ajuda, pois se ele tentar algo por ele mesmo, levará uma bronca. Então, o cão fica apático, está sempre num cantinho, evita fazer qualquer coisa.
Muita gente pode pensar que é um cão super educado, afinal, não faz nada de errado. Mas, na minha opinião, ele não faz nada! Não tem liberdade para ser um cão, para brincar, roer, tentar comportamentos novos. Fica ali, paradinho... é uma sombra de um cão.
Já quando não usamos a punição positiva, o cão tem liberdade de tentar sempre novos comportamentos; tem aquele brilho no olhar quando interagimos com ele. Vê-se que é um cão mais feliz.
O que você prefere?
terça-feira, 26 de junho de 2012
Antropomorfizar: quando é bom e quando não é
Com os cães fazendo cada vez mais parte da nossa família, morando dentro de nossas casas e não mais no quintal, fica difícil não antropomorfizá-los (tratá-los como humanos). E, como tudo, existe o jeito certo e o jeito errado de fazê-lo.
Infelizmente a maioria dos donos não antropomorfiza do jeito certo. Tratam os cães como se fossem humanos com casaco de pele; creditam sentimentos humanos aos cães; desculpam os cães por seu comportamento indisciplinado, sem ao menos querer saber o motivo que os levam a agir assim; dão alimentos inadequados a eles; não deixam os cães agirem como tal (cheirarem o bumbum de outros cães; cheirarem postes; rolarem na grama etc); desejam tentar entendê-lo como humanos, ao invés de tentar aprender mais sobre comportamento e linguagem canina. Dessa forma, criamos cães meio amalucados, que não sabem se portar como cães que são, e que acabam trazendo muitos problemas para seus donos (como agressividade, comportamentos compulsivos, medo etc).
Então, qual seria o jeito certo? Tratá-los como trataríamos nossos filhos. O quê? Como assim? Simples: com as crianças nos preocupamos em socializá-las com outras para aprender a dividir os brinquedos, a se comportar (não bater, não morder etc); nos preocupamos em educá-las (ou ao menos deveria), as estimulamos física e mentalmente. E com os cães? Simplesmente levamos nosso cão para uma simples volta no quarteirão para fazer suas necessidades; saímos para trabalhar e o deixamos em casa sem nenhum estímulo; não o socializamos com outros cães e pessoas (ele só conhece aquelas que vivem com ele); achamos que um educador canino é "bobagem". O resultado: acabamos com um cão frustrado, com excesso de energia e indisciplinado.
"Ah, mas ele come da melhor ração, dou sempre petiscos para ele, ele usa perfume, toma banho toda semana, gasto bastante com ele". Tudo bem, você pode continuar fazendo isso, mas SÓ ISSO não supre as necessidades dos cães. Eles precisam de estímulos físicos e mentais diariamente para se tornarem equilibrados e saudáveis (e com isso, nosso relacionamento melhorar).
E como fazê-lo? Igual com as crianças: socializar o cão com outros cães, sempre, filhotes e adultos (se seu cão for filhote, leve-o para casas de amigos que tenham cães amigáveis e saudáveis; convide amigos com cães saudáveis e amigáveis para ir até sua casa); socializar o cão com outras pessoas (crianças, idosos, homens de chapéu, carteiros, garis, mulheres, pessoas em cadeira de rodas, adolescentes, pessoas correndo, andando de bicicleta (patins, skate), etc); socializar o cão com objetos e ambientes (aspirador, liquidificador, vassoura, carro, rua, avenida, estacionamento, parque, barulhos diversos); educá-lo (contrate um educador canino responsável, que use métodos que não punam o cão); passeie no mínimo 1h por dia com ele; brinque com ele; ofereça brinquedos que o distraia enquanto fica sozinho em casa (Kong recheado, petiscos espalhados pela casa, quebra-cabeças canino; brinquedos dispensadores de comida); pratique alguma atividade com ele (mas antes converse com seu veterinário para saber qual o estado de saúde de seu cão e veja se ele pode fazer); mantenha-o no peso (cães obesos e com sobrepeso desenvolvem uma série de doenças e tem a sua expectativa de vida reduzida); cuide de sua saúde física (escová-lo regularmente, banhá-lo sem exagero (nada de perfume!), escovar seus dentes e examiná-lo diariamente, cortar ou lixar suas unhas, limpar os ouvidos), procure dar o melhor alimento para ele (seja ração ou Alimentação Natural); evite o excesso de vacinas (procure um profissional que faça um protocolo de vacinação personalizado). Esse é o jeito certo de tratar um cão como um humano, sem esquecer que ele é um cão.
Infelizmente a maioria dos donos não antropomorfiza do jeito certo. Tratam os cães como se fossem humanos com casaco de pele; creditam sentimentos humanos aos cães; desculpam os cães por seu comportamento indisciplinado, sem ao menos querer saber o motivo que os levam a agir assim; dão alimentos inadequados a eles; não deixam os cães agirem como tal (cheirarem o bumbum de outros cães; cheirarem postes; rolarem na grama etc); desejam tentar entendê-lo como humanos, ao invés de tentar aprender mais sobre comportamento e linguagem canina. Dessa forma, criamos cães meio amalucados, que não sabem se portar como cães que são, e que acabam trazendo muitos problemas para seus donos (como agressividade, comportamentos compulsivos, medo etc).
Então, qual seria o jeito certo? Tratá-los como trataríamos nossos filhos. O quê? Como assim? Simples: com as crianças nos preocupamos em socializá-las com outras para aprender a dividir os brinquedos, a se comportar (não bater, não morder etc); nos preocupamos em educá-las (ou ao menos deveria), as estimulamos física e mentalmente. E com os cães? Simplesmente levamos nosso cão para uma simples volta no quarteirão para fazer suas necessidades; saímos para trabalhar e o deixamos em casa sem nenhum estímulo; não o socializamos com outros cães e pessoas (ele só conhece aquelas que vivem com ele); achamos que um educador canino é "bobagem". O resultado: acabamos com um cão frustrado, com excesso de energia e indisciplinado.
"Ah, mas ele come da melhor ração, dou sempre petiscos para ele, ele usa perfume, toma banho toda semana, gasto bastante com ele". Tudo bem, você pode continuar fazendo isso, mas SÓ ISSO não supre as necessidades dos cães. Eles precisam de estímulos físicos e mentais diariamente para se tornarem equilibrados e saudáveis (e com isso, nosso relacionamento melhorar).
E como fazê-lo? Igual com as crianças: socializar o cão com outros cães, sempre, filhotes e adultos (se seu cão for filhote, leve-o para casas de amigos que tenham cães amigáveis e saudáveis; convide amigos com cães saudáveis e amigáveis para ir até sua casa); socializar o cão com outras pessoas (crianças, idosos, homens de chapéu, carteiros, garis, mulheres, pessoas em cadeira de rodas, adolescentes, pessoas correndo, andando de bicicleta (patins, skate), etc); socializar o cão com objetos e ambientes (aspirador, liquidificador, vassoura, carro, rua, avenida, estacionamento, parque, barulhos diversos); educá-lo (contrate um educador canino responsável, que use métodos que não punam o cão); passeie no mínimo 1h por dia com ele; brinque com ele; ofereça brinquedos que o distraia enquanto fica sozinho em casa (Kong recheado, petiscos espalhados pela casa, quebra-cabeças canino; brinquedos dispensadores de comida); pratique alguma atividade com ele (mas antes converse com seu veterinário para saber qual o estado de saúde de seu cão e veja se ele pode fazer); mantenha-o no peso (cães obesos e com sobrepeso desenvolvem uma série de doenças e tem a sua expectativa de vida reduzida); cuide de sua saúde física (escová-lo regularmente, banhá-lo sem exagero (nada de perfume!), escovar seus dentes e examiná-lo diariamente, cortar ou lixar suas unhas, limpar os ouvidos), procure dar o melhor alimento para ele (seja ração ou Alimentação Natural); evite o excesso de vacinas (procure um profissional que faça um protocolo de vacinação personalizado). Esse é o jeito certo de tratar um cão como um humano, sem esquecer que ele é um cão.
sábado, 5 de maio de 2012
Como mostrar que você ama seu cão (sem entupi-lo de comida)
Quem nunca deu um agradinho em forma de comida para o cão quando ele nos dá aquele olhar, que jogue a primeira pedra. Temos a tendência de querer agradar nossos cães como agradamos alguém que amamos: pelo estômago. Mas, comida não é tudo o que um cão precisa e, algumas vezes, é a última coisa que eles precisam. Estar acima do peso é tão prejudicial para os cães quanto é para nós mas, mesmo assim, temos dificuldade em recusar dar agrados gastronômicos aos nossos fiéis amigos peludos.
Algumas vezes damos comida porque não sabemos o que o cão quer naquele momento (ou nos recusamos a aceitar que ele quer passear ao invés de comer um pedaço de queijo, por exemplo). Então, vamos aumentar nosso repertório para deixar nossos cães felizes e saudáveis?
Primeiro: cães precisam de companhia. Não adianta querermos ter um cão se ele viverá sozinho no quintal ou no canil, nos vendo somente quando for a hora da comida e de trocar a água. Eles precisam de nós, ou pelo menos da companhia de outro cão, para serem felizes.
Cães também precisam de exercício, tanto físico quanto mental. Isso mesmo: o cérebro de nossos cães também precisa ser estimulado. Tudo bem, você chega exausto do trabalho mas, se, assim como eu, escolheu ter um cão, ele precisa mais do que um simples abrir de portas e ir dar uma voltinha no quintal (ou ser levado para passear por apenas 5 minutinhos e nada mais). Mas não é difícil prover o que nossos cães precisam: 15 minutos de treino (seja ensinar um novo truque, ou mesmo praticar os comandos que ele já sabe), 15 minutos de brincar de bolinha (ou de cabo-de-guerra). Um passeio é ótimo também, desde que tenha no mínimo meia hora. Mas, será que meia hora é suficiente? Normalmente, não... risos. Os cães precisam de bastante exercício, senão vão gastar a energia de outra forma (aprontando em casa, claro). A quantidade de exercício vai depender da raça do seu cão, da idade dele, do tipo de alimentação, da saúde etc. Se você tem um shih-tzu de 6 anos, a rotina de exercícios será menor do que se você tiver um beagle de 3 anos. Veja o meu caso: minha Whippet está com 7 anos, come alimentação natural e não tem nenhuma doença. Para ela a rotina ideal de exercícios é: 2h diárias de caminhada (dividida em 2 passeios); corridas sem guia (diariamente, na garagem, por 5 a 10 minutos); 15 a 20 minutos de treino de obediência; brincadeiras com a gente; enriquecimento ambiental. Assim ela fica sossegada e não apronta quando está em casa. Menos que isso, ela começa a aprontar.
