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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 8

Manter a guia tensa, literalmente
Assim como os cães são experts em ler nossa linguagem corporal, também são experts em ler nosso nível de tensão através da guia. Manter a guia tensa aumenta o nível de estresse, frustração e excitação do cão e, ao mesmo tempo, seu. "Ah, mas eu não quero ficar segurando firme a guia, mas preciso! Meu cão fica me puxando!". Por isso é tão importante ensinar o cão a andar com a guia frouxa. 

Guia tensa = cão tenso, pronto para reagir a qualquer
pequeno estímulo

Guia frouxa = cão mais calmo e passeio mais agradável














Uma grande quantidade de energia é transferida entre você e seu cão através da guia. Quando ela está frouxa, você mostra ao cão que está tudo bem, que não há nada com o que se preocupar: você "diz" que está calmo e que tudo está sob controle e seu cão fica calmo também. Mas, quando a guia está tensa, a mensagem que você passa é que está tenso, nervoso, alerta, pronto para brigar ou fugir e seu cão responde da mesma maneira. Assim como você não gosta que seu cão puxe demais, também não é bom para ele ser constantemente puxado (sendo essa uma "dica" para ficar alerta). Um cão que anda com a guia tensa tem mais propensão a latir e ser reativo até mesmo na mais normal das situações. Já um cão que anda com a guia frouxa tem mais tendência a se manter calmo. Pode ser um treino difícil, mas é muito importante ter passeios relaxantes ao lado de um cão calmo. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 7

Passear e não dar oportunidade para o cão explorar e cheirar
Existem caminhadas e caminhadas. Claro que é muito importante que o cão saiba como andar na guia sem puxar. Mas também é importante permitir que o cão tenha um tempo para explorar a vizinhança enquanto passeia com você. Os cães vêem com seu focinho, que tem um papel tão importante para eles para entender o mundo quanto a visão tem para nós: os cães gostam de cheirar um tronco de árvore do mesmo modo que apreciamos um pôr do sol. Os cães detestam não poderem cheirar ao menos por alguns minutos por dia e, muito frequentemente (infelizmente), focamos mais na caminhada como uma maneira de se fazer exercícios ou apenas para usar o banheiro. Fazemos sempre o mesmo caminho monótono, sem qualquer variedade ou senso de prazer e voltamos para casa rápido demais. 

Faça um favor ao seu cão e dedique uma de suas caminhadas para cheirar - ir devagar e deixar o cão ver o mundo através de seu nariz. Vá para um lugar novo (desde que seu cão esteja confortável com isso!), vá por outras ruas do bairro, deixe seu cão cheirar até cansar, mesmo que ele cheire o mesmo lugar por vários minutos antes de prosseguir. Você pode ajudar seu cão a entender a diferença da caminhada do exercício da caminhada de cheirar: na primeira, ele anda sem puxar a guia e cheira só um pouco: usa uma coleira e guia normais; na caminhada de cheirar, ele usa uma peitoral. É bom usar um equipamento diferente do que a coleira e guia usuais, para que o cão entenda as diferenças e o propósito das caminhadas. Estes passeios olfativos são uma oportunidade maravilhosa para o cão ter estímulos sensoriais e mentais, que tornam sua vida mais rica e interessante. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 6

Forçar o cão a interagir com outros cães e pessoas que ele não gosta
Assim como outros animais sociais, os cães têm seus amigos favoritos e seus inimigos. É fácil de ver quais outros cães - e pessoas - o cão quer brincar e aqueles que ele prefere nem chegar perto. Ainda assim, muitos donos de cães negam tudo isso ou simplesmente não conseguem ler os sinais que seus cães lhe dão. Isto é muito comum com aqueles donos muito entusiasmados que empurram o cão (algumas vezes, literalmente) para eventos sociais em parques quando são cães prefeririam muito mais o conforto de casa. Ou permitem que estranhos acariciem seu cão quando ele mostra sinais claros de que quer ficar sozinho. 

É importante notar que há uma diferença entre encorajar de modo positivo um cão tímido, medroso ou reativo. Dar pequenos passos para encorajá-los a sair de sua zona de conforto e lhes recompensando por demonstrar um comportamento mais calmo, alegre e social é importante para ajudá-los a ter uma vida mais equilibrada. Mas saber a diferença entre encorajar o cão de modo positivo e gentil e forçá-lo a interagir é vital para a segurança e sanidade de seu cão. Quando os cães são forçados a interagir, são mais propensos a atacar. Eles mostram inúmeros sinais - os chamados sinais apaziguadores, que são: ignorar, evitar e até mesmo rosnar - até que ficam irritados (afinal, ninguém entendeu suas dicas de que quer ficar sozinho) e dão uma clara mensagem: mordem. O que ainda é pior, a confiança que ele tinha em você como seu protetor foi corroída e eles terão uma associação ainda mais negativa com o parque, determinado cão ou pessoa, ou uma situação social (encontro de cães, por exemplo). Faça um favor ao seu cão: leia sua linguagem corporal quando ele não quer interagir com outros indivíduos e não o force. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 5

Dar uma vida desestruturada e sem regras
Os cães precisam, querem e adoram regras e rotina. Talvez você pense que tê-las torne a vida do cão entediante ou infeliz. Mas o que os cães precisam disso. Não é tão diferente assim de nós, humanos. As crianças se dão melhor quando há regras a serem seguidas e rotinas do dia a dia do que em lares onde são livres para fazer tudo (mas lembre-se, não é para ser ditador: são regras comuns, inclusive para nós, como horário, bons modos etc). Pense na diferença entre crianças mais educadas daquelas mais mimadas. Quais delas vivem em lares com regras, limites e rotina? E quais são mais felizes? Com os cães é a mesma coisa. As regras, a rotina, tornam a vida mais previsível, menos confusa e bem menos estressante. 

