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sábado, 28 de abril de 2012

Como funciona a obediência canina

Os cães, assim como qualquer animal que tenha cérebro, fazem aquilo que funciona.

O comportamento está, digamos assim, sob controle de consequências, então, a obediência canina nada mais é que prover consequências ao cão. Existem quatro tipos de consequências:

1. Coisas boas começam (reforço positivo)
2. Coisas boas acabam (punição negativa)
3. Coisas ruins começam (punição positiva)
4. Coisas ruins acabam (reforço negativo)

O cão constantemente tenta começar algo bom, terminar algum ruim, evitar acabar com algo bom e evitar começar algo ruim. Quando sabemos disso, conseguimos controlar nosso cão.

Algumas vezes não sabemos direito o que é "bom" e "ruim" para o cão e acabamos reforçando exatamente um comportamento que não desejamos, além de perder oportunidades valiosas.

Vamos lá. Você tem acesso a tudo o que seu cão gosta: comida, o mundo lá fora, atenção, outros cães, odores, brincadeiras. Os brinquedos criam vida quando na sua mão! Você tem polegares opostos que podem abrir portas e potes. Muitos reconhecem isso, mas ainda assim esperam que o cão obedeça por gratidão: já que proporcionamos tudo isso, nada mais justo que ele nos obedeça. Isso só vai funcionar se você fizer o cão fazer a parte dele PRIMEIRO em toda e qualquer troca. Ou seja, você deve fazer de um jeito que, se o cão quiser brincar com outros cães no parque ou que a porta da frente seja aberta, ele precisa obedecer primeiro. Lembre-se: ele precisa fazer a parte dele ANTES e então você providencia o que ele quer. Assim ele verá a obediência como o meio de obter o que quer, ao invés de pensar que é algo que interfere no que ele quer.

Controle as coisas boas da vida do seu cão - pare de dá-las gratuitamente. Afinal, nada é de graça: você sempre reforça algo quando abre a porta, passeia com o cão, começa uma brincadeira. Isso porque o cão sempre está fazendo algo e este algo é reforçado quando algo bom acontece. Esteja ciente disso e selecione o comportamento que deseja reforçar ao invés de reforçar qualquer coisa que o cão estiver fazendo naquele segundo. Esteja preparado para negar o reforço se o cão não obedecer.

A recompensa tende a ser mais potente depois de um período de privação: um cão com fome trabalha mais que um saciado, por exemplo. Já, para um cão que comeu bastante, a comida pode até se tornar um aversivo.

Cães aprendem a reconhecer quando uma consequência boa ou ruim é provável porque, naturalmente, situações diferentes pedem estratégias comportamentais diferentes: as "dicas" do ambiente mostram quando aquele comportamento será bem sucedido. Por exemplo: quando colocamos dinheiro numa máquina de doces, recebemos um chocolate; se colocamos dinheiro na lata de lixo, nada acontece. Então, não colocamos dinheiro na lata do lixo. "Bem sucedido", em termos de aprendizagem, significa que aquele comportamento foi recompensado. Começou algo bom ou terminou algo ruim. Ou seja, funcionou. Um comportamento que funciona fica mais forte. Isso é lei, aplicável a todos os animais (incluindo nós). Essa é a essência da educação canina.


Suzie deita para poder brincar com seu brinquedinho predileto

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Meu cachorro SABE que fez a coisa errada

Semana passada escrevi um artigo sobre cães que aprontam quando os donos não estão em casa, destruindo as coisas, e que os donos juram que eles sabem que fizeram errado por conta da "cara de culpa". Quer saber mais? Acesse aqui e descubra o que é, na verdade, a cara de culpa do seu cão.

sábado, 7 de abril de 2012

Cães e crianças

Vira e mexe me perguntam: cães e crianças podem conviver juntos? Respondo: SIM. Mas é óbvio que o cão precisa ser acostumado a elas, aprender a gostar delas, brincar com elas, ficar relaxado ao lado delas.

As fotos abaixo mostram que, aqui em casa, isso funciona muito bem. Claro que isso não aconteceu da noite para o dia, deu trabalho, mas isso compensou, e muito! Para saber mais, acesse meu outro site: http://maescomcaes.blogspot.com

E agora, com mais um a caminho, também habituarei a Suzie a novas condições e estilo de vida. Mas isso ela já está super acostumada e terá a irmãzinha pra atender suas necessidades de brincar.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dominância?

Hoje em dia já não se cogita mais falar que o cão é dominante sobre o dono, simplesmente porque não há dominância entre espécies diferentes. O que existe é que o cão não sabe como se comportar naquele contexto, seja porque não foi devidamente socializado naquela situação ou por não conseguir lidar com ela (não foi educado). Mas isso não significa dominância. Então, quando alguém falar que o cão faz determinado comportamento porque quer dominar os donos, não é verdade. Pesquisas recentes já indicam que isso é uma maneira simplista de explicar algo mais complexo, que requer estudo.

Exemplo: o cão pula no dono. Em uma visão mais simplista, alguém poderia dizer que ele faz isso porque é dominante, porque quer te dominar, porque te vê como um subordinado e por aí vai. Mas não se chega a conclusão alguma sobre o MOTIVO que leva o cão a pular. Ele está recepcionando o dono? Está excitado? Está chamando atenção? Querendo brincar? E não: ele não está sendo dominante.

Outros comportamentos que a maioria das pessoas atribuem à dominância:

1. Morder / agressividade, principalmente direcionada às pessoas de casa
2. Puxar a guia
3. Fazer xixi/coco pela casa, principalmente quando é na nossa cama
4. Roer objetos
5. Pular nas pessoas, colocar a pata em cima
6. Não vir quando chamado
7. Pedir comida
8. Passar primeiro na porta
9. Dormir nos móveis
10. Roubar lixo/roupas

Estes são mais problemas de uma falta de orientação do dono sobre qual é o comportamento adequado para que o cão conviva bem na nossa sociedade humana. Se ele pula nas pessoas é porque nunca aprendeu que, para recepcioná-las, o mais adequado seria sentar; se ele não vem quando chamado não é porque está testando nossa liderança, mas será que ele foi educado para tanto, ou está entretido com outra coisa e não o ouviu? E assim por diante.

Existem também muitos mitos relacionados à dominância.