Falei do estímulo físico mas, e o mental? Coisas simples, como mudar a rota do passeio, já é uma forma de estímulo mental. Existem os chamados brinquedos inteligentes, onde você coloca parte da comida do cão (ou toda ela) dentro deles e o cão precisa "trabalhar" para conseguir comer. São Kongs, bolas ocas que contém buracos e o cão precisa rolá-las, ou bater nelas, para que caia a comida (ou petiscos); garrafas pet com buracos (brinquedo feito em casa que faz o maior sucesso!); esconder petiscos e brinquedos pela casa e ensinar o cão a "procurá-los". Tudo é uma forma de estimulação mental.
Lembre-se também que cães de trabalho (pastores, retrievers, hounds, terriers etc), tendem a ser mais agitados que cães de companhia e, consequentemente, requerem uma rotina de exercício maior. E tamanho nem sempre indica a quantidade de exercício requerida: o Greyhound, que é um cão de porte grande, é o típico cachorro de sofá; já o Jack Russell Terrier, pequeno de cerca de 30cm, é um atleta e tanto e precisa gastar bastante energia.
Resumindo: o que determina o quanto você vai precisar se dedicar ao cão é a raça, idade e personalidade dele. Leve tudo isso em consideração porque, muitos dos problemas de comportamento que vejo hoje nos cães é devido a falta de exercício.
Um belo passeio pode deixar seu cão mais feliz (e amar ainda mais você) do que se você lhe der um biscoito. Além de vocês dois se divertirem, fará um bem enorme para a saúde de ambos (nada de gordurinhas extras para vocês. Quer coisa melhor?). Aqui, Suzie esperando ser solta da guia para poder correr livremente.
Algumas vezes damos comida porque não sabemos o que o cão quer naquele momento (ou nos recusamos a aceitar que ele quer passear ao invés de comer um pedaço de queijo, por exemplo). Então, vamos aumentar nosso repertório para deixar nossos cães felizes e saudáveis?
Primeiro: cães precisam de companhia. Não adianta querermos ter um cão se ele viverá sozinho no quintal ou no canil, nos vendo somente quando for a hora da comida e de trocar a água. Eles precisam de nós, ou pelo menos da companhia de outro cão, para serem felizes.
Cães também precisam de exercício, tanto físico quanto mental. Isso mesmo: o cérebro de nossos cães também precisa ser estimulado. Tudo bem, você chega exausto do trabalho mas, se, assim como eu, escolheu ter um cão, ele precisa mais do que um simples abrir de portas e ir dar uma voltinha no quintal (ou ser levado para passear por apenas 5 minutinhos e nada mais). Mas não é difícil prover o que nossos cães precisam: 15 minutos de treino (seja ensinar um novo truque, ou mesmo praticar os comandos que ele já sabe), 15 minutos de brincar de bolinha (ou de cabo-de-guerra). Um passeio é ótimo também, desde que tenha no mínimo meia hora. Mas, será que meia hora é suficiente? Normalmente, não... risos. Os cães precisam de bastante exercício, senão vão gastar a energia de outra forma (aprontando em casa, claro). A quantidade de exercício vai depender da raça do seu cão, da idade dele, do tipo de alimentação, da saúde etc. Se você tem um shih-tzu de 6 anos, a rotina de exercícios será menor do que se você tiver um beagle de 3 anos. Veja o meu caso: minha Whippet está com 7 anos, come alimentação natural e não tem nenhuma doença. Para ela a rotina ideal de exercícios é: 2h diárias de caminhada (dividida em 2 passeios); corridas sem guia (diariamente, na garagem, por 5 a 10 minutos); 15 a 20 minutos de treino de obediência; brincadeiras com a gente; enriquecimento ambiental. Assim ela fica sossegada e não apronta quando está em casa. Menos que isso, ela começa a aprontar.
Falei do estímulo físico mas, e o mental? Coisas simples, como mudar a rota do passeio, já é uma forma de estímulo mental. Existem os chamados brinquedos inteligentes, onde você coloca parte da comida do cão (ou toda ela) dentro deles e o cão precisa "trabalhar" para conseguir comer. São Kongs, bolas ocas que contém buracos e o cão precisa rolá-las, ou bater nelas, para que caia a comida (ou petiscos); garrafas pet com buracos (brinquedo feito em casa que faz o maior sucesso!); esconder petiscos e brinquedos pela casa e ensinar o cão a "procurá-los". Tudo é uma forma de estimulação mental.
Lembre-se também que cães de trabalho (pastores, retrievers, hounds, terriers etc), tendem a ser mais agitados que cães de companhia e, consequentemente, requerem uma rotina de exercício maior. E tamanho nem sempre indica a quantidade de exercício requerida: o Greyhound, que é um cão de porte grande, é o típico cachorro de sofá; já o Jack Russell Terrier, pequeno de cerca de 30cm, é um atleta e tanto e precisa gastar bastante energia.
Resumindo: o que determina o quanto você vai precisar se dedicar ao cão é a raça, idade e personalidade dele. Leve tudo isso em consideração porque, muitos dos problemas de comportamento que vejo hoje nos cães é devido a falta de exercício.
Um belo passeio pode deixar seu cão mais feliz (e amar ainda mais você) do que se você lhe der um biscoito. Além de vocês dois se divertirem, fará um bem enorme para a saúde de ambos (nada de gordurinhas extras para vocês. Quer coisa melhor?). Aqui, Suzie esperando ser solta da guia para poder correr livremente.
sábado, 28 de abril de 2012
Como funciona a obediência canina
Os cães, assim como qualquer animal que tenha cérebro, fazem aquilo que funciona.
O comportamento está, digamos assim, sob controle de consequências, então, a obediência canina nada mais é que prover consequências ao cão. Existem quatro tipos de consequências:
1. Coisas boas começam (reforço positivo)
2. Coisas boas acabam (punição negativa)
3. Coisas ruins começam (punição positiva)
4. Coisas ruins acabam (reforço negativo)
O cão constantemente tenta começar algo bom, terminar algum ruim, evitar acabar com algo bom e evitar começar algo ruim. Quando sabemos disso, conseguimos controlar nosso cão.
Algumas vezes não sabemos direito o que é "bom" e "ruim" para o cão e acabamos reforçando exatamente um comportamento que não desejamos, além de perder oportunidades valiosas.
Vamos lá. Você tem acesso a tudo o que seu cão gosta: comida, o mundo lá fora, atenção, outros cães, odores, brincadeiras. Os brinquedos criam vida quando na sua mão! Você tem polegares opostos que podem abrir portas e potes. Muitos reconhecem isso, mas ainda assim esperam que o cão obedeça por gratidão: já que proporcionamos tudo isso, nada mais justo que ele nos obedeça. Isso só vai funcionar se você fizer o cão fazer a parte dele PRIMEIRO em toda e qualquer troca. Ou seja, você deve fazer de um jeito que, se o cão quiser brincar com outros cães no parque ou que a porta da frente seja aberta, ele precisa obedecer primeiro. Lembre-se: ele precisa fazer a parte dele ANTES e então você providencia o que ele quer. Assim ele verá a obediência como o meio de obter o que quer, ao invés de pensar que é algo que interfere no que ele quer.
Controle as coisas boas da vida do seu cão - pare de dá-las gratuitamente. Afinal, nada é de graça: você sempre reforça algo quando abre a porta, passeia com o cão, começa uma brincadeira. Isso porque o cão sempre está fazendo algo e este algo é reforçado quando algo bom acontece. Esteja ciente disso e selecione o comportamento que deseja reforçar ao invés de reforçar qualquer coisa que o cão estiver fazendo naquele segundo. Esteja preparado para negar o reforço se o cão não obedecer.
A recompensa tende a ser mais potente depois de um período de privação: um cão com fome trabalha mais que um saciado, por exemplo. Já, para um cão que comeu bastante, a comida pode até se tornar um aversivo.
Cães aprendem a reconhecer quando uma consequência boa ou ruim é provável porque, naturalmente, situações diferentes pedem estratégias comportamentais diferentes: as "dicas" do ambiente mostram quando aquele comportamento será bem sucedido. Por exemplo: quando colocamos dinheiro numa máquina de doces, recebemos um chocolate; se colocamos dinheiro na lata de lixo, nada acontece. Então, não colocamos dinheiro na lata do lixo. "Bem sucedido", em termos de aprendizagem, significa que aquele comportamento foi recompensado. Começou algo bom ou terminou algo ruim. Ou seja, funcionou. Um comportamento que funciona fica mais forte. Isso é lei, aplicável a todos os animais (incluindo nós). Essa é a essência da educação canina.
O comportamento está, digamos assim, sob controle de consequências, então, a obediência canina nada mais é que prover consequências ao cão. Existem quatro tipos de consequências:
1. Coisas boas começam (reforço positivo)
2. Coisas boas acabam (punição negativa)
3. Coisas ruins começam (punição positiva)
4. Coisas ruins acabam (reforço negativo)
O cão constantemente tenta começar algo bom, terminar algum ruim, evitar acabar com algo bom e evitar começar algo ruim. Quando sabemos disso, conseguimos controlar nosso cão.
Algumas vezes não sabemos direito o que é "bom" e "ruim" para o cão e acabamos reforçando exatamente um comportamento que não desejamos, além de perder oportunidades valiosas.