Falando em cães confusos, eles não entendem exceções às regras. Não entendem que podem pular em você quando está de moleton, mas não podem pular quando está com uma roupa chique. Não entendem que podem subir no sofá depois de um banho, mas não podem subir depois de brincar na lama. Mais: dizer "Não" por ter quebrado uma regra mas não fazer nada a respeito para parar o comportamento e ajudar o cão a aprender o correto não conta como fazer alguma coisa a respeito. Os cães precisam saber de seus limites e, quando você passa um bom tempo reforçando quais eles são, e ensinando comportamentos corretos (lembre-se, sempre com reforço positivo, nunca com punição!), você também estreita seus laços com ele e reforça sua confiança. Desta forma, você está dando condições para que seu cão seja muito feliz!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 4

Se aproximar de um cão estranho olhando-o nos olhos

O contato visual é muito poderoso. Para nós, manter o contato visual é visto como um sinal de confiança, de foco; mas ele também pode nos deixar desconfortáveis. Quando um estranho nos olha fixamente, achamos muito esquisito, principalmente se ele estiver se aproximando de nós. Qual sua intenção? Precisamos prestar atenção no seu rosto para termos dicas. Para muitas espécies o contato visual estabelece dominância e, nos humanos, usamos os menores detalhes do rosto - a musculatura em volta dos olhos e boca - para saber se aquele olhar é amigável ou não. Mesmo assim, ainda é muito esquisito que alguém estranho nos olhe fixamente! O mesmo acontece com os cães. Quando você olha nos olhos de um cão que não conhece, sem piscar, não importa se você estiver sorrindo e sendo amigável: o cão encara esse olhar como um sinal de dominância ou mesmo de agressão. Ele pode ter uma resposta submissa - desviar o olhar, cheirar o chão, rolar (são também chamados de sinais apaziguadores, que podem indicar tanto estresse e desconforto como a tal da submissão, como quem diz "olha, eu sou da paz, não vou fazer nada para você") - ou ele pode recuar e latir. De qualquer maneira, para a maioria dos cães, alguém estranho o olhar diretamente nos olhos enquanto se aproxima é uma situação muito desconfortável. 

Se você quiser cumprimentar um cão novo de uma forma legal para ambos, se aproxime meio de lado (não de frente para o cão), desviando o olhar e falando baixo. Essas dicas que damos com a linguagem corporal, todas amigáveis, mostram ao cão que você é do bem. Pode ser que mesmo assim o cão não queira nada contigo, mas ao menos você não se aproximou dele de uma forma assustadora, que pudesse causar uma reação defensiva ou até mesmo agressiva. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 3

Fazer carinho no rosto ou dar tapinhas na cabeça

"Eu não gosto disso nem um pouquinho..."
Você gosta de tapinhas na cabeça? Acredito que não. Se alguém der tapinhas na nossa cabeça, não iremos gostar. Na melhor das hipóteses, incomoda; na pior, machuca. Também não queremos que nenhum estranho nos toque no rosto. Se alguém aproximar a mão do seu rosto, o mais provável é que você se afaste e fique um pouco tenso com a invasão do seu espaço pessoal. Ainda assim, a maioria de nós, humanos, achamos que os cães gostam deste tipo de coisas. A verdade é que, embora muitos cães tolerem este tipo de contato de quem eles conhecem e confiam, a imensa maioria não gosta disso. Você pode perceber: se você fizer este tipo de "carinho" em seu cão, ele vai se afastar um pouco. Claro que ele vai deixar, pois confia em você, mas ele não gosta. Assim como para nós, é visto como uma invasão do espaço pessoal dele. Por isso pais responsáveis devem ensinar às crianças a acariciar gentilmente um cão em suas costas, mas não dar tapinhas, e nunca se aproximar do rosto dos cães. Se você quer fazer carinho no seu cão, acaricie suas costas e próximo à cauda. Ele vai adorar!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 2

Abraçar o cão
Veja os sinais: orelhas para trás, evitar contato visual,
musculatura tensa, boca fechada, tentando se
afastar: acha mesmo que ele gosta de abraço?
Enquanto você adora dar aquele abraço no seu cachorro, a maioria deles odeia ser abraçado. Como primatas que somos, achamos os abraços incríveis e expressamos apoio, amor, alegria e outras emoções através deles. Para nós é normal abraçar alguém, e isso significa algo bom. Mas os cães não evoluíram da mesma forma. Os canídeos não têm braços e não abraçam. Ao invés de camaradagem, se um cão coloca a pata sobre outro, é considerado um ato de dominância. Não importa quais suas intenções enquanto abraça, o cão pode ver o abraço como um sinal de você querendo dominá-lo. Claro, muitos cães toleram ser abraçados. Mas alguns se sentem ameaçados, ficam com medo e até demonstram o quanto detestam isso - repare que em muitos casos de crianças sendo mordidas no rosto é porque estavam abraçando um cão (ou mesmo o cão da família). O mesmo cão que gosta do abraço de alguém da família pode reagir de forma totalmente diferente se outra pessoa tenta o mesmo. É difícil encontrar um cão que realmente gosta se ser abraçado. 