1. O dono é visto como parte da matilha: impossível, já que uma matilha é composta por indivíduos da mesma espécie e o cão não nos vê como outro cão. Além do mais, temos muita dificuldade em entender e nos comunicar com nossos cães, já que nossa linguagem é diferente.
2. O cão alfa é agressivo e encrenqueiro: mentira. O cão alfa é seguro de si, não briga, não rosna, divide as suas coisas quando quer.
3. O cão alfa nasce alfa: isso não é algo que nasce com o cão, depende de outros fatores, como experiências passadas, tamanho, peso, aptidão física, relações sociais, mudanças ocorridas com a idade etc.
4. O dono deve agir como alfa para ter um cão comportado: como dito antes, não há possibilidade disso, já que a hierarquia de dominância (termo correto) só ocorre entre indivíduos da mesma espécie.
5. É válido o dono se impor ao cão pela força: isso pode se tornar perigoso e é inadequado para os cães e nosso relacionamento com eles, além de poder causar desvios comportamentais por medo, o que indica que a técnica não funciona.
6. Disputas entre cães da casa são motivadas pela dominância: há regras hierárquicas entre os cães da mesma casa. Um cão pode reivindicar prioridade em certas coisas (carinho, brinquedo, lugar para descansar), mas o faz por meio de olhares ou com um rosnado baixo, sem brigar. Algo comum que vemos em casas que têm mais de um cão é: um dos cães ser o líder no acesso aos brinquedos, mas o outro o é no lugar para dormir. Claro que cabe a nós, donos, impormos limites e socializarmos muito, muito, muito bem nossos cães (um cão mal socializado tende a brigar mais e por qualquer coisa).
7. Brigas com cães desconhecidos são devido à dominância: isso acontece porque eles não conhecem a linguagem um do outro (problema que pode ser evitado com a... socialização!).
8. O cão dominante disputa para acasalar com a fêmea: quem já viu cães de rua, sabe que isso não é verdade: é a fêmea quem escolhe com qual macho irá acasalar.
9. Fêmeas no cio brigam por disputa hierárquica: isso se deve pelos hormônios que circulam na fêmea nesta época, deixando mais agressiva. Ou seja, é fisiológico.

Hoje em dia já está mais disseminado que somos como pais para nossos cães, e não "alfas". Por isso que a educação canina hoje é sem castigo: ignora-se o mal comportamento e recompensa-se o desejado. Nada de utilizar da força física, mas sim da nossa inteligência. E assim conseguimos ensinar tudo o que queremos de boas maneiras aos nossos cães, sem precisarmos brigar, gritar, puxar a guia, bater, e tantas outras coisas que vemos por aí.

 Quando nos relacionamos como pais com os nossos cães, torna-se muito mais natural sua educação (e mais agradável) do que se nos considerarmos líderes

Então, o que é preciso para educarmos nossos cães? Até pouco tempo atrás, acreditava-se que precisávamos ser dominantes perante eles, usarmos de força física, métodos coercivos, punições. Até hoje vemos muitos cães sendo "educados" com trancos na guia, beliscões, chutes, choques... Quando um cão aprende por meio destes métodos, ele responde aos nossos comandos por MEDO, para evitar algo desagradável. Você gostaria de aprender assim? O certo é educarmos nossos cães com paciência, consistência, premiando o bom comportamento e ignorando o que consideramos errado (mas prevenir que o errado aconteça é melhor). Para isso, todos que vivem com o cão devem ser consistentes quanto às regras. O cão pode subir no sofá? Pode entrar nos quartos? Se não houver uma regra clara, não podemos culpar o cão por fazer o que não queremos (mas que outra pessoa que mora com a gente deixa-o fazer).

Outro aspecto positivo quando usamos de nossa inteligência e não força bruta é que o cão fica muito mais confiante: aprende mais rápido, fica mais relaxado em variadas situações e é um cão mais fácil de se conviver. O processo de educação começa com o cão ainda filhote: proporcionando socialização intensa (pessoas, ambientes, animais, cães, objetos, barulhos) e obediência básica ("senta", "fica", "vem"), que nos ajudam a controlar o comportamento do cão.

Existe ainda mais a ser abordado sobre este assunto, principalmente sobre os métodos usados para se educar (e até mesmo brincadeiras) baseados na teoria da dominância, mas fica para um próximo post.

Se quiserem saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura destas matérias:
http://caosciencia.blogspot.com.br/search?q=domin%C3%A2ncia
http://www.dogstardaily.com/search/node/dominance

Fonte: livro "Culture Clash", site do Dr. Ian Dunbar e revista "Cães e Cia"

quinta-feira, 29 de março de 2012

Guia do Filhote: parte I

Então, você e sua família decidiram ter um filhote em casa. Parabéns! Mas, antes de aumentar a família, é preciso entender um pouco mais sobre a educação e o comportamento dos filhotes, e é isso que vou tentar explicar aqui.

O primeiro mês do filhote, na sua casa, é de extrema importância: é quando ele precisa de nossa maior dedicação, tempo e paciência para educá-lo da melhor maneira possível, transformando-o em um cão adulto exemplar.

Não importa se você comprou um filhote de um criador idôneo (por favor, não compre em pet shops, anúncio de jornal, feirinhas, nem nada parecido! Estes filhotes são fruto de muito sofrimento dos pais; quem os colocou no mundo não se importa com sua saúde física nem mental, ou seja, você não estaria levando para casa um filhote para companhia, mas algo como um "animal de rebanho") ou adotando de um abrigo, lar temporário ou ONG: o melhor é fazer é se informar para ter todas as ferramentas necessárias para se ter um filhote (e adulto) bem comportado, apto para viver em nossa sociedade.

Aqui irei abordar temas como educação do filhote, enriquecimento ambiental, brinquedos, treino de banheiro, treino de mordida, socialização, a adolescência. Você: saberá quais as fases de desenvolvimento do filhote; saberá como selecioná-lo e ao criador (ou protetor) e avaliar o seu comportamento (idealmente o filhote deve ter sido criado dentro de casa e já deve saber alguns comandos básicos e ter começado a socialização - além de não poder ser doado ou vendido antes dos 60 dias); como é a rotina de banheiro e porque os filhotes roem (aprender a dar-lhes algo apropriado para roer e passar o tempo - enriquecimento ambiental); aprenderá a socializar o filhote com pessoas, cães, animais, superfícies, barulhos, objetos etc; como ensinar o filhote a controlar a força de sua mordida (algo muito importante, pois evita acidentes graves); e a evitar problemas quando o cão for adolescente, além da importência dos passeios.

Espero que seja útil tanto para você quanto para seu filhote. A vida em comum é muito mais agradável quando temos um cão bem comportado.

sexta-feira, 2 de março de 2012

O medo nos cães

Nem sempre é fácil identificar um cão medroso. Quando o cão é nosso, parece mais difícil ainda: quem não acha que seu cão é o melhor do mundo, não é?!