Vamos lá. Você tem acesso a tudo o que seu cão gosta: comida, o mundo lá fora, atenção, outros cães, odores, brincadeiras. Os brinquedos criam vida quando na sua mão! Você tem polegares opostos que podem abrir portas e potes. Muitos reconhecem isso, mas ainda assim esperam que o cão obedeça por gratidão: já que proporcionamos tudo isso, nada mais justo que ele nos obedeça. Isso só vai funcionar se você fizer o cão fazer a parte dele PRIMEIRO em toda e qualquer troca. Ou seja, você deve fazer de um jeito que, se o cão quiser brincar com outros cães no parque ou que a porta da frente seja aberta, ele precisa obedecer primeiro. Lembre-se: ele precisa fazer a parte dele ANTES e então você providencia o que ele quer. Assim ele verá a obediência como o meio de obter o que quer, ao invés de pensar que é algo que interfere no que ele quer.
Controle as coisas boas da vida do seu cão - pare de dá-las gratuitamente. Afinal, nada é de graça: você sempre reforça algo quando abre a porta, passeia com o cão, começa uma brincadeira. Isso porque o cão sempre está fazendo algo e este algo é reforçado quando algo bom acontece. Esteja ciente disso e selecione o comportamento que deseja reforçar ao invés de reforçar qualquer coisa que o cão estiver fazendo naquele segundo. Esteja preparado para negar o reforço se o cão não obedecer.
A recompensa tende a ser mais potente depois de um período de privação: um cão com fome trabalha mais que um saciado, por exemplo. Já, para um cão que comeu bastante, a comida pode até se tornar um aversivo.
Cães aprendem a reconhecer quando uma consequência boa ou ruim é provável porque, naturalmente, situações diferentes pedem estratégias comportamentais diferentes: as "dicas" do ambiente mostram quando aquele comportamento será bem sucedido. Por exemplo: quando colocamos dinheiro numa máquina de doces, recebemos um chocolate; se colocamos dinheiro na lata de lixo, nada acontece. Então, não colocamos dinheiro na lata do lixo. "Bem sucedido", em termos de aprendizagem, significa que aquele comportamento foi recompensado. Começou algo bom ou terminou algo ruim. Ou seja, funcionou. Um comportamento que funciona fica mais forte. Isso é lei, aplicável a todos os animais (incluindo nós). Essa é a essência da educação canina.
Suzie deita para poder brincar com seu brinquedinho predileto
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Meu cachorro SABE que fez a coisa errada
Semana passada escrevi um artigo sobre cães que aprontam quando os donos não estão em casa, destruindo as coisas, e que os donos juram que eles sabem que fizeram errado por conta da "cara de culpa". Quer saber mais? Acesse aqui e descubra o que é, na verdade, a cara de culpa do seu cão.
sábado, 7 de abril de 2012
Cães e crianças
Vira e mexe me perguntam: cães e crianças podem conviver juntos? Respondo: SIM. Mas é óbvio que o cão precisa ser acostumado a elas, aprender a gostar delas, brincar com elas, ficar relaxado ao lado delas.
As fotos abaixo mostram que, aqui em casa, isso funciona muito bem. Claro que isso não aconteceu da noite para o dia, deu trabalho, mas isso compensou, e muito! Para saber mais, acesse meu outro site: http://maescomcaes.blogspot.com
E agora, com mais um a caminho, também habituarei a Suzie a novas condições e estilo de vida. Mas isso ela já está super acostumada e terá a irmãzinha pra atender suas necessidades de brincar.
As fotos abaixo mostram que, aqui em casa, isso funciona muito bem. Claro que isso não aconteceu da noite para o dia, deu trabalho, mas isso compensou, e muito! Para saber mais, acesse meu outro site: http://maescomcaes.blogspot.com
E agora, com mais um a caminho, também habituarei a Suzie a novas condições e estilo de vida. Mas isso ela já está super acostumada e terá a irmãzinha pra atender suas necessidades de brincar.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Dominância?
Hoje em dia já não se cogita mais falar que o cão é dominante sobre o dono, simplesmente porque não há dominância entre espécies diferentes. O que existe é que o cão não sabe como se comportar naquele contexto, seja porque não foi devidamente socializado naquela situação ou por não conseguir lidar com ela (não foi educado). Mas isso não significa dominância. Então, quando alguém falar que o cão faz determinado comportamento porque quer dominar os donos, não é verdade. Pesquisas recentes já indicam que isso é uma maneira simplista de explicar algo mais complexo, que requer estudo.
Exemplo: o cão pula no dono. Em uma visão mais simplista, alguém poderia dizer que ele faz isso porque é dominante, porque quer te dominar, porque te vê como um subordinado e por aí vai. Mas não se chega a conclusão alguma sobre o MOTIVO que leva o cão a pular. Ele está recepcionando o dono? Está excitado? Está chamando atenção? Querendo brincar? E não: ele não está sendo dominante.
Outros comportamentos que a maioria das pessoas atribuem à dominância:
1. Morder / agressividade, principalmente direcionada às pessoas de casa
2. Puxar a guia
3. Fazer xixi/coco pela casa, principalmente quando é na nossa cama
4. Roer objetos
5. Pular nas pessoas, colocar a pata em cima
6. Não vir quando chamado
7. Pedir comida
8. Passar primeiro na porta
9. Dormir nos móveis
10. Roubar lixo/roupas
Estes são mais problemas de uma falta de orientação do dono sobre qual é o comportamento adequado para que o cão conviva bem na nossa sociedade humana. Se ele pula nas pessoas é porque nunca aprendeu que, para recepcioná-las, o mais adequado seria sentar; se ele não vem quando chamado não é porque está testando nossa liderança, mas será que ele foi educado para tanto, ou está entretido com outra coisa e não o ouviu? E assim por diante.
Existem também muitos mitos relacionados à dominância.
1. O dono é visto como parte da matilha: impossível, já que uma matilha é composta por indivíduos da mesma espécie e o cão não nos vê como outro cão. Além do mais, temos muita dificuldade em entender e nos comunicar com nossos cães, já que nossa linguagem é diferente.
2. O cão alfa é agressivo e encrenqueiro: mentira. O cão alfa é seguro de si, não briga, não rosna, divide as suas coisas quando quer.
3. O cão alfa nasce alfa: isso não é algo que nasce com o cão, depende de outros fatores, como experiências passadas, tamanho, peso, aptidão física, relações sociais, mudanças ocorridas com a idade etc.
4. O dono deve agir como alfa para ter um cão comportado: como dito antes, não há possibilidade disso, já que a hierarquia de dominância (termo correto) só ocorre entre indivíduos da mesma espécie.
5. É válido o dono se impor ao cão pela força: isso pode se tornar perigoso e é inadequado para os cães e nosso relacionamento com eles, além de poder causar desvios comportamentais por medo, o que indica que a técnica não funciona.
6. Disputas entre cães da casa são motivadas pela dominância: há regras hierárquicas entre os cães da mesma casa. Um cão pode reivindicar prioridade em certas coisas (carinho, brinquedo, lugar para descansar), mas o faz por meio de olhares ou com um rosnado baixo, sem brigar. Algo comum que vemos em casas que têm mais de um cão é: um dos cães ser o líder no acesso aos brinquedos, mas o outro o é no lugar para dormir. Claro que cabe a nós, donos, impormos limites e socializarmos muito, muito, muito bem nossos cães (um cão mal socializado tende a brigar mais e por qualquer coisa).
7. Brigas com cães desconhecidos são devido à dominância: isso acontece porque eles não conhecem a linguagem um do outro (problema que pode ser evitado com a... socialização!).
8. O cão dominante disputa para acasalar com a fêmea: quem já viu cães de rua, sabe que isso não é verdade: é a fêmea quem escolhe com qual macho irá acasalar.
9. Fêmeas no cio brigam por disputa hierárquica: isso se deve pelos hormônios que circulam na fêmea nesta época, deixando mais agressiva. Ou seja, é fisiológico.
Hoje em dia já está mais disseminado que somos como pais para nossos cães, e não "alfas". Por isso que a educação canina hoje é sem castigo: ignora-se o mal comportamento e recompensa-se o desejado. Nada de utilizar da força física, mas sim da nossa inteligência. E assim conseguimos ensinar tudo o que queremos de boas maneiras aos nossos cães, sem precisarmos brigar, gritar, puxar a guia, bater, e tantas outras coisas que vemos por aí.
Então, o que é preciso para educarmos nossos cães? Até pouco tempo atrás, acreditava-se que precisávamos ser dominantes perante eles, usarmos de força física, métodos coercivos, punições. Até hoje vemos muitos cães sendo "educados" com trancos na guia, beliscões, chutes, choques... Quando um cão aprende por meio destes métodos, ele responde aos nossos comandos por MEDO, para evitar algo desagradável. Você gostaria de aprender assim? O certo é educarmos nossos cães com paciência, consistência, premiando o bom comportamento e ignorando o que consideramos errado (mas prevenir que o errado aconteça é melhor). Para isso, todos que vivem com o cão devem ser consistentes quanto às regras. O cão pode subir no sofá? Pode entrar nos quartos? Se não houver uma regra clara, não podemos culpar o cão por fazer o que não queremos (mas que outra pessoa que mora com a gente deixa-o fazer).
Outro aspecto positivo quando usamos de nossa inteligência e não força bruta é que o cão fica muito mais confiante: aprende mais rápido, fica mais relaxado em variadas situações e é um cão mais fácil de se conviver. O processo de educação começa com o cão ainda filhote: proporcionando socialização intensa (pessoas, ambientes, animais, cães, objetos, barulhos) e obediência básica ("senta", "fica", "vem"), que nos ajudam a controlar o comportamento do cão.
Existe ainda mais a ser abordado sobre este assunto, principalmente sobre os métodos usados para se educar (e até mesmo brincadeiras) baseados na teoria da dominância, mas fica para um próximo post.