Se você se pergunta se seu cão odeia ser abraçado, leia sua linguagem corporal para ter uma dica. Ele está tenso? Afasta a cabeça de você? Evita contato visual? Lambe os lábios? Mantém a boca fechada? Coloca as orelhas para trás, coladas à cabeça? Todos são sinais que mostram que o cão está desconfortável. Sim, mesmo o cão que lambe os lábios enquanto é abraçado não está demonstrando amor, mas sim um comportamento submisso e nervoso. Da próxima vez que quiser abraçar seu cão, preste atenção se ele está feliz com isso. Afinal de contas, seu rosto está bem próximo da boca cheia de dentes dele. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 1

Vou transcrever uma série de 11 coisas que normalmente fazemos mas que os cães detestam, e o motivo pelo qual eles odeiam.

1. Usar mais as palavras que a linguagem corporal
Somos seres vocais. Adoramos falar, mesmo com nossos cães, que não entendem a imensa maioria das coisas que lhes dizemos. Os cães podem conseguir deduzir o significado de algumas palavras - passear, biscoito, brinquedo, desce - e talvez até aprendem mais de uma centena de palavras, como alguns famosos Border Collies. Mas eles não entendem a linguagem humana. O que eles usam para descobrir o que queremos lhes dizer é a nossa linguagem corporal. Os cães evoluíram para se tornar experts em ler nosso corpo e conseguem descobrir o que pensamos e sentimos antes mesmo de nós mesmos sabermos o que pensamos ou sentimos! Mas nós temos facilidade em mostrar sinais confusos a eles se prestarmos atenção apenas no que falamos, e não no que demonstramos através da linguagem corporal. Um exemplo clássico é a pessoa que diz uma coisa, mas demonstra outra, confundindo o cão, que tenta desesperadamente entender o que queremos dele: dizemos ao cão "Fica" enquanto nos inclinamos em direção ao cão e estendemos a mão como guarda de trânsito. Na linguagem corporal estamos convidando o cão a vir até nós. Mas, quando o cão faz isso, o repreendemos porque ele não ficou. Isso é muito confuso!

Uma ótima experiência (e algo que fará seu cão se sentir aliviado) é tentar ficar um dia inteiro sem dizer uma palavra a ele, se comunicando somente pela linguagem corporal. Veja o quanto você consegue "falar" com seu corpo, como usar seus movimentos e posição corporal para obter o que deseja do cão (sem intimidá-lo!), tudo isso sem emitir nenhum som!

sábado, 26 de julho de 2014

O Olfato dos Cães


Que o olfato dos cães é apurado, todos sabemos. Conheça cinco fatos sobre ele:

1. Cada marcação nasal é única, assim como a impressão digital dos humanos, e pode ser usada para identificar seu cão.

2. Um nariz molhado ajuda o cão a assimilar melhor os odores quando fareja o ambiente, sendo este o motivo pelo qual o focinho dos cães secreta uma camada de muco que ajuda a absorver os odores. Os cães conseguem lamber seus focinhos para levar uma amostra do odor à suas bocas.

3. A parte olfatória no cérebro dos cães é 40 vezes maior que nos humanos.

4. Os cães têm vários receptores de odores em seus narizes, mas nem todos os cães têm a mesma quantidade deles. Os Dachshunds são os que menos os tem, com cerca de 125 milhões de células; os Beagles e os Pastores Alemães estão na médica, com cerca de 225 milhões de células, enquanto o Bloodhound possui cerca de 300 milhões de receptores em seus narizes. O ser humano tem míseros 5 milhões de receptores.

5. Os chamados “scent dogs” (cães guiados pelo olfato, como o Bloodhound, Beagle e outros cães usados como rastreadores) são usados para encontrar pessoas perdidas, encontrar drogas e bombas e inclusive detectar células cancerosas em humanos mesmo quando máquinas não o conseguem.


Sendo tão bons farejadores, é comum acharmos erroneamente que os cães usam seu sentido do olfato como a primeira ferramente para solucionar problemas, como achar o brinquedo que saiu rolando no quintal. Pesquisas hoje mostram que cerca de 75% dos cães usam a sua memória, ao invés do olfato, para solucionar problemas. Os cães podem farejas petiscos em um ambiente, mas não conseguem localizar o odor a menos que esteja perto dele. E o seu cão? Usa mais o nariz ou o cérebro para solucionar problemas?

terça-feira, 27 de maio de 2014

Melhorando a memória do cão

Quando domesticamos os cães limitamos as suas habilidades de explorar e responder aos seus instintos como faziam antigamente. O shaping e o treinamento estimulam estes intintos, além de ser uma boa maneira de ter o melhor do cão - assim como uma forma excelente de acelerar sua educação.

Além disso, o que podemos fazer para melhorar a memória de nossos cães que, antigamente, a usavam muito mais do que hoje (eram basicamente cães de trabalho, enquanto hoje são quase que exclusivamente de companhia, passando mais tempo dentro de casa, sem estímulos)?