Mas os cães estão sempre nos mandando sinais, através da sua (riquíssima) linguagem corporal. Basta que nós saibamos ler estes sinais, que podem ser muito nítidos ou mais sutis, e evitarmos acidentes, principalmente com crianças: afinal, cães que sentem medo fogem e nos dão estes sinais mas, se não os lermos e insistirmos na aproximação, eles podem se sentir acuados e atacar (o que pode ser desastroso, se ele tiver um mal (ou nenhum) treino de mordida).

Um exemplo: seu cão tem medo de crianças e você, um dia, recebe uma criança em casa. O cão corre pra caminha dele, fica agachado, de olhos arregalados, virando a cara e lambendo o focinho (alguns sinais de medo - vejam mais no desenho abaixo). As crianças não entendem a linguagem corporal dos cães: cabe a nós, adultos, entendermos e explicar que, quando um cão está desse jeito, não se deve chegar perto dele. Agora, digamos que ninguém saiba disso e deixam a criança chegar perto do cão, porque ele é bonzinho. A criança vai chegando perto, mais perto e o cachorro, sem saída, ataca a criança. "Que cachorro malvado, traiçoeiro, atacou do nada!". Não. Ele deu todos os sinais que estava desconfortável com aquela situação, ANTES de atacar.

Agora, fatores que podem atenuar esse ataque: o cão ter um ótimo treino de mordida (ele encosta apenas o focinho na pele, só deixando na criança um pouco de saliva); porte pequeno do cão (ele pula na criança, mas não a machuca, pois não tem peso suficiente para tanto). Fatores que podem tornar o ataque desastroso: porte médio para grande do cão (ele pula na criança e, com o peso, a derruba e machuca); péssimo (ou inexistente) treino de mordida (onde o cão morde mesmo, lacerando a pele e tirando sangue). Se você juntar os dois fatores (cão de porte grande/médio e péssimo treino de mordida), terá um acidente grave.

Veja o quadro abaixo para aprender a ler os sinais que seu cão lhe dá de quando está com medo. Se seu cão mostrar alguns destes sinais, identifique as situações e, com a ajuda de um profissional, trabalhe com o cão (contra-condicionamento, dessenssibilização e BAT (treino para mudar o comportamento)) para que ele perca o medo. Lembre-se: nós precisamos ajudá-lo: os cães não superam o medo sozinhos. E contratem um profissional que não use aversivos (trancos, gritos, choques, chutes, tapas etc), e sim um que recompense os bons comportamentos e ignore os maus. Só assim seu cão realmente será ajudado e será infinitamente mais feliz, sem medos!

Imagem do site da Dra. Sophia Yin (pdf gratuito), veterinária especialista em comportamento animal e autora de vários livros sobre o assunto

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Meus textos

Aos senhores copiadores de plantão, fica a dica: meus textos são de minha autoria (quando são traduções, são devidamente autorizadas pelos seus autores!) e TODA E QUALQUER CÓPIA DOS MESMOS É PROIBIDA, OK?! Cansei de ver meus textos em sites/blogs de pessoas que se dizem profissionais de adestramento, com os nomes das minhas meninas, como se o texto fosse daquela pessoa.

Quer um texto meu? Ótimo! Entre em contato comigo que eu cedo com o maior prazer: você pode linkar no seu site, copiar até, desde que tenham os devidos créditos. Agora, um profissional roubar texto de outro, que coisa feia, hein?!

Portanto, antes de fazer a besteira de dar um Ctrl+C e Ctrl+V em um texto meu, pode me escrever. Não sou tão chata assim a ponto de não deixar um texto meu ser divulgado. Àqueles que roubaram meus textos, tenham a CARA DE PAU de ao menos apagá-los do seu blog/site ou escrevam um artigo similar com suas palavras.

Grata pela atenção!
 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cães mimados

Muitos podem pensar que cão mimado é aquele que dorme dentro de casa, come a melhor comida, tem brinquedos, usa roupas, convive próximo ao dono. Não há nada de errado em nenhuma dessas situações! O cão pode ter uma vida confortável sim, sem ser nada mimado.

Então, o que caracteriza um cão mimado?

Cão mimado é aquele que não foi educado desde filhote; aquele que é tratado como um humano verticalmente reduzido e peludo; aquele que não aceita que o dono mexa em seu prato de comida e/ou que retire um brinquedo/osso dele. Cão mimado é aquele que treina o dono, e não o contrário - late para chamar atenção, porque quer comer, porque quer sair (e a lista continua) e o dono atende à sua demanda; aquele que cutuca o dono porque quer qualquer coisa, e o dono acata sua ordem.

Um cão é mimado quando você lhe dá algo sem ele ter feito nada em troca e, também, quando você permite que ele faça determinado comportamento, e até ache graça dele, e depois se arrependa. Familiar? No primeiro caso: ah, que lindo da mamãe, deixa dar um biscoitinho pra você, só porque eu te amo muito! No segundo: que lindo, tão pequenininho e já me defendendo. Meses depois... estou preocupada, ele ataca todos que chegam perto de mim!

Então, o que fazer? Quero dar o melhor para meu cão, mas não quero que ele seja mimado! Não é difícil: basta que ele receba tudo o que quer depois de fazer algo que nós queiramos. Quando usamos o programa “Nothing In life Is Free (NILIF)” ou “Nada na vida é de graça”, ensinamos ao cão que ele precisa fazer algo que queiramos (como sentar, deitar etc) para ganhar algo que ele queira (passear, comer, carinho etc). Não é nenhum bicho de sete cabeças: a grande maioria dos cães aprende a sentar em poucas lições. E, depois de um comando aprendido, aprender outros acaba se tornando mais fácil, pois ele já tem o hábito de aprender algo novo.

Quando o cão entender que para ele ganhar qualquer coisa precisa sentar, é só uma questão de você esperar ele oferecer este comportamento. Não peça para ele sentar, simplesmente espere que ele o faça. E ele o fará, acredite!

Ao fazermos isso, ensinamos nossos cães a controlar seu comportamento: eles acabam fazendo um bom comportamento sem que precisemos falar-lhes toda hora. E não se esqueça: sentar não precisa ser o único comportamento desejado. Seja criativo! Quanto mais seu cão souber, mais a vida dele será rica, mais fácil ele aprenderá novos comandos e mais fortes serão os laços que unem você a ele.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tipos de Aprendizagem

Quando falamos em "aprendizagem", falamos em uma mudança no comportamento que é resultado das experiências que o cão teve. Esta mudança pode ser devido à educação canina ou o produto final da relação do cão com o ambiente onde vive. Há mais de 200 anos o filósofo John Locke concluiu que aprendemos por associação - uma conexão que estabelecemos mentalmente entre os eventos que ocorreram em determinada sequência. Por exemplo: quando vemos e sentimos o cheiro do chocolate, o comemos e achamos uma delícia, a próxima vez que virmos e sentirmos o cheiro de chocolate, teremos a expectativa de que será delicioso se o comermos.