Se quiserem saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura destas matérias:
http://caosciencia.blogspot. com.br/search?q=domin%C3% A2ncia
http://www.dogstardaily.com/ search/node/dominance
Fonte: livro "Culture Clash", site do Dr. Ian Dunbar e revista "Cães e Cia"
Exemplo: o cão pula no dono. Em uma visão mais simplista, alguém poderia dizer que ele faz isso porque é dominante, porque quer te dominar, porque te vê como um subordinado e por aí vai. Mas não se chega a conclusão alguma sobre o MOTIVO que leva o cão a pular. Ele está recepcionando o dono? Está excitado? Está chamando atenção? Querendo brincar? E não: ele não está sendo dominante.
Outros comportamentos que a maioria das pessoas atribuem à dominância:
1. Morder / agressividade, principalmente direcionada às pessoas de casa
2. Puxar a guia
3. Fazer xixi/coco pela casa, principalmente quando é na nossa cama
4. Roer objetos
5. Pular nas pessoas, colocar a pata em cima
6. Não vir quando chamado
7. Pedir comida
8. Passar primeiro na porta
9. Dormir nos móveis
10. Roubar lixo/roupas
Estes são mais problemas de uma falta de orientação do dono sobre qual é o comportamento adequado para que o cão conviva bem na nossa sociedade humana. Se ele pula nas pessoas é porque nunca aprendeu que, para recepcioná-las, o mais adequado seria sentar; se ele não vem quando chamado não é porque está testando nossa liderança, mas será que ele foi educado para tanto, ou está entretido com outra coisa e não o ouviu? E assim por diante.
Existem também muitos mitos relacionados à dominância.
1. O dono é visto como parte da matilha: impossível, já que uma matilha é composta por indivíduos da mesma espécie e o cão não nos vê como outro cão. Além do mais, temos muita dificuldade em entender e nos comunicar com nossos cães, já que nossa linguagem é diferente.
2. O cão alfa é agressivo e encrenqueiro: mentira. O cão alfa é seguro de si, não briga, não rosna, divide as suas coisas quando quer.
3. O cão alfa nasce alfa: isso não é algo que nasce com o cão, depende de outros fatores, como experiências passadas, tamanho, peso, aptidão física, relações sociais, mudanças ocorridas com a idade etc.
4. O dono deve agir como alfa para ter um cão comportado: como dito antes, não há possibilidade disso, já que a hierarquia de dominância (termo correto) só ocorre entre indivíduos da mesma espécie.
5. É válido o dono se impor ao cão pela força: isso pode se tornar perigoso e é inadequado para os cães e nosso relacionamento com eles, além de poder causar desvios comportamentais por medo, o que indica que a técnica não funciona.
6. Disputas entre cães da casa são motivadas pela dominância: há regras hierárquicas entre os cães da mesma casa. Um cão pode reivindicar prioridade em certas coisas (carinho, brinquedo, lugar para descansar), mas o faz por meio de olhares ou com um rosnado baixo, sem brigar. Algo comum que vemos em casas que têm mais de um cão é: um dos cães ser o líder no acesso aos brinquedos, mas o outro o é no lugar para dormir. Claro que cabe a nós, donos, impormos limites e socializarmos muito, muito, muito bem nossos cães (um cão mal socializado tende a brigar mais e por qualquer coisa).
7. Brigas com cães desconhecidos são devido à dominância: isso acontece porque eles não conhecem a linguagem um do outro (problema que pode ser evitado com a... socialização!).
8. O cão dominante disputa para acasalar com a fêmea: quem já viu cães de rua, sabe que isso não é verdade: é a fêmea quem escolhe com qual macho irá acasalar.
9. Fêmeas no cio brigam por disputa hierárquica: isso se deve pelos hormônios que circulam na fêmea nesta época, deixando mais agressiva. Ou seja, é fisiológico.
Hoje em dia já está mais disseminado que somos como pais para nossos cães, e não "alfas". Por isso que a educação canina hoje é sem castigo: ignora-se o mal comportamento e recompensa-se o desejado. Nada de utilizar da força física, mas sim da nossa inteligência. E assim conseguimos ensinar tudo o que queremos de boas maneiras aos nossos cães, sem precisarmos brigar, gritar, puxar a guia, bater, e tantas outras coisas que vemos por aí.
Quando nos relacionamos como pais com os nossos cães, torna-se muito mais natural sua educação (e mais agradável) do que se nos considerarmos líderes
Então, o que é preciso para educarmos nossos cães? Até pouco tempo atrás, acreditava-se que precisávamos ser dominantes perante eles, usarmos de força física, métodos coercivos, punições. Até hoje vemos muitos cães sendo "educados" com trancos na guia, beliscões, chutes, choques... Quando um cão aprende por meio destes métodos, ele responde aos nossos comandos por MEDO, para evitar algo desagradável. Você gostaria de aprender assim? O certo é educarmos nossos cães com paciência, consistência, premiando o bom comportamento e ignorando o que consideramos errado (mas prevenir que o errado aconteça é melhor). Para isso, todos que vivem com o cão devem ser consistentes quanto às regras. O cão pode subir no sofá? Pode entrar nos quartos? Se não houver uma regra clara, não podemos culpar o cão por fazer o que não queremos (mas que outra pessoa que mora com a gente deixa-o fazer).
Outro aspecto positivo quando usamos de nossa inteligência e não força bruta é que o cão fica muito mais confiante: aprende mais rápido, fica mais relaxado em variadas situações e é um cão mais fácil de se conviver. O processo de educação começa com o cão ainda filhote: proporcionando socialização intensa (pessoas, ambientes, animais, cães, objetos, barulhos) e obediência básica ("senta", "fica", "vem"), que nos ajudam a controlar o comportamento do cão.
Existe ainda mais a ser abordado sobre este assunto, principalmente sobre os métodos usados para se educar (e até mesmo brincadeiras) baseados na teoria da dominância, mas fica para um próximo post.
Se quiserem saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura destas matérias:
http://caosciencia.blogspot.
http://www.dogstardaily.com/
Fonte: livro "Culture Clash", site do Dr. Ian Dunbar e revista "Cães e Cia"
quinta-feira, 29 de março de 2012
Guia do Filhote: parte I
Então, você e sua família decidiram ter um filhote em casa. Parabéns! Mas, antes de aumentar a família, é preciso entender um pouco mais sobre a educação e o comportamento dos filhotes, e é isso que vou tentar explicar aqui.
O primeiro mês do filhote, na sua casa, é de extrema importância: é quando ele precisa de nossa maior dedicação, tempo e paciência para educá-lo da melhor maneira possível, transformando-o em um cão adulto exemplar.
Não importa se você comprou um filhote de um criador idôneo (por favor, não compre em pet shops, anúncio de jornal, feirinhas, nem nada parecido! Estes filhotes são fruto de muito sofrimento dos pais; quem os colocou no mundo não se importa com sua saúde física nem mental, ou seja, você não estaria levando para casa um filhote para companhia, mas algo como um "animal de rebanho") ou adotando de um abrigo, lar temporário ou ONG: o melhor é fazer é se informar para ter todas as ferramentas necessárias para se ter um filhote (e adulto) bem comportado, apto para viver em nossa sociedade.
Aqui irei abordar temas como educação do filhote, enriquecimento ambiental, brinquedos, treino de banheiro, treino de mordida, socialização, a adolescência. Você: saberá quais as fases de desenvolvimento do filhote; saberá como selecioná-lo e ao criador (ou protetor) e avaliar o seu comportamento (idealmente o filhote deve ter sido criado dentro de casa e já deve saber alguns comandos básicos e ter começado a socialização - além de não poder ser doado ou vendido antes dos 60 dias); como é a rotina de banheiro e porque os filhotes roem (aprender a dar-lhes algo apropriado para roer e passar o tempo - enriquecimento ambiental); aprenderá a socializar o filhote com pessoas, cães, animais, superfícies, barulhos, objetos etc; como ensinar o filhote a controlar a força de sua mordida (algo muito importante, pois evita acidentes graves); e a evitar problemas quando o cão for adolescente, além da importência dos passeios.
Espero que seja útil tanto para você quanto para seu filhote. A vida em comum é muito mais agradável quando temos um cão bem comportado.
O primeiro mês do filhote, na sua casa, é de extrema importância: é quando ele precisa de nossa maior dedicação, tempo e paciência para educá-lo da melhor maneira possível, transformando-o em um cão adulto exemplar.
Não importa se você comprou um filhote de um criador idôneo (por favor, não compre em pet shops, anúncio de jornal, feirinhas, nem nada parecido! Estes filhotes são fruto de muito sofrimento dos pais; quem os colocou no mundo não se importa com sua saúde física nem mental, ou seja, você não estaria levando para casa um filhote para companhia, mas algo como um "animal de rebanho") ou adotando de um abrigo, lar temporário ou ONG: o melhor é fazer é se informar para ter todas as ferramentas necessárias para se ter um filhote (e adulto) bem comportado, apto para viver em nossa sociedade.
Aqui irei abordar temas como educação do filhote, enriquecimento ambiental, brinquedos, treino de banheiro, treino de mordida, socialização, a adolescência. Você: saberá quais as fases de desenvolvimento do filhote; saberá como selecioná-lo e ao criador (ou protetor) e avaliar o seu comportamento (idealmente o filhote deve ter sido criado dentro de casa e já deve saber alguns comandos básicos e ter começado a socialização - além de não poder ser doado ou vendido antes dos 60 dias); como é a rotina de banheiro e porque os filhotes roem (aprender a dar-lhes algo apropriado para roer e passar o tempo - enriquecimento ambiental); aprenderá a socializar o filhote com pessoas, cães, animais, superfícies, barulhos, objetos etc; como ensinar o filhote a controlar a força de sua mordida (algo muito importante, pois evita acidentes graves); e a evitar problemas quando o cão for adolescente, além da importência dos passeios.
Espero que seja útil tanto para você quanto para seu filhote. A vida em comum é muito mais agradável quando temos um cão bem comportado.
sexta-feira, 2 de março de 2012
O medo nos cães
Nem sempre é fácil identificar um cão medroso. Quando o cão é nosso, parece mais difícil ainda: quem não acha que seu cão é o melhor do mundo, não é?!