1. Buscar: os retrievers são os cães que mais vêm à mente quando falamos em buscar: são eles que recolhem a caça e usam sua memória e faro para encontrá-la. Você pode simular ensinando o seu cão, não importando de qual raça, a buscar brinquedos. Primeiro, você joga onde seu cão o viu; depois vai jogando mais longe, de forma que ele não consiga vê-lo; depois, usando dois brinquedos ou mais para ele buscar.

2. Esconde-esconde: você pode se esconder ou esconder brinquedos/petiscos que o cão goste. Novamente, comece de uma forma mais fácil, com você escondendo o brinquedo às vistas do cão, até chegar à fase de você pedir para ele esperar em outro cômodo da casa enquanto você esconde brinquedos, petiscos para ele procurar.

3. Seguir odores: fazer trilhas de petiscos visíveis e, por fim, ele ter que procurar apenas sentindo o cheiro do petisco em suas mãos.

4. Desafios para a memória: coloque um petisco ou brinquedo em algum lugar da casa, mostre ao cão onde ele está e leve-o para dar uma volta. Quando ele chegar em casa, veja se ele vai direto onde está o petisco/brinquedo. Faça isso com vários petiscos ou brinquedos quando já estiver fácil para ele.

Assim como para a gente, desafiar o cérebro é importante para nossos cães. Os faz felizes, exercita o cérebro e, de quebra, você e ele ficam ainda mais ligados um ao outro. Que tal começar hoje?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Nada na vida é de graça (programa NILIF)

Costumo dizer aos pais/mães de meus alunos que usem o programa NILIF com seus cães, para que eles se tornem mais educados e mais fáceis de conviver no dia-a-dia.

Mas, o que é esse programa? Vamos chegar lá. Primeiro, imagine o seguinte: você está relaxando no sofá e seu cão te cutuca querendo carinho. Você o ignora, ele joga a bolinha no seu colo. Você o ignora mais uma vez e ele, persistente como é, sobe no seu colo. Você, já irritado, joga a bolinha pra ele. Pronto! Seu cão acaba de te treinar!

Melhor seria o inverso, não acha?

Por isso eu falo do NILIF (Nada na vida é de graça), mas deixo claro que não é uma pílula mágica que soluciona todo e qualquer problema de comportamento. Ao invés disso, é um modo de vida, que ajudará seu cão a se comportar melhor, aceitando e confiando em você, além de conhecer os limites da família.

O que é?
Você tem os recursos - comida, petiscos, brinquedos, passeios, atenção. Seu cão os quer. Faça com que ele os mereça. Essa é a base do programa. Quando o cão faz o que você pediu, é recompensado com o que quer.

- Como praticar?
1. Primeiro, trabalhe com reforço positivo e ensine seu cão a fazer alguns truques (ou chame alguém para lhe ensinar). "Senta", "deita", "vem" e "fica" são comandos úteis. Truques legais são "dá a pata", "rola", "high five".

2. Não desperdice seus recursos! Você dá carinho, brinquedo, petisco ao seu cão sem motivo? Então, pare. Sua atenção é algo valioso para o cão. Faça com que ele a ganhe.

Suzie pedindo "por favor" para ganhar o
tão desejado petisco
3. Quando seu cão já souber alguns comandos, comece a praticar o NILIF. Antes de dar qualquer coisa ao cão, ele deve fazer algo que lhe foi ensinado. Por exemplo:
    - Para colocar a guia e passear, peça para ele se sentar para que você a coloque;
    - Antes de oferecer a comida, peça para ele sentar e ficar até que o pote esteja no chão (mas eu, particularmente, instruo pais e mães de alunos a não dar mais comida no potinho, e sim em briquedos inteligentes - falarei disso em um próximo post);
    - Ao brincar com o cão, peça para ele dar a pata, rolar antes de recomeçar a brincadeira;
    - Faça carinho no cão enquanto assiste TV, mas peça para que ele deite e role antes.

4. Assim que você pedir que seu cão faça alguma coisa, não lhe dê o que ele quer até que ele o faça. Se ele se recusar a fazer, não desista. Seja paciente e lembre-se de que uma hora ele vai fazer o que lhe foi pedido (desde que ele já saiba o que o comando significa!).

5. Certifique-se de ele sabe o comando direitinho e entenda o que você quer dele antes de começar a praticar este programa!

Benefícios

Pedir que seu cão trabalhe para ganhar tudo o que ele queira é uma maneira segura, positiva e amigável de se estabelecer como o líder (no sentido de ser aquele que estabelece as regras da casa, detém os recursos e têm uma ligação de afeto e proteção com o cão, não confundir com aquele que só manda e está sempre tenso, punindo).

Mesmo se seu cão nunca demonstrou um comportamento agressivo, como rosnar, ele ainda pode manipular você, como no exemplo acima. Este programa lembra ao cão, de uma forma bacana, que ele também precisa seguir certas regras. Cães medrosos podem se tornar mais confiantes quando aprendem comandos! Sempre que aprende um novo truque, ele fica mais confiante e se sente mais confortável e menos estressado (além de ser uma forma de enriquecimento mental).

Porque funciona

Os cães querem as coisas. Se a única maneira de conseguir é ouvir você, ele ouvirá.

Ser um pai/mãe responsável encoraja o bom comportamento, dando ao cão a orientação e limites que o cão precisa.

Ao praticar este programa, comunicamos ao nosso cão, de uma forma gentil e eficaz, que você é seu pai/mãe porque você é quem tem tudo o que ele quer.

sábado, 17 de agosto de 2013

Obesidade em cães e gatos

Cão e gato (bem) acima do peso
Já falei sobre obesidade aqui, mas, por ser uma doença cada vez mais comum nos nossos pets, não custa nada relembrar!