Pode haver dois tipos de associações. A primeira é a associação de dois estímulos ou impressões sensoriais, enquanto a segunda é a associação entre uma ação e o seu resultado. Estas duas formas existem porque há diferentes tipos de aprendizagem. Um exemplo do primeiro tipo de associação é quando, ao vermos um clarão no céu ele sempre vem seguido pelo trovão. Depois de um tempo, sempre que virmos o clarão no céu, ficaremos tensos, esperando o barulho do trovão. Este tipo é chamado "Classical Conditioning" (condicionamento clássico - tradução livre). A palavra "condicionamento" é só um jargão para aprendizagem, e o "clássico" é devido a ser a primeira forma de aprendizado que foi devidamente estudada.

O "Operant Conditioning" (condicionamento operante) é quando se aprende através da associação de um estímulo e uma resposta. Por exemplo: ao apertamos um botão daquelas máquinas de salgadinhos, um deles cai e o pegamos. É chamado condicionamento operante porque aprendemos que o que acontece é devido a uma ação nossa. Embora devamos considerar cada um destes tipos como diferentes, os dois estão envolvidos na mesma tarefa.

Um exemplo prático que tenho aqui em casa, do clássico, é quando vou dormir com a Suzie e o Luis fica trabalhando/estudando no computador. Um pequeno detalhe antes de continuar: Suzie pode dormir comigo ou com o Luis na cama, mas não com os dois juntos. Quando os dois vão dormir, ela vai pra sala, dormir onde bem entender (normalmente no sofá). Voltando. Quando o Luis termina, ele desliga o estabilizador e vai pra cama. No começo, ele chegava o quarto e tirava a Suzie, seja no colo, seja chamando-a. Hoje, ao ouvir o barulho do estabilizador sendo desligado, ela mesma já se levanta, sai da cama e vai pra sala.

Já o exemplo do segundo, é quando está sendo educada: sabe que a ação dela sentar é que fará com que ganhe petisco (ou passeio, brinquedo, carinho - qualquer coisa que ela queira).

E na sua casa? Quais os exemplos de cada um dos tipos de aprendizagem você tem?

domingo, 9 de outubro de 2011

Comportamentos compulsivos - Parte I

Esse é um problema muito comum nos cães (e gatos também) hoje em dia. Por isso, vou fazer dois posts sobre o assunto, porque ele é extenso. Neste post vou falar sobre lamber, coçar e roer. Espero que gostem. No outro, falarei de um modo mais geral de todos os comportamentos compulsivos.


Cães e comportamentos compulsivos: Coçar, Lamber e Roer

Seu cachorro se coça a noite toda? Lambe as patas sem parar? Morde o próprio rabo? Se isso te deixa nervoso, já imaginou como seu cão se sente?

Estes comportamentos compulsivos são relativamente comuns em cães e as causas são inúmeras. Mas, podem ser prejudiciais. Um dos primeiros sinais de que seu cão tem um problema pode ser o desenvolvimento de um “hot spot” - uma área avermelhada e úmida, devido às lambidas e mordidas persistentes. Embora o hot spot – ou dermatite úmida – possam aparecer em qualquer parte do corpo dão cão, são mais comuns na cabeça, peito ou quadril. Como os cães coçam, lambem ou mordem insistentemente um local quando este fica irritado, os hot spots podem ficar grandes e inflamadas rapidinho.


Quais os motivos?
Os motivos são variados: vão desde alergias a tédio, passando por infestação por parasitas:
  • Alergias. Quando o cão se coça demais, normalmente é resultado de alergia alimentar ou ambiental, que inclui mofo e pólen. Os cães também podem desenvolver uma irritação, chamada de dermatite de contato, quando em contato com substâncias como pesticidas ou produtos de limpeza.
  • Tédio ou ansiedade. Assim como a gente, quando ansioso, roi unhas ou torce o cabelo, os cães também têm respostas psicológicas à ansiedade. Alguns cães desenvolvem algo parecido com o transtorno obsessivo compulsivo dos humanos. Pode se manifestar com o cão se coçando, lambendo ou mordendo, que podem causar machucados graves!
  • Pele seca. Inclui vários fatores, como o tempo seco do inverno ou deficiência de ácidos graxos. O cão fica desconfortável e acaba se coçando ou lambendo para se aliviar.
  • Desequilíbrio hormonal. Se o cão não produz os hormônios da tireoide ou fabrica muito cortisol, infecções da pele, superficiais, podem aparecer. Você pode ver pequenas manchas vermelhas, e o peludo vai coçar e lamber, porque elas incomodam.
  • Dor. Quando tentar descobrir porque seu cão se lambe ou se morde em excesso, veja se não há algo que o deixa fisicamente desconfortável. Por exemplo: o cão morde a patinha várias vezes, pode ser que tenha um espinho ou uma farpa na pata. Lamber e morder compulsivamente também pode ser uma resposta a problemas ortopédicos, incluindo dor nas costas ou displasia coxo-femoral.
  • Parasitas. Entre as causas mais comuns para se lamber compulsivamente, ou se coçar, são pulgas, carrapatos e ácaros. Apesar dos carrapatos serem visíveis a olho nu, as pulgas só são vistas quando a infestação é grande e os ácaros são microscópicos. Então, não pense que seu cão não tem parasita nenhum só porque você não os vê.

Tratamento
Como há muitos motivos para estes comportamentos, vá ao veterinário assim que o problema começar. Ele lhe ajudará a descobrir a causa e fará o melhor tratamento que, dependendo do caso, pode incluir:

* Acabar com os parasitas. Há vários produtos no mercado que o veterinário recomendará. E, se este for o caso das mordidas e coçadas sem fim, higienize muito bem a cama do seu peludo, seus tapetes e móveis, regularmente, para evitar uma reinfestação. E não se esqueça: trate todos os animais da casa!

*
Mudar a dieta. Se o problema é com a comida, elimine os alimentos com maior potencial alergênico (carne ou trigo). O veterinário pode recomendar uma dieta especial, se for este o caso. A suplementação de ácidos graxos à comida normal do pet também ajuda nos casos de pele ressecada e mantém a pelagem do cão saudável.

* Medicamento.
O veterinário pode prescrever remédios para tratar problemas ocultos que contribuem para o comportamento compulsivo. Além disso, ele pode recomendar o uso de antibióticos, esteróides ou anti-histamínicos para tratar as feridas / infecções já existentes.