Mas os cães estão sempre nos mandando sinais, através da sua (riquíssima) linguagem corporal. Basta que nós saibamos ler estes sinais, que podem ser muito nítidos ou mais sutis, e evitarmos acidentes, principalmente com crianças: afinal, cães que sentem medo fogem e nos dão estes sinais mas, se não os lermos e insistirmos na aproximação, eles podem se sentir acuados e atacar (o que pode ser desastroso, se ele tiver um mal (ou nenhum) treino de mordida).
Um exemplo: seu cão tem medo de crianças e você, um dia, recebe uma criança em casa. O cão corre pra caminha dele, fica agachado, de olhos arregalados, virando a cara e lambendo o focinho (alguns sinais de medo - vejam mais no desenho abaixo). As crianças não entendem a linguagem corporal dos cães: cabe a nós, adultos, entendermos e explicar que, quando um cão está desse jeito, não se deve chegar perto dele. Agora, digamos que ninguém saiba disso e deixam a criança chegar perto do cão, porque ele é bonzinho. A criança vai chegando perto, mais perto e o cachorro, sem saída, ataca a criança. "Que cachorro malvado, traiçoeiro, atacou do nada!". Não. Ele deu todos os sinais que estava desconfortável com aquela situação, ANTES de atacar.
Agora, fatores que podem atenuar esse ataque: o cão ter um ótimo treino de mordida (ele encosta apenas o focinho na pele, só deixando na criança um pouco de saliva); porte pequeno do cão (ele pula na criança, mas não a machuca, pois não tem peso suficiente para tanto). Fatores que podem tornar o ataque desastroso: porte médio para grande do cão (ele pula na criança e, com o peso, a derruba e machuca); péssimo (ou inexistente) treino de mordida (onde o cão morde mesmo, lacerando a pele e tirando sangue). Se você juntar os dois fatores (cão de porte grande/médio e péssimo treino de mordida), terá um acidente grave.
Veja o quadro abaixo para aprender a ler os sinais que seu cão lhe dá de quando está com medo. Se seu cão mostrar alguns destes sinais, identifique as situações e, com a ajuda de um profissional, trabalhe com o cão (contra-condicionamento, dessenssibilização e BAT (treino para mudar o comportamento)) para que ele perca o medo. Lembre-se: nós precisamos ajudá-lo: os cães não superam o medo sozinhos. E contratem um profissional que não use aversivos (trancos, gritos, choques, chutes, tapas etc), e sim um que recompense os bons comportamentos e ignore os maus. Só assim seu cão realmente será ajudado e será infinitamente mais feliz, sem medos!
Mas os cães estão sempre nos mandando sinais, através da sua (riquíssima) linguagem corporal. Basta que nós saibamos ler estes sinais, que podem ser muito nítidos ou mais sutis, e evitarmos acidentes, principalmente com crianças: afinal, cães que sentem medo fogem e nos dão estes sinais mas, se não os lermos e insistirmos na aproximação, eles podem se sentir acuados e atacar (o que pode ser desastroso, se ele tiver um mal (ou nenhum) treino de mordida).
Um exemplo: seu cão tem medo de crianças e você, um dia, recebe uma criança em casa. O cão corre pra caminha dele, fica agachado, de olhos arregalados, virando a cara e lambendo o focinho (alguns sinais de medo - vejam mais no desenho abaixo). As crianças não entendem a linguagem corporal dos cães: cabe a nós, adultos, entendermos e explicar que, quando um cão está desse jeito, não se deve chegar perto dele. Agora, digamos que ninguém saiba disso e deixam a criança chegar perto do cão, porque ele é bonzinho. A criança vai chegando perto, mais perto e o cachorro, sem saída, ataca a criança. "Que cachorro malvado, traiçoeiro, atacou do nada!". Não. Ele deu todos os sinais que estava desconfortável com aquela situação, ANTES de atacar.
Agora, fatores que podem atenuar esse ataque: o cão ter um ótimo treino de mordida (ele encosta apenas o focinho na pele, só deixando na criança um pouco de saliva); porte pequeno do cão (ele pula na criança, mas não a machuca, pois não tem peso suficiente para tanto). Fatores que podem tornar o ataque desastroso: porte médio para grande do cão (ele pula na criança e, com o peso, a derruba e machuca); péssimo (ou inexistente) treino de mordida (onde o cão morde mesmo, lacerando a pele e tirando sangue). Se você juntar os dois fatores (cão de porte grande/médio e péssimo treino de mordida), terá um acidente grave.
Veja o quadro abaixo para aprender a ler os sinais que seu cão lhe dá de quando está com medo. Se seu cão mostrar alguns destes sinais, identifique as situações e, com a ajuda de um profissional, trabalhe com o cão (contra-condicionamento, dessenssibilização e BAT (treino para mudar o comportamento)) para que ele perca o medo. Lembre-se: nós precisamos ajudá-lo: os cães não superam o medo sozinhos. E contratem um profissional que não use aversivos (trancos, gritos, choques, chutes, tapas etc), e sim um que recompense os bons comportamentos e ignore os maus. Só assim seu cão realmente será ajudado e será infinitamente mais feliz, sem medos!
Imagem do site da Dra. Sophia Yin (pdf gratuito), veterinária especialista em comportamento animal e autora de vários livros sobre o assunto
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Meus textos
Aos senhores copiadores de plantão, fica a dica: meus textos são de minha autoria (quando são traduções, são devidamente autorizadas pelos seus autores!) e TODA E QUALQUER CÓPIA DOS MESMOS É PROIBIDA, OK?! Cansei de ver meus textos em sites/blogs de pessoas que se dizem profissionais de adestramento, com os nomes das minhas meninas, como se o texto fosse daquela pessoa.
Quer um texto meu? Ótimo! Entre em contato comigo que eu cedo com o maior prazer: você pode linkar no seu site, copiar até, desde que tenham os devidos créditos. Agora, um profissional roubar texto de outro, que coisa feia, hein?!
Portanto, antes de fazer a besteira de dar um Ctrl+C e Ctrl+V em um texto meu, pode me escrever. Não sou tão chata assim a ponto de não deixar um texto meu ser divulgado. Àqueles que roubaram meus textos, tenham a CARA DE PAU de ao menos apagá-los do seu blog/site ou escrevam um artigo similar com suas palavras.
Grata pela atenção!
Quer um texto meu? Ótimo! Entre em contato comigo que eu cedo com o maior prazer: você pode linkar no seu site, copiar até, desde que tenham os devidos créditos. Agora, um profissional roubar texto de outro, que coisa feia, hein?!
Portanto, antes de fazer a besteira de dar um Ctrl+C e Ctrl+V em um texto meu, pode me escrever. Não sou tão chata assim a ponto de não deixar um texto meu ser divulgado. Àqueles que roubaram meus textos, tenham a CARA DE PAU de ao menos apagá-los do seu blog/site ou escrevam um artigo similar com suas palavras.
Grata pela atenção!
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Cães mimados
Muitos podem pensar que cão mimado é aquele que dorme dentro de casa, come a melhor comida, tem brinquedos, usa roupas, convive próximo ao dono. Não há nada de errado em nenhuma dessas situações! O cão pode ter uma vida confortável sim, sem ser nada mimado.
Então, o que caracteriza um cão mimado?
Cão mimado é aquele que não foi educado desde filhote; aquele que é tratado como um humano verticalmente reduzido e peludo; aquele que não aceita que o dono mexa em seu prato de comida e/ou que retire um brinquedo/osso dele. Cão mimado é aquele que treina o dono, e não o contrário - late para chamar atenção, porque quer comer, porque quer sair (e a lista continua) e o dono atende à sua demanda; aquele que cutuca o dono porque quer qualquer coisa, e o dono acata sua ordem.
Um cão é mimado quando você lhe dá algo sem ele ter feito nada em troca e, também, quando você permite que ele faça determinado comportamento, e até ache graça dele, e depois se arrependa. Familiar? No primeiro caso: ah, que lindo da mamãe, deixa dar um biscoitinho pra você, só porque eu te amo muito! No segundo: que lindo, tão pequenininho e já me defendendo. Meses depois... estou preocupada, ele ataca todos que chegam perto de mim!
Então, o que fazer? Quero dar o melhor para meu cão, mas não quero que ele seja mimado! Não é difícil: basta que ele receba tudo o que quer depois de fazer algo que nós queiramos. Quando usamos o programa “Nothing In life Is Free (NILIF)” ou “Nada na vida é de graça”, ensinamos ao cão que ele precisa fazer algo que queiramos (como sentar, deitar etc) para ganhar algo que ele queira (passear, comer, carinho etc). Não é nenhum bicho de sete cabeças: a grande maioria dos cães aprende a sentar em poucas lições. E, depois de um comando aprendido, aprender outros acaba se tornando mais fácil, pois ele já tem o hábito de aprender algo novo.
Quando o cão entender que para ele ganhar qualquer coisa precisa sentar, é só uma questão de você esperar ele oferecer este comportamento. Não peça para ele sentar, simplesmente espere que ele o faça. E ele o fará, acredite!
Ao fazermos isso, ensinamos nossos cães a controlar seu comportamento: eles acabam fazendo um bom comportamento sem que precisemos falar-lhes toda hora. E não se esqueça: sentar não precisa ser o único comportamento desejado. Seja criativo! Quanto mais seu cão souber, mais a vida dele será rica, mais fácil ele aprenderá novos comandos e mais fortes serão os laços que unem você a ele.
Então, o que caracteriza um cão mimado?
Cão mimado é aquele que não foi educado desde filhote; aquele que é tratado como um humano verticalmente reduzido e peludo; aquele que não aceita que o dono mexa em seu prato de comida e/ou que retire um brinquedo/osso dele. Cão mimado é aquele que treina o dono, e não o contrário - late para chamar atenção, porque quer comer, porque quer sair (e a lista continua) e o dono atende à sua demanda; aquele que cutuca o dono porque quer qualquer coisa, e o dono acata sua ordem.
Um cão é mimado quando você lhe dá algo sem ele ter feito nada em troca e, também, quando você permite que ele faça determinado comportamento, e até ache graça dele, e depois se arrependa. Familiar? No primeiro caso: ah, que lindo da mamãe, deixa dar um biscoitinho pra você, só porque eu te amo muito! No segundo: que lindo, tão pequenininho e já me defendendo. Meses depois... estou preocupada, ele ataca todos que chegam perto de mim!