Assim como as pessoas, os animais também estão ficando mais pesados, principalmente se não se exercitam adequadamente e/ou recebem alimentos inadequados. Tais alimentos não têm índices adequados de proteínas, vitaminas, enzimas e outros nutrientes essenciais, mas são ricos em gorduras. O mesmo acontece quando se dá alimentos industrializados de qualidade inferior.

Em alguns animais, o problema pode ser por causa de um distúrbio no metabolismo, que causa uma fome incontrolável e excessiva, difícil de lidar. Além de um programa para perda de peso, estes animais também precisam de tratamento específico para corrigir este “defeito”. De qualquer forma, é importante que essa gordura em excesso saia de seu animal, porque ela força o coração dele, deixa a circulação mais lenta, causa complicações de outras doenças e diminui a expectativa de vida.

Para o Dr. Pitcairn, o programa para perda de peso tem três princípios básicos:

  1. Amentar o nível de atividade. Leve seu cão para caminhadas diárias, corridas, brinque com ele. Brinque com seu gato. A atividade física aumenta o metabolismo, queimando calorias mais rapidamente.
  2. Resista à tentação de dar petiscos extras para o cão. Se ele estiver pedindo comida, dê petiscos pouco engordativos, como maçãs, cenouras, outros vegetais, pipoca sem sal e óleo e ossos crus.
  3. Alimente-o com uma dieta rica em fibras, pobre em gordura e nutritiva, que proporcione 2/3 das calorias necessárias para manter seu cão/gato no peso ideal.


Este médico veterinário dá ênfase em uma dieta natural, equilibrada, com suplementos naturais (iogurte, levedo de cerveja, óleo de peixe, óleo vegetal, alho), preferencialmente crua, com ossos carnudos crus, carnes, vísceras, ovos, vegetais, por ser mais palatável e mais rica em nutrientes que uma dieta industrializada para perda de peso, que promove também um pouco a perda da saúde.

Quer saber a quantas anda a condição física de seu cão ou gato? Clique na imagem abaixo para ampliá-la e examine seu melhor amigo. Se ele estiver acima do peso, converse com o médico veterinário e, juntos, façam uma dieta para redução de peso, de preferência com alimentos naturais. 

Escore de condição corporal de cães e gatos
 Fonte: livro "Dr. Pitcairn's New Complete Guide to Natural Health for Dogs and Cats"

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Educar de forma positiva: mais um motivo para usá-la

Eu sempre defendi e usei reforço positivo para ensinar qualquer coisa e resolver problemas comportamentais nos cães. Recentemente, li um artigo que diz que os métodos de educação positiva estão associadas com menos problemas comportamentais nos cães!

Foi feita uma pesquisa, com 53 tutores e seus cães, na qual os pesquisadores descobriram que os cães de tutores que usavam métodos punitivos de educação (como trancos na guia, gritos, chutes etc) eram mais medrosos em novas situações e menos interessados em brincar do que os cães cujos tutores usavam métodos positivos (reforço positivo!) na sua educação!

Para quem quiser ler o resumo e pagar para ler o estudo completo, segue o link: Training Methods and Owner-Dog Interactions: Links With Dog Behaviour and Learning Ability

domingo, 7 de julho de 2013

Mas meu cachorro sabe o que fez! Será?

A maioria das pessoas tem certeza que os cães sabem, sim, que fizeram algo de errado. Isto porque, quando chegam em casa, seus cães os recebem não com aquela alegria, rabo abanando, pulos e lambidas, mas, sim, com o corpo abaixado, rabo entre as pernas e o famoso “olhar de culpa”. Então, ao dar uma olhada rápida no ambiente, voilá! Tapete mastigado, sofá destruído, livros rasgados. O dono, achando que o cão já sabe que aprontou, dá uma bela bronca. Mas, longe de melhorar a situação, esta só piora e o quadro de destruição aumenta a cada saída. E aí?

Vamos analisar o caso da bronca, que é a resposta comum da maioria das pessoas. O que a punição faz é “ativar” uma sequência do condicionamento clássico:
visão do dono + itens destruídos → dor da punição → medo
O que isso significa? Que, da próxima vez que o dono chegar em casa e todos os componentes estiverem na cena (a visão do dono e bagunça no chão), o cão mostrará o medo condicionado. É o medo que faz o cão recepcionar o dono desta maneira, e não a culpa.

A verdade é que os cães não têm senso de moral, do que é certo e errado. Certo e errado são conceitos que nós, humanos, temos, por termos sido criados em uma cultura que define estas regras. Alexandra Horowitz, autora do livro “Inside of a Dog” (A Cabeça do Cachorro, em português), fez um experimento com cães para determinar se eles realmente se sentem culpados. O dono mostraria um petisco ao cão, não o deixaria pegá-lo mas deixaria ao alcance do cão. Logo depois, o dono sai da sala. Quem permanece na sala: cão, petisco e uma câmera. O cão tem a chance de fazer o que é errado! Nos experimentos acontecia uma das três coisas: o cão pegava o petisco; o pesquisador dava o petisco ao cão; o pesquisador tirava o petisco da sala. Na maioria das vezes, com a volta do dono à sala, o cão aparentava se sentir culpado, tendo ou não comido o petisco! E os cães que eram repreendidos eram os que mais demonstravam os sinais de “culpado”. Ou seja: o cão associa o dono com a punição, não o ato.