* Prevenir o comportamento.
Como estes comportamentos compulsivos podem causar machucados graves e afetar a qualidade de vida do seu cão, é importante dar o seu melhor para fazer o cão parar de se morder, lamber e coçar demais. Algumas ideias: use spray amargo para desencorajar as lambidas; use um colar elizabetano para que ele não mexa nas feridas; mantenha o cão perto de você quando em casa.  

* Avalie a ansiedade ou tédio. Em alguns casos, estes comportamentos compulsivos se desenvolvem devido ao medo, estresse ou estímulos inadequados. Para reduzir as chances deles aparecerem, dê exercícios (caminhadas, brincadeiras com o dono, corrida, adestramento, esportes caninos etc), atenção e amor o bastante para o cão. Ensine o cão a brincar com ossos recreacionais, brinquedos inteligentes (Kongs, quebra-cabeças, bolas e outros brinquedos que podem ser recheáveis) para que ele alivie o estresse e roa coisas apropriadas, deixando de lado o comportamento compulsivo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Como melhorar a doação de cães

O texto abaixo é uma tradução e adaptação do original deste site aqui. Lembre-se que é um texto feito nos Estados Unidos, onde há outra cultura em relação aos cães e às profissões ligadas a eles. Mas, não custa nada a gente tomar isso como exemplo, seja como voluntário, seja como profissional.


Como fazer com que cães com pouca chance de adoção tenham um lar

Quando surge o termo “cães com pouca chance de adoção”, nos vêm à mente imagens bem diferentes. Alguns pensam em cães com algum tipo de deficiência ou idosos; outros pensam em cães com problemas comportamentais, que não convivem bem com outros cães e/ou outras pessoas. Quando penso em cães com pouca chance de serem adotados, admito que quase todo cão acima de 6 meses de idade me vem à mente. Afinal, todo mundo ama os filhotes.

Claro que existem aqueles que preferem não adotar um filhote, tivemos esse tipo de experiência e, por mais legal que tenha sido, graças a Deus já passou. Mas, como um amigo envolvido em um evento de adoção disse: “parecia uma liquidação de filhote”, as pessoas não conseguem se conter e os pegam. Claro que nem sempre isso é uma coisa boa, afinal, os filhotes crescem...

A diferença entre um cão adotável e um não adotável são, normalmente, as habilidades. Dê ao cão uma habilidade e ele passará do “um olho só, idoso e não é o que eu estava procurando” para “Meu Deus, como ele é esperto!”. Ensine um cão surdo a sentar e olhar com ar pidão para alguém que ele já vai para a escala dos adotáveis. Ensine-o a deitar ou dar a pata e adotantes em potencial já começam a pensar que ele é um cão prodígio. Essas pequenas habilidades podem ajudar o cão a ser adotado e de continuar no novo lar.

Sei das limitações de tempo, energia e dinheiro que abrigos e ONGs encaram. Assim, o adestramento dos cães pode ser uma opção limitada, mas ainda me surpreende que, mais que poder, não exigem que os futuros adotantes matriculem seus cães em aulas de adestramento. Alguns abrigos incluem o custo destas aulas no custo da adoção. Uma amiga adestradora oferece 75% de desconto para uma aula particular para os cães adotados. Em dois anos, ela teve apenas dois alunos. Se isso é falta de propaganda, pelo abrigo, para os adotantes ou simplesmente um desinteresse por parte dos próprios donos, eu já não sei. Mas, se o abrigo tornasse o adestramento obrigatório, talvez muitos levariam seus cães.

Frequentemente ouço grupos conversando sobre quantos cães doaram, mas nenhum fala sobre o número destes cães que ainda estão na mesma cada depois de dois ou três anos. A julgar pelo número de vezes que alguns cães passam pelo sistema, acredito que um bom número de cães volta para o abrigo. Cães que não tiveram sucesso no novo lar, continuam a gastar dinheiro do abrigo. Há ainda aqueles cães que não param em nenhum lar, apesar de no contrato ser uma exigência o cão voltar para o abrigo de onde foi veio; os cães que são eutanasiados por causa de problemas comportamentais; os cães que nunca mais foram vistos depois de fugir depois de pouco tempo no novo lar; os cães relegados a uma vida preso em uma corrente por causa de problemas comportamentais não resolvidos.

Meu sonho é: abrigos, centros de resgate e ONGs mudando a cultura da adoção de cães e tornar divertida a exigência de todos eles serem matriculados em uma aula de adestramento como uma condição para a adoção. Os adestradores são profissionais excelentes. São poucos os que não aceitam participar de algo assim: a maioria dá descontos para donos de cães adotados em suas aulas de obediência, agility etc. Fazer com que os cães com menos chance tenham um lar é o primeiro passo. Mantê-los lá é o próximo.

Posições confortáveis para dormir

Depois de tantos posts "sérios", segue um para descontrair. As posições mais "confortáveis" do mundo para dormir, na visão de uma Whippet.

Divirtam-se!


Como uma gatinha, dormindo no encosto do sofá para tomar um gostoso e quentinho sol vespertino

Também super confortável: torta no sofá

Suzie sem cabeça - alguém aí consegue ver onde se encontra a cabeça dela?

Por enquanto são só estas fotos. Tem muitas mais, nas mais variadas posições. E os seus cães? Também dormem em posições engraçadas?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Como modificar um comportamento? - Parte II

Agora, a última parte do texto. Lembrando que é um texto traduzido e adaptado por mim do livro Don't Shoot the Doh, da Karen Pryor, então a reprodução total e/ou parcial é proibida.

Divirtam-se!


Método 5 – Ensinar um Comportamento Incompatível
Um método elegante é treinar o animal/pessoa a fazer outro comportamento fisicamente incompatível com aquele que é indesejado. Por exemplo: algumas pessoas não gostam de cães que pedem comida na mesa do jantar.

A solução do Método 1 é colocr o cão para fora ou prendê-lo na hora das refeições. Mas também é possível controlar este comportamento ensinando um incompatível – por exemplo, ensinar o cão a deitar na caminha dele enquanto estamos comendo. Primeiro, você ensina o cão a deitar. Depois, você generaliza o comportamento “deitar” em outros lugares. Recompensa o comportamento com comida depois que todos limparam o prato. Sair de perto da mesa e ir deitar é um comportamento incompatível com pedir comida na mesa; um cão não consegue, fisicamente, estar em dois lugares ao mesmo tempo.

EXEMPLOS DO MÉTODO 5
Pessoas sensíveis normalmente usam este método. Cantar e fazer joguinhos no carro alivia os pais, e as crianças não ficam entediadas. Diversão, distração e ocupações agradáveis são boas alternativas durante muitos momentos tensos.


COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Compre uma cesta de roupa e recompense o colega de quarto por colocar a roupa ali. Lavem a roupa juntos, tornando isto um evento social, quando a cesta estiver cheia. Cuidar da roupa é incompatível com largá-la.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Ensine-o a deitar sob comando; cães, como a maioria de nós, raramente latem deitados. Fale o comando da janela ou coloque um interfone na casinha dele. Recompense com carinho.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Cante, conte histórias, faça brincadeiras. Incompatível com brigas e gritaria.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Institua uma atividade legal na volta para casa, incompatível com o mau humor, como brincar com os filhos ou se dedicar a um hobby. Meia hora de total privacidade também é legal. Talvez sua esposa precise de tempo para relaxar antes de se dedicar à família.
Comete erros quando joga tênis.
Treine uma jogava nova, do começo.
Empregado preguiçoso.
Peça para que ele trabalhe com mais afinco/mais depressa em determinada tarefa; observe e elogie o trabalho feito.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Treine outro comportamento: se alguém lhe manda um cheque, escreva palavras bonitas atrás dele – o banco se encarrega do resto. Para outros presentes, chame quem o enviou na mesma noite e agradeça. Assim, você não precisa escrever uma carta.
O gato sobe na mesa.
Treine o gato a sentar numa cadeira e recompense com comida. O gato vai estar onde você quer, não na mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Responda à rabugice com um olhar, um sorriso e uma observação social apropriada - “Bom dia” - ou, se o motorista for realmente chato, diga, bem simpático: “Seu trabalho deve ser mesmo muito difícil”. Normalmente a pessoa fica mais amigável, atitude esta que você recompensa.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Ajude-o a encontrar outra casa para morar, mesmo que você tenha que pagar por ela no começo.

Método 6 – Colocar o comportamento sob comando
Este é bacana. Funciona em algumas circunstâncias quando nada mais é suficiente.

É um axioma da teoria de aprendizagem que, quando o animal/pessoa aprende a oferecer o comportamento em resposta a algum tipo de dica/comando e só com ele (stimulus control), o comportamento tende a acabar na ausência da dica/comando. Você pode usar esta lei natura para se livrar de todo tipo de coisas que você não quer simplesmente colocando este comportamento sob comando... e nunca dar o comando. :)

EXEMPLOS DO MÉTODO 6
Não parece lógico que este método funciona, mas pode ser eficazes e, algumas vezes, quase uma cura instantânea.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Faça uma “guerra de roupa suja”. Veja a bagunça que vocês dois fazem em dez minutos. (Eficaz; algumas vezes a pessoa desorganizada, vendo a bagunça, será capaz de reconhecer e arrumar bagunças menores – uma camiseta, duas meias – que possam ainda te indomodar mas que não tinha sido vista como bagunça pelo colega de quarto).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Ensine o cão a latir com o comando “Fala!”e recompense com comida. Na ausência do comando, não recompense os latidos.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Coloque a barulheira em controle de estímulo (stimulus control) – veja acima a explicação do que é.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Marque uma hora para o mau humor; sente por dez minutos, digamos, começando às 5 da tarde. Durante este período reforce, com sua atenção e simpatia, toda reclamação. Ignore a reclamação antes e depois deste tempo.
Comete erros quando joga tênis.
Se você bater na bola de um jeito errado e aprender a fazê-lo de propósito, o erro tende a acabar quando você não der o comando “bata errado na bola”? É possível.
Empregado preguiçoso.
Dê-lhe uma folga. É uma técnica muito eficaz usada pelo presidente de uma agência na qual a Karen Pryor trabalhou.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Compre post-its, papéis, selos, canetas, caderninho de telefone/endereço e uma caixa vermelha. Coloque todas as coisas dentro dessa caixa. Quando você ganhar um presente, coloque o nome da pessoa que te deu o presente no post-it, coloque na caixa, coloque a caixa no seu travesseiro (ou no seu prato) e não durma (ou coma) ate que você obedeça a dica da caixa e escreva a cartinha, coloque um selo nela e a leve para o correio.
O gato sobe na mesa.
Ensine-o a subir e descer da mesa sob comando. Então, molde o tempo que ele deve esperar para ouvir o comando (o dia inteiro, quem sabe).
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Não é recomendado colocar este comportamento sob comando.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Assim que ele sair da sua casa, convide-o para te visitar, tornando claro que ele só deve ir na sua casa se for convidade. Então, não o convide para morar com você de novo.


Método 7 – Capturar a ausência do comportamento
Esta técnica é útil nos casos onde você não tem nada em particular que deseja que o animal/pessoa faça, você só quer que ele/ela pare o que está fazendo. Exemplo: telefonema de parentes reclamando ou fazendo com que você se sinta culpado, parentes que você gosta e não quer ferir os sentimento com o a) Método 1: desligar na cara ou b) Métodos 2 e 3; brigando ou ridicularizando. O termo técnico para este Método (7) é: Reforço Diferencial de Outro Comportamento.

EXEMPLOS DO MÉTODO 7
Para usarmos este método, precisamos nos esforçar conscientemente por um certo período, mas normalmente é a melhor maneira de mudar bastante um comportamento.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Compre cerveja ou convide pessoas do sexo oposto enquanto arrumam o quarto ou seu colega lava a roupa.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Vá para o quintal e recompense-o por outro comportamento que não seja latir. À noite ele ficará quieto por dez, vinte, trinte minutos, uma hora e assim por diante.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Espere por um momento de silêncio e então diga “Puxa, como vocês estão comportados hoje. Acho que merecem um sorvete, que tal?”
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Pense em algumas recompensas e surpreenda-a com elas assim que o humor melhorar.
Comete erros quando joga tênis.
Ignore os erros e se elogie pelos acertos. Funciona!
Empregado preguiçoso.
Elogie-o por qualquer trabalho feito de forma satisfatória. Você não precisa fazer isso a vida inteira, só tempo o suficiente para estabelecer essa nova tendência.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Dê a você mesmo, como recompensa, uma ida ao cinema sempre que receber um presente e, rapidamente, escreva uma carta de agradecimento.
O gato sobe na mesa.
Recompense-o nos períodos em que ele estiver fora da mesa é prático só se você deixar a porta da cozinha fechada quando não estiver em casa, assim o gato não tem uma auto-recompensa por subir na mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Se você pega o mesmo motorista todo dia, dar um “bom dia” agradável, ou mesmo uma água fresca, quando ele estiver sendo rude, vai melhorar a rabucide dele em uma ou duas semanas.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Recompense seu filho por morar sozinho quando ele o fizer. Não critique a (falta de) limpeza da casa, a escolha do apartamento, a decoração, os amigos. Se não, ele pode achar que você está certo e que sua casa é mesmo o melhor lugar do mundo para morar (e não a dele).