Então, o que fazer? Quero dar o melhor para meu cão, mas não quero que ele seja mimado! Não é difícil: basta que ele receba tudo o que quer depois de fazer algo que nós queiramos. Quando usamos o programa “Nothing In life Is Free (NILIF)” ou “Nada na vida é de graça”, ensinamos ao cão que ele precisa fazer algo que queiramos (como sentar, deitar etc) para ganhar algo que ele queira (passear, comer, carinho etc). Não é nenhum bicho de sete cabeças: a grande maioria dos cães aprende a sentar em poucas lições. E, depois de um comando aprendido, aprender outros acaba se tornando mais fácil, pois ele já tem o hábito de aprender algo novo.
Quando o cão entender que para ele ganhar qualquer coisa precisa sentar, é só uma questão de você esperar ele oferecer este comportamento. Não peça para ele sentar, simplesmente espere que ele o faça. E ele o fará, acredite!
Ao fazermos isso, ensinamos nossos cães a controlar seu comportamento: eles acabam fazendo um bom comportamento sem que precisemos falar-lhes toda hora. E não se esqueça: sentar não precisa ser o único comportamento desejado. Seja criativo! Quanto mais seu cão souber, mais a vida dele será rica, mais fácil ele aprenderá novos comandos e mais fortes serão os laços que unem você a ele.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Tipos de Aprendizagem
Quando falamos em "aprendizagem", falamos em uma mudança no comportamento que é resultado das experiências que o cão teve. Esta mudança pode ser devido à educação canina ou o produto final da relação do cão com o ambiente onde vive. Há mais de 200 anos o filósofo John Locke concluiu que aprendemos por associação - uma conexão que estabelecemos mentalmente entre os eventos que ocorreram em determinada sequência. Por exemplo: quando vemos e sentimos o cheiro do chocolate, o comemos e achamos uma delícia, a próxima vez que virmos e sentirmos o cheiro de chocolate, teremos a expectativa de que será delicioso se o comermos.
Pode haver dois tipos de associações. A primeira é a associação de dois estímulos ou impressões sensoriais, enquanto a segunda é a associação entre uma ação e o seu resultado. Estas duas formas existem porque há diferentes tipos de aprendizagem. Um exemplo do primeiro tipo de associação é quando, ao vermos um clarão no céu ele sempre vem seguido pelo trovão. Depois de um tempo, sempre que virmos o clarão no céu, ficaremos tensos, esperando o barulho do trovão. Este tipo é chamado "Classical Conditioning" (condicionamento clássico - tradução livre). A palavra "condicionamento" é só um jargão para aprendizagem, e o "clássico" é devido a ser a primeira forma de aprendizado que foi devidamente estudada.
O "Operant Conditioning" (condicionamento operante) é quando se aprende através da associação de um estímulo e uma resposta. Por exemplo: ao apertamos um botão daquelas máquinas de salgadinhos, um deles cai e o pegamos. É chamado condicionamento operante porque aprendemos que o que acontece é devido a uma ação nossa. Embora devamos considerar cada um destes tipos como diferentes, os dois estão envolvidos na mesma tarefa.
Um exemplo prático que tenho aqui em casa, do clássico, é quando vou dormir com a Suzie e o Luis fica trabalhando/estudando no computador. Um pequeno detalhe antes de continuar: Suzie pode dormir comigo ou com o Luis na cama, mas não com os dois juntos. Quando os dois vão dormir, ela vai pra sala, dormir onde bem entender (normalmente no sofá). Voltando. Quando o Luis termina, ele desliga o estabilizador e vai pra cama. No começo, ele chegava o quarto e tirava a Suzie, seja no colo, seja chamando-a. Hoje, ao ouvir o barulho do estabilizador sendo desligado, ela mesma já se levanta, sai da cama e vai pra sala.
Já o exemplo do segundo, é quando está sendo educada: sabe que a ação dela sentar é que fará com que ganhe petisco (ou passeio, brinquedo, carinho - qualquer coisa que ela queira).
E na sua casa? Quais os exemplos de cada um dos tipos de aprendizagem você tem?
Pode haver dois tipos de associações. A primeira é a associação de dois estímulos ou impressões sensoriais, enquanto a segunda é a associação entre uma ação e o seu resultado. Estas duas formas existem porque há diferentes tipos de aprendizagem. Um exemplo do primeiro tipo de associação é quando, ao vermos um clarão no céu ele sempre vem seguido pelo trovão. Depois de um tempo, sempre que virmos o clarão no céu, ficaremos tensos, esperando o barulho do trovão. Este tipo é chamado "Classical Conditioning" (condicionamento clássico - tradução livre). A palavra "condicionamento" é só um jargão para aprendizagem, e o "clássico" é devido a ser a primeira forma de aprendizado que foi devidamente estudada.
O "Operant Conditioning" (condicionamento operante) é quando se aprende através da associação de um estímulo e uma resposta. Por exemplo: ao apertamos um botão daquelas máquinas de salgadinhos, um deles cai e o pegamos. É chamado condicionamento operante porque aprendemos que o que acontece é devido a uma ação nossa. Embora devamos considerar cada um destes tipos como diferentes, os dois estão envolvidos na mesma tarefa.
Um exemplo prático que tenho aqui em casa, do clássico, é quando vou dormir com a Suzie e o Luis fica trabalhando/estudando no computador. Um pequeno detalhe antes de continuar: Suzie pode dormir comigo ou com o Luis na cama, mas não com os dois juntos. Quando os dois vão dormir, ela vai pra sala, dormir onde bem entender (normalmente no sofá). Voltando. Quando o Luis termina, ele desliga o estabilizador e vai pra cama. No começo, ele chegava o quarto e tirava a Suzie, seja no colo, seja chamando-a. Hoje, ao ouvir o barulho do estabilizador sendo desligado, ela mesma já se levanta, sai da cama e vai pra sala.
Já o exemplo do segundo, é quando está sendo educada: sabe que a ação dela sentar é que fará com que ganhe petisco (ou passeio, brinquedo, carinho - qualquer coisa que ela queira).
E na sua casa? Quais os exemplos de cada um dos tipos de aprendizagem você tem?
domingo, 9 de outubro de 2011
Comportamentos compulsivos - Parte I
Esse é um problema muito comum nos cães (e gatos também) hoje em dia. Por isso, vou fazer dois posts sobre o assunto, porque ele é extenso. Neste post vou falar sobre lamber, coçar e roer. Espero que gostem. No outro, falarei de um modo mais geral de todos os comportamentos compulsivos.
Cães e comportamentos compulsivos: Coçar, Lamber e Roer
Seu cachorro se coça a noite toda? Lambe as patas sem parar? Morde o próprio rabo? Se isso te deixa nervoso, já imaginou como seu cão se sente?
Estes comportamentos compulsivos são relativamente comuns em cães e as causas são inúmeras. Mas, podem ser prejudiciais. Um dos primeiros sinais de que seu cão tem um problema pode ser o desenvolvimento de um “hot spot” - uma área avermelhada e úmida, devido às lambidas e mordidas persistentes. Embora o hot spot – ou dermatite úmida – possam aparecer em qualquer parte do corpo dão cão, são mais comuns na cabeça, peito ou quadril. Como os cães coçam, lambem ou mordem insistentemente um local quando este fica irritado, os hot spots podem ficar grandes e inflamadas rapidinho.
Quais os motivos?
Tratamento
* Acabar com os parasitas. Há vários produtos no mercado que o veterinário recomendará. E, se este for o caso das mordidas e coçadas sem fim, higienize muito bem a cama do seu peludo, seus tapetes e móveis, regularmente, para evitar uma reinfestação. E não se esqueça: trate todos os animais da casa!
Cães e comportamentos compulsivos: Coçar, Lamber e Roer
Seu cachorro se coça a noite toda? Lambe as patas sem parar? Morde o próprio rabo? Se isso te deixa nervoso, já imaginou como seu cão se sente?
Estes comportamentos compulsivos são relativamente comuns em cães e as causas são inúmeras. Mas, podem ser prejudiciais. Um dos primeiros sinais de que seu cão tem um problema pode ser o desenvolvimento de um “hot spot” - uma área avermelhada e úmida, devido às lambidas e mordidas persistentes. Embora o hot spot – ou dermatite úmida – possam aparecer em qualquer parte do corpo dão cão, são mais comuns na cabeça, peito ou quadril. Como os cães coçam, lambem ou mordem insistentemente um local quando este fica irritado, os hot spots podem ficar grandes e inflamadas rapidinho.
Quais os motivos?
Os motivos são variados: vão desde alergias a tédio, passando por infestação por parasitas:
- Alergias. Quando o cão se coça demais, normalmente é resultado de alergia alimentar ou ambiental, que inclui mofo e pólen. Os cães também podem desenvolver uma irritação, chamada de dermatite de contato, quando em contato com substâncias como pesticidas ou produtos de limpeza.
- Tédio ou ansiedade. Assim como a gente, quando ansioso, roi unhas ou torce o cabelo, os cães também têm respostas psicológicas à ansiedade. Alguns cães desenvolvem algo parecido com o transtorno obsessivo compulsivo dos humanos. Pode se manifestar com o cão se coçando, lambendo ou mordendo, que podem causar machucados graves!
- Pele seca. Inclui vários fatores, como o tempo seco do inverno ou deficiência de ácidos graxos. O cão fica desconfortável e acaba se coçando ou lambendo para se aliviar.
- Desequilíbrio hormonal. Se o cão não produz os hormônios da tireoide ou fabrica muito cortisol, infecções da pele, superficiais, podem aparecer. Você pode ver pequenas manchas vermelhas, e o peludo vai coçar e lamber, porque elas incomodam.