Como? O cão antecipa a punição, como explicado anteriormente, pois eles associam rapidamente os eventos. Exemplo: o cão chora e ganha atenção do dono. O que ele faz para ganhar mais atenção? Chora mais ainda. Na mente do cão, destruir os objetos da casa faz com que o dono apareça, mesmo que isso demore, que é seguida da punição. A mera presença do dono é o bastante para convencer o cão de que será punido. A chegada do dono está ligada à punição, muito mais do que a bagunça na casa.

Não puna seu cão: ele não sabe o motivo de você estar tao bravo com ele (afinal, ele destruiu as coisas há muito tempo atrás). Ao invés disso, limpe a sujeira sem demonstrar irritação e, antes de sair de casa da próxima vez, passeie com seu cão, faça enriquecimento ambiental, ofereça a comida em brinquedos dispensadores de comida. Um cão que tem o que fazer física e mentalmente dificilmente apronta.

Para saber mais:
  • How Dog's Think – Stanley Coren
  • Inside of a Dog – Alexandra Horowitz

quinta-feira, 21 de março de 2013

Agressividade por posse

Depois de algum (bom) tempo sem escrever para o blog, por me dedicar a um assunto particular muito importante (veja aqui), estou de volta, ao menos quinzenalmente, trazendo novidades e textos bacanas para postar aqui. E, em breve, também voltarei a educar os nossos melhores amigos de patas!

Então, vamos ao texto?!


AGRESSIVIDADE POR POSSESSIVIDADE
Texto de Fúlvia Zepilho de Andrade

Uma das muitas dúvidas e preocupações de quem cuida de cães é: como prevenir a agressividade por possessividade, seja de brinquedo, comida, pessoa ou lugar?

Antes de mais nada, temos que ter em mente que este é um comportamento natural dos cães: eles guardam o que é deles, não gostam de dividir. Assim como nós temos um livro predileto que não emprestamos para ninguém, os cães também tem suas coisas favoritas que não querem dividir com outros cães ou seus donos. Mas, mesmo sendo algo natural, não quer dizer que devamos deixar pra lá e não fazer nada a respeito. Então, como prevenir?

No começo, dê comida para o filhote na sua mão. Assim ele associa sua mão a comida. Aos poucos, coloque o pratinho de comida dele no chão e coloque uma pequena parte da comida. Fique por perto e, quando acabar, coloque mais um pouco. Mexa no filhote, mexa na comida também, tire o prato, devolva o prato. Enquanto ele estiver comendo, coloque petiscos maravilhosos, como queijo ou pedacinhos de fígado.

Dessa forma o filhote irá associar a sua presença com algo bom! Mesmo que você tire o prato dele, você o devolve.

Faça o mesmo com brinquedos, petiscos (ossos principalmente), sempre começando com um brinquedo/petisco que ele não tenha muito interesse e trocando por algo que ele tenha mais interesse.

Quando o filhote já estiver tranquilo quanto a você fazer tudo isso, pode pedir para outras pessoas fazerem o mesmo, desde o começo (é o que chamamos de generalizar). Senão, ele só deixará que VOCÊ faça isso, e mais ninguém, o que pode ser perigoso.

Se seu filhote já demonstra agressividade por posse, segue abaixo o link de um vídeo que mostra o que deve ser feito (e lembre-se de NUNCA punir seu cão por rosnar – isto é aviso. Se for punido por isso, não irá mais rosnar, mas poderá atacar sem dar nenhum aviso). Agora, se o caso for muito grave, peça ajuda profissional para evitar acidentes!

Aqui um vídeo muito bem feito, mostrando o trabalho da Claudia Pereira Estanislau com uma filhote de Golden de 11 semanas que demonstrava agressividade por posse. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Depois das férias...

As mudanças afetam não somente nós, humanos, mas também os nossos cães. Não somente as mudanças de endereço, mas as mudanças de rotina também. Por isso é sempre importante que, ao acontecer algo que mude a rotina do cão num futuro próximo (como a chegada de um bebê, dono que se casa, divórcio etc), façamos a mudança gradativamente com o cão, para que, na hora H, ele não sofra tanto.

Hoje vou falar de uma mudança que ocorreu somente este ano aqui em casa: a volta à aulas. Letícia, nossa filha mais velha, começou a frequentar a escola este ano. No começo do ano, fui adaptando a Suzie a ficar mais comigo e menos com a Letícia; quando a Lê começou a ir à escola, eu levava a Suzie junto para ela ver a irmãzinha entrar em outro local. Isso a tranquilizou (nos dias que eu não a levava, logo no começo - normalmente devido à chuva -, ela ficava em casa deitada na cama da Letícia até que ela voltasse da escola).

Quando a Letícia entrou em férias, foi aquela farra. As duas brincavam juntas, ficavam no sofá juntas, enfim, passavam boa parte do tempo juntas. Mas eu sabia que isso um dia iria acabar: afinal, as aulas voltariam e, com elas, a antiga rotina de ficar a manhã sem a maninha. Então, alguns dias pela manhã eu saía só com a Letícia: íamos na biblioteca; brincar na praça; feira... Fui tentando tornar a mudança algo mais fácil pra Suzie (pra Letícia não foi, ela voltou chorando pra escola, mas hoje já está normal, feliz de ir).