Método 8 – Mude a motivação
Eliminar a motivação de um comportamento é, normalmente, o método mais gentil e eficaz de todos. Alguém que já comeu o bastante não irá roubar um pedaço de pão.

Exemplo: a mãe vai com uma criança ao mercado. Se a criança estiver com fome, o cheiro e a visão de várias coisas comestíveis, sem que ela possa comê-las, irá deixá-la ainda mais faminta e ela começará uma cena nada agradável: dar um show no mercado. O que fazer então? Dê comida antes de sair de casa ou leve um lanchinho ao mercado. Pronto: acabaram-se os gritos.

EXEMPLOS DO MÉTODO 8
Se você conseguir usá-lo, este método sempre funciona e é o melhor de todos.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Contrate uma faxineira para limpar e lavar a roupa, assim nenhum de vocês precisa fazê-lo. Pode ser a melhor solução se você é casado com seu colega de quarto ou ambos trabalham. Ou o mais bagunceiro por moldar o mais organizado a relaxar mais.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Cães que latem estão sozinhos, com medo ou entediados. Dê exercícios e atenção diariamente, assim o cão ficará cansado e sonolento à noite, ou tenha outro cão para fazer companhia. Ou então, leve-o para dentro de casa.
As crianças fazem barulho demais no carro.
O aumento do barulho e as brigas normalmente são devido à fome e cansaço. Dê suco, frutas e biscoitos, além de travesseiros para um bom cochilo no carro. Em viagens mais longas, faça as dicas acima além de paradas de dez minutos a cada hora, para que elas corram um pouco (bom para os pais também).
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Encoraje-a a mudar de emprego. Dê queijo, bolachinhas e uma sopinha reconfortante na porta, se a fome e o cansaço são o motivo do mau humor. Se o problema é o estresse, uma taça de vinho, ar fresco e exercícios são apropriados.
Comete erros quando joga tênis.
Pare de tentar ser o melhor do mundo. Jogue por diversão. Claro, se for um campeonato, isso não se aplica!
Empregado preguiçoso.
Pague pelo trabalho feito, não pelas horas de serviço. Este método é muito eficaz. Todo mundo trabalha pra caramba até acabarem o trabalho; depois de pronto, todos descansam. Atores de hollywood fazem assim.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Não gostamos disso por ser uma cadeia de comportamento (Método 6) e difícil de começar, principalmente quando não há uma recompensa no final (você já ganhou o presente!). Algumas vezes não escrevemos porque não nos achamos bons escritores, espertos ou temos uma letra feia. Não é verdade: os destinatários precisam saber que você está agradecido pelo símbolo de afeição que lhe foi dado. Palavras bonitas não são tão importantes quanto a rapidez da entrega da carta: que conta muito mais.
O gato sobe na mesa.
Por que os gatos sobem na sema? (1) para procurar comida, então, deixe-a fora do alcance; (2) gatos gostam de ficar num lugar mais alto para observar o que acontece ao seu redor. Coloque uma prateleira ou um pedestal (seguro) mais alto que a mesa, mas baixo o bastante para que você possa acariciá-lo, e que ofereça uma boa visão da cozinha. O gato pode preferir a prateleira (pedestal) à mesa.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Evite a rabugice no ônibus fazendo o seu trabalho: esteja pronto, saiba seu destino, não bloqueie a porta, não fique murmurando, tente entender a demora devido ao tráfego, e por aí vai. Os motoristas ficam rabugentos porque os passageiros podem ser umas pedras no sapato.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Adultos que têm amigos, auto-estima, um propósito na vida, trabalho e um teto sobre suas cabeças geralmente não querem morar na casa dos pais. Ajude seus filhos a conseguir os três primeiros itens enquanto crescem, e, naturalmente, eles procurarão um emprego e um teto. E vocês podem ser amigos!

domingo, 25 de setembro de 2011

Curso do Dante em Brasília - Vamos?

Interessados em um curso sobre comportamento animal ou agility? Vá para Brasília! Dante Camacho estará nos dias 26 e 27 de novembro e 3 e 4 de dezembro ministrando os cursos. No primeiro final de semana será sobre comportamento; no outro, sobre agility.

Quem puder ir, não perca! Quer saber mais sobre o curso? Acesse aqui. E boa viagem!

Como modificar um comportamento? - Parte I


Lendo o livro da Karen Pryor, Don't Shoot The Dog, resolvi compartilhar algo importante. Nossos cães sempre têm algum comportamento indesejado que queremos mudar, seja latir excessivamente, pular nas visitas, roer os móveis ou puxar durante os passeios.

Mas vocês sabem que há oito maneiras de conseguirmos isso? Sim, oito. Algumas usam métodos negativos; outras, os positivos (os quais eu uso).

Os oito métodos são:

  1. Mate o cão: funciona. Você não vai mais lidar com nenhum comportamento ruim, nem com o cão.
  2. Punição: o favorito das pessoas, mesmo não funcionando na imensa maioria das vezes.
  3. Reforço Negativo: retira-se algo desagradável quando um comportamento desejado acontece.
  4. Extinção: o comportamento some por si só.
  5. Ensinar um comportamento incompatível: muito útil.
  6. Colocar o comportamento sob comando: aí você nunca dá esse comando.
  7. Moldar a ausência”: recompensa qualquer coisa que não seja o comportamento indesejado.
  8. Mude a motivação: o mais gentil de todos os métodos.

    Método 1 – Mate o cão 
    Sempre funciona. Nunca mais você terá problema com o este cão em particular. Claro que não é só matar... doar também faz parte deste método. Com pessoas, pode ser prisão, divórcio, sair de casa... Lembrando: este método não ensina nada, o cachorro nem sabe o que está acontecendo. Já deu pra perceber que não é o ideal?

EXEMPLOS DO MÉTODO 1
Este método acaba com o problema, mas pode não ser adequado em todas as ocasiões.
COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Mude de colega de quarto.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Mate-o, doe-o, leve-o ao veterinário para retirar suas cordas vocais (é crime, tá?!)
As crianças fazem barulho demais no carro.
Faça-as voltarem a pé ou de ônibus para casa. Peça pra outra pessoa dirigir.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Se divorcie.
Comete erros quando joga tênis.
Pare de jogar.
Empregado preguiçoso.
Mande-o embora.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Pare. Quem sabe as pessoas também parem de lhe mandar presentes.
O gato sobe na mesa.
Deixe-o do lado de fora ou doe-o.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Saia do ônibus e pegue o próximo.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Diga não e não ceda.