- Dor. Quando tentar descobrir porque seu cão se lambe ou se morde em excesso, veja se não há algo que o deixa fisicamente desconfortável. Por exemplo: o cão morde a patinha várias vezes, pode ser que tenha um espinho ou uma farpa na pata. Lamber e morder compulsivamente também pode ser uma resposta a problemas ortopédicos, incluindo dor nas costas ou displasia coxo-femoral.
- Parasitas. Entre as causas mais comuns para se lamber compulsivamente, ou se coçar, são pulgas, carrapatos e ácaros. Apesar dos carrapatos serem visíveis a olho nu, as pulgas só são vistas quando a infestação é grande e os ácaros são microscópicos. Então, não pense que seu cão não tem parasita nenhum só porque você não os vê.
Tratamento
Como há muitos motivos para estes comportamentos, vá ao veterinário assim que o problema começar. Ele lhe ajudará a descobrir a causa e fará o melhor tratamento que, dependendo do caso, pode incluir:
* Acabar com os parasitas. Há vários produtos no mercado que o veterinário recomendará. E, se este for o caso das mordidas e coçadas sem fim, higienize muito bem a cama do seu peludo, seus tapetes e móveis, regularmente, para evitar uma reinfestação. E não se esqueça: trate todos os animais da casa!
* Mudar a dieta. Se o problema é com a comida, elimine os alimentos com maior potencial alergênico (carne ou trigo). O veterinário pode recomendar uma dieta especial, se for este o caso. A suplementação de ácidos graxos à comida normal do pet também ajuda nos casos de pele ressecada e mantém a pelagem do cão saudável.
* Medicamento. O veterinário pode prescrever remédios para tratar problemas ocultos que contribuem para o comportamento compulsivo. Além disso, ele pode recomendar o uso de antibióticos, esteróides ou anti-histamínicos para tratar as feridas / infecções já existentes.
* Prevenir o comportamento. Como estes comportamentos compulsivos podem causar machucados graves e afetar a qualidade de vida do seu cão, é importante dar o seu melhor para fazer o cão parar de se morder, lamber e coçar demais. Algumas ideias: use spray amargo para desencorajar as lambidas; use um colar elizabetano para que ele não mexa nas feridas; mantenha o cão perto de você quando em casa.
* Avalie a ansiedade ou tédio. Em alguns casos, estes comportamentos compulsivos se desenvolvem devido ao medo, estresse ou estímulos inadequados. Para reduzir as chances deles aparecerem, dê exercícios (caminhadas, brincadeiras com o dono, corrida, adestramento, esportes caninos etc), atenção e amor o bastante para o cão. Ensine o cão a brincar com ossos recreacionais, brinquedos inteligentes (Kongs, quebra-cabeças, bolas e outros brinquedos que podem ser recheáveis) para que ele alivie o estresse e roa coisas apropriadas, deixando de lado o comportamento compulsivo.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Como melhorar a doação de cães
O texto abaixo é uma tradução e adaptação do original deste site aqui. Lembre-se que é um texto feito nos Estados Unidos, onde há outra cultura em relação aos cães e às profissões ligadas a eles. Mas, não custa nada a gente tomar isso como exemplo, seja como voluntário, seja como profissional.
Como fazer com que cães com pouca chance de adoção tenham um lar
Quando surge o termo “cães com pouca chance de adoção”, nos vêm à mente imagens bem diferentes. Alguns pensam em cães com algum tipo de deficiência ou idosos; outros pensam em cães com problemas comportamentais, que não convivem bem com outros cães e/ou outras pessoas. Quando penso em cães com pouca chance de serem adotados, admito que quase todo cão acima de 6 meses de idade me vem à mente. Afinal, todo mundo ama os filhotes.
Claro que existem aqueles que preferem não adotar um filhote, tivemos esse tipo de experiência e, por mais legal que tenha sido, graças a Deus já passou. Mas, como um amigo envolvido em um evento de adoção disse: “parecia uma liquidação de filhote”, as pessoas não conseguem se conter e os pegam. Claro que nem sempre isso é uma coisa boa, afinal, os filhotes crescem...
A diferença entre um cão adotável e um não adotável são, normalmente, as habilidades. Dê ao cão uma habilidade e ele passará do “um olho só, idoso e não é o que eu estava procurando” para “Meu Deus, como ele é esperto!”. Ensine um cão surdo a sentar e olhar com ar pidão para alguém que ele já vai para a escala dos adotáveis. Ensine-o a deitar ou dar a pata e adotantes em potencial já começam a pensar que ele é um cão prodígio. Essas pequenas habilidades podem ajudar o cão a ser adotado e de continuar no novo lar.
Sei das limitações de tempo, energia e dinheiro que abrigos e ONGs encaram. Assim, o adestramento dos cães pode ser uma opção limitada, mas ainda me surpreende que, mais que poder, não exigem que os futuros adotantes matriculem seus cães em aulas de adestramento. Alguns abrigos incluem o custo destas aulas no custo da adoção. Uma amiga adestradora oferece 75% de desconto para uma aula particular para os cães adotados. Em dois anos, ela teve apenas dois alunos. Se isso é falta de propaganda, pelo abrigo, para os adotantes ou simplesmente um desinteresse por parte dos próprios donos, eu já não sei. Mas, se o abrigo tornasse o adestramento obrigatório, talvez muitos levariam seus cães.
Frequentemente ouço grupos conversando sobre quantos cães doaram, mas nenhum fala sobre o número destes cães que ainda estão na mesma cada depois de dois ou três anos. A julgar pelo número de vezes que alguns cães passam pelo sistema, acredito que um bom número de cães volta para o abrigo. Cães que não tiveram sucesso no novo lar, continuam a gastar dinheiro do abrigo. Há ainda aqueles cães que não param em nenhum lar, apesar de no contrato ser uma exigência o cão voltar para o abrigo de onde foi veio; os cães que são eutanasiados por causa de problemas comportamentais; os cães que nunca mais foram vistos depois de fugir depois de pouco tempo no novo lar; os cães relegados a uma vida preso em uma corrente por causa de problemas comportamentais não resolvidos.
Meu sonho é: abrigos, centros de resgate e ONGs mudando a cultura da adoção de cães e tornar divertida a exigência de todos eles serem matriculados em uma aula de adestramento como uma condição para a adoção. Os adestradores são profissionais excelentes. São poucos os que não aceitam participar de algo assim: a maioria dá descontos para donos de cães adotados em suas aulas de obediência, agility etc. Fazer com que os cães com menos chance tenham um lar é o primeiro passo. Mantê-los lá é o próximo.
Este post apareceu primeiro no Dancing Dog Blog , Petfinder’s Adopt A Less Adoptable Pet Week.
Fonte: Fearful Dogs
Fonte: Fearful Dogs
Posições confortáveis para dormir
Depois de tantos posts "sérios", segue um para descontrair. As posições mais "confortáveis" do mundo para dormir, na visão de uma Whippet.
Divirtam-se!
Divirtam-se!
Como uma gatinha, dormindo no encosto do sofá para tomar um gostoso e quentinho sol vespertino
Também super confortável: torta no sofá
Suzie sem cabeça - alguém aí consegue ver onde se encontra a cabeça dela?
Por enquanto são só estas fotos. Tem muitas mais, nas mais variadas posições. E os seus cães? Também dormem em posições engraçadas?
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Como modificar um comportamento? - Parte II
Agora, a última parte do texto. Lembrando que é um texto traduzido e adaptado por mim do livro Don't Shoot the Doh, da Karen Pryor, então a reprodução total e/ou parcial é proibida.
Divirtam-se!
Divirtam-se!
Método 5 – Ensinar um Comportamento Incompatível
Um método elegante é treinar o animal/pessoa a fazer outro comportamento fisicamente incompatível com aquele que é indesejado. Por exemplo: algumas pessoas não gostam de cães que pedem comida na mesa do jantar.
A solução do Método 1 é colocr o cão para fora ou prendê-lo na hora das refeições. Mas também é possível controlar este comportamento ensinando um incompatível – por exemplo, ensinar o cão a deitar na caminha dele enquanto estamos comendo. Primeiro, você ensina o cão a deitar. Depois, você generaliza o comportamento “deitar” em outros lugares. Recompensa o comportamento com comida depois que todos limparam o prato. Sair de perto da mesa e ir deitar é um comportamento incompatível com pedir comida na mesa; um cão não consegue, fisicamente, estar em dois lugares ao mesmo tempo.
EXEMPLOS DO MÉTODO 5
Pessoas sensíveis normalmente usam este método. Cantar e fazer joguinhos no carro alivia os pais, e as crianças não ficam entediadas. Diversão, distração e ocupações agradáveis são boas alternativas durante muitos momentos tensos.
COMPORTAMENTO | O QUE FAZER |
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar. | Compre uma cesta de roupa e recompense o colega de quarto por colocar a roupa ali. Lavem a roupa juntos, tornando isto um evento social, quando a cesta estiver cheia. Cuidar da roupa é incompatível com largá-la. |
O cachorro late a noite inteira no quintal. | Ensine-o a deitar sob comando; cães, como a maioria de nós, raramente latem deitados. Fale o comando da janela ou coloque um interfone na casinha dele. Recompense com carinho. |
As crianças fazem barulho demais no carro. | Cante, conte histórias, faça brincadeiras. Incompatível com brigas e gritaria. |
A mulher chega em casa todo dia de mau humor. | Institua uma atividade legal na volta para casa, incompatível com o mau humor, como brincar com os filhos ou se dedicar a um hobby. Meia hora de total privacidade também é legal. Talvez sua esposa precise de tempo para relaxar antes de se dedicar à família. |
Comete erros quando joga tênis. | Treine uma jogava nova, do começo. |
Empregado preguiçoso. | Peça para que ele trabalhe com mais afinco/mais depressa em determinada tarefa; observe e elogie o trabalho feito. |
Odeia escrever bilhetes de agradecimento. | Treine outro comportamento: se alguém lhe manda um cheque, escreva palavras bonitas atrás dele – o banco se encarrega do resto. Para outros presentes, chame quem o enviou na mesma noite e agradeça. Assim, você não precisa escrever uma carta. |
O gato sobe na mesa. | Treine o gato a sentar numa cadeira e recompense com comida. O gato vai estar onde você quer, não na mesa. |
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso. | Responda à rabugice com um olhar, um sorriso e uma observação social apropriada - “Bom dia” - ou, se o motorista for realmente chato, diga, bem simpático: “Seu trabalho deve ser mesmo muito difícil”. Normalmente a pessoa fica mais amigável, atitude esta que você recompensa. |
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você. | Ajude-o a encontrar outra casa para morar, mesmo que você tenha que pagar por ela no começo. |
Método 6 – Colocar o comportamento sob comando
Este é bacana. Funciona em algumas circunstâncias quando nada mais é suficiente.