Mesmo assim, a Suzie sentiu a mudança da rotina e, com a volta às aulas da Letícia, ficou mais tristonha. E eu não tenho mais levado ela junto na escola, por um motivo muito simples: daqui algumas semanas não terei condições de levar todo mundo caminhando pra escola: Letícia, Suzie, Laura e mochila... risos. Então essa é uma mudança que eu precisava fazer agora, pra não ser um choque depois (e as duas sentiram essa mudança, já que a Letícia até hoje reclama que eu não levo mais a Suzie junto).

Mas então, o que fazer quando o cão sente a volta dos irmãos humanos à escola? Como disse anteriormente, faça as adaptações na rotina ainda nas férias escolares: o cachorro vai passar a manhã sozinho? Então comece a deixá-lo só por algumas horas. Nestas horas, não deixe seu cão entediado, sem ter o que fazer: dê uma atividade a ele! Ofereça brinquedos como quebra-cabeças, Kong recheado, um osso diferente. Enriquecimento ambiental! E não somente quando ele for ficar sozinho: senão ele associará tudo isso a ficar sozinho e pode até desenvolver ansiedade de separação. Faça isso também enquanto estiver em casa, vendo um filme com seus filhos, por exemplo.

E que tal fazer alguma atividade com seu cão, se você tiver tempo, enquanto os filhos estão na escola? Aula de obediência em grupo (ou você mesmo ensinar algo novo, se dedicar uma horinha por dia ao seu cão), agility... Ou mesmo uma caminhada mais longa, só você e seu peludo. As aulas darão um estímulo mental ao cão, o que é ótimo!

O uso de florais, aliado ao trabalho comportamental (somente os florais não irão ajudar!), facilitarão ao cão se adaptar às mudanças sem muito estresse. E, se ele já apresenta sinais de ansiedade (destruir as coisas em casa, latidos excessivos, urinar/defecar em locais incorretos), conte com a ajuda de um profissional capacitado para que ajude-os o quanto antes.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Meu filhote só quer saber de morder, e agora?

Essa semana respondi a uma dúvida de leitor no site da querida amiga Ana Corina, do Mãe de Cachorro.

Para ler na íntegra o motivo das mordidas dos filhotes, clique aqui. E aproveite e leia todo o site, que tem muitas informações úteis!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Jornada

Entre os vários livros que leio para estudar, me deparei com estes parágrafos que achei maravilhosos e gostaria de compartilhar aqui algumas partes, que achei simplesmente o máximo. Espero que, como eu, vocês também gostem.



A Jornada

Quando você resolve dividir sua vida com um cão, começa uma jornada incrível - uma jornada que lhe trará tanto amor e devoção como você nunca imaginou, além também de testar sua força e coragem.

Se você permitir, a jornada lhe ensinará muitas coisas sobre a vida, sobre você mesmo e, acima de tudo, sobre relacionamentos. Você mudará, pois uma alma não pode tocar outra sem deixar sua marca.

No caminho, você aprenderá a aproveitar os prazeres simples da vida - deitar ao sol, correr na grama, um carinho. Claro que haverá momentos bons e ruins durante esta jornada.

Se verá fazendo coisas bobas, que seus amigos que não tem um cão não entenderão. Coisas como ficar meia hora procurando a melhor comida para seu cão; comprar petiscos para ele no aniversário ou dar mais uma volta no quarteirão porque ele está adorando o passeio. Você não se importa de brincar com o filhote de roupão pela casa. 

Sua casa ficará um pouco mais suja e cheia de pelos. Vai vestir menos roupas pretas e comprar mais rolos para retirar pelos. Encontrará petiscos nos bolsos das suas roupas. Precisa explicar que aquela garrafa pet ou caixa de papelão viraram enfeites na sua sala porque são brinquedos que seu cão simplesmente ama.

Aprenderá o que é o amor verdadeiro, aquele que diz "não importa onde estivermos ou o que faremos, ou como a vida nos trata, desde que estejamos juntos". Respeite isso. É o presente mais precioso que qualquer ser vivo pode dar a outro. E você não o encontrará tão facilmente entre a raça humana.

E você aprenderá humildade. O olhar dos cães podem nos fazer sentir envergonhados. Tanto amor e alegria com nossa simples presença. Estes olhos que não veem defeitos em nós, que podemos ser teimosos e até mesmo rudes: veem apenas um ótimo companheiro. Ou, talvez, eles veem tais defeitos mas os rejeitam, como se fossem apenas nossas meras fraquezas, que não importam para eles, e escolhem nos amar do mesmo jeito.

Se você prestar atenção e aprender direitinho, quando a jornada acabar você não será apenas uma pessoa melhor, mas a pessoa que seu cão sempre soube que você seria: aquele que ele tem orgulho de chamar de melhor amigo.



Fonte: Livro "Changing People, Changing Dogs - positive solution for difficult dogs" de Dee Ganley

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Punição Positiva: porque eu não a uso

A punição positiva nada mais é que aquela onde fazemos algo que incomoda, assusta (ou machuca) o cão. O tranco na guia é um exemplo clássico. Eu não acredito que seja algo útil quando estamos educando um cão, pois ela faz com que o cão tenha medo de nós, coisa que não desejamos (queremos uma relação amigável com eles, não é?!).