Método 2 - Punição
É o método preferido da humanidade. Quando o comportamento está errado, logo pensamos em uma punição. Bater na criança, no cão, sustar o cheque, processar a empresa etc. Mas a punição é um jeito meio desastrado de mudar um comportamento. Na verdade, na maioria das vezes a punição não funciona nada.

EXEMPLOS DO MÉTODO 2
Raramente são eficazes e perdem o efeito com a repetição, mas são muito usadas.
COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Brigue e grite. Ameace confiscar suas roupas e jogá-las fora (ou de fato fazê-lo).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Vá pro quintal e bata nele, ou jogue um jato de mangueira (O cão ficará tão feliz em vê-lo que “perdoará” a punição).
As crianças fazem barulho demais no carro.
Grite com elas. As ameace. Se vire e dê uns tapas nelas.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Comece uma briga. Queime o jantar. Fique amuado, brigue e chore.
Comete erros quando joga tênis.
Amaldiçoe, fique irritado, se critique toda vez que errar.
Empregado preguiçoso.
Brigue e critique, de preferência na frente de todo mundo. Ameace não pagá-lo (ou o faz mesmo).
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Se puna por ficar adiando a tarefa e se sinta culpado ao mesmo tempo.
O gato sobe na mesa.
O derrube e/ou o espante para fora da cozinha.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Pegue o número do motorista, reclame na companhia e tente fazer com que ele seja transferido, repreendido ou mandado embora.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Deixe-o morar com você, mas torne a vida dele um inferno.

Método 3 – Reforço Negativo
O Reforço Negativo é qualquer evento ou estímulo desagradável, não importa a intensidade, que pode acabar ou ser evitado com a mudança de comportamento. Uma vaca, no campo com uma cerca elétrica, toca o nariz na cerca, sente o choque e se afasta, o que para o choque. Ela aprende a evitar o choque ao não tocar a cerca. Quando toca a cerca é punida, então o comportamento de evitar a cerca foi reforçado por meio de um reforço negativo, ao invés de um positivo.

EXEMPLOS DO MÉTODO 3
O Reforço Negativo pode ser eficaz e uma boa escolha em algumas situações.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Desconecte a TV ou atrase o jantar até que ele arrume as roupas (cesse o reforço negativo quando ele fizer o que você queria; recompense todo esforço, por menor que seja).
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Acenda uma luz forte na casinha dele toda vez que ele latir. Apague-a quando ele parar de latir.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Quando o nível de decibéis atingir o limite, estacione o carro. Leia um livro. Ignore as perguntas sobre você ter parado – é barulho também. Volte a dirigir quando o silêncio reinar.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Vire de costas ou saia do ambiente por um tempinho quando o tom da voz dela for desagradável. Volte e dê-lhe atenção quando o tom de voz for normal ou ela estiver em silêncio.
Comete erros quando joga tênis.
Contrate um técnico ou um espectador para lhe corrigir verbalmente quando você errar (Ah-Ah ou Não!). Desenvolva outro balanço que pare com a correção.
Empregado preguiçoso.
Aumente a supervisão e repreenda toda vez que o trabalho falhar.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
O Reforço Negativo aparece automaticamente nos amigos e pessoas que amamos. Tia Alice sempre faz você saber o quão preocupada ela está quando você não pega o cachecol e sua família sempre te lembra que você deve escrever para ela. A informação será enviada com insinuações aversivas.
O gato sobe na mesa.
Coloque fita adesiva, o lado que cola virado para cima, na mesa da cozinha.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Fique na porta, ou perto do motorista, assim ele não consegue dirigir até que você saia dali. Saia quando ele parar de falar, mesmo que por um instantinho.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Deixe-o voltar, mas cobre-o, exatamente como faria se fosse cobrar aluguel de um estranho, comida e qualquer serviço adicional, como lavar a roupa e cuidar das crianças. Faça valer a pena, financeiramente, que ele saia da sua casa.

Método 4 - Extinção
Se você treinou um rato para pressionar uma alavanca repetidamente para obter comida e, de repente, você desliga a máquina que lhe dá comida, o rato pressionará a alavanca muitas vezes no começo e, depois, cada vezes menos, até ele finalmente desistir. O comportamento se “extinguiu”.

Extinção é um termo usado em laboratórios de psicologia. Se refere não à extinção de um animal, mas de um comportamento, que acaba por si só, por falta de reforço.

Comportamentos que não dão resultado – nem bons, nem maus, só a falta deles – provavelmente acabarão. Isso não quer dizer que possamos simplesmente ignorar um comportamento e ele acabará.

EXEMPLOS DO MÉTODO 4
Não é útil quando queremos acabar com um padrão de comportamento bem aprendido e auto recompensador. Mas ele é bom para choramingos, mal-humor ou provocação. Mesmo crianças pequenas podem aprender que podem fazer as mais velhas pararem de provocá-las simplesmente não reagindo.

COMPORTAMENTO
O QUE FAZER
Colega de quarto deixa a roupa suja por todo lugar.
Espere que ele cresça.
O cachorro late a noite inteira no quintal.
Este comportamento é auto-recompensador e dificilmente acaba espontaneamente.
As crianças fazem barulho demais no carro.
Uma certa quantidade de barulho é natural e inofensiva. Deixe: uma hora eles cansarão.
A mulher chega em casa todo dia de mau humor.
Não reaja: logo esse mau humor todo acaba.
Comete erros quando joga tênis.
Tente outros golpes, passadas e por aí vai e tente deixar aquele erro específico morrer ao não se concentrar mais nele.
Empregado preguiçoso.
Se o mau comportamento for uma maneira de chamar atenção, não dê atenção; mas também pode ser auto-recompensador.
Odeia escrever bilhetes de agradecimento.
Este comportamento normalmente acaba com a idade. A vida se torna tão cheia de tarefas mais trabalhosas, como pagar as contas, que os bilhetes de agradecimento se tornam uma atividade relaxante.
O gato sobe na mesa.
Ignore o comportamento. Ele não vai acabar, mas você terá sucesso em acabar com suas própria objeções ao fato de ter pelo de gato na comida.
O motorista de ônibus rabugento é rude com você e você fica nervoso.
Ignore o motorista, pague a passagem e esqueça isso.
Seu filho, que já morava sozinho, quer voltar a morar com você.
Aceite o fato como temporário e que seu filho sairá da sua casa assim que sua situação financeira melhorar ou que a crise passe.

Logo postarei a segunda parte, com os últimos quatro métodos. Lembrando que este é um trecho do livro Don't Shoot the Dog, da Karen Pryor, que foi traduzido e adaptado por mim. Ou seja: reproduzi-lo é proibido; divulgá-lo é legal!
Leia também "Como modificar um comportamento? - Parte II"