É um axioma da teoria de aprendizagem que, quando o animal/pessoa aprende a oferecer o comportamento em resposta a algum tipo de dica/comando e só com ele (stimulus control), o comportamento tende a acabar na ausência da dica/comando. Você pode usar esta lei natura para se livrar de todo tipo de coisas que você não quer simplesmente colocando este comportamento sob comando... e nunca dar o comando. :)
EXEMPLOS DO MÉTODO 6
Não parece lógico que este método funciona, mas pode ser eficazes e, algumas vezes, quase uma cura instantânea.
COMPORTAMENTO | O QUE FAZER |
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar. | Faça uma “guerra de roupa suja”. Veja a bagunça que vocês dois fazem em dez minutos. (Eficaz; algumas vezes a pessoa desorganizada, vendo a bagunça, será capaz de reconhecer e arrumar bagunças menores – uma camiseta, duas meias – que possam ainda te indomodar mas que não tinha sido vista como bagunça pelo colega de quarto). |
O cachorro late a noite inteira no quintal. | Ensine o cão a latir com o comando “Fala!”e recompense com comida. Na ausência do comando, não recompense os latidos. |
As crianças fazem barulho demais no carro. | Coloque a barulheira em controle de estímulo (stimulus control) – veja acima a explicação do que é. |
A mulher chega em casa todo dia de mau humor. | Marque uma hora para o mau humor; sente por dez minutos, digamos, começando às 5 da tarde. Durante este período reforce, com sua atenção e simpatia, toda reclamação. Ignore a reclamação antes e depois deste tempo. |
Comete erros quando joga tênis. | Se você bater na bola de um jeito errado e aprender a fazê-lo de propósito, o erro tende a acabar quando você não der o comando “bata errado na bola”? É possível. |
Empregado preguiçoso. | Dê-lhe uma folga. É uma técnica muito eficaz usada pelo presidente de uma agência na qual a Karen Pryor trabalhou. |
Odeia escrever bilhetes de agradecimento. | Compre post-its, papéis, selos, canetas, caderninho de telefone/endereço e uma caixa vermelha. Coloque todas as coisas dentro dessa caixa. Quando você ganhar um presente, coloque o nome da pessoa que te deu o presente no post-it, coloque na caixa, coloque a caixa no seu travesseiro (ou no seu prato) e não durma (ou coma) ate que você obedeça a dica da caixa e escreva a cartinha, coloque um selo nela e a leve para o correio. |
O gato sobe na mesa. | Ensine-o a subir e descer da mesa sob comando. Então, molde o tempo que ele deve esperar para ouvir o comando (o dia inteiro, quem sabe). |
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso. | Não é recomendado colocar este comportamento sob comando. |
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você. | Assim que ele sair da sua casa, convide-o para te visitar, tornando claro que ele só deve ir na sua casa se for convidade. Então, não o convide para morar com você de novo. |
Método 7 – Capturar a ausência do comportamento
Esta técnica é útil nos casos onde você não tem nada em particular que deseja que o animal/pessoa faça, você só quer que ele/ela pare o que está fazendo. Exemplo: telefonema de parentes reclamando ou fazendo com que você se sinta culpado, parentes que você gosta e não quer ferir os sentimento com o a) Método 1: desligar na cara ou b) Métodos 2 e 3; brigando ou ridicularizando. O termo técnico para este Método (7) é: Reforço Diferencial de Outro Comportamento.
EXEMPLOS DO MÉTODO 7
Para usarmos este método, precisamos nos esforçar conscientemente por um certo período, mas normalmente é a melhor maneira de mudar bastante um comportamento.
COMPORTAMENTO | O QUE FAZER |
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar. | Compre cerveja ou convide pessoas do sexo oposto enquanto arrumam o quarto ou seu colega lava a roupa. |
O cachorro late a noite inteira no quintal. | Vá para o quintal e recompense-o por outro comportamento que não seja latir. À noite ele ficará quieto por dez, vinte, trinte minutos, uma hora e assim por diante. |
As crianças fazem barulho demais no carro. | Espere por um momento de silêncio e então diga “Puxa, como vocês estão comportados hoje. Acho que merecem um sorvete, que tal?” |
A mulher chega em casa todo dia de mau humor. | Pense em algumas recompensas e surpreenda-a com elas assim que o humor melhorar. |
Comete erros quando joga tênis. | Ignore os erros e se elogie pelos acertos. Funciona! |
Empregado preguiçoso. | Elogie-o por qualquer trabalho feito de forma satisfatória. Você não precisa fazer isso a vida inteira, só tempo o suficiente para estabelecer essa nova tendência. |
Odeia escrever bilhetes de agradecimento. | Dê a você mesmo, como recompensa, uma ida ao cinema sempre que receber um presente e, rapidamente, escreva uma carta de agradecimento. |
O gato sobe na mesa. | Recompense-o nos períodos em que ele estiver fora da mesa é prático só se você deixar a porta da cozinha fechada quando não estiver em casa, assim o gato não tem uma auto-recompensa por subir na mesa. |
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso. | Se você pega o mesmo motorista todo dia, dar um “bom dia” agradável, ou mesmo uma água fresca, quando ele estiver sendo rude, vai melhorar a rabucide dele em uma ou duas semanas. |
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você. | Recompense seu filho por morar sozinho quando ele o fizer. Não critique a (falta de) limpeza da casa, a escolha do apartamento, a decoração, os amigos. Se não, ele pode achar que você está certo e que sua casa é mesmo o melhor lugar do mundo para morar (e não a dele). |
Método 8 – Mude a motivação
Eliminar a motivação de um comportamento é, normalmente, o método mais gentil e eficaz de todos. Alguém que já comeu o bastante não irá roubar um pedaço de pão.
Exemplo: a mãe vai com uma criança ao mercado. Se a criança estiver com fome, o cheiro e a visão de várias coisas comestíveis, sem que ela possa comê-las, irá deixá-la ainda mais faminta e ela começará uma cena nada agradável: dar um show no mercado. O que fazer então? Dê comida antes de sair de casa ou leve um lanchinho ao mercado. Pronto: acabaram-se os gritos.
EXEMPLOS DO MÉTODO 8
Se você conseguir usá-lo, este método sempre funciona e é o melhor de todos.
COMPORTAMENTO | O QUE FAZER |
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar. | Contrate uma faxineira para limpar e lavar a roupa, assim nenhum de vocês precisa fazê-lo. Pode ser a melhor solução se você é casado com seu colega de quarto ou ambos trabalham. Ou o mais bagunceiro por moldar o mais organizado a relaxar mais. |
O cachorro late a noite inteira no quintal. | Cães que latem estão sozinhos, com medo ou entediados. Dê exercícios e atenção diariamente, assim o cão ficará cansado e sonolento à noite, ou tenha outro cão para fazer companhia. Ou então, leve-o para dentro de casa. |
As crianças fazem barulho demais no carro. | O aumento do barulho e as brigas normalmente são devido à fome e cansaço. Dê suco, frutas e biscoitos, além de travesseiros para um bom cochilo no carro. Em viagens mais longas, faça as dicas acima além de paradas de dez minutos a cada hora, para que elas corram um pouco (bom para os pais também). |
A mulher chega em casa todo dia de mau humor. | Encoraje-a a mudar de emprego. Dê queijo, bolachinhas e uma sopinha reconfortante na porta, se a fome e o cansaço são o motivo do mau humor. Se o problema é o estresse, uma taça de vinho, ar fresco e exercícios são apropriados. |
Comete erros quando joga tênis. | Pare de tentar ser o melhor do mundo. Jogue por diversão. Claro, se for um campeonato, isso não se aplica! |
Empregado preguiçoso. | Pague pelo trabalho feito, não pelas horas de serviço. Este método é muito eficaz. Todo mundo trabalha pra caramba até acabarem o trabalho; depois de pronto, todos descansam. Atores de hollywood fazem assim. |
Odeia escrever bilhetes de agradecimento. | Não gostamos disso por ser uma cadeia de comportamento (Método 6) e difícil de começar, principalmente quando não há uma recompensa no final (você já ganhou o presente!). Algumas vezes não escrevemos porque não nos achamos bons escritores, espertos ou temos uma letra feia. Não é verdade: os destinatários precisam saber que você está agradecido pelo símbolo de afeição que lhe foi dado. Palavras bonitas não são tão importantes quanto a rapidez da entrega da carta: que conta muito mais. |
O gato sobe na mesa. | Por que os gatos sobem na sema? (1) para procurar comida, então, deixe-a fora do alcance; (2) gatos gostam de ficar num lugar mais alto para observar o que acontece ao seu redor. Coloque uma prateleira ou um pedestal (seguro) mais alto que a mesa, mas baixo o bastante para que você possa acariciá-lo, e que ofereça uma boa visão da cozinha. O gato pode preferir a prateleira (pedestal) à mesa. |
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso. | Evite a rabugice no ônibus fazendo o seu trabalho: esteja pronto, saiba seu destino, não bloqueie a porta, não fique murmurando, tente entender a demora devido ao tráfego, e por aí vai. Os motoristas ficam rabugentos porque os passageiros podem ser umas pedras no sapato. |
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você. | Adultos que têm amigos, auto-estima, um propósito na vida, trabalho e um teto sobre suas cabeças geralmente não querem morar na casa dos pais. Ajude seus filhos a conseguir os três primeiros itens enquanto crescem, e, naturalmente, eles procurarão um emprego e um teto. E vocês podem ser amigos! |
Leia também "Como modificar um comportamento - Parte I"
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