Mas, o que acontece com o cão quando usamos de punição na sua educação? Alguns cães podem até parecer que não ligam para o fato de darmos tranco em sua guia, mas pode levá-los a agir de forma mais agressiva (agressividade gera agressividade). Outros cães, mais sensíveis, podem ter o que se chama de "desamparo aprendido", ou seja, ele simplesmente desiste: não oferece mais nenhum comportamento, fica sempre amuado em um canto, pois não sabe se será ou não punido pelo seu dono.

Por exemplo: estamos ensinando o cão a deitar. Ele senta e damos um tranco na guia, gritamos com ele. Ele tenta de novo, não deita e repetimos a punição. O guiamos para deitar, ele deita e o elogiamos. O cão aprende que: deve apenas esperar uma ação do dono para fazer algo, uma ajuda, pois se ele tentar algo por ele mesmo, levará uma bronca. Então, o cão fica apático, está sempre num cantinho, evita fazer qualquer coisa.

Muita gente pode pensar que é um cão super educado, afinal, não faz nada de errado. Mas, na minha opinião, ele não faz nada! Não tem liberdade para ser um cão, para brincar, roer, tentar comportamentos novos. Fica ali, paradinho... é uma sombra de um cão.

Já quando não usamos a punição positiva, o cão tem liberdade de tentar sempre novos comportamentos; tem aquele brilho no olhar quando interagimos com ele. Vê-se que é um cão mais feliz.

O que você prefere?

terça-feira, 26 de junho de 2012

Antropomorfizar: quando é bom e quando não é

Com os cães fazendo cada vez mais parte da nossa família, morando dentro de nossas casas e não mais no quintal, fica difícil não antropomorfizá-los (tratá-los como humanos). E, como tudo, existe o jeito certo e o jeito errado de fazê-lo.

Infelizmente a maioria dos donos não antropomorfiza do jeito certo. Tratam os cães como se fossem humanos com casaco de pele; creditam sentimentos humanos aos cães; desculpam os cães por seu comportamento indisciplinado, sem ao menos querer saber o motivo que os levam a agir assim; dão alimentos inadequados a eles; não deixam os cães agirem como tal (cheirarem o bumbum de outros cães; cheirarem postes; rolarem na grama etc); desejam tentar entendê-lo como humanos, ao invés de tentar aprender mais sobre comportamento e linguagem canina. Dessa forma, criamos cães meio amalucados, que não sabem se portar como cães que são, e que acabam trazendo muitos problemas para seus donos (como agressividade, comportamentos compulsivos, medo etc).

Então, qual seria o jeito certo? Tratá-los como trataríamos nossos filhos. O quê? Como assim? Simples: com as crianças nos preocupamos em socializá-las com outras para aprender a dividir os brinquedos, a se comportar (não bater, não morder etc); nos preocupamos em educá-las (ou ao menos deveria), as estimulamos física e mentalmente. E com os cães? Simplesmente levamos nosso cão para uma simples volta no quarteirão para fazer suas necessidades; saímos para trabalhar e o deixamos em casa sem nenhum estímulo; não o socializamos com outros cães e pessoas (ele só conhece aquelas que vivem com ele); achamos que um educador canino é "bobagem". O resultado: acabamos com um cão frustrado, com excesso de energia e indisciplinado.

"Ah, mas ele come da melhor ração, dou sempre petiscos para ele, ele usa perfume, toma banho toda semana, gasto bastante com ele". Tudo bem, você pode continuar fazendo isso, mas SÓ ISSO não supre as necessidades dos cães. Eles precisam de estímulos físicos e mentais diariamente para se tornarem equilibrados e saudáveis (e com isso, nosso relacionamento melhorar).

E como fazê-lo? Igual com as crianças: socializar o cão com outros cães, sempre, filhotes e adultos (se seu cão for filhote, leve-o para casas de amigos que tenham cães amigáveis e saudáveis; convide amigos com cães saudáveis e amigáveis para ir até sua casa); socializar o cão com outras pessoas (crianças, idosos, homens de chapéu, carteiros, garis, mulheres, pessoas em cadeira de rodas, adolescentes, pessoas correndo, andando de bicicleta (patins, skate), etc); socializar o cão com objetos e ambientes (aspirador, liquidificador, vassoura, carro, rua, avenida, estacionamento, parque, barulhos diversos); educá-lo (contrate um educador canino responsável, que use métodos que não punam o cão); passeie no mínimo 1h por dia com ele; brinque com ele; ofereça brinquedos que o distraia enquanto fica  sozinho em casa (Kong recheado, petiscos espalhados pela casa, quebra-cabeças canino; brinquedos dispensadores de comida); pratique alguma atividade com ele (mas antes converse com seu veterinário para saber qual o estado de saúde de seu cão e veja se ele pode fazer); mantenha-o no peso (cães obesos e com sobrepeso desenvolvem uma série de doenças e tem a sua expectativa de vida reduzida); cuide de sua saúde física (escová-lo regularmente, banhá-lo sem exagero (nada de perfume!), escovar seus dentes e examiná-lo diariamente, cortar ou lixar suas unhas, limpar os ouvidos), procure dar o melhor alimento para ele (seja ração ou Alimentação Natural); evite o excesso de vacinas (procure um profissional que faça um protocolo de vacinação personalizado). Esse é o jeito certo de tratar um cão como um humano, sem esquecer que ele é um cão.